quarta-feira, 31 de outubro de 2007

As minorias étnicas na comunicação social

Nos últimos anos, o fenómeno da imigração adquiriu uma grande visibilidade na sociedade portuguesa. Portugal, que sempre foi um país de emigrantes, tornou-se em poucos anos, num país com uma notável percentagem de população activa constituída por imigrantes. O fenómeno repercutiu-se nos media. E, já que a 27 de Outubro se celebra o Dia Mundial dos Jornalistas pela Paz, o Luso Fonias de 28 de Outubro aproveitou a comemoração para uma conversa sobre como as minorias étnicas são retratadas na comunicação social e entram na agenda mediática.

Em estúdio esteve a Professora Doutora Isabel Ferin da Cunha, licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa, Mestra e Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, Brasil, e Pós-Doutorada em França. Coordena, desde 2002, uma equipa de investigação que desenvolve com o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) o Projecto Media, Imigração e Minorias Étnicas.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Quando, há uns anos atrás, os meios de comunicação social diziam que houve um assalto em Lisboa à mão armada, sabíamos que ele tinha sido feito por alguém de raça branca. Porque era muito comum dizer-se que ‘um cigano assaltou uma loja’ ou ‘um indivíduo de raça negra matou alguém numa confusão qualquer’. Esta forma racista e xenófoba de dar as notícias está ultrapassada, pelo menos em termos teóricos. Mas permanecem outras formas de descriminação que têm a ver com preconceitos que só o tempo pode varrer da nossa história e da nossa memória.

Assim, não é comum vermos jornalistas de outras cores que não as predominantemente europeias a apresentar telejornais ou a coordenar os grandes programas de animação e diversão televisivas. Conheço alguns nas rádios, lá onde apenas a voz se ouve.

Lembro-me, há anos, numa reportagem que fiz nas montanhas indígenas do México, incluindo a famosa região dos Chiapas, alguém me dizer que os povos originários dali (os indígenas) estavam revoltados com o governo central da cidade do México porque, na televisão estatal todos os rostos eram hispânicos ou, como eles gostavam de dizer, eram ‘gringos’, uma referência negativa aos americanos de origem europeia.

Já vai sendo tempo de as pessoas serem escolhidas pelo valor que têm, pela competência demonstrada, pelas habilitações adquiridas. Enquanto as pessoas forem avaliadas pela cor que têm, pela origem, e escolhidas por critérios de preconceito, o mundo não avança. Eu, como Martin Luther King, continuo a sonhar com o dia em que todos seremos olhados como pessoas, iguais em dignidade, direitos e deveres, construtores de um mundo humano e fraterno. E a comunicação social continua, a este título, a desempenhar um papel fundamental. De que nunca se pode demitir.»




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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Cidades de Contrastes

Por toda a lusofonia há cidades de contrastes. Grandes cidades, como Luanda e São Paulo, são exemplo de que existem muitas assimetrias sociais. De um lado a pobreza, do outro a riqueza. O conforto e a segurança, o medo e a fragilidade. Contrastes que caminham de mãos dadas.

A entrevista do Luso Fonias de 21 de Outubro conta com a realização do Pe. Inácio Medeiros, director da Rádio Aparecida, no Brasil, e do jornalista André Costa que esteve à conversa com a socióloga Teresinha Bernardo, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.



Comentário do Pe. Tony Neves:

«Vivemos num mundo marcado por contrastes gritantes e desumanos: os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres – disse-o João Paulo II e demonstram-no os relatórios das agências das Nações Unidas. E se o fosso entre o norte e o sul também é cada vez maior, reparamos que, nas grandes cidades dos países mais pobres (ou com populações mais empobrecidas) é grande o contraste que se vê a olho nu.

Estive há alguns anos nas periferias do Rio de Janeiro com um grupo de Jovens Sem Fronteiras, numa Missão. A Cidade Maravilhosa – como lhe chamam – tem uma área onde vivem os mais ricos e onde nada falta. Depois, pelos morros acima e abaixo vivem milhões de pessoas numa pobreza extrema, geradora de todas as formas de violência e exclusão. As favelas tornam-se um símbolo acabado da injustiça estrutural que caracteriza sociedades como a brasileira.

Este ano estive, outra vez, em S. Paulo. Sendo uma cidade plana, as favelas só se vêem deixando o centro e caminhando para as periferias. Mas, aí, o horizonte das casas miseráveis não tem fim, a pobreza espalha-se por quilómetros e quilómetros onde não há governo que valha às populações, completamente à mercê das máfias de quem manda nas drogas e tráficos afins.

Falei do Rio e S. Paulo por serem realidades que conheço e onde pude partilhar a sorte dos mais pobres durante algum tempo. Mas, pelo que vamos vendo, ouvindo e lendo, há centenas e centenas de outras cidades, por esse mundo além onde a palavra ‘contraste’ rima com ‘injustiça’.

Muito se discute hoje, em Igreja, acerca da sua Doutrina Social. O respeito que as pessoas nos merecem e a igualdade de dignidade entre todos os humanos tornam completamente ilegítimas as situações de contraste de que já falámos e caracterizam muitas das cidades por esse mundo além. Há que investir nos direitos humanos para que tudo se humanize. Até a arquitectura urbana.»




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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Rádios querem expandir lusofonia

Carcavelos acolheu IV Encontro Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa







Carcavelos acolheu, de 17 a 21 de Outubro, o IV Encontro Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa. Nas conclusões desta iniciativa, os participantes deixaram votos de que seja possível a implantação de uma rede via satélite, a partir de Lisboa, para a África, tendo como suporte gerador a FEC – Fundação Evangelização e Culturas e Rádio Renascença.

O documento, enviado à Agência ECCLESIA, fala da "importância da integração de etnias, além dos emigrantes, mostrando que a linguagem da rádio tem de ser pluralista" e defende o "crescimento da Igreja Católica nos media".

"As emissoras devem trabalhar em sintonia com os respectivos serviços diocesanos, de modo a encontrar iniciativas de apoio aos trabalhos de evangelização radiofónica", referem os participantes.

A iniciativa, promovida pela VOX - Associação Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa , reuniu representantes da Rádio Nova Paz – Quelimane, Moçambique; Rádio Ecclesia – Luanda, Angola; Rádio Jubilar – S. Tomé e Príncipe, Rádio Nova – Cabo Verde; Rádio Pax – Beira, Moçambique; Rádio Renascença, Portugal; ARIC, Lisboa, Portugal; UNDA/SIGNIS – Brasil e representante da ARCAMO – Maputo, Moçambique.



Em breve, reportagem fotográfica e vídeos.



Não perca todos os pormenores deste IV Encontro das Rádios Lusófonas Católicas.

Rádios Católicas são a voz do povo

Experiências do encontro da Associação Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa





Depois do período da guerra "tínhamos que consciencializar a população para a paz e a reconciliação" – disse à Agência ECCLESIA a Irmã Idalina, da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Visitação, diocese de Quelimane (Moçambique), e a trabalhar há nove anos na «Rádio Nova Paz» daquele país. Esta Emissora Católica de Moçambique é uma das participantes no Encontro da VOX – Associação Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa - que decorreu em Carcavelos de 17 a 21 de Outubro. Este órgão de comunicação foi de extrema importância para "eliminar os ódios entre as pessoas" e as "imagens da guerra". E acrescenta: "fazemos programas virados para a reconciliação com o intuito de dar voz aos que não têm voz".


Noutro país lusófono, Angola, a «Rádio ECCLESIA» também forma e informa os angolanos. "Somos a voz do povo e a rádio mais escutada" - sublinhou Fátima Cavate, da direcção da «Rádio ECCLESIA». Como é independente "fazemos o papel de conselheira e um espaço onde as pessoas podem discutir aquilo que pensam" - afirmou Fátima Cavate. Um ombro amigo que ajuda "os mais sofredores".


Apesar de não conseguirem atingir grandes distâncias, este elemento da direcção da «Rádio ECCLESIA» conta que em Luanda (local onde são emitidos os programas) vive um quarto da população angolana. "O nosso pólo de interesse situa-se na capital" mas "gostávamos de abranger todo o território".


Cabo Verde está representado neste encontro pelo director da «Rádio Nova», o Pe. Capuchinho, António Fidalgo. Neste órgão desde a sua fundação (Dezembro de 1992), o Pe. António Fidalgo afirma que no início receberam apoios de "amigos italianos e da Rádio Renascença". Apesar de fazer uma avaliação positiva destes anos, o director sente alguns problemas na transmissão dos programas. Cabo Verde tem 10 ilhas (9 habitadas) mas a "orografia é muito complicada". "Tentamos vencer zonas de sombra em FM" - lamenta. Para além desta dificuldade, a «Rádio Nova» debate-se com "problemas financeiros". O governo "não apoia mas também não dificulta".



Evangelizar e educar as populações

O raio de acção da «Rádio Nova Paz» não é muito abrangente (cerca de 70 quilómetros) mas a Irmã Idalina salienta que "temos feito um bom trabalho". Os ouvintes "gostam de escutar a nossa programação abrangente e aberta". Mesmo sendo uma rádio católica, "fazemos muitos programas virados para a educação". O problema da SIDA em Moçambique tem ocupado muitas horas de emissão. Com o apoio do Governo e do núcleo provincial de luta contra a SIDA "consciencializamos muitas pessoas" - disse a Irmã Idalina. A visita a hospitais e centros de saúde é outra forma de auxiliarmos a população para este flagelo que "mata muitos moçambicanos".

Fátima Cavate referiu também que a «Rádio ECCLESIA» transmite muitos programas virados para a educação, sobretudo aqueles ligados às mulheres e crianças. "É uma rádio generalista com programas de formação e informação". "É uma rádio que faz falta a políticos e a religiosos". Como não recebem apoios estatais, Fátima Cavate disse "somos livres porque trabalhamos para o povo através do anúncio e da denúncia". E completa: "podemos dizer aquilo que o governo não diz e informamos as pessoas de coisas que o governo não informa".


O lugar da religião

A «Rádio Nova Paz» transmite o terço e eucaristia diariamente. "Uma forma de catequizar as pessoas" - admitiu a Irmã Idalina. Por sua vez, Fátima Cavate realça que a «Rádio ECCLESIA» também dá muito espaço à programação religiosa mas "de índole ecuménica". Com uma colaboração muito estreita com a Rádio Renascença e com a Rádio Vaticano, a emissora católica de Cabo Verde recebe o apoio dos bispos daquele país (um deles faz um programa) e sente-se "um instrumento de evangelização". E conclui o Pe. António Fidalgo: "Temos uma catequese infantil pela rádio".








Em breve, reportagem fotográfica e vídeos.



Não perca todos os pormenores deste IV Encontro das Rádios Lusófonas Católicas.

VOX aposta na rede de satélite

Os representantes das rádios lusófonas católicas estudam a possibilidade de "uma rede de satélite" para "facilitar os trabalhos e partilha de conhecimentos" - disse à Agência ECCLESIA António Pinelli, Presidente da Unda/Signis-Brasil. Reunidos em Carcavelos, de 17 a 21 de Outubro, os participantes destes órgãos de comunicação celebraram o 10º aniversário da VOX – Associação Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa – e aprofundaram experiências.








O satélite "facilita a comunicação" entre as emissoras porque as interliga. Na conferência subordinada ao tema «Comunicação Via Satélite – A solidariedade em rádio», António Pinelli realça que no Brasil "temos uma extensão grande de cobertura de emissoras de rádio" e "propomos a integração de África nesta rede para facilitar os trabalhos e o crescimento cultural e formativo".

Nas questões financeiras, o Presidente da Unda/Signis-Brasil sublinhou que essa "é a grande dificuldade" mas "há hipóteses dos patrocinadores ajudarem". Com a constituição da rede de satélite "torna-se mais fácil evangelizar" e "despertar os países africanos para esta realidade". E acrescenta: "Não adianta trabalhar sozinho". É fundamental saber quem "pretendemos atingir" porque "depois aparecem os parceiros na evangelização" – frisou António Pinelli.

Por sua vez, o Pe. Armando Duarte, Presidente da Direcção da VOX, afirma que dez anos parecem "pouco mas já fizemos um grande caminho: Congregar as rádios lusófonas católicas". Apesar do lado positivo, o Pe. Armando Duarte lamenta que "o Governo português não tenha percebido o papel que estamos a desempenhar". "Não substituímos o Estado mas somos um parceiro privilegiado nas ligações aos países lusófonos" – disse à Agência ECCLESIA.

Na era da globalização, a rede de satélite permite uma maior proximidade entre os países e trocas de experiências. "Recebemos e damos" - salienta o presidente da direcção da VOX. Em África, a Rádio "é fundamental, muito mais que a televisão e a imprensa escrita". Através dela, as pessoas aprendem e recebem formação sobre vários temas: Alfabetização, Questões sociais, Democracia e Questões Sanitárias"
Além de representantes portugueses, em nome da Associação das Rádios de Inspiração Cristã, da Rádio Renascença e da Fundação Evangelização e Culturas, participaram neste encontro membros do Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.







Em breve, reportagem fotográfica e vídeos.

Não perca todos os pormenores deste IV Encontro de Rádios Lusófonas Católicas.

38 milhões Levantaram-se para a Luta contra a Pobreza

Os resultados da Campanha Internacional "Levanta-te" foram atingidos: em todo o mundo, 38 milhões de pessoas levantaram-se e ergueram a sua voz para pedir aos governantes dos países que não esqueçam os povos que sofrem.


Desde universidades e escolas a estádios de futebol, passando por parlamentos e escritórios, mais de 6 mil eventos em 110 países tornaram esta campanha um evento à escala planetária.


O próprio Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "levantou-se" em conjunto com todos os funcionários das Nações Unidas.


Ásia foi o continente que mais se "levantou": 28 milhões de pessoas responderam ao apelo. Depois veio África (onde a FEC também se levantou, como pode ver aqui), com 7,5 milhões de participantes, os países árabes, com 2,5 milhões e a América Latina, com 734 mil pessoas.


Mandy Kibel, director de comunicação da Campanha do Milénio das Nações Unidas, afirmou que foi positivo a maior parte dos participantes ter vindo dos países mais pobres. "O LEVANTA-TE deu oportunidade às pessoas dos países mais pobres de fazerem a sua voz ouvir-se em assuntosque lhes dizem respeito de forma directa", afirmou.


Em Portugal, as expectativas mais optimistas foram ultrapassadas: 65.753 portugueses levantaram-se e juntaram a sua voz à campanha.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

VOX faz 10 anos e reúne rádios lusófonas

Com a passagem do 10º aniversário da criação da VOX – Associação Mundial das Rádios de Inspiração Cristã de Expressão Portuguesa –, realiza-se o IV Encontro das Rádios Lusófonas Católicas, em Carcavelos (Lisboa), de 17 a 21 de Outubro. Pensado inicialmente para ser realizado na Guiné-Bissau, a falta de apoios oficiais obrigou a que tentássemos o "milagre" da regularidade destes encontros, com a inovação dum Seminário Formativo.

Além de representantes portugueses, em nome da Associação das Rádios de Inspiração Cristã, da Rádio Renascença e da Fundação Evangelização e Culturas, participarão membros do Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.

Como temas e oradores, entre outras intervenções, estão agendados: "Comunicação via satélite, a solidariedade em rádio", a cargo de António Pinelli, da Unda/Signis – Brasil; "Dez anos da VOX – Balanço e perspectivas de futuro", sob apresentação do P. Armando Duarte, presidente da VOX; "A linguagem da rádio - perspectiva cultural pluralista", pelo Doutor Borges de Pinho, da RR; "O valor da palavra na comunicação", pelo Sr. António Sala (RR); "O lugar do comunicador cristão nos tempos de hoje", desenvolvido pelo P. Tony Neves; "A partilha e a entreajuda entre as rádios lusófonas", sob a responsabilidade do P. António Fidalgo, director da Rádio Nova (Cabo Verde).

Serão apresentados planos para o futuro das Rádios e da VOX e realizar-se-á uma Assembleia-geral, alguns participantes aproveitam para a participação em estágios e outros contactos.

Finalmente, espera-se a consolidação deste projecto, num verdadeiro plano de "evangelização sobre os telhados", com a partilha, entreajuda e solidariedade das rádios e associações, na correspondência a uma Igreja em estado de missão.



PROGRAMA

Quarta-feira – Dia 17

Chegada dos Participantes

19h00 – Alojamento – Jantar

21h30 – Abertura dos trabalhos – Direcção da VOX



Quinta-feira – Dia 18

9h00 – Comunicação Via Satélite – A solidariedade em rádio – António Pinelli – Presidente da Unda/Signis- Brasil

14h30 – A linguagem da rádio – Perspectiva cultural pluralista – Doutor Borges de Pinho

18h00 – Dez anos da VOX – Balanço e perspectivas para o futuro – Pe. Armando Duarte – Presidente da Direcção da VOX



Sexta-feira – Dia 19

9h00 – Propostas da FEC nomeadamente no que se refere a Moçambique

14h30 – Visita de estudo à Rádio Renascença

Conferência no auditório – O valor da palavra na comunicação – António Sala



Sábado – Dia 20

9h00 – O lugar do comunicador cristão nos tempos de hoje – P. Tony Neves

14h30 – Partilha e entreajuda entre as rádios lusófonas – P. António Fidalgo, Director da Rádio Nova de Cabo Verde com a participação de representantes das rádios de Angola, Moçambique e S. Tomé

21h00 – Assembleia-geral da VOX que terá como pontos principais a apresentação, pela direcção, do Plano de Actividades e Orçamento para 2008



Domingo – Dia 21

Até ao almoço – Missa – Tempo livre – No fim do almoço saída

CEP levantou-se contra a pobreza!

Os serviços da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) uniram-se numa acção de protesto e sensibilização, neste Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza Extrema, e levantaram-se contra a pobreza e pelos objectivos do milénio. Uma acção que contou com a organização e dinamização da Fundação Evangelização e Culturas.


2ª Mostra de Cinema Brasileiro

Cinema São Jorge, Lisboa


Entrada: 3,50€


[3€ para menores de 30 anos e maiores de 65]






A 2.ª Mostra de Cinema Brasileiro, que decorre de 19 a 21 de Outubro, no Cinema São Jorge, organizada pela Fundação Luso-Brasileira, em co-produção com a EGEAC E.M., presta homenagem a importantes figuras do cinema brasileiro, entre as quais a actriz Glória Pires e os realizadores Daniel Filho e Jorge Furtado.






PROGRAMA



Dia 19



16h30


Houve uma vez dois Verões, de Jorge Furtado, Brasil, 2002, Comédia.


Chico (André Arteche), adolescente em férias na "maior e pior praia do mundo", conhece Roza (Ana Maria Mainieri) e apaixona-se. Mas depois de uma primeira noite, ela desaparece. Ao lado do seu amigo Juca (Pedro Furtado), Chico procura Roza pela praia, em vão. Só mais tarde, já de volta a Porto Alegre e às aulas de química orgânica, é que ele vai reencontrá-la. Chico quer conversar sobre "aquela noite", mas Roza conta-lhe que está grávida. Até ao próximo Verão, ela ainda vai entrar e sair muitas vezes da sua vida.






18h00


Meu tio matou um cara
, Brasil, 2004, Comédia.


Duca (Darlan Cunha), aos 15 anos, descobre que os crimes que costuma ver em jogos electrónicos também podem existir na vida real, quando o seu tio Éder (Lázaro Ramos) é preso por um assassinato mal explicado. Duca resolve investigar o caso por conta própria, e tenta entusiasmar para essa tarefa os seus colegas Kid (Renan Gioelli) e Isa (Sophia Reis). Mas Isa parece mais interessada em Kid. E Kid parece mais interessado na primeira que aparecer. E Duca, claro, no fundo só se interessa por Isa.






19h30


Homem que copiava
, Brasil, 2003, Comédia.


André (Lázaro Ramos), 20 anos, tira fotocópias numa papelaria, e precisa desesperadamente de trinta e oito reais para impressionar a mulher dos seus sonhos, Sílvia (Leandra Leal), que mora no prédio em frente e trabalha como balconista numa loja de artigos femininos. Ajudado pelo seu amigo Cardoso (Pedro Cardoso), e depois também pela colega de trabalho Marines (Luana Piovani), André faz muitos planos para conseguir dinheiro. E todos dão certo. E é aí que os seus problemas começam.






21h00


Mesa redonda com Jorge Furtado, Ilda Santiago e Breno Silveira






22h00


Saneamento Básico, Brasil, 2006, Comédia.


Na pequena Linha Cristal, a comunidade mobiliza-se para construir uma fossa no riacho e acabar com o mau cheiro. Marina (Fernanda Torres), a líder do movimento, descobre que a Prefeitura nesse ano só tem verba para produzir um vídeo de ficção. Então ela e o seu marido Joaquim (Wagner Moura) resolvem filmar a história de um monstro que surge no meio das obras de saneamento. Marina escreve um roteiro, Joaquim prepara a caracterização. Silene (Camila Pitanga) aceita ser actriz, Fabrício (Bruno Garcia) tem uma câmara. Aos poucos, as filmagens vão envolvendo todos os moradores do local.






Dia 20



18h00


A Partilha, de Daniel Filho, Brasil, 2001, Comédia.


Reunidas para o enterro da mãe, quatro irmãs vêem-se obrigadas a discutir a divisão entre elas de um amplo apartamento em Copacabana e os móveis contidos nele. A discussão inicia um confronto entre opções de vida, já que todas seguiram caminhos muito diferentes. Selma (Glória Pires), casada com um militar, vive uma vida disciplinada na Tijuca, enquanto que Regina (Andréa Beltrão) é mais solta e esotérica, tendo uma visão 'alto astral' da vida. Já Lúcia (Lília Cabral) abandonou um casamento convencional e o seu filho a fim de viver um grande amor em Paris, enquanto Laura (Paloma Duarte) se tornou uma intelectual sisuda que surpreende as irmãs com as suas opções. Juntas, as quatro fazem um balanço do passado e dos bons momentos que tiveram juntas, sendo obrigadas a enfrentar as novas situações que o quotidiano lhes impõe.





19h30


Se eu fosse você
, de Daniel Filho, Brasil, 2006, Comédia.


Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário bem sucedido, dono da sua própria agência, que é casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música que dirige um grupo coral infantil. Acostumados à rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, eles volta e meia têm uma discussão. Um dia eles têm uma briga maior do que o normal, que faz com que algo inexplicável aconteça: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam reverter a situação. Para o conseguirem, porém, eles terão que assumir por completo a vida do outro.





21h00


Mesa redonda com Daniel Filho e Glória Pires






22h00


O Primo Basílio
, Brasil, 2007, Drama.


Baseado no romance O primo Basílio, de Eça de Queirós, o filme tem como cenário São Paulo, 1958. Luísa (Débora Falabella), uma jovem romântica, é casada com o engenheiro Jorge (Reynaldo Gianecchini). Reencontra o seu primo Basílio (Fábio Assunção), um elegante bon vivant, com quem se envolve. Vivendo entre a paixão e o amor, ela vê-se chantageada pela empregada (Glória Pires), que descobre o seu caso com o primo.






Dia 21




16h00


Proibido proibir
, de Jorge Dúran, Brasil e Chile, 2006, Drama.


Três estudantes universitários – Paulo (Caio Blat), Letícia (Maria Flor) e Leon (Alexandre Rodrigues) – experimentam conflitos morais e éticos quando Paulo se apaixona por Letícia, que é namorada de Leon. Ao mesmo tempo, eles confrontam a violência da cidade e vivem uma experiência dramática, que os faz amadurecer e que acaba por fortalecer os laços de fraternidade e amor que os unem.






18h00


O Céu de Suely
, de Karim Aïnouz, Brasil, França, Alemanha e Portugal, 2006.


Há dois anos atrás, Hermila partiu. A experiência em São Paulo foi boa, mas a cidade era cara demais. Agora ela está de volta a Iguatu, no sertão cearense. A casa da avó, Zezita, e da tia, Maria, é acolhedora e confortável. Mas não demora muito até Hermila se dar conta de que precisa de partir outra vez. Inspirada pelas conversas com a sua amiga Georgina, ela adopta o nome Suely e inventa um plano audacioso para obter dinheiro e poder viajar.





19h30


Dois Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano, de Breno Silveira, Brasil, 2005, Drama.


Francisco Camargo é um lavrador do interior de Goiás que tem um sonho aparentemente impossível: transformar dois dos seus nove filhos numa dupla sertaneja. Inicialmente deposita esperanças no mais velho, Mirosmar, e resolve dar-lhe um acordeão pelos seus 11 anos. Mirosmar e seu irmão Emival, que toca violão, apresentam-se com sucesso nas festas da vila onde moram, mas devido à perda da propriedade onde moravam nos anos 70, toda a família é obrigada a mudar-se para Goiânia. Mirosmar e Emival começam então a tocar na rodoviária local, na intenção de conseguir algum dinheiro para ajudar em casa.






22h00


O ano em que meus pais partiram de férias, de Cao Hambúrguer, Brasil, França, Alemanha e Portugal, 2006.


Em 1970, o Brasil e o mundo parecem estar de cabeça para baixo, mas a maior preocupação na vida de Mauro (Michel Joelsas), um garoto de 12 anos, tem pouco a ver com a ditadura militar que impera no País: o seu maior sonho é ver o Brasil tricampeão mundial de futebol. Inesperadamente, ele é separado dos pais e obrigado a adaptar-se a uma "estranha" e divertida comunidade – o Bom Retiro, bairro de São Paulo, que abriga judeus, italianos, entre outras culturas. Uma história emocionante de superação e solidariedade, com a participação de Caio Blat e Paulo Autran. Nomeação brasileira deste ano para o Óscar de melhor filme estrangeiro.





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Comunicadores católicos desafiados a inculturar o Evangelho

O novo presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais (CPCS), Arcebispo Claudio Maria Celli, apresentou uma série de desafios para os comunicadores católicos entre os que destacou "a formação para não serem «analfabetos funcionais», ignorando o alfabeto da linguagem de hoje, perfeitamente dominado por crianças e jovens".

O prelado italiano falava, via videoconferência, na abertura do III Congresso Latino-americano e Caribenho de Comunicação, que se celebra na cidade equatoriana de Loja.
Na sua intervenção, o presidente destacou a necessidade de assumir com urgência a "inculturação do Evangelho na sociedade da informação" e defendeu uma informação "que evite as deformações sobre a Igreja e a sua mensagem".

D. Celli assinalou que "exercer uma cidadania responsável dos meios de comunicação social nesta sociedade da informação supõe fazer uma verdadeira opção por servir a verdade, a liberdade autêntica, o bem comum e a paz".

"Por isso é vital para os comunicadores desta nova geração comunicar os valores cristãos - que não contradizem minimamente os valores humanos - e que encontram em cada momento histórico novas formas de expressão", prosseguiu.

Este responsável sublinhou que "o êxito dos nossos projectos não pode medir-se com os parâmetros das audiências a qualquer custo".

Para o presidente do CPCS, "as novas formas de pobreza, de exclusão e marginalização do ecossistema comunicativo no qual existimos interpelam-nos a dar respostas sobre como ser comunicadores hoje".


Legislação preocupa rádios católicas

Existe em Portugal "um anticlericalismo” que obriga as rádios de inspiração cristã a “estarem atentas”, afirmou à Agência ECCLESIA Joaquim Sousa Queiroz, Presidente da direcção da ARIC - Associação de Rádios de Inspiração Cristã. A nova legislação foi um dos temas em debate este fim de semana no 19º Encontro Nacional de Rádios ARIC.

“Não é generalizado mas há pequenos sinais que pedem a nossa atenção”, acrescenta. As rádios nasceram ligadas a instituições da Igreja e “temos que ter isso em consideração”.

A lei das cotas que obriga a transmissão de 25% de música portuguesa é um dos exemplos apelidados de “graves intromissões nas nossas empresas que são rádios privadas”, afirma acrescentando que “aceitamos o facto de termos de respeitar as leis”. A lei que se refere à não concentração é considerada “prejudicial”, e para rádios ou imprensa regional católica “pode vir a causar sérios embaraços”, aponta. No entanto, a maior reclamação vai no sentido de alguma “intromissão na programação das rádios”.

“Legislação para ou contra as Rádios?” foi um tema “provocatório, tendo em conta o painel convidado”, acrescenta o Presidente da direcção da ARIC. A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) que congrega 230 rádios com quem a ARIC desenvolve uma reflexão permanente, um representante da Entidade Reguladora que “nem sempre está bem conotada no meio” e um representante do Gabinete dos Meios de Comunicação Social, antigo instituto de Comunicação Social foram entidades que ajudaram a lançar linhas programáticas, “mais do que de actuação”, aponta.

O 19º encontro está integrado num plano traçado há dois anos, que prevê a reunião dos cerca de 70 associados que procuram, através da sua programação, passar os valores, enquanto associação cristã, de humanismo cristão.

A maioria das rádios associadas são de meios pequenos e por isso, uma das preocupações é “descentralizar estes encontros de análises e reflexão”. Com três temas de análise, os participantes valorizam também o espaço de convívio e contactos entre as várias rádios, onde se partilham experiências e “se dão trocas trabalho”, manifesta o Presidente da direcção.

As relações transfronteiriças são uma forma que as rádios encontram para trabalhar. “A troca de programas, experiências comerciais, emissões em cadeia, a própria informação” são alguns exemplos das trocas e experiências partilhadas.
A Comissão Nacional para a Protecção dos Jovens e Crianças em Risco entrou em contacto com a ARIC com o objectivo de pedir a colaboração de rádios locais para a protecção. O pedido foi analisado e encarado como “necessário”, encontrando espaço nas rádios locais “já que a prevenção é essencial e também porque é um problema que preocupa todos”. A disponibilidade das rádios foi demonstrada, sendo este “um exemplo do papel que as rádios podem ter”, sublinha Joaquim Sousa Queiroz.

Os três dias de reflexão foram encarados como um “debate interessante que nos dá pistas para podermos continuar a trabalhar e a estar atentos”. O que pretendem, é continuar a reflexão e análise “sem pretensões de tirar grandes conclusões para apresentar externamente, apenas deixar algumas ideias que nos levam a reflectir e a fazer”, sempre com atenção sobre o que se vai passando na área da comunicação.

O próximo encontro ficou marcado para Março de 2008, “possivelmente com o apoio de uma rádio de Tavira”, adianta.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Pensar a Igreja

Mais de 30 Cardeais e Bispos do Velho Continente reuniram-se em Fátima, de 4 a 7 de Outubro, para a reunião magna do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), organismo que reúne representantes de 34 países.

Em cima da mesa, estiveram temas como o matrimónio na Europa, o ecumenismo, o processo de unificação europeia, a colaboração África-Europa ou a pastoral das prisões, entre outros temas que serviram de mote ao Luso Fonias do passado dia 14 de Outubro – “Pensar a Igreja”.

Em estúdio esteve o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, que actualmente preside à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), e que esteve na nossa companhia para uma reflexão sobre quais as apostas e prioridades da Igreja do século XXI. Uma entrevista que contou com a realização do jornalista António Trota e equipa técnica da Renascença Regiões de Braga.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A Igreja tem dois mil anos. Um património riquíssimo que é preciso adequar às culturas dos tempos que correm, através de um esforço sempre renovado e aprofundado de inculturação do Evangelho. Estamos na era da Nova Evangelização e cinco cidades capitais da Europa decidiram avançar para um Congresso a fim de repensar a Igreja e a sua inserção nas Sociedades.

Budapeste, cidade monumental, acolheu a 5ª sessão do Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE), de 15 a 23 de Setembro. Terminou, assim, um ciclo que juntou cinco cidades capitais da Europa (Viena – 2003; Paris – 2004; Lisboa – 2005; Bruxelas -2006; Budapeste -2007) num Congresso sobre Missão na Europa.

Fé, Caridade, Martírio, Alegria, Esperança e Futuro foram os temas que marcaram a reflexão dos congressistas.

A Igreja abriu as portas e os cristãos saíram á rua. Antes de mais, entraram nos cartazes e outdoors das praças e das estações de Metro onde se podiam ver os símbolos do ICNE e a publicidade aos eventos e concertos.

Mas a Missão saiu mesmo à rua. Víamos grupos de jovens e menos jovens que cantavam nas praças, que faziam mímicas e peças de teatro, que distribuíam textos bíblicos às pessoas, que convidavam a entrar na Igreja para rezar e cantar, que distribuíam flores e desdobráveis.

Há que pensar e repensar a Igreja. Em era de mudança e de vertigem, não faz sentido parar na história e apontar o dedo acusador aos tempos que correm. Há que ter a lucidez e a coragem dos profetas para rasgar caminhos novos que dêem às pessoas razões de viver e acreditar. E que, acima de tudo, garanta a felicidade.»




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O dia em que o mundo conheceu João Paulo II

Passam hoje 29 anos sobre o dia 16 de Outubro de 1978, data em que o mundo ficou a conhecer João Paulo II, o Papa que vinha da Polónia e que fugia a todas as previsões para a sucessão de João Paulo I, após pouco mais de um mês de pontificado.

Logo nas primeiras palavras, uma mensagem de força e de confiança: "não tenhais medo". O Papa com o nome estranho (na multidão houve quem pensasse que seria um africano) fala na primeira pessoa do singular em vez do plural: esta afirmação de identidade vem acompanhada de uma experiência histórica notável, atravessando guerras mundiais e a vivência sob um regime comunista, que fala ao coração de milhões de pessoas.

Tendo-se formado num contexto diferente dos Papas anteriores, João Paulo II viria a imprimir na Igreja um novo dinamismo, impondo ao mesmo tempo um maior rigor teológico e disciplinar.

O Papa polaco foi uma das figuras mais marcantes da história recente, na Igreja e no mundo, deixando atrás de si a herança de um longo Pontificado de 26 anos e meio.
Karol Wojtyla nasceu no dia 18 de Maio de 1920 em Wadowice, no sul da Polónia, filho de Karol Wojtyla, um militar do exército austro-húngaro, e Emília Kaczorowsky, uma jovem de origem lituana.

Aos 9 anos de idade recebeu um duro golpe, o falecimento de sua mãe ao dar à luz a uma menina que morreu antes de nascer. Três anos mais tarde faleceu o seu irmão Edmund, com 26 anos, e em 1941 morre o seu pai.

Em 1938 foi admitido na Universidade Jagieloniana, onde estudou poesia e drama. Durante a II Guerra Mundial (1939- 1945) esteve numa mina em Zakrzowek, trabalhou na fábrica Solvay e manteve uma intensa actividade ligada ao teatro, antes de começar clandestinamente o curso de seminarista. Durante estes anos teve que viver oculto, junto com outros seminaristas, que foram acolhidos pelo Cardeal de Cracóvia.

Segundo relata o actual Pontífice, estas experiências ajudaram-no a conhecer de perto o cansaço físico, assim como a simplicidade, a sensatez e o fervor religioso dos trabalhadores e pobres.

As marcas no seu corpo começam a aparecer quando em Fevereiro de 1944 é atropelado por um camião alemão e é hospitalizado.

Ordenado sacerdote em 1946, vai completar o curso universitário no Instituto Angelicum de Roma e doutora- se em teologia na Universidade Católica de Lublin, onde foi professor de ética.

A forma filosófica, que integrava os métodos e perspectivas de fenomenologia na filosofia Tomistica, de gerir as questões que se lhe apresentavam no dia a dia, estão relacionadas com a sua "devoção" ao pensador Alemão Mas Scheler.

No dia 23 de Setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar do administrador apostólico de Cracóvia, D. Baziak, convertendo-se no membro mais jovem do episcopado polaco. Participou no Concílio Vaticano II, onde colaborou activamente, de maneira especial, nas comissões responsáveis na elaboração da Constituição Dogmática Lumen Gentium e a Constituição conciliar Gaudium et Spes. Durante estes anos o então Bispo Wojtyla combinava a produção teológica com um intenso labor apostólico, especialmente com os jovens, com os quais compartilhava tantos momentos de reflexão e oração como espaços de distracção e aventura ao ar livre.

No dia 13 de Janeiro de 1964 faleceu D. Baziak e Wojtyla sucedeu-lhe na sede de Cracóvia como titular. Dois anos depois, o Papa Paulo VI converte Cracóvia em Arquidiocese.

Durante este período como Arcebispo, o futuro Papa caracterizou-se pela integração dos leigos nas tarefas pastorais, pela promoção do apostolado juvenil e vocacional, pela construção de templos apesar da forte oposição do regime comunista, pela promoção humana e formação religiosa dos operários e também pelo estímulo ao pensamento e publicações católicas. Representou igualmente a Polónia em cinco sínodos internacionais de bispos entre 1967 e 1977.

Em Maio de 1967, aos 47 anos, o Arcebispo Wojtyla foi criado Cardeal pelo Papa Paulo VI.

Em 1978 morre o Papa Paulo VI, e é eleito como novo Papa o Cardeal Albino Luciani de 65 anos que tomou o nome de João Paulo I.

O "Papa do Sorriso", entretanto, falece 33 dias após a sua nomeação e no dia 15 de Outubro de 1978, o Cardeal Karol Wojtyla é eleito como novo Papa, o primeiro papa não-italiano desde 1522, ano da eleição do holandês Adriano VI.




Homem de luta num mundo em mudança


O Papa que veio do Leste recebeu uma Igreja cujo governo atravessava uma certa crise, presa na tensão entre os avanços do Concílio e a perda de identidade perante a modernidade.

A enorme produção doutrinal do Papa deve, pois, ser lida à luz da necessidade de dar respostas pastorais a um mundo em mudança. João Paulo II sempre foi capaz de definir etapas mobilizadoras da Igreja e do mundo, na busca de uma identidade forte – visível na devoção mariana e na formulação de um todo doutrinal – que fosse capaz de sustentar o diálogo com outras confissões religiões.

A sensibilidade para as implicações na sociedade da acção da Igreja não inviabilizou que o Pontificado tivesse dado prioridade à acção pastoral, mesmo sem secundarizar a política. A ideia, explícita logo desde a primeira encíclica, é recentrar a mensagem cristã em Jesus, que revela ao homem o seu destino e a sua dignidade.

A “Redemptor Hominis” de João Paulo II revela-o atento à necessidade não só do diálogo ecuménico com todas as Igrejas cristãs, mas também com todas as religiões. Neste Pontificado há uma grande novidade: o Papa sabe que o mundo não se tornará completamente cristão ou católico, sabe que é necessário viver com os demais, sejam judeus, muçulmanos ou ateus, e isto é radicalmente novo na concepção da Igreja.

Esta novidade representou um ponto fundamental deste Pontificado, a consciência de que a experiência católica tem de conviver com outras, e é pela qualidade desse convívio que ela pode evangelizar.

Muitos falaram de um “Papa político”, alguém que lutou abertamente contra os regimes comunistas de Leste desde a sua primeira viagem à Polónia em 1979 e contra o capitalismo reinante na sociedade ocidental. A Igreja é desafiada a resistir, anunciar e mudar: os apelos do Papa em favor do Terceiro Mundo percebem melhor à luz destas premissas.

As profundas transformações ocorridas na Europa no final do segundo milénio e no início do terceiro tiveram em João Paulo II um dos principais protagonistas. No começo do pontificado de João Paulo II, a Europa, pelo Tratado de IALTA, continuava dividida em dois blocos por motivos ideológicos e geopolíticos. Começava a surgir, à época, o Sindicado Solidariedade, que ameaçava provocar instabilidade não só no interior da Polónia mas também em outros países do Leste Europeu.

O Papa apoiou e estimulou a chamada “Ostpolitik”, conduzida pelo seu Secretário de Estado, o Cardeal Agostinho Casaroli, e continuada pelo seu sucessor, o Cardeal Angelo Sodano. O processo culminou, no período do Presidente Gorbachev, em Março de 1990, com o restabelecimento das relações oficiais entre o Vaticano e a ex-União Soviética.

João Paulo II era um ardoroso defensor da “Grande Europa”, que se estende do Atlântico aos Urais. A “Grande Europa”, segundo ele, deve respirar com os dois pulmões, alimentar-se com a riqueza das duas tradições: a cristã-ocidental e a eslavo-ortodoxa.

Menos unânimes, mas igualmente firmes, foram as posições do Papa sobre os temas do matrimónio, da família, da defesa da vida desde a sua concepção até ao momento da morte natural ou da moral sexual. Essa acção, mesmo se contestada, apresenta João Paulo II como uma consciência crítica, em referência constante ao Evangelho.

Com o final da guerra fria, os medos da humanidade viraram-se para a guerra das civilizações, confrontos com motivações religiosas entre o mundo árabe e o Ocidente. O papel de João Paulo II, mesmo debilitado pela idade e a doença, voltou a ser fundamental. A campanha contra a guerra no Iraque foi o acto que simbolicamente congregou as iniciativas e apelos de paz de João Paulo II ao longo de 26 anos, nascidos da convicção de que o respeito pelos direitos humanos é o único caminho para os povos.






In www.agencia.ecclesia.pt

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Noite de Oração - Levanta-te contra a pobreza

A congregação Escravas do Sagrado Coração de Jesus vai promover uma Vigília de Oração na noite de 16 de Outubro das 21h30 às 22h30 nos colégios de Lisboa (Rua de São Félix, 2A) e do Porto (Rua Carlos Malheiro Dias, nº 197) aberta a todos os que quiserem participar.




Requiem à pobreza - Junta a tua voz!

De 13 e 17 de Outubro, Requiem à Pobreza numa parceria de organização com o coro Vox Laci e Pobreza Zero. O Requiem é uma iniciativa internacional a que Portugal aderiu e que dá ao maior número possível de pessoas a oportunidade de elevar as suas vozes para fazer tanto uma declaração artística como política e assim apoiar a luta contra a pobreza global. São já 200 os coralistas inscritos e tu podes juntar-te a cantar ou apoiar, assistindo.