segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Ir ao encontro da esperança

O início do ano é, por norma, um tempo propício a criarmos expectativas. Um tempo para pensarmos no que passou e no que está por vir. Semeamos planos e no nosso coração nasce a esperança.

O Luso Fonias de 13 de Janeiro esteve à conversa sobre Darfur, uma região do tamanho da França, situada no oeste do Sudão, o maior país de África e antiga colónia britânica que sofreu, desde praticamente a independência, uma guerra entre o norte e o sul.

Falámos do drama humanitário e de como podemos ajudar a semear a esperança naquela região. Em estúdio esteve connosco Filipe Pedrosa da Plataforma Por Darfur – Semear a Esperança. Ouça este programa e saiba como lançar a sua semente!



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Bento XVI publicou, no fim do ano passado, um documento sobre a esperança cristã. Ali diz que a mensagem do Evangelho não é só informativa, mas performativa. Ou seja: o Evangelho ‘gera factos e muda a vida’. Sobre o progresso humano (‘da funda à megabomba’), o Papa afirma que este ‘oferece novas potencialidades para o bem, mas também abre possibilidades abissais para o mal’, pelo que a liberdade deve ser incessantemente conquistada para o bem. Não é a ciência que redime a pessoa humana. É o amor, pelo que a verdadeira esperança das pessoas só pode ser Deus. E o Amor de Deus revela-se na responsabilidade pelo outro (SS, 26-28). ‘O nosso agir não é indiferente diante de Deus’ (SS, 35). A imagem do juízo final apela à responsabilidade (SS, 44). ‘Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Continuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, faço, digo e realizo’ (SS,48).

A Missão da Esperança mantém-se decisiva para a credibilidade da Igreja no seu empenho por um progresso justo e construtivo, assente no Amor.

Por tudo isto, em início de ano, vem a propósito falar do Darfur, no Sudão, que se transformou no símbolo da barbárie humana, numa guerra à porta fechada com a conivência da comunidade internacional. Segundo Ban Ki-Moon, Secretário-Geral da ONU, este conflito que é hoje descrito como ‘um conflito étnico que opõe milícias árabes e rebeldes a agricultores negros’, começou há duas décadas quando as chuvas no sul do Sudão se tornaram raras, terminando a tradicional relação pacífica entre os pastores nómadas árabes e os agricultores sedentários. O conflito ‘teve início com uma crise ecológica, provocada, em parte, por uma alteração climática’ (Visão, 21.06.2007, p.94).

A MissãoPress (Associação da Imprensa Missionária) decidiu fazer sua esta causa e amplificar o grito das vítimas das arbitrariedades dos senhores desta guerra que ali vai fazendo razia. Criou-se ainda a Plataforma pelo Darfur que lançou o CD ‘Frágil’ que junta 29 bandas e artistas pelo Darfur, ‘uma palavra contra a indiferença, uma mostra de nojo pelo negócio da guerra‘ como disse António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF. O CD ‘Frágil’ sensibiliza para a tragédia humana e humanitária do Darfur e junta apoios para o funcionamento de Escolas na região, com a coordenação dos Combonianos que lá trabalham.

A MissãoPress e a Plataforma pelo Darfur fizeram tudo por tudo para que este drama humano e humanitário não ficasse de fora da agenda da Cimeira Europa-África, realizada em Lisboa a 8 e 9 de Dezembro. E houve um encontro que juntou o Presidente do Sudão, Durão Barroso, Javier Solana e José Sócrates.

Por enquanto, não há resultados palpáveis, mas a Missão mantém-se de pé, até porque o povo do Darfur (e de muitos outros ‘Darfurs’ espalhados pelo globo!) continua perseguido e espezinhado.

Mas não se podem cruzar os braços, em nome do futuro e da esperança.»




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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Objectivo 2015 em Agenda

Já comprou agenda para este ano? Não?!?! Ainda está indeciso? Pois… a oferta é muita! Dentro de tanta oferta opte por comprar algo que promova o conhecimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a Agenda – O Pacto da Humanidade – Objectivo 2015.



«Dizia o Papa Paulo VI que “O Desenvolvimento é o novo nome da Paz”. Uma afirmação da Encíclica Populorum Progressio que continua tão actual como há 40 anos.


Também as Nações Unidas têm, por diferentes meios ao longo das décadas, procurado chamar a atenção para as desigualdades, para a pobreza, para as situações de exclusão, num eterno desafio de não desistir de promover o desenvolvimento humano de todas as pessoas e de cada pessoa. O caminho tem sido moroso, mas é preciso continuar percorrê-lo com esperança.


É neste contexto que a Fundação Evangelização e Culturas (FEC) decidiu apoiar a Campanha do Milénio das Nações Unidas – Objectivo 2015 – com o intuito de promover um crescente conhecimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), metas que o mundo de hoje procura alcançar até 2015 no sentido de proporcionar condições mínimas de vida a todas as populações.


Uma lógica de apoio que passa por diferentes âmbitos da actuação da FEC, particularmente pela acção da Plataforma de Voluntariado Missionário, através do empenho de mais de 40 entidades que num espírito de solidariedade fraterna entre os povos ajudam a tornar realidade os ODM: pela acção de voluntários onde são necessários, pelo seu exemplo junto da sociedade e por uma nova cultura centrada na noção da dignidade de cada pessoa e na certeza da interdependência global que a todos nos une.


Procuremos um modelo de desenvolvimento que seja sustentável para toda a humanidade!»









Locais de Venda

Livraria Bulhosa – Campo Grande (Lisboa)

Rei dos Livros – Baixa (Lisboa)



Mais informações em fec.geral@mail.telepac.pt

ou

+ (351) 21 885 54 78/ + (351) 218 861 710

Infância Missionária

Na primeira emissão de 2008, a 6 de Janeiro, o Luso Fonias esteve à conversa sobre Infância Missionária, crianças que ajudam crianças.

Anunciar o Evangelho e construir um mundo melhor é uma tarefa também das crianças. Assim pensou D. Carlos Forbin-Janson, bispo de Nancy (França), que em 1843 fundou a Obra da Infância Missionária. Um movimento de solidariedade que une milhões de crianças em todo o mundo. Um movimento que o Luso Fonias procurou conhecer melhor neste tempo de esperança que é o início de mais um ano.

Não perca a entrevista ao Pe. Manuel Durães Barbosa, Director das Obras Missionárias Pontifícias.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«‘Crianças ajudam crianças’ é um lema excelente para ajudar as novas gerações abrir caminhos de solidariedade e de partilha. É fundamental que as crianças conheçam o mundo, com suas grandezas e limites, com o que as pessoas têm e os direitos que lhes são negados. E é urgente activar dinamismos de fraternidade que tornem as pessoas verdadeiramente irmãs, à escala do planeta, sem fronteiras de espécie alguma.

As Obras Missionárias Pontifícias têm a Missão de dar corpo a este ideal e de, ano após ano, por ocasião da Epifania do Senhor (a festa dos Magos, do anúncio a todos os povos do nascimento de Jesus Cristo).

Em Portugal, 2008 é um ano muito especial no que diz respeito à dimensão missionária, uma vez que aqui se vai realizar o Congresso Missionário Nacional. As crianças não podem ficar de fora desta onda e, nesse sentido, o guião ‘Outubro Missionário’ tem uma proposta original e ousada para mobilizar as crianças. Diz: «A Obra da Infância Missionária é um serviço das Igrejas particulares que trata de ajudar os educadores a despertar progressivamente nas crianças uma consciência missionária universal e a estimulá-las a compartilhar a fé e os meios materiais com as crianças das regiões e das Igrejas mais necessitadas. Desde a sua origem, a Obra contribuiu para despertar vocações missionárias. As quotas e as ofertas dos meninos de todos os países contribuem para formar fundos de solidariedade que têm por finalidade ajudar as obras e as estruturas em favor dos meninos mais pobres. Para além das campanhas e ofertas que as crianças possam fazer, é possível desenvolver e aprofundar o empenho missionário das crianças e adolescentes, preparando e motivando a celebração da Epifania, Cristo Luz do mundo, como a festa da Infância Missionária».

Tornar o mundo mais humano, mais fraterno e mais solidário é objectivo da Infância Missionária que põe o coração das crianças a bater ao ritmo do coração do mundo.»




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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Moçambique precisa de ajuda internacional

É preciso que a Comunidade Internacional comece, desde já, a dar uma primeira ajuda às vítimas das cheias em Moçambique, pede o Arcebispo da Beira, D. Jaime Gonçalves.

A Beira é uma das zonas mais afectadas pelas inundações causadas pelas chuvas que desde Dezembro, atingem o país.

A zona centro do território é a que mais sofre e mais de 20 mil hectares de culturas são dados como perdidos.

O último balanço indica que as cheias já afectaram cerca de 56 mil pessoas, das quais 13 mil estão desalojadas, estando já em curso acções de ajuda para fazer face à situação.

As missões católicas estão acolher os desalojados e a dar apoio ao nível das necessidades mais elementares, como água e alimentos.

Em entrevista à Renascença, o Arcebispo da Beira elogia o trabalho desenvolvido no terreno pelo Governo, mas considera fundamental a ajuda externa, pois “o governo não consegue custear a assistência das pessoas”.

Através do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades, o Governo tem antecipado “os problemas”, indica o D. Jaime Gonçalves, sendo possível através de barcos e mapas das zonas mais sensíveis salvar a população. “O registo de vítimas é inferior a acontecimentos anteriores semelhantes”.

No entanto, o Arcebispo da Beira afirma que a experiência indica que dentro de pouco tempo, mesmo os abrigos terão dificuldades em sustentar as pessoas.

“A comunidade internacional que já conhece a situação poderia já começar a preparar a sua parte, porque o nosso Governo, com certeza que vai contribuir e ajudar, mas não pode fazer tudo”, adianta.

A missão de Machanga encontra-se precisamente na margem do rio Saver, onde os religiosos dispõem de um internato que está a acolher muitas pessoas atingidas pelas cheias. Há outra missão também, no Buze que está a prestar semelhante auxílio.

O Governo moçambicano declarou o estado de emergência e as organizações internacionais manifestaram já a sua preocupação com o agravamento das condições atmosféricas adversas que estão a atingir o sul de África.

As Nações Unidas admitiram, entretanto, adoptar medidas urgentes para ajudar a população afectada na zona central.

Um alto responsável das Nações Unidas refere que a ONU está disponível para ajudar o Governo moçambicano, numa altura em que as águas em alguns lugares já atingem os seis metros de altura, transformando estas nas piores cheias desde os anos 2000 -2001 altura em que a subida do nível das águas fez 700 mortos.





domingo, 6 de janeiro de 2008

Dia da Infância Missionária

Despertar a consciência das crianças para as missões e para o conhecimento de novas realidades é um dos objectivos da iniciativa, celebrada por toda a Igreja



A simples troca de correspondência entre crianças de diferentes continentes é sintoma do despertar para novas realidades.

Esta interacção entre crianças portuguesas de uma escola de Lisboa e crianças guineenses foi efectivada em 2007, uma mais-valia conseguida pela Infância Missionária, que as Obras Missionárias Pontifícias dinamiza. Mas apenas um exemplo do que pode ser conseguido se a sensibilização da infância missionária foi dinamizada em todas as dioceses.

Hoje, dia 6 de Janeiro, celebra-se o Dia da Infância Missionária. Um assinalar da “importância deste trabalho para a Igreja em Portugal”, aponta o Pe. Manuel Durães Barbosa, Director das Obras Missionárias Pontifícias – OMP, à Agência ECCLESIA.

Para isso se aposta na divulgação de material preparado para esta data, para todas as dioceses, para que cada realidade “assuma esta obra de uma forma particular nas Escolas católicas e na catequese”.

Todos os anos é preparado um cartaz, calendários, horários escolares, um livro sobre a semana de oração com ilustrações para as crianças, o mealheiro missionário, o pai nosso missionário, entre outro material, descreve o Director da OMP.

Este ano no material, não foi incluída uma proposta para o programa da semana de oração para as crianças missionárias. Já a pensar no Congresso Missionário de 2008, a ter lugar em Setembro, “não houve tempo para preparar essa proposta”, reconhece o Pe. Durães Barbosa.



Trabalho Mundial

A Obra Pontifícia para a Infância Missionária afirma que esta dimensão da evangelização é decisiva e insubstituível no Terceiro Milénio. Uma tarefa destinada a todos cristãos e essencial na formação de crianças e educadores, na evangelização de outras crianças, das suas famílias e comunidades. É imprescindível também para a persecução de vocações missionárias, para a evangelização de não cristãos e para que as próprias crianças se envolvam na pastoral.

A Obra da Infância Missionária é destinada a pré adolescentes. “A criança está aberta a esta questão, desde que seja despertada para esta realidade, a par da solidariedade”, explica o director da OMP.

Despertar para a realidade de outras crianças nos cinco continentes é o objectivo principal desta proposta. Para isso são proposta na catequese iniciativas que visam a partilha da fé e a renúncia, durante o tempo do advento, para que na epifania – este ano celebrada a 6 de Janeiro - “sejam recolhidos os fundos”, enviados posteriormente para o Secretariado da Infância Missionária, sediado em Roma, que encaminha para as missões.



Sementes de missão

Muitos jovens que partem em missão reconhecem que há muito acalentavam a vontade de ser missionário. O Pe. Durães Barbosa acredita que cultivar estes ideais desde pequeno “favorece e estimula a participação e consciência em adulto”.

A infância missionária “é a obra número um das OMP”, sublinha o Director em Portugal, “procurando despertar a consciência de todos os baptizados”.

Este é um papel que cabe a professores, educadores, catequistas, “a todos”, enfatiza, pois só assim “se consegue uma eficaz sensibilização”.

Em muitos jovens “não resultará”, admite o Director da OMP, pois “muitos passam por uma fase de abandono da igreja”, mas acredita “que fica sempre qualquer coisa”.

O Pe. Durães Barbosa reconhece que este é um trabalho que deve ser dinamizado nas dioceses, uma tarefa nem sempre fácil e eficazmente desenvolvida. Mas o Director da OMP aponta que este ano, duas dioceses manifestaram a intenção de dinamizar e “implementar nas paróquias, através da catequese, a infância missionária”.

Este trabalho deve apostar numa forte “dinamização na catequese e nas escolas”. Este é o segredo para se conseguir um trabalho eficaz.

Muitos párocos, “entre muitos afazeres, têm de se preocupar com muitos movimentos”. O Pe. Durães Barbosa reconhece que “nem sempre há tempo para este trabalho de sensibilizar as crianças para a realidade de outros continentes”.

Este é um trabalho que, sem esquecer os sacerdotes, “é de leigos”. Mas “o padre tem de o dinamizar e impulsionar na sua paróquia”.

Em preparação está já o Congresso Missionário de 2008 que pretende envolver todas as dioceses. Informações sobre o programa em www.opf.pt/



A rádio na construção da paz

A 1 de Janeiro celebra-se o Dia Mundial da Paz, um dia para reflectirmos sobre a nossa contribuição para a paz entre a nossa família, amigos, comunidade, mundo… A rádio é um meio que trabalha nesse sentido, na construção da paz e em muitos países desempenha um papel fundamental enquanto instrumento de desenvolvimento e cidadania. Não perca o Luso Fonias de 30 de Dezembro com uma entrevista realizada pelos jornalistas da Rádio Ecclesia, Angola, ao seu director, Pe. Maurício Camuto.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«O mundo precisa de ouvir boas notícias. Que bom seria se acordássemos todos a escutar a informação de que todas as armas se calaram e os governos do mundo assinaram um protocolo de paz definitiva. Que grande sonho que todos queremos ver transformado em realidade! Mas, por enquanto, permanece o sonho e a falta de paz continua para meio mundo um enorme pesadelo.

A Rádio tem todo o potencial para ser mensageira da Paz entre pessoas e povos. Há que investir muito neste meio de comunicação para formar os ouvintes numa perspectiva de respeito mútuo, de fraternidade universal, de empenho numa justiça maias efectiva que abra as portas a uma paz justa e duradoura.

Recordo-me dos meus tempos de missão em Angola, sempre (ou quase sempre) em tempo de guerra. Que dor de alma provocavam aquelas notícias manipuladas, vindas de um e do outro lado da trincheira dos combates, a incentivar ao ódio e à violência, dando uma ajudinha no perpetuar de uma guerra fratricida e cruel. E quantas vezes tentei intervir, fazendo programas que falassem de reconciliação e de encontro, palavras que estavam completamente banidas dos dicionários operativos dos beligerantes.

A Rádio pode muito e, muitas vezes, aproveita mal o poder que tem. Há que orientá-lo para construir e nunca para arrasar. Há que utilizar a Rádio para proporcionar o encontro de pessoas, povos e culturas, salientando o lado bem da vida e da relação, formando para a justiça e o respeito dos direitos humanos.

O Dia 1 de Janeiro é, tradicionalmente, o Dia Mundial da Paz. É bom começar o ano com este horizonte. É importante que quem tem poder tome a sério a construção de um mundo de paz e que as Rádios, com a sua programação, considerem a paz um bem indispensável. O Luso Fonias aposta aí.»




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sábado, 29 de dezembro de 2007

O blogue está de parabéns!

Foi a 29 de Dezembro de 2006 que o Luso Fonias deu os primeiros passos na blogosfera. Ainda é um menino mas, ao longo do último ano, o Luso Fonias Online procurou divulgar os vários acontecimentos relacionados com o espaço lusófono e com a rádio/comunicação social.







Esperamos que 2008 seja um ano muito produtivo, com muitas entradas e interactividade neste espaço :)







Um espaço de encontro de vozes e culturas!



sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Entre Jesus e o Pai Natal

A emissão de Natal do Luso Fonias, transmitida no dia 23 de Dezembro, teve como tema “Entre Jesus e o Pai Natal”. Uma emissão que procurou saber como se vive o Natal nos dias de hoje. Será que ainda se comemora o verdadeiro sentido do Natal? Ou tudo não passa de mais uma exigência do mercado? Ouça a entrevista ao Pe. Mário Rui Leal Pedras, Pároco da Igreja de S. Nicolau, em Lisboa, que nos falou do livro O Verdadeiro Pai Natal e da figura de S. Nicolau.

Um programa sobre o verdadeiro sentido do Natal, numa época onde muitas vezes a abundância e o consumismo prevalecem.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Jesus é o símbolo original do Natal. É o seu nascimento, em Belém, há mais de 2 mil anos, que o mundo celebra a 25 de Dezembro. Mas a Coca-Cola impôs ao mundo, pela via da publicidade e do marketing, o Pai Natal como símbolo laico desta quadra festiva. Sobre esta aparente vitória do Pai Natal sobre Cristo, há opiniões para todos os gostos. Há quem defenda que é uma substituição sem sentido, uma vez que Natal quer dizer nascimento e o que se celebra, de facto, é o nascimento de Jesus. Por isso, para esta corrente, tentar esconder o Menino por preconceitos anti-religiosos é um atentado à história e ao bom senso. Outros, porém, mostram-se indiferentes e até utilizam os dois, colocando lado a lado o Presépio e o Pai Natal, um como símbolo religioso do amor de Deus à humanidade e o outro como figura simpática que traz os presentes às crianças; outros, porém, só querem ver o Pai Natal nas ruas, nas escolas e nas empresas e nos postais de boas festas porque colocar Cristo é fazer uma opção religiosa e isso fere quem não for cristão... Enfim, são perspectivas muito radicais e escondem, lá bem no fundo, um sentimento anti-cristão que não faz qualquer sentido.

Por isso, acho que devemos todos ser tolerantes e cada um escolher os símbolos que querem para ornamentarem o seu Natal. Mas, como cristãos, devemos defender o Presépio e a Sagrada Família pois são símbolos desta opção de Deus de enviar o seu Filho para viver como um de nós e conseguir passar melhor para a humanidade o seu projecto de felicidade e salvação.

Por isso, mais não posso que desejar a todos os ouvintes do Luso Fonias um santo e feliz Natal na companhia das famílias. Que o menino que nasce seja sinal de festa e de esperança.»




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Madeirenses apoiam hospital franciscano da Guiné-Bissau

Os católicos da Madeira receberam, neste Natal, um apelo especial, destinado a auxiliar o Hospital do Mal de Hansen.

Situado na Missão Católica de Cumura, é dirigido pela Custódia de São Francisco de Assis, pertencente à Ordem Franciscana, sendo coadjuvado pela Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração Imaculado de Maria. Foi fundado há algumas décadas pelo Bispo Franciscano D. Settímio Ferrazetta, sendo hoje considerado o hospital de referência da Guiné-Bissau, apesar de se deparar quotidianamente com enormes dificuldades materiais e financeiras.

A este hospital acorrem todos os doentes que, por serem extremamente pobres, não têm posses para ser tratados no hospital central da Guiné-Bissau, e todos os tratamentos nele dispensados são gratuitos.

Ali é prestada assistência na área da saúde materno-infantil, aos doentes (crianças e adultos) com doenças tão graves como Lepra, Sida, Tuberculose ou Malária. São ainda facultadas Consultas Externas na área de Clínica Geral, Medicina Interna e Pediatria. Esta Missão Católica, para além da prestação de cuidados de saúde também dispõe de uma valência no campo da educação, vocacionada sobretudo para os órfãos ou filhos dos doentes.

As necessidades mais prementes deste hospital são o financiamento para aquisição de medicamentos para o tratamento dos doentes, para a sua alimentação, e para aquisição de material de laboratório e novos equipamentos complementares de diagnóstico (tais como electrocardiógrafos, monitores cardíacos, desfibriladores, um aparelho de ecografias e um de raios x), manutenção do equipamento hospitalar, e por último e não menos importante, para adquirir gasóleo para manter em funcionamento o gerador do hospital (ali não existe electricidade) e para os veículos automóveis afectos ao mesmo.

Quem quiser apoiar o trabalho desenvolvido neste hospital guineense poderá depositar o seu donativo numa conta bancária da Caixa Geral de Depósitos aberta em Portugal para este efeito, cujo NIB é o seguinte: 003508220005736650052.



Médico e sacerdote missionário

Natural de Torres Novas, concelho da Sertã, Frei Victor Henriques sentiu o chamamento de Deus quando frequentava o 2.º Ano do Curso de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Este apelo não implicou o abandono da sua formação superior, antes pelo contrário. Pouco a pouco apercebeu-se de que o seu destino era ser médico e padre missionário. Entrou para a Ordem Franciscana em 1982, tendo tomado o hábito no ano seguinte, no Convento do Varatojo, em Torres Vedras.

Concluiu a sua licenciatura em 1986. Por um período de dois anos trabalhou nos Hospitais Civis de Lisboa, e neste período fez uma pós-graduação em Medicina Tropical, tendo em mente a sua primeira experiência missionária, em 1989, na Guiné-Bissau. No ano seguinte regressou a Portugal para terminar o Curso de Teologia e ser ordenado sacerdote, em Julho de 1996. Depois regressou, uma vez mais, ao hospital de Cumura, onde permaneceu por quatro anos, findos os quais voltou ao seu país.
Trabalhou no Centro Hospitalar de Torres Vedras ao mesmo tempo que se especializava em Medicina Interna, de modo a suprimir uma grave carência nesta área no hospital guineense, para onde regressou recentemente, sendo actualmente o seu único médico residente.

Em complemento à sua vital actividade clínica, não tendo mãos a medir para atender tantos doentes, dedica ainda uma parte da sua vida de missionário a pregar a Palavra de Deus. Como Franciscano, está junto dos mais pobres e desfavorecidos da sociedade, como médico, esforça-se por curar as maleitas corporais dos seus pacientes e, como sacerdote, trata ainda das suas almas. Presentemente com 48 anos, o Frei Victor Henriques é um verdadeiro exemplo de abnegação para os nossos dias.



Duarte Mendonça

Jornal da Madeira

Ser mulher migrante

2007 está a chegar ao fim e com ele termina o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos.

Estamos em pleno século XXI, mas as mulheres ainda são vítimas de discriminação. Porquê? Por serem mulheres. E quando ao género se junta o facto de a mulher ser migrante, o panorama piora um pouco. Piora porque, além de serem mulheres, são discriminadas por serem mulheres estrangeiras a viver e a trabalhar em países, onde nem sequer conhecem a língua, os usos e costumes, os direitos e obrigações…

Mulher migrante foi o tema do Luso Fonias de 16 de Dezembro, que surgiu a propósito do Dia Internacional dos Migrantes celebrado a 18 deste mês.

Para nos falar deste assunto esteve connosco a Dra. Rosário Farmhouse, Directora do Serviço Jesuíta aos Refugiados, autora do livro Começar de Novo – Passo a Passo com Refugiados e Deslocados, condecorada Oficial da Ordem de Mérito do Infante D. Henrique pelo Senhor Presidente da República, em Março de 2003. Um vasto currículo de dedicação e apoio aos refugiados e migrantes. Não deixe de ouvir esta entrevista!




Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Tempos houve em que a ousadia de partir para longe das suas terras era um quase exclusivo dos homens. Vimos isto no tempo das caravelas quinhentistas; verificamos o mesmo aquando da grande ‘invasão’ da América do Sul nos inícios do séc. XX; não foi muito diferente, numa primeira fase, a emigração portuguesa para a Europa central. Mas, a partir dos meados do séc. XX, as migrações mudaram de rosto e muitas mulheres entraram nesta onda das deslocações humanas. Hoje, mais que nunca, vemos em Portugal uma quantidade enorme de mulheres imigrantes, vindas dos quatro cantos do mundo, desde a China e as Filipinas, ao Brasil e ao Leste da Europa, sem esquecer as que chegam de muitos países de África.

As migrações no feminino colocam outro tipo de problemas, exigem outro tipo de acompanhamento e apoio. Não há lugar para ingenuidades e, por isso, todos percebem que uma migração feminina mal enquadrada facilmente pode degenerar em explorações fáceis, seja pela atribuição de trabalhos mal remunerados, seja pela exploração de carácter sexual onde algumas redes mafiosas operam e reduzem à completa escravidão centenas de mulheres que, muitas delas, até saíram das suas terras ao engano, assediadas por propostas de bons trabalhos e excelentes salários.

Há que apoiar muito as mulheres migrantes de forma a que todos os seus direitos sejam respeitados e vejam questões como o reagrupamento familiar resolvidas. Muitas mulheres chegam ao país de acolhimentos sós, mas precisam de, mais dia menos dia, mandar vir os seus maridos e filhos, logo que tenham as condições reunidas para tal. E, em muitos casos, as leis não favorecem a união da família.

Para muitos países, a saída de mulheres para o mundo da emigração tem sido uma graça, pelos excelentes resultados económicos e até pela abertura de perspectivas que esta nova situação permite e potencia. Em alguns casos que conheço, de mulheres imigrantes de Leste em Portugal, são elas que criam condições para lá na Ucrânia ou na Moldávia, construírem uma boa casa e, sobretudo, permitir aos filhos o acesso à escola e a condições de vida mais dignas que abrem a porta a um futuro melhor.»




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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um Santo Natal


A
equipa do
Luso Fonias
deseja a todos
os colaboradores e
amigos


Um Santo e Feliz Natal!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Este Natal ofereça um sorriso




Neste Natal de 2007, os Leigos Missionários da Consolata (LMC) portugueses lançam uma nova campanha chamada “Este Natal ofereça um sorriso”, em que cada benfeitor pode ajudar um aluno a sorrir e a estudar no ano lectivo de 2008 com apenas 45 euros anuais.


Esta ideia surgiu com Elizabeth e Ricardo Santos, Leigos Missionários da Consolata que trabalharam seis anos em Moçambique e em 2003 iniciaram um projecto de adopções de estudantes com algumas paróquias, o “Desafio para Moçambique”.


Desde essa data, este projecto tem apoiado dezenas de estudantes moçambicanos carenciados a continuar os seus estudos, com a ajuda de benfeitores espalhados por Portugal e com a ajuda dos leigos e dos missionários da Consolata que trabalham naquele país.


A missão dos LMC é apoiar estudantes órfãos ou filhos de famílias pobres, a terminar os seus estudos no 12º ano, através de uma adopção.


O objectivo do projecto “Desafio para Moçambique” é continuar a apoiar os cerca de 230 alunos e impedir que muitos deles deixem de estudar por falta de meios financeiros e de condições nas escolas dos missionários da Consolata.







NÃO DEIXE DE OFERECER UM SORRISO :)





Para mais informações, pode escrever para info@desafiomocambique.com e preencher o formulário no site www.desafiomocambique.com/.

Os media como elo de união entre povos lusófonos

O Luso Fonias de 9 de Dezembro dedicou a sua emissão ao papel dos meios de comunicação social como elo de união entre povos lusófonos. O nosso programa é um bom exemplo disso. É um programa que tem a colaboração de rádios dos países de expressão portuguesa, na rubrica Vozes da Lusofonia, e é transmitido em cerca de 20 rádios espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

Ouça a entrevista ao Cónego António Rego que, no final de 2006, foi nomeado pelo Santo Padre, Bento XVI, Consultor do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais do Vaticano. Uma entrevista com realização da Rádio Vaticano.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«O espaço lusófono é largo, populoso, rico em termos de diversidade cultural e património literário, histórico e arquitectónico. Como gerir esta riqueza de maneira a potenciar as boas relações que existem entre quantos falam português e têm uma longa história em comum?

Os media são um extraordinário elo de ligação entre toda a lusofonia, de Portugal a Macau e Timor-Leste, sem esquecer os milhões de lusófonos espalhados pelo mundo que não falam a nossa língua.

Os meios de comunicação social têm a missão de construir pontes, informando, formando e divertindo, amplificando notícias, ideias, cultura e debate.
A criação da VOX, associação mundial de rádios de inspiração cristã da lusofonia é, talvez, o gesto mais profético e mais simbólico desta vontade de criar elos de união entre todos. Também este programa, Luso Fonias, fala alto desta convicção de que falar português une e a conversar e debater grandes temas de actualidade podemos todos aprofundar laços e avançar. Seria importante que os países lusófonos com mais capacidade financeira dessem um apoio significativo aos media que produzem programas e apostam neste encontro de povos e culturas.

Se houver vontade política, não há longe nem distância e a lusofonia pode tornar-se um espaço de maior mútuo conhecimento e de mais fraternidade. E, mais uma vez, os meios de comunicação social desempenham um papel decisivo. Há que fazer o que está ao nosso alcance para que o espaço lusófono se torne numa pequena aldeia onde as pessoas se conheçam, se encontrem e se apoiem mutuamente.»




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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Parabéns Rádio Nova

A Rádio Nova – emissora cristã de Cabo Verde – está de parabéns pelos seus 15 anos de vida.




Uma parceira do Luso Fonias que está neste projecto de encontro de vozes e culturas desde o início. Uma parceira que tudo faz para participar no programa e que, apesar de distante, tenta sempre estar em contacto e colaborar com a equipa de Portugal.




Parabéns ao Director, Pe. António Fidalgo, e a toda a equipa. Que a vossa entrega e dedicação se reflicta em muitos sucessos radiofónicos!









História da Rádio Nova




«Desde sempre os capuchinhos sonharam contribuir para o melhoramento da comunicação entre as ilhas. A primeira iniciativa de relevo que apareceu no início dos anos 60 foi a do Padre Pio Gotin com o boletim Repique do Sino, lido em Cabo Verde e na emigração, tanto pelo povo simples como por intelectuais.




Seguiu-se o Jornal Terra Nova, fundado em Abril de 1975, com incursões não somente na área religiosa como também na socio-política.




Entretanto, nos finais dos anos 70, os capuchinhos apresentam ao então Ministro da Justiça um pedido de criação de uma rádio, pedido esse que teve uma resposta negativa, tendo o ministro invocado o facto de as leis não permitirem a existência de rádios privadas, mesmo que fossem da Igreja.




Mas os capuchinhos não desistiram da ideia. Em 1977, tendo verificado que havia no ar sinais de mudança a nível de regime, começaram a trabalhar no projecto. Em 1990 o regime do partido único anuncia abertura política e em 1991 têm lugar as primeiras eleições livres e democráticas no país. Nenhum impedimento de ordem política ou jurídica impediam o projecto de avançar. Em 17 de Dezembro de 2002, a Rádio Nova mandou para o ar e para todas as ilhas os seus primeiros programas. 17 de Dezembro é, pois, uma data importante não só para os capuchinhos, como também para toda a Igreja e todo o nosso país, visto que pois foi nesse dia que surgiu a primeira rádio privada do período pós-independência.» Rádio Nova Online















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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Igrejas esperam compromissos em favor do desenvolvimento

Conferências episcopais da Europa e África pedem fim das «novas formas de escravatura»



As Conferências Episcopais da Europa e África enviaram aos participantes na cimeira de Lisboa um documento no qual pedem compromissos efectivos em favor do desenvolvimento e contra as "novas formas de escravatura do nosso tempo".

A mensagem dirige-se aos cinco presidentes europeus e 35 africanos e 15 primeiros-ministros europeus e 12 africanos que participam em Lisboa na II Cimeira União Europeia/África, ao longo deste fim-de-semana.

A Igreja manifesta-se contra a "contínua exploração dos recursos de África", com as consequências que tal acarreta para as populações africanas, e lamentam a "fuga de cérebros" rumo à Europa.

Os Bispos católicos destes continentes indicam como prioridade o combate ao trabalho infantil, ao tráfico de mulheres e crianças, à discriminação dos migrantes e o "escândalo" da exploração de mulheres e menores para abusos sexuais.

O texto foi assinado em Elmina, no Gana, localidade utilizada para o tráfico de descravos, pelo presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar e pelo vice-presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

Os episcopados pedem a inversão da "actual tendência de exploração", através da ratificação, implementação e reforço de convenções entre os governos de África e da Europa.

Aos responsáveis políticos, a Igreja recomenda "a prática de uma boa governação, a honestidade, a responsabilidade e a transparência, a promoção da democracia, a educação para todos, o respeito pela lei e a luta contra a corrupção".

Ontem, delegações de oitenta países e representantes das Comissões da União Africana (UA) e da União Europeia (UE) reuniram-seno Egipto, onde aprovaram um comunicado final e ouviram a Declaração de Lisboa, que será apresentada na Cimeira UE/África.

A Declaração de Lisboa, documento que será apresentado na Cimeira UE/África, em Lisboa, e que foi lida durante a reunião, define uma nova parceria, baseada na interdependência e igualdade de soberania e respeito que envolve a África como um todo.