quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Um Santo Natal...



A equipa do Luso Fonias
deseja a todos os colaboradores e ouvintes um Santo e Feliz Natal.


E que 2009 seja um ano de muitas (e)missões lusófonas!





sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Indústria em África

A 20 de Novembro comemora-se o Dia da Industrialização de África, uma data que serviu de mote ao tema do Luso Fonias do dia 22 deste mês. Um programa que esteve à convJaime Nogueira Pintoersa sobre a economia e indústria no continente africano.

Não perca a entrevista ao Professor Doutor Jaime Nogueira Pinto, Presidente da FLAC - Fundação Luso-Africana para a Cultura e Consultor e Administrador de Empresas. Publicou várias obras de temática histórica e política contemporânea, tendo lançado recentemente o livro Jogos Africanos.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Sempre me causou impressão o facto de África ser o continente com mais matérias-primas e menos indústria. Pela lógica das coisas, ficaria mais barato construir fábricas perto das matérias-primas, pois isso evitava o seu transporte. Mas as lógicas dos mercados são outras e os jogos de interesses definem outras estratégias. A verdade é que, durante muitos séculos, as matérias-primas extraídas no continente africano eram transportadas para a Europa e só ali transformadas. O resultado era evidente: as matérias-primas eram extraídas a baixíssimo custo, a transformação na Europa permitia a produção de bens que, muitos deles, regressavam a África a preços proibitivos para a maioria da população e a custos elevados para os governos que os importavam. Este circuito penalizava profundamente os legítimos proprietários das matérias-primas, o que, em termos éticos, se assemelhava muito a um roubo mais ou menos oficial e público.

Hoje, infelizmente, a situação não está muito diferente, embora haja já muitas multinacionais a investir na construção de espaços industriais em África, com o apoio de alguns governantes locais. Continua a parecer que as riquezas da África se mantêm a saque, já não tanto pelos colonos, mas mais pela elite governante e seus colaboradores. O povo simples, esse continua a viver na maior das misérias, atirado para os interiores abandonados ou para as periferias paupérrimas e violentas das grandes cidades.

Mas, há também que dizê-lo, alguns países fogem à regra e vão reorganizando as suas economias com um investimento forte na indústria e tecnologia, um passo gigantesco no sentido da libertação da tutela dos países mais ricos do mundo. Parece ser ainda uma miragem, mas este caminho começa a fazer-se e a crise que se vive em muitos dos países mais ricos do mundo, abre perspectivas de futuro a África, para onde partem muitos empresários à procura das oportunidades que não encontram na Europa e América e que julgam poder encontrar lá. E num quadro já bem diferente do colonial, pode ser que os povos locais beneficiem um pouco mais desta nova era económica. Investir na indústria e criar postos de trabalho e garantir o desenvolvimento dos povos. E assim for e a ecologia não for espezinhada, África vai avançar. A bem do continente, a bem de todos.»




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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cáritas lança 10 milhões de Estrelas

Bairro 6 de Maio acolhe apresentação da campanha de Natal da organização católica para a solidariedade



A Cáritas Portuguesa vai fazer hoje, dia 27 de Novembro, às 14H30, o lançamento da Operação 10 Milhões de Estrelas-Um Gesto Pela Paz 2008. Esta cerimónia terá lugar no Centro Social do Bairro 6 de Maio, Venda Nova – Amadora.


Criar uma cultura de paz no coração dos cidadãos, vencendo a dimensão consumista e materialista do Natal é o objectivo desta campanha, realizada em Portugal pelo sexto ano consecutivo.


A mobilização para esta iniciativa tem acontecido um pouco por todo o país e tem o seu ponto alto durante a época de Natal. É materializada através de manifestações de vária índole, designadamente de natureza espiritual, cultural, artística e desportiva, que culminam com uma concentração num local emblemático de cada localidade, onde as pessoas acenderão velas num gesto simbólico de apelo à Paz.


Estas velas serão utilizadas novamente na Noite de Natal (24 de Dezembro), desta vez para iluminar as janelas das casas, de modo a serem vistas da rua, simbolizando a adesão das famílias portuguesas aos valores propostos por esta campanha.


Das verbas recolhidas pela Operação 10 Milhões de Estrelas - Um Gesto Pela Paz 2008, 30 % das mesmas destinam-se a apoiar um projecto de cooperação e desenvolvimento para promover a integração dos povos pigmeus de Mongoumba – população minoritária da República Centro Africana – sendo as áreas da saúde e da educação as principais prioridades. Esta escolha está intimamente ligada à celebração do Ano Europeu do Diálogo Intercultural.


Os restantes 70% das verbas serão aplicados pelas Cáritas Diocesanas, em projectos portugueses da mesma área.


Fonte: Agência Ecclesia

terça-feira, 25 de novembro de 2008

À mesa com certeza mas com um prato saudável!

O Luso Fonias de 15 de Novembro contou com uma emissão sobre alimentação, um tema que hoje em dia se torna imprescindível discutir pelas preocupações que nos suscita.

As doenças relacionadas com a alimentação crescem a um ritmo acelerado, o que torna urgente a educação para hábitos saudáveis para que se coma de forma equilibrada e adequada. A entrevista desta semana focou-se na temática da diabetes e procurou perceber quais as causas e consequências desta doença.

Em estúdio esteve o Dr. Luís Gardete Correia, Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), Ex-Presidente da SPD (Sociedade Portuguesa de Diabetologia) e Coordenador do Estudo Nacional da Prevalência da Diabetes. Não deixe de ouvir e aprender algumas dicas sobre alimentação saudável.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Estamos num mundo de contrastes que atentam contra a dignidade e os direitos humanos. Todos os dias, os meios de comunicação social falam da obesidade nos países mais ricos como um drama imenso, uma vez que há um excesso de alimentação que causa desequilíbrios e doenças graves. Há, por isso, que fazer dietas rigorosas para evitar que as pessoas fiquem gordas demais. Por ironia, nunca houve tanta fome no mundo, o que prova que, como escreveu o Papa Paulo VI, as pessoas do mundo pobre têm razões para lançar um grito por mais justiça às pessoas do mundo da opulência. Também o Papa João Paulo II se lamentou porque os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Na viragem do milénio, todos nos recordamos que, os governos do mundo inteiro decidiram enfrentar o drama da pobreza e, desta forma, foram escritos os oito objectivos do milénio para o desenvolvimento. E, curiosamente, o primeiro destes objectivos é mesmo acabar com a pobreza extrema e a fome! Parece óbvia e indiscutível esta meta, até porque todos percebemos que a fome e a miséria arrasam qualquer civilização.

Quando damos a volta ao mundo, através dos meios de comunicação social, ficamos chocados com as desigualdades gritantes que vemos. Há tanta gente a viver numa opulência escandalosa, num despesismo intolerável e, ao mesmo tempo, milhões e milhões de pessoas vivem na mais inadmissível miséria. E mais: dentro dos países ricos também aumenta o número das pessoas que passam mal, até fome, como o prova em Portugal o aumento galopante das pessoas que recorrem aos alimentos do Banco Alimentar contra a Fome.

E se os economistas provam que o mundo tem bens alimentares suficientes para todos, torna-se fácil concluir que a fome não é uma fatalidade nem uma exigência que o limite de bens imponha, mas a consequência lógica da falta de justiça na distribuição. Esta verificação constitui um abanão forte à consciência da humanidade, pois há que criar uma nova ordem económica, política e social, à escala do mundo, que tente resolver estas desigualdades e, assim, rasgue caminhos de mais justiça social. Porque é uma vergonha para a humanidade continuar a haver gente que morre de fome.

Basta ser solidário. Não é preciso mesmo inventar nada!»




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Campanha de sensibilização pela saúde materna




A Fundação Evangelização e Culturas e a Objectivo 2015 - Campanha do Milénio das Nações, com o apoio da agência de comunicação McCann, estão a promover uma campanha de sensibilização da sociedade civil para a necessidade do cumprimento dos 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).



Esta parceria em particular visa chamar a atenção para o problema da saúde materna. Para muitas mulheres nos países pobres a alegria da maternidade é, demasiadas vezes, acompanhada por sérios riscos para a saúde. Cada ano, mais de 500 mil mulheres morrem de complicações relacionadas com a gravidez e muitos milhares mais ficam fisicamente diminuídas. Sem acesso a cuidados médicos básicos (como medicamentos e transfusões de sangue) e sem acompanhamento por parte de profissionais de saúde antes, durante e após o parto, para estas mulheres a gravidez pode ser uma verdadeira sentença de morte.



É essa a metáfora ilustrada na campanha agora lançada pela FEC e a Objectivo 2015 - Campanha do Milénio das Nações, onde a cadeira de uma sala de execução é substituída por uma cadeira de parto, equiparando o momento do parto ao momento da execução. Um momento de vida transforma-se num momento de morte, representando o que sucede na realidade a muitas mulheres.



A campanha sobre Saúde Materna foi produzida gratuitamente. Destacamos a participação graciosa de Beatriz Batarda (locução) e de Sara Tavares (música).



Para ajudar a combater o flagelo da mortalidade materna num dos países mais pobres, a Guiné-Bissau, participe na campanha de Natal da FEC Presentes Solidários 08, clicando aqui.






Mais informações em: http://www.objectivo2015.org/saudematerna/index.shtml

domingo, 23 de novembro de 2008

Quando a discriminação nos bate à porta

O Luso Fonias de 8 de Novembro dedicou a sua emissão ao tema da discriminação, focando-se particularmente nas questões relacionadas com a etnia cigana e convivência entre culturas.
Francisco Monteiro
Num dos editoriais do jornal A Caravana, o Frei Francisco Sales Diniz salienta que: «A convivência entre pessoas com a mesma base cultural é, por vezes difícil, porque o ser humano, por si só, já é complicado. (…) Nós, os católicos, acreditamos que Deus não faz distinção de pessoas; em Deus não há cigano ou africano, russo ou chinês, negro ou branco, todos são filhos de Deus, com igual dignidade, criados à imagem e semelhança de Deus».

Não perca a entrevista ao Dr. Francisco Monteiro, Director Executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Discriminação é uma palavra que todos condenamos, mas é uma atitude que todos cometemos, de uma forma mais directa ou mais camuflada.

Felizmente, á medida que as sociedades se organizam e reflectem as suas maneiras de ser e estar na vida, facilmente aparecem reflexões sobre o que é aceitável ou não, em termos de comportamento. E uma reflexão ética obriga a fazer listas de posturas e atitudes que desrespeitam os outros. Claro está que as ideias e atitudes que façam acepção de pessoas têm de ser reprovadas porque são geradoras de discriminação. Uma sociedade que faça mal a gestão do respeito pelas diferenças aceitáveis torna-se perigosa porque legitima a exclusão e faz com que haja cidadãos de primeira e de segunda, uns com direitos e outros sem eles.

A discriminação racial é, talvez, a mais terrível e a que, ao longo da história, mais injustiças gerou. Talvez as eleições americanas tenham ajudado a dar um passo decisivo para o respeito das pessoas, independentemente das origens, da raça e da cor.

A discriminação joga sempre no mesmo campeonato do preconceito. Ora, quando discriminamos as pessoas logo criamos preconceitos que erguem barreiras e nos afastam cada vez mais delas. Como que colocamos um carimbo na testa que as põem na lista das pessoas que não merecem respeito nem credibilidade. E assim marginalizamos, reduzimos a humanidade, esmagamos a dignidade.

As lutas contra toda e qualquer forma de discriminação tornam-se, por tudo quanto já disse, uma questão de vida ou de morte. Sociedades que assentam na injustiça não têm futuro. Há que investir na educação, no respeito pelos valores de uma cidadania responsável. Tudo o que puder ser feito em nome de uma sociedade humana e fraterna, onde todos se sintam com os mesmos direitos e deveres, é excelente. A celebração, a 10 de Dezembro, dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ser um óptimo pretexto para falar da igualdade entre todos, para bem de todos.»




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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Um presente original!



Os jovens do século XXI

A emissão do Luso Fonias de 1 de Novembro foi dedicada aos jovens. Fomos procurar saber quais os hábitos dos jovens do século XXI e se os estilos de vida dos jovens lusófonos diferem muito de país para país.

Gisela Monteiro e Inês AzevedoEm estúdio esteve a portuguesa Inês Azevedo, que foi missionária em Moçambique, e a cabo-verdiana Gisela Monteiro, que está há nove anos em Portugal. Dois testemunhos dos hábitos e estilos de vida dos jovens dos dias de hoje.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Já fui jovem (no século XX, é verdade!) e ainda hoje invisto muito na pastoral juvenil. Há dias, pediram-me para escolher sete palavras-chave que ajudem os jovens do nosso tempo a ser verdadeiramente jovens e cristãos.

Comecei pela palavra FÉ. Sem ela, acho que os jovens perdem horizonte e sentido. Não saber de onde se vem, para onde se vai e o que é que se tem que fazer da vida... coloca os jovens um pouco à deriva. Depois, avancei para a palavra GRUPO, com a convicção de que, só juntos se tem capacidade de construir projectos de futuro, avaliar o caminho percorrido e rasgar novos horizontes.

A palavra FORMAÇÃO veio a seguir e nasce da minha experiência e convicção de que há que crescer sempre no conhecimento, a todos os níveis do saber, do saber fazer e do ser.

A palavra DIÁLOGO também me enche as medidas pois a vida só se compreende e só nos realiza se conversamos uns com os outros, se partilharmos ideias e compromissos.

CIDADANIA E SOLIDARIEDADE foram outras palavras que atirei para a mesa dos jovens. Cruzar os braços e achar que o mundo avança sem fazermos nada por isso é uma barbaridade total. Há que fazer o que está ao nosso alcance para que a nossa sociedade seja humana e fraterna. A cidadania é uma exigência.

Por isso, a MISSÃO também se tornou realidade incontornável para mim e falei dela aos jovens. Há que soltar amarras e partir ao encontro dos outros, sobretudo dos que mais precisem de nós.

E termino olhando para os Jogos Olímpicos e citando o P. Tolentino Mendonça:

O jovem atleta Nelson Évora ganhou a medalha de ouro no triplo salto e explicou: ‘Sempre que salto, salto para o infinito’. O P. Tolentino Mendonça, biblista e poeta, comentou o que, para ele, significa ‘saltar para o infinito’: ‘Transcender-se, ir além, ir mais longe, sabendo que isso implica que cada um se tenha encontrado humildemente com os seus limites e plenamente com as suas possibilidades. Num tempo de tectos baixos e metas imediatas, como parecem ser os nossos, ‘saltar para o infinito’ constitui talvez uma impopular aposta. Mas a esperança, a verdadeira esperança, pede de nós risco e coragem’.»




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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Presentes Solidários 2008 – Dar a Duplicar!




Já tem presentes para este Natal?



Pelo terceiro ano consecutivo, a Fundação Evangelização e Culturas (FEC) promove a campanha Presentes Solidários. Agora que o Natal se aproxima rapidamente, voltamos a lançar um desafio à sociedade portuguesa: e se cada um de nós contribuísse efectivamente para um mundo mais justo e mais solidário?

Os Presentes Solidários vão ao encontro deste desafio sempre urgente e actual: são presentes originais que mudam realmente a vida de inúmeras famílias mais desfavorecidas nos países lusófonos.

Por exemplo, a oferta de uma maleta de parto, significa apoiar o parto de uma grávida guineense, num dos países com mais alta taxa de mortalidade materna do mundo.



Dar a duplicar

A campanha Presentes Solidários traduz o slogan “Dar a duplicar!”: qualquer pessoa pode escolher entre os sete presentes diferentes que constam do catálogo deste ano e que foram previamente escolhidos de acordo com as necessidades reais do terreno. Fará depois a encomenda em nome de um amigo, colega ou familiar que receberá um postal ilustrado com a indicação do presente oferecido. Deste modo, estará a dar a duplicar: contribui com o seu dinheiro para que uma família ou comunidade desfavorecida receba algo que lhe é necessário e está ainda a surpreender o seu amigo, colega ou familiar com um postal ilustrado com a indicação do presente oferecido.



Os presentes deste ano por país:

Angola – Uma Chapa de Zinco – 12€

Cabo Verde – Passe de Transporte Escolar – 24€

Guiné-Bissau – Maleta de Parto – 32€

Moçambique – Cobertor – 8€

Brasil – Filtro de Água – 22€

Timor-Leste – Kit de Construção – 16€

São Tomé e Príncipe – Mochila e Estojo Escolares – 6€



São presentes que procuram o desenvolvimento sustentado destes países. Vão ao encontro de áreas tão importantes como a educação, a saúde e as infra-estruturas. São comprados em cada país, a fim de promover o comércio local e são adquiridos e entregues em colaboração estreita com sete parceiros no terreno: Diocese de Lwena (Angola), Paróquia do Mindelo (Cabo Verde), Caritas de Bafatá (Guiné-Bissau), Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres (Moçambique), Missionárias da Boa Nova (Brasil), Irmãos de São João de Deus (Timor-Leste) e Diocese de São Tomé e Príncipe.



Como encomendar?

Para encomendar os seus Presentes Solidários, basta ir ao site da campanha: www.presentessolidarios.pt. A campanha decorre até ao dia de Reis de 2009.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Por uma notícia sobre o desenvolvimento

O artigo 1º do Estatuto do Jornalista diz que: «são considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou Joaquim Francoopiniões, através de texto, imagem ou som, destinados à divulgação informativa pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por outra forma de difusão electrónica».

O Luso Fonias de 25 de Outubro foi procurar saber um pouco mais sobre a actividade de um jornalista e os desafios que estes profissionais enfrentam no seu dia-a-dia. Não perca a entrevista ao jornalista Joaquim Franco que nos falou da sua experiência.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Depois do grande Dia Missionário Mundial, vem a propósito uma reflexão sobre a relação entre a Comunicação Social e o desenvolvimento dos povos, sobretudo dos mais pobres. Por isso, quero, como jornalista e missionário, deixar algumas convicções da minha vida sobre a missão que a comunicação social pode e deve desempenhar:

É Missão para a Comunicação Social de inspiração cristã amplificar os gritos dos pobres, ser a vez e a voz dos sem voz e sem vez, colocar o seu coração a bater ao ritmo do coração do povo, sobretudo dos mais excluídos. Assim, apresento, em flash, dez desafios:

1. Formar os leitores, telespectadores e ouvintes para os valores humanos e cristãos, de modo a que se tornem cidadãos mais responsáveis e, assim, menos manipuláveis;

2. Amplificar os princípios sociais da Igreja, gravados no compêndio publicado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz;

3. Dar voz a todas as iniciativas consideradas proféticas na medida em que defendem as grandes causas da humanidade;

4. Dar grande lugar ao anúncio dos direitos humanos e à denúncia das suas violações;

5. Ajudar a construir uma sociedade onde os cidadãos contem, onde a liberdade e a democracia não sejam palavras de dicionário;

6. Dar voz às populações que querem ver amplificados os seus gritos contra as injustiças de que são vítimas;

7. Incentivar a escolarização e o acesso das populações à cultura e às novas tecnologias;

8. Elevar o nível cultural e ético do povo, pelos temas aprofundados, pelos debates realizados, pela música e outras formas de expressão cultural;

9. Combater e denunciar toda e qualquer forma de corrupção;

10. Lutar contra a info-exclusão, o que deverá constituir uma das missões da Igreja hoje, em nome da justiça e do Evangelho.»




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Europa - África: Olhares Africanos

O CHRIS - Centro de História Contemporânea e Relações Internacionais - promove no próximo dia 12 de Novembro, às 21 horas, no Centro Cultural de Belém (sala Almada Negreiros), em Lisboa, a conferência-debate "EUROPA - ÁFRICA: Ollhares Africanos", terceira sessão do ciclo as Mulheres e a Europa, dirigido por Maria Belo.







Na sequência da Cimeira União Europeia - África (2007), e integrada no Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, esta iniciativa procura aprofundar o debate em torno das relações Europa - África, nomeadamente no que diz respeito aos modelos sociais europeus e africanos.





Será oradora, Graça Machel, moçambicana, activista e política de reconhecido mérito nas áreas da Educação, dos Direitos das Crianças e do Desenvolvimento Comunitário, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC).





A conferência - debate moderada por Maria Belo, coordenadora geral da iniciativa, e presidida por Rui Machete, presidente da FLAD, contará com as intervenções da Eurodeputada Ana Gomes e do Embaixador António Monteiro.





Para mais informações sobre a sessão e o respectivo processo de inscrição, entre em contacto com o CHRIS através do endereço chris2@mail.telepac.pt e/ou telefone 213 620 576.







Fonte: CHRIS

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Levanta-te contra a pobreza

Nas palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, «a luta contra a pobreza é, hoje, uma luta pela salvação da humanidade como um todo».

A 17 de Outubro celebra-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, uma data comemorada mundialmente através da iniciativa “Levanta-te e Actua!”.

Luís MahO Luso Fonias de 18 de Outubro esteve à conversa sobre os objectivos desta e de outras iniciativas que possam contribuir para a erradicação da pobreza e a concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Não perca a conversa com o Dr. Luís Mah da Campanha Objectivo 2015.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«O Dia Missionário Mundial será antecedido, este ano, de um outro dia Mundial que lhe está intimamente ligado: o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza que se celebra a 17 de Outubro. E, verdade seja dita, é uma enorme responsabilidade para nós pois somos a primeira geração que pode erradicar a pobreza.

O programa ‘Pobreza Zero’, que pretende exigir aos governos a concretização dos Objectivos do Milénio que prevêem a redução em 50% da pobreza até 2015, lançou um conjunto de iniciativas em Portugal onde se prevê que 100 mil pessoas adiram e se envolvam, de 17 a 19 de Outubro. Recordamos que, em 2007, 43 milhões de pessoas levantaram-se para exigir aos líderes mundiais que cumpram as suas promessas para acabar com a pobreza e desigualdade. Portugal contribuiu com mais de 65 mil vozes nesta iniciativa.

Na campanha de incentivo á participação, que percorre site e e-mails na internet, o apelo é dirigido directamente ao coração: ‘Não fiques indiferente ao convite: “Levanta-te! Faz-te Ouvir! Actua!” O objectivo não é simplesmente o de quebrar um Recorde do Guiness, mas sim de mobilizar a sociedade civil. Atrair atenções, alertar consciências, manifestar que estamos contra os números que não param de aumentar: 50 mil pessoas morrem de pobreza extrema diariamente!

Lutar contra toda a espécie de pobrezas é uma exigência da missão hoje. Por isso, associo-me a esta onda e faço meu o apelo final que se pode ler em www.levanta-te.org:

“E tu? Vais ficar de fora? Aceita o desafio! Entra no website oficial do Levanta-te 2008 www.levanta-te.org.Visita, manifesta-te, organiza-te e mobiliza-te!”

Assim podemos provar mesmo ao mundo que a nossa geração (a de todos nós, não olhando a idades!)... a nossa geração é a primeira que pode erradicar a pobreza.»




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93 707 portugueses levantaram-se contra a pobreza




Foram 93 707 as pessoas que se levantaram em Portugal contra a Pobreza. É este o balanço oficial da organização da iniciativa «Levanta-te e Actua» 2008.

A edição de 2008 teve início à meia-noite de 17 de Outubro, dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e terminou às 23h59 do dia 19. Realizaram-se mais de 2000 eventos em 100 países e Portugal voltou a ser o país que percentualmente mais gente mobilizou em toda a Europa.

A organização do "Levanta-te e actua" manifesta que “um novo recorde do Guinness foi estabelecido a nível mundial com 116 993 629 pessoas”. Mais de cem milhões de vozes recordaram aos líderes mundiais que a cada dia que passa 50 mil pessoas morrem de pobreza extrema e o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior. “Tamanha mobilização é acima de tudo uma demonstração clara do impacto que pode ter uma acção local e global da sociedade civil”.





O «Levanta-te e actua contra a Pobreza e pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio» é um apelo global para que as pessoas se levantem exigindo que os seus governos cumpram as promessas de acabar com a pobreza extrema e que se alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) até 2015.

“Foi um momento alto na consciencialização de tanta gente, demonstrando uma grande força organizativa para amplificar o pedido claro que se alterem e melhorem as políticas sociais, económicas e culturais no mundo, porque cerca de metade da população mundial vive em situação de pobreza”.

A organização sublinha que “o desafio para que a erradicação da Pobreza deve ser uma preocupação diária, que não se esgote mas se inspire no dia 17 Outubro”, e que, pró-activamente, “todos se continuem a unir e a contribuir de uma forma sustentável para que toda a gente tenha uma vida digna e independente”.



sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Igrejas em comunhão

A Igreja Católica dedica no mês de Outubro uma particular atenção ao mundo missionário, um mês destinado a promover a Missão como “urgência e prioridade».

Foi neste sentido que o Luso Fonias de 11 de Outubro se intitulou “Igrejas em Comunhão”, dando um foco especial ao VIII Encontro das Presidências Episcopais das Igrejas Lusófonas, que se realizou em Macau de 24 a 28 de Setembro.

Um encontro que constituiu um espaço de partilha sobre a realidade das Igrejas de cada país, na presente situação sócio-económica e política, e onde todos foram unânimes na urgência de acordar o espírito missionário católico.

Não perca a entrevista a D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa, sobre este encontro de partilha das Igrejas de cada país lusófono.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Os Bispos católicos do mundo lusófono reuniram-se em Macau. Este encontro, na sequência de muitos outros que já aconteceram, teve a missão de criar mais comunhão, de continuar a construir uma ponte que une as comunidades católicas que, por esse mundo além, rezam em Língua Portuguesa. Há laços da história que faz sentido manter e aprofundar.

A Igreja, por natureza, é uma família em comunhão. Não tem fronteiras. Como cristãos, estamos todos unidos e solidários, lá onde tivermos que testemunhar a nossa fé. Tentamos fazer da vida quotidiana uma partilha contínua. Portanto, a comunhão não é uma opção mas uma exigência que é urgente tomar muito a sério.

Mas é verdade que há sintonias que se fazem mais facilmente. O espaço lusófono permite que a aproximação seja mais fácil e mais efectiva. No Comunicado Final deste encontro de Macau, os Bispos lusófonos propuseram-se a ‘proporcionar maior comunicação em rede, para permanente atenção aos factos, preocupações e desafios dos vários países/territórios; a criar uma bolsa de voluntariado nos diferentes campos, em correspondência com uma bolsa de necessidades, apresentadas pelas dioceses ou países; a incentivar possibilidades de formação de padres e de leigos, seja através do acolhimento a quem deseja aprofundar conhecimentos, seja pela disponibilidade de professores para leccionarem filosofia e teologia em escolas ainda carentes de ajuda exterior.

Estas e outras propostas vão ajudar a criar mais e melhor comunhão entre todos. Este é o caminho do futuro e há que seguir por ele.»




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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CTT no combate à pobreza




Os CTT vão pôr a sua rede à disposição do combate à pobreza e à exclusão social. A partir de 1 de Dezembro próximo, os Correios de Portugal põem em marcha um projecto que, durante os próximos meses, permitirá a qualquer pessoa ajudar quem mais precisa de forma gratuita.



Este projecto é uma iniciativa dos CTT inscrita na sua política de responsabilidade social. Surgiu da constatação de que ninguém como os CTT tem capacidade para chegar a todas as localidades e a todos os habitantes do País.



Por isso, os Correios vão fazer um envio massivo de um folheto informativo por todas as casas do País. Esse folheto, que será acompanhado de um saco específico para o transporte dos donativos, informará a população sobre as instituições de solidariedade aderentes ao projecto e que tipo de bens necessitam.



Com esse esclarecimento em mente, bastará a qualquer pessoa deslocar-se a uma das quase 1000 Estações de Correio existentes de Norte a Sul do País com o seu donativo. Uma vez lá, ser-lhe-á fornecida gratuitamente uma caixa de transporte em cartão. O autor do donativo apenas terá de encher a caixa e escolher a instituição destinatária, entre as várias possíveis, sem precisar de indicar uma morada. Os Correios tratam do transporte e da entrega, de forma totalmente gratuita.



A lista de instituições de solidariedade social aderentes é uma lista aberta. Neste momento, os CTT estão em contacto com algumas dezenas de instituições, de carácter nacional e local. Está já confirmada a adesão de instituições como a Abraço, ACAPO, Acreditar, Ajuda de Berço, Ajuda de Mãe, Aldeia de Crianças SOS, Associação Portuguesa de Surdos, Casa do Caminho, Casa do Gaiato, Centro Helen Keller, Comunidade Vida e Paz, Cruz Vermelha Portuguesa, GIRA, FENACERCI, Liga Nacional Contra a Fome, Refúgio Aboim Ascensão e Associação Sol. Outras serão anunciadas nos próximos dias.



Os bens elegíveis para doação dependem das necessidades de cada instituição e das limitações logísticas e incluirão bens como roupa, calçado, agasalhos, artigos de higiene, brinquedos, produtos de limpeza, pequenos electrodomésticos ou de entretenimento, entre outros.



Para esta grande iniciativa de carácter nacional, os Correios vão disponibilizar não apenas os seus voluntários, de um universo de 16 mil trabalhadores, como a sua rede: quase 1000 Estações de Correios, 370 Centros de Distribuição Postal e 3702 veículos de transporte que, todos os dias, percorrem cerca de 240 mil quilómetros.



Este projecto dos CTT é complementado por uma iniciativa protagonizada por uma empresa detida a 100% pelos CTT, a PayShop, e que permite que qualquer cidadão faça donativos em dinheiro, a partir de um euro, em 4500 locais de todo o País: 3500 agentes PayShop e quase 1000 Estações de Correio.



É convicção dos CTT – Correios de Portugal que esta iniciativa permitirá democratizar a solidariedade e eliminar barreiras geográficas.




Cuidar dos avós

Diz o ditado que os avós são pais duas vezes. Se com os filhos havia alturas em que eram severos, com os netos são amorosos e fazem-lhes todas as vontades. Na maior parte dos casos, as melhores recordações de infância estão associadas aos avós, quer seja a contar uma história antes de ir para a cama ou num momento especial.

A experiência de vida dos mais velhos pode ser extremamente enriquecedora na nossa vida. No entanto, será que sabemos cuidar dos nossos avós? Será que os recompensamos pelo bem que nos fizeram?

Em Os Miseráveis, Victor Hugo dizia que: «A miséria de uma criança interessa a uma mãe, a miséria de um rapaz interessa a uma rapariga, a miséria de um velho não interessa a ninguém». A verdade é que todos querem viver mais, mas ninguém quer ser velho… E porque é que isto acontece? Porque motivo é que à palavra velho estão associados tantos preconceitos e tabus, se nos mais velhos há a sabedoria e a experiência da vida?

O Luso Fonias de 4 de Outubro contou com uma emissão dedicada aos nossos idosos. Não perca
a entrevista ao Professor Doutor José Ferreira Alves, representante em Portugal da INPEA – Rede Internacional de Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosas.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«O mundo não anda todo ao mesmo ritmo nem mostra o mesmo rosto. Assim, olhamos para um hemisfério norte envelhecido onde o nível de vida é, globalmente, alto e as estatísticas provam que há poucas crianças e jovens e muitas pessoas de idade avançada. No sul, a realidade mostra o contrário: são muitas as crianças e os jovens e, em termos percentuais, poucas as pessoas idosas. Este panorama poderia não dizer nada, mas tem tido consequências desastrosas, sobretudo a norte. Assim, são cada vez mais numerosos os casos de pessoas idosas que são mais ou menos abandonadas após anos e anos de dedicação incondicional às suas famílias. Na hora da chegada dos limites físicos e dependências várias, os poucos adultos e jovens da família acham-se impossibilitados de os manter em casa e os mais velhos ficam condenados a terminar os seus dias num lar qualquer para onde foram mais ou mais empurrados. Quem visita Lares de 3ª Idade percebe isto: os idosos estão lá porque as famílias não têm condições para os manter nas casas onde, muitas vezes, nasceram e cresceram e fizeram nascer e crescer os filhos. E não vale a pena fazer juízos de valor nem atirar pedras a ninguém porque, verdade seja dita, a maneira como se organizam as sociedades ocidentais não dão alternativas às famílias.

Mas, diante destes cenários com muita desumanidade á mistura, não há que vergar diante de fatalismos nem cruzar os braços. Há soluções. Há formas humanas e fraternas de cuidar dos avós sem os abandonar aos seus limites e debilidades do entardecer da vida. Se as famílias os puderem manter em casa, no ambiente de ternura onde eles se sentem bem, rodeados dos filhos e netos, será excelente. Se for necessário levá-los para espaços onde o acompanhamento é exigido, então que os filhos e netos não passam um ou dois meses (ou até mais) sem irem lá dar um abraço e dois dedos de conversa. O amor exige atitudes e não vale a pena escudar-se atrás do muito trabalho para fugir da responsabilidade que se tem de amar até ao fim aqueles que deram tudo, ou quase tudo por nós. Amar os nossos avós é, antes de mais e acima de tudo, um acto de justiça.»




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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Levanta-te e Actua!





Todos os anos o dia 17 de Outubro celebra mundialmente o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza. No ano passado, mais de 43 milhões de pessoas levantaram-se para exigir aos líderes mundiais que cumpram as suas promessas para acabar com a pobreza e desigualdade. Portugal contribuiu com mais de 65 mil vozes nesta iniciativa. Este é o terceiro ano consecutivo que a Pobreza Zero está na coordenação do evento em Portugal.





Serão três dias de actividade por todo o país, de 17 a 19 de Outubro, onde esperamos que mais de 100 mil pessoas estejam directamente envolvidas em acções. Todos os anos ficamos surpreendidos com a imaginação e capacidade de mobilização de tanta gente para o Levanta-te. Pelas experiências anteriores, a Pobreza Zero já contou com concertos de música, eventos de dança, eventos desportivos, manifestações e concentrações em torno de temas relacionados com a Pobreza, Educação, Igualdade, etc. É com muito orgulho que reconhecemos que somos o país com maior número de actividades em termos europeus.





É por tudo isto que o desafio de provar que quando temos altos objectivos a atingir, somos capazes de reunir a diversidade que todos e todas representamos, para lograr na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e feliz vai ser outra vez lançado este ano. Várias bandas, artistas, figuras públicas, organizações, escolas, etc., já demonstraram querer participar nesta actividade em Portugal, que será reportada para todo o mundo.








E tu? Vais ficar de fora?



Aceita o desafio!



Entra no website oficial do Levanta-te 2008.




Visita, manifesta-te, organiza-te e mobiliza-te para provarmos que:


SOMOS A PRIMEIRA GERAÇÃO QUE PODE ERRADICAR A POBREZA




Saber acolher outras culturas

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural 2008 tem como lema "Juntos na Diversidade" e lança um convite a que todos participem activamente na nossa sociedade e ganhem consciência, racional e emocional, de que o diálogo intercultural é uma forma de apaziguar os nossos receios face ao desconhecido e de criar redes que nos aproximem no respeito e na aceitação mútua.

O Luso Fonias de 27 de Setembro contou com uma emissão dedicada à mobilidade humana e à integração de outras culturas. Não perca o apontamento das rádios parceiras do nosso programa, bem como a entrevista a Heidir Correia da Associação Cultural Moinho da Juventude, que nos falou da sua experiência e do trabalho desenvolvido por esta associação.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Basta virar algumas páginas de qualquer manual de História para vermos como a mobilidade faz parte da vida humana. As pessoas vão-se movimentando por razões muito variadas: para fugir a guerras e perseguições; para afastar-se de contextos de catástrofes; para ir à procura de melhores oportunidades para as suas vidas, para partilhar projectos de vida e de fé... ou até por mero espírito de aventura e curiosidade científica. O resultado final é que o mundo se foi tornando numa espécie de ‘aldeia global’ onde vemos nos mesmos espaços geográficos gentes que vieram de outras terras, falam outras línguas e têm culturas muito diferentes.

Neste ano em que a Europa faz uma reflexão sobre os valores da pluriculturalidade, é urgente melhorar o acolhimento a pessoas que provêem de outros contextos culturais. Saber acolher outras culturas é uma atitude inteligente e aberta. Todos ganhamos com esta opção de fundo: quem chega a uma terra diferente da sua é acolhido e sente-se em casa; quem recebe fica mais rico com os valores que os recém-chegados partilham e vivem. Ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar e ninguém é tão rico que não tenha nada para receber. Este provérbio tão antigo e tão novo poderia ajudar a humanidade a abrir portas em vez que construir muros. É importante que a terra se transforme numa casa sem fronteiras, onde todos tenham lugar á mesa e não haja espaços de exclusão.

Os jovens de algumas Igrejas cristãs de Portugal vão celebrar em Leiria, a 25 de Outubro, o X Fórum Ecuménico Jovem e uma das oficinas é sobre este encontro de povos e culturas e será apresentada pela ‘Amigrante’, uma associação cultural que, em Leiria, junta portugueses e imigrantes que querem partilhar a vida e a cultura. São estes e outros gestos que constroem futuro, enriquecem a história e provam que saber acolher é um gesto que rasga horizontes e aproxima os povos. Os bons exemplos, nesta como noutras matérias, têm que ser ditos bem alto para mobilizar. Há que investir por aqui.»






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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Cantáki – As Vozes da Missão em CD

O CD Cantáki, editado pela Fundação Evangelização e Culturas, em conjunto com as entidades de Voluntariado Missionário, já está à venda! O Cantáki pretende ser um retrato cantado das vivências missionárias protagonizadas por leigos no terreno.

O álbum é composto por 14 temas, todos da autoria de diferentes entidades de Voluntariado Missionário, à excepção do Hino, generosamente oferecido por Henrique Silva, membro da Banda Terceira Margem. Esta compilação conta ainda com a participação especial de Tó Cruz, vencedor do Festival da Canção Portuguesa 1995.

Os lucros desta edição revertem a favor dos projectos de Voluntariado Missionário, incrementados pelas diversas entidades, nos países em desenvolvimento.






Como adquirir

Para adquirir o Cantáki basta entrar em contacto com as entidades de Voluntariado Missionário (ver no site da FEC em Voluntariado Missionário – Entidades em Portugal) ou enviar um e-mail para anapatricia.fonseca@fecongd.org com a sua morada e encomenda.


Custo por unidade: 9€


O Cantáki propõe:

1. Hino ao Voluntariado Missionário, Henrique Silva

2. Parte e vai, Diálogos – Leigos SVD para Missão

3. Ser missionário, Juventude Hospitaleira

4. Eu sou Teu, Guard’África

5. Qual é a Tua?, Juventude Doroteia

6. Formosa Mãe da Alegria, Leigos Missionários da Consolata

7. Leve-Leve, Grupo Bússola

8. Ele nos deu a vida, Fidesco

9. Juntos nos caminhos da missão, Leigos Boa Nova

10. Leigos em missão, Leigos para o Desenvolvimento

11. Rumo a Ti, Grupo de Jovens JMV da Paróquia do Catujal

12. Amar como Tu, Grupo Missionário da Paróquia da Ramada

13. São vidas, Jovens Sem Fronteiras

14. Mestre, onde moras?, MTA – Companhia Santa Teresa de Jesus





As Vozes da Missão: Adelaide Pinto; Ana Baptista Batalha; Ana Lucas; Ana Melo; Ana Santos; Ângela Crespo; Bárbara Martins; Carina Brito; Cláudio Gonçalves; Constança Santos; Daniela Barreira; Diana Nunes; Diogo Guimarães; Elizabeth Santos; Fátima Martins; Filipa Carvalho; Filipa Santos; Fernando Santos; Joana Barbado; João Pedro Silva; Hélio Bernardo; Ilde Cabral; Isabel Jacobetty; Ricardo Santos; Rui Antunes; Rui Fernandes; Sérgio Cabral; Tiago Marques.







O Voluntariado Missionário conta com o seu apoio!


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Adultos rumo à escola

Após uma pausa para férias, o Luso Fonias regressou à antena no dia 20 de Setembro conduzido por Cristina Abranches de Almeida, a nova voz deste programa de encontro de vozes e culturas.

Para começar esta nova temporada fomos até à escola procurar saber o que está a ser feito na área da formação de adultos, já que a 8 de Setembro se celebra o Dia Internacional da Alfabetização.

Fala-se da importância da formação de adultos e da qualificação de profissionais, um dos objectivos estabelecidos pela União Europeia. Fala-se do reconhecimento e validação de competências que encaminhem os adultos para percursos de educação e formação, apresentando-se como “porta de entrada” para a qualificação de activos. No entanto, ainda há adultos perdidos nos percursos da alfabetização, sem saber que rumo tomar em direcção à escola.

Se já alguma vez pensou em retomar os estudos, em recuperar os anos perdidos e agarrar-se de novo aos livros para adquirir conhecimentos ou o reconhecimento das suas competências, não perca a entrevista ao Dr. José Alberto Leitão, Director do Departamento de Formação Profissional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Uma conversa sobre as apostas de Portugal na qualificação de adultos.



Na opinião do Pe. Tony Neves:

«Estive em Angola, lá bem no interior do planalto central, durante todo o mês de Agosto. Foi um regresso comovido às gentes e às terras que me acolheram como jovem missionário há quase 20 anos. Verifiquei que a reconstrução das estruturas se vai fazendo com os milhões que entram nos cofres do Estado vindos do petróleo e dos diamantes. Mas também pude perceber que, no plano humano e humanitário, há ainda muito que fazer. A saúde está mal, o nível de vida das pessoas é, em geral, muito baixo e a educação está quase votada ao abandono no interior de um país que a guerra arrasou e onde ninguém teve Escola séria nos últimos 30 anos.

É verdade que, por toda a parte, se vêem edifícios novos ou refeitos onde consta o nome de ‘Escola’. Este investimento em tijolo e cimento é vital e um bom ponto de partida para o desenvolvimento do nível académico das populações. Também é verdade que o Estado angolano está a preparar professores e a pagar os salários a quem lecciona, fenómeno recente e de consequências positivas para a Educação. Mas os professores que hoje aceitam dar aulas nas escolas do interior, lá onde nem sequer têm uma casa digna para morar, não têm qualificações e não estão à altura das responsabilidades que o governo lhes confia. E em pior situação estão os adultos e jovens que cresceram durante a guerra civil, nunca foram á escola e habituaram-se a sobreviver com os esquemas gerados em tempo de caos. São milhares e milhares as pessoas analfabetas em Angola.

A luta sem tréguas contra o analfabetismo não pode ser uma opção: é uma obrigação do Estado, com o apoio das Igrejas e outras entidades que trabalham pelo bem-estar do povo. Investir na educação é perceber que o futuro se desenha nos bancos das Escolas, na abertura à cultura, na aposta em tecnologias.

Sonho que, como na Europa, os governos do mundo inteiro vão dar o seu melhor à Educação, tendo como meta mínima a escolaridade obrigatória e tentando aumentar o número dos que conseguem obter um título universitário. O futuro da humanidade está na educação e na cultura. Em todos os lugares. Para todas as idades.»




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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Luso Fonias, Agora SIM em FM

O programa radiofónico Luso Fonias, realizado pela Fundação Evangelização e Culturas em parceria com o Grupo Renascença, regressou à antena depois de uma breve pausa no Verão. Um regresso marcado pelo início das emissões na Rádio SIM, um novo canal lançado oficialmente no dia 30 de Setembro pela Emissora Católica Portuguesa.




Chegar directamente ao público com mais de 55 anos, que representa hoje 33% do universo dos potenciais ouvintes contabilizados para o cálculo das audiências de rádio, é o objectivo deste novo projecto do Grupo Renascença.




O Luso Fonias integra a grelha de programação da Rádio SIM, aos Sábados pelas 12h, e passará, assim, a ter emissão em FM para todo o país. Para consultar todas as frequências visite o site do canal em http://www.radiosim.pt/.




O programa conta agora com uma voz feminina na locução, a de Cristina Abranches de Almeida, um dos principais rostos deste novo canal, e apresenta uma estrutura idêntica à que nos tem acostumado desde há dois anos. Semanalmente um convidado conversa sobre um tema de actualidade, são difundidos trabalhos de diferentes rádios de países lusófonos, para além do espaço para música lusófona e os habituais comentários do Padre Tony Neves.




Mantém-se a colaboração da Rádio Ecclesia em Angola, Rádio Sol Mansi na Guiné-Bissau, Rádio Maria e Rádio Watana em Moçambique, Rádio Nova em Cabo Verde, Rádio Aparecida no Brasil, Rádio Jubilar em São Tomé e Príncipe. E mantém-se também a retransmissão do Luso Fonias por várias rádios locais em Portugal, num total de 20.




O Luso Fonias é um espaço privilegiado de intercâmbio e comunhão entre diferentes rádios que falam português, um programa que pretende ser um ponto de encontro entre vozes e culturas, através da abordagem de temas da actualidade social, económica, cultural e religiosa lusófona.

O blogue do Luso Fonias está de volta!


Depois de uma pausa para férias e de remodelações na nossa página, regressamos para mais encontros de vozes e culturas do espaço lusófono.

Esperamos que goste das mudanças. Pode entrar em contacto com a equipa do Luso Fonias através do e-mail lusofonias@gmail.com.

Contamos consigo!

domingo, 27 de julho de 2008

Ir de férias

Em Portugal, Julho e Agosto são meses de férias. As férias escolares dos mais jovens e também as férias dos que aproveitam estes meses quentes para gozar uns dias de descanso.

O Luso Fonias de 27 de Julho intitula-se “Ir de férias”, não com o objectivo de falar de praia e das tendências para este Verão, mas com o objectivo de tentar saber que tipo de experiências missionárias são realizadas durante este período.

Na nossa companhia esteve o Pe. Arsénio Isidoro, da Paróquia da Ramada, que partilhou connosco a sua experiência de férias missionárias.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Agosto, na Europa, é o mês de férias por excelência. As praias enchem-se de gente, o mesmo se diga das aldeias lá mais no interior onde muita gente nasceu e dali saiu partindo à procura de melhores condições de vida. Lá regressam durante as férias, numa visita às raízes, para encontrar os familiares mais idosos e alguns dos vizinhos e amigos de infância. E também para percorrer lugares que a memória regista com saudades.

Mas também há muita gente, sobretudo jovens, que aproveitam esta pausa académica e laboral para fazer missão, dando algum sentido e profundidade à palavra ‘solidariedade’.

A Fundação Evangelização e Culturas, publicou, no mês passado, a lista dos Voluntários Missionários. Cito alguns dados que me parecem relevantes, quando falamos de férias: este ano partirão 283 voluntários em missão para Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Zâmbia, Burundi e República Centro-Africana. Um dado também a reter é a distribuição por género dos voluntários que partem. Tal como nos anos anteriores, a percentagem de mulheres a partir é muito maior que a dos homens. Este ano serão enviadas 195 mulheres (68%) e 70 homens (26%).

Ao olhar para esta lista, reparamos que 220 jovens partirão apenas durante as suas férias, por um ou dois meses, mas há 63 voluntários que partirão por um ou dois anos.

Os números apontados acima referem-se só aos que partem rumo a África ou à América Latina. Mas são muitas centenas os jovens que farão Missão em Portugal, em projectos de solidariedade, durante os meses de Verão.

Tudo isto para provar que as férias não são um tempo para nada se fazer, mas uma oportunidade para cada pessoa fazer algo que gosta e que ajuda o mundo a tornar-se mais humano. Desejo boas férias para quem as tiver... e se forem missionárias e solidárias, ainda melhor!»




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sábado, 26 de julho de 2008

Jogos Olímpicos: juntos no desporto

Os Jogos Olímpicos estão quase a começar, é já de 8 a 24 de Agosto. Portugal vai estar representado neste acontecimento desportivo, assim como outros países do espaço lusófono, mas o que motivou a edição do Luso Fonias de 20 de Julho não foi o acontecimento em si mas o que dele advém. Ou seja, estivemos à conversa sobre a importância do desporto para a união e solidariedade entre povos.

Não perca a entrevista a Fernando Correia de Oliveira, cujo percurso profissional passa pelas actividades de jornalista, autor, investigador e editor independente. Especializado em temas asiáticos, foi o primeiro jornalista português alguma vez acreditado junto das autoridades chinesas com carácter de permanência.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«O ideal olímpico nasceu há mais de cem anos na Grécia. Nesses primeiros tempos, o prémio era uma coroa de ramos e flores e tudo se ficava por aí. Os valores olímpicos concentravam-se em três expressões: mais rápido, mais alto, mais forte, traduzindo os objectivos das corridas atléticas que os jogos olímpicos integravam. Hoje, mais de um século depois, o ideal olímpico é bem outro e há muitíssimos interesses a girar à sua volta e a merecer algumas reflexões sérias sobre o assunto.

Os Jogos Olímpicos exigem hoje uma enorme máquina organizativa e mexem com milhões. As candidaturas dos países têm de se fazer muito antes da data da realização e funcionam, e de que maneira, os lobbies que permitem que o Comité Olímpico Internacional atribua a organização a esta ou aquela candidatura.

Este ano serão, como todos sabemos, em Pequim, capital da China. Poderá ser um excelente pretexto para se pegar no calcanhar de Aquiles deste grande país, o mais populoso do mundo: o problema gravíssimo da violação dos direitos humanos. O caso mais emblemático é o da opressão do Tibete, uma vez que a figura do Dalai Lama está sempre nas bocas da comunicação social internacional. Mas há outros problemas igualmente muito sérios como o da falta de liberdade de expressão e de religião. A título de exemplo, a Igreja católica fiel ao Papa continua a ser perseguida na China.

Mas, mais uma vez, os interesses económicos estão a passar por cima dos direitos humanos. Todos os países (ou quase) têm medo de dizer o que quer que seja contra o governo de Pequim, uma vez que o potencial económico da China não se pode desperdiçar e uma palavra mais azeda contra este Governo pode deitar tudo a perder no que diz respeito e relações comerciais e industriais.

Pelo menos os Meios de Comunicação Social, em peso na China por estes dias, vão falar. E vão denunciar as violações dos direitos humanos. E vão confrontar os governos do mundo ocidental com esta ambiguidade na relação com a China: não concordam com as políticas de repressão, mas também não querem perder nada nas relações económicas e permitem que o dinheiro esmague a dignidade humana.

‘Mais rápido, mais forte, mais alto’... ideal olímpico que também se deveria passar para o empenho pelos direitos humanos. Na China e no mundo inteiro.»




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domingo, 13 de julho de 2008

Enlaces: educar para o desenvolvimento

“Educação para o Desenvolvimento e Cooperação Descentralizada: recursos e estratégias locais” foi o tema do Seminário Nacional que decorreu nos dias 30 de Junho e 1 de Julho na Fundação Calouste Gulbenkian.

Um Seminário realizado no âmbito do Projecto Enlaces, promovido pela Fundação Evangelização e Culturas em parceria com cinco municípios e uma organização não governamental, com vista a reforçar a relação entre a Educação para o Desenvolvimento e a Cooperação Descentralizada.

O Luso Fonias de 13 de Julho esteve à conversa sobre este projecto, o Enlaces, procurando saber quais os resultados desta experiência. Em estúdio esteve a Dra. Sandra João, coordenadora do projecto, e a Dra. Helena Palacino, coordenadora do Gabinete de Cooperação e Desenvolvimento Comunitário da Câmara Municipal do Seixal, uma das cinco autarquias parceiras do projecto.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Estamos em tempo de globalização e parece que o mundo se tornou pequeno e as pessoas muito próximas. Mas, se calhar, nunca estivemos tão longe uns dos outros, tão alheios à sorte e à má sorte dos outros cidadãos deste mundo em que todos vivemos.

Por isso se tornou tão urgente dar as mãos e criar laços entre povos, instituições e pessoas. E ao dizer ‘pessoas’, quero que esta palavra tenha pleno sentido, porque se dissesse ‘indivíduos’ estaria a falar de gente solitária, sem relação com ninguém. Ao usar a palavra ‘pessoa’ exijo relação, comunhão, solidariedade.

A palavra ‘fraternidade’ parece hoje um pouco gasta e bastante riscada das páginas de boa parte dos dicionários da vida. Mas, ontem como hoje, ser irmão de todos, à moda de um Cristo, de um S. Francisco de Assis ou de uma Madre Teresa de Calcutá, continua a ser decisivo para que se faça tudo o que está ao nosso alcance por um mundo mais humano, mais fraterno e mais cristão.

A educação para o desenvolvimento pode permitir uma maior aproximação entre ricos e pobres e, desta forma, ajudar a dar um passo em frente em direcção a sociedades mais organizadas e mais equilibradas, permitindo também uma maior capacidade de relacionamento e partilha com outras sociedades. Há que criar laços, não na base dos interesses económicos e ganâncias de ter e de poder, mas apostando numa partilha onde todos ganhem e onde a dignidade e os direitos humanos saiam vencedores.

A reunião dos líderes mundiais mais poderosos, o G8, no Japão, reflecte sobre o problema da pobreza e da fome no mundo. Mas faz uma reflexão de barriga cheia e sem querer ceder nenhum dos seus privilégios de povos ricos. Por isso, as Relações Internacionais podem não ser o meio mais adequado para promover a justiça e a fraternidade. Há que encontrar outras formas, mais humanas e mais fraternas, de provarmos ao mundo que somos mesmo todos irmãos.»





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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os leigos na Igreja de hoje: desafios e dificuldades

O Luso Fonias de 6 de Julho esteve à conversa sobre o papel dos leigos na Igreja, procurando saber quais os desafios e dificuldades que enfrentam.


O leigo é um cristão, incorporado em Cristo e na Igreja, participante activo da sua missão. Mas para saber mais sobre o papel dos leigos na Igreja, nada melhor do que ouvir a entrevista a Benjamim Ferreira, Director do Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e da Família (SNALF), bem como os apontamentos das rádios que colaboram na rubrica Vozes da Lusofonia.





Segue o comentário do Pe. Tony Neves:


«O Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, publicou a 18 de Maio uma Carta Pastoral para celebrar os seus 30 anos como Bispo em Lisboa. A última parte é sobre a missão dos Leigos e, por isso, limito-me a citá-lo:


‘Na missão interna da Igreja, os leigos ganharam uma preponderância crescente: basta pensar na catequese, no ensino da religião nas escolas, nas estruturas sociais de vivência da caridade, nos movimentos de espiritualidade, na participação activa na Liturgia. Será isso suficiente para construir o modelo de Igreja protagonizado pelo Concílio? É que não se trata apenas de os leigos fazerem aquilo que faziam os sacerdotes e tantas vezes à maneira deles. Trata-se de uma fisionomia nova do rosto da Igreja, que supõe, disse Bento XVI aos Bispos Portugueses, uma contínua mudança de mentalidade”.


Diz D. José Policarpo um pouco adiante: “Enquanto os leigos só fizerem aquilo que os sacerdotes mandam e nada fizerem sem o Senhor Prior dizer como é, pouco se avança na desclericalização da Igreja. Penso no vasto campo da presença da Igreja no seio das realidades terrestres, da interpretação e busca de sentido dessas realidades, campo próprio das iniciativas apostólicas dos leigos. Mas também na estrutura interna da Igreja e na criatividade da sua missão é preciso continuar a valorizar o carisma laical, através da corresponsabilidade e da construção da comunhão”.


Sobre a Igreja neste tempo, conclui o Patriarca de Lisboa: “Duas atitudes da Igreja são, hoje, melhor aceites: a generosidade do serviço, sobretudo dos mais pobres, e a força do testemunho.


Os valores da Igreja não são os da sociedade; são inspirados no Evangelho e na dignidade do homem restaurada em Jesus Cristo. É certo que os valores que a Igreja defende não são apenas os valores religiosos, mas também os valores universais humanos, a que a vivência cristã acrescentará profundidade e radicalidade. Quando a Igreja se bate pela defesa desses valores, como, por exemplo, a dignidade inviolável da pessoa humana, a defesa da vida, desde o seu início até à morte natural, a defesa da estabilidade da família, a Igreja não o faz por serem valores estritamente religiosos, mas por serem valores universais humanos profundamente radicados nas tradições culturais da humanidade. Há um combate inevitável na defesa desses valores e esse combate a Igreja trava-o porque é um combate pelo futuro do homem”.»





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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Violência: como proteger os nossos filhos?

Violência é uma palavra que surge cada vez mais nos órgãos de comunicação social, onde são descritos casos de agressões entre jovens, pais e filhos, alunos e professores… e estes são apenas alguns dos exemplos. Violência é uma palavra que no dicionário aparece definida como um constrangimento exercido sobre uma pessoa para a obrigar a fazer ou a deixar de fazer um acto qualquer.

No entanto, o Luso Fonias de 29 de Junho apresentou outras formas de violência contra as crianças, que nem sempre são encaradas como tal. Ouça a entrevista à Dra. Sandra Nascimento, Presidente da Direcção da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Tempos houve em que as questões ligadas à violência ou eram expostas nos meios de comunicação social ou ficavam escondidas, nas famílias, atrás de quatro paredes sem que ninguém tivesse coragem de as denunciar. Nos últimos anos, a violência saiu à praça pública com as guerras que muitos dos nossos países lusófonos viveram e com a onda de assaltos e crimes que acontecem de dia e de noite em muitas das nossas cidades e vilas do espaço lusófono.

A Internet, auto-estrada da comunicação que se torna difícil de acompanhar e controlar, constitui um espaço privilegiado para a aliciação dos jovens e crianças, gerando histórias nem sempre com fim muito feliz. Na Europa e Estados Unidos são numerosos os casos de crianças, adolescentes e jovens que se deixaram enganar pela Internet e partiram ao encontro de quem maltratou e até matou, sem que os pais se tivessem apercebido dos caminhos por onde os filhos iam andar.

Proteger os filhos da violência torna-se hoje uma missão quase impossível. Mas, por isso mesmo, é desafio a responder com coragem.

No que diz respeito à violência doméstica, seja ela de que tipo for, há que criar mecanismos que liberte as crianças do medo e as levem a denunciar os maus-tratos que estejam a sofrer. Nos contextos de guerra e outras formas de violência generalizadas há que incentivar o respeito pelos direitos das crianças, nunca admitindo a hipótese delas se tornarem crianças soldado. Quanto ao assédio das novas tecnologias da informação, há que activar alguns mecanismos de controlo que permitam ir atrás de quem comete crimes contra as crianças e adolescentes indefesos.

Os pais, muitos deles com dificuldades de acompanhar a evolução das tecnologias, precisam de ser ajudados nesta de proteger os filhos. A sociedade e os governos têm de criar meios de combate adequados aos novos criminosos dos tempos que correm. O futuro da humanidade depende muito da capacidade de defesa das novas gerações.»





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Formar para o empreendedorismo

No cenário actual de crise e pessimismo que se vive, fala-se cada vez mais em empreendedorismo, ou seja em criar e colocar em prática novas ideias.

O empreendedorismo encontra-se, actualmente, no centro das atenções e tem sido alvo de inúmeras iniciativas, nomeadamente no que diz respeito ao sistema de ensino que tem desenvolvido esforços no sentido de formar cidadãos mais empreendedores, capazes de criar novos negócios ou de desenvolver novas oportunidades em organizações já existentes.

O Luso Fonias de 22 de Junho teve como tema “Formar para o empreendedorismo”. Em estúdio esteve o Dr. Manuel Forjaz, licenciado em economia pela Universidade Católica Portuguesa (UCP), investigador em empreendorismo africano no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«É preciso ter horizontes largos, boa formação, vontade firme de trabalhar e condições para que os investimentos possam atingir os objectivos previstos. Estamos num tempo em que é preciso ousar para vencer e nem sempre quem mais e melhor trabalha é quem obtém os melhores resultados.

Tempos houve em que qualquer jovem que se aventurasse a tirar um curso médio tinha emprego assegurado e muito bem remunerado, em comparação com os outros trabalhadores. Isso aconteceu durante muitos anos em todo o espaço lusófono.

Os tempos mudaram e hoje a situação é completamente diferente. Um pouco por todo o lado, encontramos pessoas com altas habilitações académicas que não encontram um emprego na área em que se especializaram. Ora, isto é mau por duas razões: as pessoas investem e não são aproveitados os seus talentos pela sociedade; porque quem investe não vê os resultados, há muito quem venha atrás e não estude pois acha que está a deitar dinheiro e tempo pela janela fora. Ora, estudar e não ter emprego e deixar de estudar porque se prevê que não há emprego... é mau demais para uma sociedade que quer crescer e fazer crescer a qualidade humana dos seus cidadãos.

Os tempos que correm exigem criatividade. Daí que se torne fundamental uma educação para o empreendedorismo, ou seja, que se formem os mais jovens para a criatividade laboral, abrindo novas perspectivas de emprego, criando postos de trabalho, investindo em áreas de futuro.

Ter rasgo já não pode ser privilégio de meia dúzia de génios, mas tem de ser um princípio generalizado da educação, pois só assim se conseguem respostas para a crise dos tempos actuais.»




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China: uma influência na lusofonia?

O Luso Fonias de 15 de Junho esteve à conversa sobre a influência da China nos países de expressão portuguesa.

A nível económico tem-se verificado uma crescente procura chinesa de matérias-primas no exterior, bem como a necessidade de escoamento da sua produção industrial e agrícola. Em termos político-diplomáticos, a China, enquanto um dos maiores países em desenvolvimento do mundo, pretende reforçar a sua influência nestes países, por via de medidas como projectos de cooperação para o desenvolvimento.

Ouça a entrevista ao Professor Moisés Silva Fernandes, investigador e Director do Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A China apresentou-se, neste virar de milénio, como o país com mais potencial para abalar o mundo. E, ao fazer esta afirmação, não quero fazer um juízo de valor e, muito menos, uma avaliação negativa da ‘chamada’ invasão chinesa ao resto do mundo.

Se é verdade que países como o Brasil ou os Estados Unidos da América já há muito tempo que têm imigrantes chineses em números muito elevados, acontece agora que cidadãos da China estão a chegar, em grande número, a espaços que outrora não eram terra de emigração. Falo, por exemplo, de Angola, país que visitei há meses e onde encontrei muitos chineses envolvidos em obras e negócios.

Se o Brasil já há muito tempo que tem uma comunidade de origem chinesa enorme (a cidade de S. Paulo tem uma parte quase só habitada por comunidades asiáticas...), se Portugal sente, de ano para ano, aumentar o número de lojas comerciais geridas por chineses e restaurantes, causa mais admiração o aumento que se verifica em África dos investimentos deste grande país oriental.

Ainda é cedo para avaliar o impacto da cultura chinesa no espaço lusófono, mas já será possível medir a influência económica que a China exerce na lusofonia. Terras com povos acolhedores não devem temer a chegada de pessoas de outras histórias e culturas, mas devem aproveitar para se enriquecerem com a pluralidade de expressões culturais e perspectivas diferentes no que diz respeito a concepções familiares, económicas e sociais.

Neste Ano Europeu do Diálogo Intercultural, há que abrir portas e crescer. Se todos formos mais abertos e tolerantes, o mundo será um espaço mais fraterno. E se ajudarmos a China a tornar-se mais humana e tolerante, vão acabar os problemas no Tibete, em Taiwan e noutros espaços onde os braços de ferro fazem muitas vítimas e a intolerância tende a aumentar. E isso é mau para todos.»





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Crianças: por um futuro mais risonho

A 1 de Junho celebra-se o Dia Mundial da Criança, um dia para consciencializar o mundo de que todas as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro risonho.

Na entrevista do Luso Fonias de 8 de Junho falámos de crianças. Procurámos saber quais os desafios que algumas crianças têm de enfrentar por um futuro melhor.

Em estúdio esteve Lúcia Pedrosa, Fisioterapeuta no Instituto Português de Oncologia (IPO). Trabalha como voluntária com os missionários do Espírito Santo desde 2000, tendo estado em missão em Cabo Verde e Angola.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«São milhares as crianças e os jovens que, ano após ano, entram numa longa lista de desaparecidos. Alguns aparecem, mas a maioria saiu do mapa para sempre.

O tráfico humano é um drama sem solução à vista, dado que parece ser dos negócios mais rentáveis. E quando envolve crianças e jovens, a situação complica-se pois só se desenham quatro cenários, cada qual o pior: a chantagem de um resgate; a utilização para abusos sexuais; a venda para adopção (crianças pequenas); tráfico de órgãos.

Há redes muito bem organizadas que funcionam segundo uma lógica mais ou menos mafiosa. Estudam-se os alvos a atingir; fazem-se os raptos; levam-se as vítimas para longe; fazem-se os negócios considerados mais rentáveis para cada caso. Enfim, um filme de terror onde os protagonistas não são pagos nem alvo de um casting voluntário. Trata-se de uma moderna forma de escravatura cujo fim ainda não se vislumbra na linha do horizonte. Daí que as polícias, à escala mundial, tenham reforçado, nos últimos anos, o combate a estas práticas. Os resultados ainda não são muitos animadores, mas já se vão descobrindo e desmascarando algumas destas redes.

Estamos num tempo marcado pela insegurança. Mesmo em Portugal, nas aldeias do interior, as pessoas já não se deitam com as portas da casa abertas nem ousam sair de casa sem as fechar a sete chaves. E quando, para além dos bens materiais, há o risco de assalto às próprias pessoas, a situação agrava e muito.

Há que investir muito na defesa das pessoas, sobretudo dos principais alvos destas redes de traficantes humanos. E, quando a desgraça dos raptos acontecer, a polícia tem de ter meios e vontade para agir depressa e bem, pondo cobro a este tipo de barbaridades humanas de bradar aos céus. Há que defender as pessoas, custe o que custar, pois elas vão continuar a ser o melhor do mundo.»




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Esperança em África

O Luso Fonias de 1 de Junho contou com uma emissão dedicada a África.

A 25 de Maio celebra-se o Dia de África e o nosso programa aproveitou a oportunidade para falar mais uma vez do continente africano, da esperança que se vive e do muito que há a fazer por aquele povo.

Não perca a entrevista realizada pela Ir. Teresa Turisse da Rádio Ecclesia (Angola). Uma conversa sobre África com o Prof. Adriano Parreira, docente de História de África na Universidade Agostinho Neto.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A África continua a ser o grande continente da esperança. Primeiro, porque tem gente. Gente na sua maioria jovem, cheia de sangue novo, de dinamismo, de alegria, de capacidade de fazer festa. Depois, porque tem riqueza material quanto baste para se pensar num futuro risonho para as suas populações.

Mas, para dar corpo a esta esperança há que derrubar uma série de obstáculos. Antes de mais e acima de tudo, é urgente acabar com todas as formas de violência. E são muitas: guerras, conflitos mais ou menos étnicos, tensões religiosas, violações dos direitos humanos. Há que criar as condições políticas para uma sã convivência entre todos e o respeito pelas regras democráticas que permitem a pacificação da vida social das pessoas. Depois, vem o problema muito grave das doenças que dizimam aos milhares e deitam por terra projectos de futuro: a malária, doença dos pobres que continua a fazer razia em muitos países africanos; a sida, essa malfadada doença que atinge muitos jovens e lança sérias sombras sobre o futuro deste continente tão afectado.

A justiça social também merece empenho. Muitos dinamismos de corrupção parecem instalados até à medula da organização de certos países e instituições e ceifam a esperança do bem-estar a uma fatia significativa da população. Os poderes instituídos e instalados sentem-se, por vezes, senhores de tudo e de todos e espezinham os direitos humanos sem que ninguém lhes chame a atenção ou os obrigue a agir de outra forma. Isto é preocupante tanto em África como noutros continentes e deveria merecer a reflexão e a intervenção de todos.

Mas volto a reafirmar que, apesar de tudo, há lugar para a esperança neste continente verde. Combatendo tudo o que destrói a dignidade das pessoas, a África vai poder continuar a trabalhar, a cantar e a dançar, mostrando no rosto de todas as pessoas a alegria de serem africanas e felizes.»



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terça-feira, 27 de maio de 2008

Ano Europeu do Diálogo Intercultural

A União Europeia tem o lema ‘Unidos na diversidade’, que pretende reflectir todas as nossas diferenças e semelhanças enquanto cidadãos de um espaço comum.

O Luso Fonias de 25 de Maio teve uma emissão dedicada a “2008 - Ano Europeu do Diálogo Intercultural”, procurando saber de que forma este ano pode ajudar a moldar consciências e a fomentar o diálogo entre povos e culturas.

Um programa muito especial, já que a 25 de Maio se celebra África e se lança o desafio do diálogo intercultural, por um mundo onde as diferenças sejam apenas as diferentes cores que dão beleza à vida.

Ouça a entrevista à Dra. Rosário Farmhouse, que a 8 de Fevereiro assumiu o cargo de Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural. Licenciada em Antropologia com especialização em Antropologia Social, foi directora do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

Uma conversa sobre como a diferença enriquece a vida cultural. Uma diferença que assume as mais diversas formas e acaba por se expressar na mistura de culturas que hoje somos todos nós, o nosso quotidiano, a nossa gastronomia, a nossa arte.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A União Europeia sugeriu que, durante 2008, todos fizéssemos uma aposta séria no diálogo intercultural. Num tempo marcado pela globalização, pela informação sem fronteiras, pela circulação de pessoas à escala do planeta, as nossas sociedades, quer queiramos quer não, são espaços ‘arco-íris’, ou seja, são compostas por pessoas provenientes de muitos povos e culturas.

Apelar ao diálogo intercultural parece-me apontar para dois grandes objectivos que, na prática, se completam. Primeiro, parte-se do princípio que o encontro de povos e culturas permite enriquecer quem tiver o coração aberto e quiser crescer com a riqueza que todos constituímos, no que diz respeito a valores. Depois, há que reconhecer que, em muitos casos, não há encontro de culturas mas confronto, o que tem dado à história exemplos tristes de guerras étnicas, de exclusão, de construção de juros em vez de pontes.

A Europa já não é o que era há 100 anos. São milhões os cidadãos da União Europeia que têm raízes noutros espaços geográficos. Com eles (ou com os pais ou avós deles) vieram elementos culturais diferentes que se concretizam em convicções e atitudes que marcam a diferença e que há que compreender bem para as aceitar como enriquecimento do património cultural da Europa de hoje.

O apelo da União Europeia a um diálogo intercultural também nos purifica mentalidades e práticas que atentam contra o respeito que os outros merecem por serem diferentes, por terem outra história, outras convicções e outras maneiras de estar na vida. Quando nós dermos as mãos e olharmos para o lado bom que todos temos, a Europa será mais rica e com mais capacidade de entrar em sintonia com o mundo.»



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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio – Iniciativas Locais

No ano 2000, os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio adoptados por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, vieram lançar um processo decisivo na cooperação global do século XXI.


Um desafio lançado a toda a comunidade internacional para a concretização de objectivos que atravessam questões como o acesso à educação e à saúde, a sustentabilidade ambiental e a erradicação da pobreza num prazo de 25 anos.


A entrevista do Luso Fonias de 18 de Maio teve o objectivo de dar a conhecer um dos muitos exemplos de iniciativas locais realizadas a propósito dos Objectivos do Milénio. Em estúdio esteve a Dra. Vanda Narciso, Técnica da Divisão de Inclusão Social da Câmara Municipal de Setúbal, e o Dr. Vasco Caleira, Técnico na SEIES – Sociedade de Estudos e Investigação em Engenharia Social.





Segue o comentário do Pe. Tony Neves:


«O panorama do mundo, no que diz respeito ao combate à pobreza, não está lá muito bonito. Os líderes dos países, na famosa Cimeira do Milénio, rasgaram horizontes e atiraram para 2015 a redução da pobreza para metade. Só que os objectivos do milénio para o desenvolvimento precisavam de medidas, de conversão de mentalidades, de mais solidariedade e partilha e isso é que não aconteceu, não está a acontecer e não se vislumbra vontade política dos grandes para que tal aconteça. Uma vez que todos continuam agarrados, de unhas e dentes, a privilégios e situações adquiridas.


Agora, para agravar a situação, veio a lume a questão dos biocombustíveis e a fome que eles trazem, na medida em que os bens alimentares de primeira necessidade vão transformar-se em combustíveis e, por causa da especulação, os preços estão a subir em flecha. A consequência maior será a fome das classes mais vulneráveis das sociedades, sobretudo as dos países mais pobres.


Concluo com uma reflexão/ interpelação do P. José Gaspar: E por muito que se diga que não se farão combustíveis do que é destinado à alimentação humana ou a rações para animais, a verdade é que por via deste duelo entre estômagos e tanques já dispararam os preços do trigo, arroz, milho e outros bens alimentares e ninguém pode predizer até onde irão subir. O Fundo da ONU para a Alimentação está preocupado, já lançou um pedido de uma ajuda adicional de 500 milhões de dólares para fazer face a situações graves de fome, multiplicam-se as revoltas pela falta agravada de comida em países pobres e sobem de tom os alertas de técnicos, igrejas e organizações sociais e de ajuda ao desenvolvimento’.


Há que ser humano e olhar mais para os pobres. Caso contrário, a cimeira do Milénio foi um enorme acto de hipocrisia.»







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