terça-feira, 7 de outubro de 2008

Luso Fonias, Agora SIM em FM

O programa radiofónico Luso Fonias, realizado pela Fundação Evangelização e Culturas em parceria com o Grupo Renascença, regressou à antena depois de uma breve pausa no Verão. Um regresso marcado pelo início das emissões na Rádio SIM, um novo canal lançado oficialmente no dia 30 de Setembro pela Emissora Católica Portuguesa.




Chegar directamente ao público com mais de 55 anos, que representa hoje 33% do universo dos potenciais ouvintes contabilizados para o cálculo das audiências de rádio, é o objectivo deste novo projecto do Grupo Renascença.




O Luso Fonias integra a grelha de programação da Rádio SIM, aos Sábados pelas 12h, e passará, assim, a ter emissão em FM para todo o país. Para consultar todas as frequências visite o site do canal em http://www.radiosim.pt/.




O programa conta agora com uma voz feminina na locução, a de Cristina Abranches de Almeida, um dos principais rostos deste novo canal, e apresenta uma estrutura idêntica à que nos tem acostumado desde há dois anos. Semanalmente um convidado conversa sobre um tema de actualidade, são difundidos trabalhos de diferentes rádios de países lusófonos, para além do espaço para música lusófona e os habituais comentários do Padre Tony Neves.




Mantém-se a colaboração da Rádio Ecclesia em Angola, Rádio Sol Mansi na Guiné-Bissau, Rádio Maria e Rádio Watana em Moçambique, Rádio Nova em Cabo Verde, Rádio Aparecida no Brasil, Rádio Jubilar em São Tomé e Príncipe. E mantém-se também a retransmissão do Luso Fonias por várias rádios locais em Portugal, num total de 20.




O Luso Fonias é um espaço privilegiado de intercâmbio e comunhão entre diferentes rádios que falam português, um programa que pretende ser um ponto de encontro entre vozes e culturas, através da abordagem de temas da actualidade social, económica, cultural e religiosa lusófona.

O blogue do Luso Fonias está de volta!


Depois de uma pausa para férias e de remodelações na nossa página, regressamos para mais encontros de vozes e culturas do espaço lusófono.

Esperamos que goste das mudanças. Pode entrar em contacto com a equipa do Luso Fonias através do e-mail lusofonias@gmail.com.

Contamos consigo!

domingo, 27 de julho de 2008

Ir de férias

Em Portugal, Julho e Agosto são meses de férias. As férias escolares dos mais jovens e também as férias dos que aproveitam estes meses quentes para gozar uns dias de descanso.

O Luso Fonias de 27 de Julho intitula-se “Ir de férias”, não com o objectivo de falar de praia e das tendências para este Verão, mas com o objectivo de tentar saber que tipo de experiências missionárias são realizadas durante este período.

Na nossa companhia esteve o Pe. Arsénio Isidoro, da Paróquia da Ramada, que partilhou connosco a sua experiência de férias missionárias.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Agosto, na Europa, é o mês de férias por excelência. As praias enchem-se de gente, o mesmo se diga das aldeias lá mais no interior onde muita gente nasceu e dali saiu partindo à procura de melhores condições de vida. Lá regressam durante as férias, numa visita às raízes, para encontrar os familiares mais idosos e alguns dos vizinhos e amigos de infância. E também para percorrer lugares que a memória regista com saudades.

Mas também há muita gente, sobretudo jovens, que aproveitam esta pausa académica e laboral para fazer missão, dando algum sentido e profundidade à palavra ‘solidariedade’.

A Fundação Evangelização e Culturas, publicou, no mês passado, a lista dos Voluntários Missionários. Cito alguns dados que me parecem relevantes, quando falamos de férias: este ano partirão 283 voluntários em missão para Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Zâmbia, Burundi e República Centro-Africana. Um dado também a reter é a distribuição por género dos voluntários que partem. Tal como nos anos anteriores, a percentagem de mulheres a partir é muito maior que a dos homens. Este ano serão enviadas 195 mulheres (68%) e 70 homens (26%).

Ao olhar para esta lista, reparamos que 220 jovens partirão apenas durante as suas férias, por um ou dois meses, mas há 63 voluntários que partirão por um ou dois anos.

Os números apontados acima referem-se só aos que partem rumo a África ou à América Latina. Mas são muitas centenas os jovens que farão Missão em Portugal, em projectos de solidariedade, durante os meses de Verão.

Tudo isto para provar que as férias não são um tempo para nada se fazer, mas uma oportunidade para cada pessoa fazer algo que gosta e que ajuda o mundo a tornar-se mais humano. Desejo boas férias para quem as tiver... e se forem missionárias e solidárias, ainda melhor!»




Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


sábado, 26 de julho de 2008

Jogos Olímpicos: juntos no desporto

Os Jogos Olímpicos estão quase a começar, é já de 8 a 24 de Agosto. Portugal vai estar representado neste acontecimento desportivo, assim como outros países do espaço lusófono, mas o que motivou a edição do Luso Fonias de 20 de Julho não foi o acontecimento em si mas o que dele advém. Ou seja, estivemos à conversa sobre a importância do desporto para a união e solidariedade entre povos.

Não perca a entrevista a Fernando Correia de Oliveira, cujo percurso profissional passa pelas actividades de jornalista, autor, investigador e editor independente. Especializado em temas asiáticos, foi o primeiro jornalista português alguma vez acreditado junto das autoridades chinesas com carácter de permanência.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«O ideal olímpico nasceu há mais de cem anos na Grécia. Nesses primeiros tempos, o prémio era uma coroa de ramos e flores e tudo se ficava por aí. Os valores olímpicos concentravam-se em três expressões: mais rápido, mais alto, mais forte, traduzindo os objectivos das corridas atléticas que os jogos olímpicos integravam. Hoje, mais de um século depois, o ideal olímpico é bem outro e há muitíssimos interesses a girar à sua volta e a merecer algumas reflexões sérias sobre o assunto.

Os Jogos Olímpicos exigem hoje uma enorme máquina organizativa e mexem com milhões. As candidaturas dos países têm de se fazer muito antes da data da realização e funcionam, e de que maneira, os lobbies que permitem que o Comité Olímpico Internacional atribua a organização a esta ou aquela candidatura.

Este ano serão, como todos sabemos, em Pequim, capital da China. Poderá ser um excelente pretexto para se pegar no calcanhar de Aquiles deste grande país, o mais populoso do mundo: o problema gravíssimo da violação dos direitos humanos. O caso mais emblemático é o da opressão do Tibete, uma vez que a figura do Dalai Lama está sempre nas bocas da comunicação social internacional. Mas há outros problemas igualmente muito sérios como o da falta de liberdade de expressão e de religião. A título de exemplo, a Igreja católica fiel ao Papa continua a ser perseguida na China.

Mas, mais uma vez, os interesses económicos estão a passar por cima dos direitos humanos. Todos os países (ou quase) têm medo de dizer o que quer que seja contra o governo de Pequim, uma vez que o potencial económico da China não se pode desperdiçar e uma palavra mais azeda contra este Governo pode deitar tudo a perder no que diz respeito e relações comerciais e industriais.

Pelo menos os Meios de Comunicação Social, em peso na China por estes dias, vão falar. E vão denunciar as violações dos direitos humanos. E vão confrontar os governos do mundo ocidental com esta ambiguidade na relação com a China: não concordam com as políticas de repressão, mas também não querem perder nada nas relações económicas e permitem que o dinheiro esmague a dignidade humana.

‘Mais rápido, mais forte, mais alto’... ideal olímpico que também se deveria passar para o empenho pelos direitos humanos. Na China e no mundo inteiro.»




Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


domingo, 13 de julho de 2008

Enlaces: educar para o desenvolvimento

“Educação para o Desenvolvimento e Cooperação Descentralizada: recursos e estratégias locais” foi o tema do Seminário Nacional que decorreu nos dias 30 de Junho e 1 de Julho na Fundação Calouste Gulbenkian.

Um Seminário realizado no âmbito do Projecto Enlaces, promovido pela Fundação Evangelização e Culturas em parceria com cinco municípios e uma organização não governamental, com vista a reforçar a relação entre a Educação para o Desenvolvimento e a Cooperação Descentralizada.

O Luso Fonias de 13 de Julho esteve à conversa sobre este projecto, o Enlaces, procurando saber quais os resultados desta experiência. Em estúdio esteve a Dra. Sandra João, coordenadora do projecto, e a Dra. Helena Palacino, coordenadora do Gabinete de Cooperação e Desenvolvimento Comunitário da Câmara Municipal do Seixal, uma das cinco autarquias parceiras do projecto.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Estamos em tempo de globalização e parece que o mundo se tornou pequeno e as pessoas muito próximas. Mas, se calhar, nunca estivemos tão longe uns dos outros, tão alheios à sorte e à má sorte dos outros cidadãos deste mundo em que todos vivemos.

Por isso se tornou tão urgente dar as mãos e criar laços entre povos, instituições e pessoas. E ao dizer ‘pessoas’, quero que esta palavra tenha pleno sentido, porque se dissesse ‘indivíduos’ estaria a falar de gente solitária, sem relação com ninguém. Ao usar a palavra ‘pessoa’ exijo relação, comunhão, solidariedade.

A palavra ‘fraternidade’ parece hoje um pouco gasta e bastante riscada das páginas de boa parte dos dicionários da vida. Mas, ontem como hoje, ser irmão de todos, à moda de um Cristo, de um S. Francisco de Assis ou de uma Madre Teresa de Calcutá, continua a ser decisivo para que se faça tudo o que está ao nosso alcance por um mundo mais humano, mais fraterno e mais cristão.

A educação para o desenvolvimento pode permitir uma maior aproximação entre ricos e pobres e, desta forma, ajudar a dar um passo em frente em direcção a sociedades mais organizadas e mais equilibradas, permitindo também uma maior capacidade de relacionamento e partilha com outras sociedades. Há que criar laços, não na base dos interesses económicos e ganâncias de ter e de poder, mas apostando numa partilha onde todos ganhem e onde a dignidade e os direitos humanos saiam vencedores.

A reunião dos líderes mundiais mais poderosos, o G8, no Japão, reflecte sobre o problema da pobreza e da fome no mundo. Mas faz uma reflexão de barriga cheia e sem querer ceder nenhum dos seus privilégios de povos ricos. Por isso, as Relações Internacionais podem não ser o meio mais adequado para promover a justiça e a fraternidade. Há que encontrar outras formas, mais humanas e mais fraternas, de provarmos ao mundo que somos mesmo todos irmãos.»





Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os leigos na Igreja de hoje: desafios e dificuldades

O Luso Fonias de 6 de Julho esteve à conversa sobre o papel dos leigos na Igreja, procurando saber quais os desafios e dificuldades que enfrentam.


O leigo é um cristão, incorporado em Cristo e na Igreja, participante activo da sua missão. Mas para saber mais sobre o papel dos leigos na Igreja, nada melhor do que ouvir a entrevista a Benjamim Ferreira, Director do Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e da Família (SNALF), bem como os apontamentos das rádios que colaboram na rubrica Vozes da Lusofonia.





Segue o comentário do Pe. Tony Neves:


«O Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, publicou a 18 de Maio uma Carta Pastoral para celebrar os seus 30 anos como Bispo em Lisboa. A última parte é sobre a missão dos Leigos e, por isso, limito-me a citá-lo:


‘Na missão interna da Igreja, os leigos ganharam uma preponderância crescente: basta pensar na catequese, no ensino da religião nas escolas, nas estruturas sociais de vivência da caridade, nos movimentos de espiritualidade, na participação activa na Liturgia. Será isso suficiente para construir o modelo de Igreja protagonizado pelo Concílio? É que não se trata apenas de os leigos fazerem aquilo que faziam os sacerdotes e tantas vezes à maneira deles. Trata-se de uma fisionomia nova do rosto da Igreja, que supõe, disse Bento XVI aos Bispos Portugueses, uma contínua mudança de mentalidade”.


Diz D. José Policarpo um pouco adiante: “Enquanto os leigos só fizerem aquilo que os sacerdotes mandam e nada fizerem sem o Senhor Prior dizer como é, pouco se avança na desclericalização da Igreja. Penso no vasto campo da presença da Igreja no seio das realidades terrestres, da interpretação e busca de sentido dessas realidades, campo próprio das iniciativas apostólicas dos leigos. Mas também na estrutura interna da Igreja e na criatividade da sua missão é preciso continuar a valorizar o carisma laical, através da corresponsabilidade e da construção da comunhão”.


Sobre a Igreja neste tempo, conclui o Patriarca de Lisboa: “Duas atitudes da Igreja são, hoje, melhor aceites: a generosidade do serviço, sobretudo dos mais pobres, e a força do testemunho.


Os valores da Igreja não são os da sociedade; são inspirados no Evangelho e na dignidade do homem restaurada em Jesus Cristo. É certo que os valores que a Igreja defende não são apenas os valores religiosos, mas também os valores universais humanos, a que a vivência cristã acrescentará profundidade e radicalidade. Quando a Igreja se bate pela defesa desses valores, como, por exemplo, a dignidade inviolável da pessoa humana, a defesa da vida, desde o seu início até à morte natural, a defesa da estabilidade da família, a Igreja não o faz por serem valores estritamente religiosos, mas por serem valores universais humanos profundamente radicados nas tradições culturais da humanidade. Há um combate inevitável na defesa desses valores e esse combate a Igreja trava-o porque é um combate pelo futuro do homem”.»





Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia


(menu do lado direito)


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Violência: como proteger os nossos filhos?

Violência é uma palavra que surge cada vez mais nos órgãos de comunicação social, onde são descritos casos de agressões entre jovens, pais e filhos, alunos e professores… e estes são apenas alguns dos exemplos. Violência é uma palavra que no dicionário aparece definida como um constrangimento exercido sobre uma pessoa para a obrigar a fazer ou a deixar de fazer um acto qualquer.

No entanto, o Luso Fonias de 29 de Junho apresentou outras formas de violência contra as crianças, que nem sempre são encaradas como tal. Ouça a entrevista à Dra. Sandra Nascimento, Presidente da Direcção da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Tempos houve em que as questões ligadas à violência ou eram expostas nos meios de comunicação social ou ficavam escondidas, nas famílias, atrás de quatro paredes sem que ninguém tivesse coragem de as denunciar. Nos últimos anos, a violência saiu à praça pública com as guerras que muitos dos nossos países lusófonos viveram e com a onda de assaltos e crimes que acontecem de dia e de noite em muitas das nossas cidades e vilas do espaço lusófono.

A Internet, auto-estrada da comunicação que se torna difícil de acompanhar e controlar, constitui um espaço privilegiado para a aliciação dos jovens e crianças, gerando histórias nem sempre com fim muito feliz. Na Europa e Estados Unidos são numerosos os casos de crianças, adolescentes e jovens que se deixaram enganar pela Internet e partiram ao encontro de quem maltratou e até matou, sem que os pais se tivessem apercebido dos caminhos por onde os filhos iam andar.

Proteger os filhos da violência torna-se hoje uma missão quase impossível. Mas, por isso mesmo, é desafio a responder com coragem.

No que diz respeito à violência doméstica, seja ela de que tipo for, há que criar mecanismos que liberte as crianças do medo e as levem a denunciar os maus-tratos que estejam a sofrer. Nos contextos de guerra e outras formas de violência generalizadas há que incentivar o respeito pelos direitos das crianças, nunca admitindo a hipótese delas se tornarem crianças soldado. Quanto ao assédio das novas tecnologias da informação, há que activar alguns mecanismos de controlo que permitam ir atrás de quem comete crimes contra as crianças e adolescentes indefesos.

Os pais, muitos deles com dificuldades de acompanhar a evolução das tecnologias, precisam de ser ajudados nesta de proteger os filhos. A sociedade e os governos têm de criar meios de combate adequados aos novos criminosos dos tempos que correm. O futuro da humanidade depende muito da capacidade de defesa das novas gerações.»





Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

Formar para o empreendedorismo

No cenário actual de crise e pessimismo que se vive, fala-se cada vez mais em empreendedorismo, ou seja em criar e colocar em prática novas ideias.

O empreendedorismo encontra-se, actualmente, no centro das atenções e tem sido alvo de inúmeras iniciativas, nomeadamente no que diz respeito ao sistema de ensino que tem desenvolvido esforços no sentido de formar cidadãos mais empreendedores, capazes de criar novos negócios ou de desenvolver novas oportunidades em organizações já existentes.

O Luso Fonias de 22 de Junho teve como tema “Formar para o empreendedorismo”. Em estúdio esteve o Dr. Manuel Forjaz, licenciado em economia pela Universidade Católica Portuguesa (UCP), investigador em empreendorismo africano no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«É preciso ter horizontes largos, boa formação, vontade firme de trabalhar e condições para que os investimentos possam atingir os objectivos previstos. Estamos num tempo em que é preciso ousar para vencer e nem sempre quem mais e melhor trabalha é quem obtém os melhores resultados.

Tempos houve em que qualquer jovem que se aventurasse a tirar um curso médio tinha emprego assegurado e muito bem remunerado, em comparação com os outros trabalhadores. Isso aconteceu durante muitos anos em todo o espaço lusófono.

Os tempos mudaram e hoje a situação é completamente diferente. Um pouco por todo o lado, encontramos pessoas com altas habilitações académicas que não encontram um emprego na área em que se especializaram. Ora, isto é mau por duas razões: as pessoas investem e não são aproveitados os seus talentos pela sociedade; porque quem investe não vê os resultados, há muito quem venha atrás e não estude pois acha que está a deitar dinheiro e tempo pela janela fora. Ora, estudar e não ter emprego e deixar de estudar porque se prevê que não há emprego... é mau demais para uma sociedade que quer crescer e fazer crescer a qualidade humana dos seus cidadãos.

Os tempos que correm exigem criatividade. Daí que se torne fundamental uma educação para o empreendedorismo, ou seja, que se formem os mais jovens para a criatividade laboral, abrindo novas perspectivas de emprego, criando postos de trabalho, investindo em áreas de futuro.

Ter rasgo já não pode ser privilégio de meia dúzia de génios, mas tem de ser um princípio generalizado da educação, pois só assim se conseguem respostas para a crise dos tempos actuais.»




Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

China: uma influência na lusofonia?

O Luso Fonias de 15 de Junho esteve à conversa sobre a influência da China nos países de expressão portuguesa.

A nível económico tem-se verificado uma crescente procura chinesa de matérias-primas no exterior, bem como a necessidade de escoamento da sua produção industrial e agrícola. Em termos político-diplomáticos, a China, enquanto um dos maiores países em desenvolvimento do mundo, pretende reforçar a sua influência nestes países, por via de medidas como projectos de cooperação para o desenvolvimento.

Ouça a entrevista ao Professor Moisés Silva Fernandes, investigador e Director do Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A China apresentou-se, neste virar de milénio, como o país com mais potencial para abalar o mundo. E, ao fazer esta afirmação, não quero fazer um juízo de valor e, muito menos, uma avaliação negativa da ‘chamada’ invasão chinesa ao resto do mundo.

Se é verdade que países como o Brasil ou os Estados Unidos da América já há muito tempo que têm imigrantes chineses em números muito elevados, acontece agora que cidadãos da China estão a chegar, em grande número, a espaços que outrora não eram terra de emigração. Falo, por exemplo, de Angola, país que visitei há meses e onde encontrei muitos chineses envolvidos em obras e negócios.

Se o Brasil já há muito tempo que tem uma comunidade de origem chinesa enorme (a cidade de S. Paulo tem uma parte quase só habitada por comunidades asiáticas...), se Portugal sente, de ano para ano, aumentar o número de lojas comerciais geridas por chineses e restaurantes, causa mais admiração o aumento que se verifica em África dos investimentos deste grande país oriental.

Ainda é cedo para avaliar o impacto da cultura chinesa no espaço lusófono, mas já será possível medir a influência económica que a China exerce na lusofonia. Terras com povos acolhedores não devem temer a chegada de pessoas de outras histórias e culturas, mas devem aproveitar para se enriquecerem com a pluralidade de expressões culturais e perspectivas diferentes no que diz respeito a concepções familiares, económicas e sociais.

Neste Ano Europeu do Diálogo Intercultural, há que abrir portas e crescer. Se todos formos mais abertos e tolerantes, o mundo será um espaço mais fraterno. E se ajudarmos a China a tornar-se mais humana e tolerante, vão acabar os problemas no Tibete, em Taiwan e noutros espaços onde os braços de ferro fazem muitas vítimas e a intolerância tende a aumentar. E isso é mau para todos.»





Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


Crianças: por um futuro mais risonho

A 1 de Junho celebra-se o Dia Mundial da Criança, um dia para consciencializar o mundo de que todas as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro risonho.

Na entrevista do Luso Fonias de 8 de Junho falámos de crianças. Procurámos saber quais os desafios que algumas crianças têm de enfrentar por um futuro melhor.

Em estúdio esteve Lúcia Pedrosa, Fisioterapeuta no Instituto Português de Oncologia (IPO). Trabalha como voluntária com os missionários do Espírito Santo desde 2000, tendo estado em missão em Cabo Verde e Angola.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«São milhares as crianças e os jovens que, ano após ano, entram numa longa lista de desaparecidos. Alguns aparecem, mas a maioria saiu do mapa para sempre.

O tráfico humano é um drama sem solução à vista, dado que parece ser dos negócios mais rentáveis. E quando envolve crianças e jovens, a situação complica-se pois só se desenham quatro cenários, cada qual o pior: a chantagem de um resgate; a utilização para abusos sexuais; a venda para adopção (crianças pequenas); tráfico de órgãos.

Há redes muito bem organizadas que funcionam segundo uma lógica mais ou menos mafiosa. Estudam-se os alvos a atingir; fazem-se os raptos; levam-se as vítimas para longe; fazem-se os negócios considerados mais rentáveis para cada caso. Enfim, um filme de terror onde os protagonistas não são pagos nem alvo de um casting voluntário. Trata-se de uma moderna forma de escravatura cujo fim ainda não se vislumbra na linha do horizonte. Daí que as polícias, à escala mundial, tenham reforçado, nos últimos anos, o combate a estas práticas. Os resultados ainda não são muitos animadores, mas já se vão descobrindo e desmascarando algumas destas redes.

Estamos num tempo marcado pela insegurança. Mesmo em Portugal, nas aldeias do interior, as pessoas já não se deitam com as portas da casa abertas nem ousam sair de casa sem as fechar a sete chaves. E quando, para além dos bens materiais, há o risco de assalto às próprias pessoas, a situação agrava e muito.

Há que investir muito na defesa das pessoas, sobretudo dos principais alvos destas redes de traficantes humanos. E, quando a desgraça dos raptos acontecer, a polícia tem de ter meios e vontade para agir depressa e bem, pondo cobro a este tipo de barbaridades humanas de bradar aos céus. Há que defender as pessoas, custe o que custar, pois elas vão continuar a ser o melhor do mundo.»




Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


Esperança em África

O Luso Fonias de 1 de Junho contou com uma emissão dedicada a África.

A 25 de Maio celebra-se o Dia de África e o nosso programa aproveitou a oportunidade para falar mais uma vez do continente africano, da esperança que se vive e do muito que há a fazer por aquele povo.

Não perca a entrevista realizada pela Ir. Teresa Turisse da Rádio Ecclesia (Angola). Uma conversa sobre África com o Prof. Adriano Parreira, docente de História de África na Universidade Agostinho Neto.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A África continua a ser o grande continente da esperança. Primeiro, porque tem gente. Gente na sua maioria jovem, cheia de sangue novo, de dinamismo, de alegria, de capacidade de fazer festa. Depois, porque tem riqueza material quanto baste para se pensar num futuro risonho para as suas populações.

Mas, para dar corpo a esta esperança há que derrubar uma série de obstáculos. Antes de mais e acima de tudo, é urgente acabar com todas as formas de violência. E são muitas: guerras, conflitos mais ou menos étnicos, tensões religiosas, violações dos direitos humanos. Há que criar as condições políticas para uma sã convivência entre todos e o respeito pelas regras democráticas que permitem a pacificação da vida social das pessoas. Depois, vem o problema muito grave das doenças que dizimam aos milhares e deitam por terra projectos de futuro: a malária, doença dos pobres que continua a fazer razia em muitos países africanos; a sida, essa malfadada doença que atinge muitos jovens e lança sérias sombras sobre o futuro deste continente tão afectado.

A justiça social também merece empenho. Muitos dinamismos de corrupção parecem instalados até à medula da organização de certos países e instituições e ceifam a esperança do bem-estar a uma fatia significativa da população. Os poderes instituídos e instalados sentem-se, por vezes, senhores de tudo e de todos e espezinham os direitos humanos sem que ninguém lhes chame a atenção ou os obrigue a agir de outra forma. Isto é preocupante tanto em África como noutros continentes e deveria merecer a reflexão e a intervenção de todos.

Mas volto a reafirmar que, apesar de tudo, há lugar para a esperança neste continente verde. Combatendo tudo o que destrói a dignidade das pessoas, a África vai poder continuar a trabalhar, a cantar e a dançar, mostrando no rosto de todas as pessoas a alegria de serem africanas e felizes.»



Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


terça-feira, 27 de maio de 2008

Ano Europeu do Diálogo Intercultural

A União Europeia tem o lema ‘Unidos na diversidade’, que pretende reflectir todas as nossas diferenças e semelhanças enquanto cidadãos de um espaço comum.

O Luso Fonias de 25 de Maio teve uma emissão dedicada a “2008 - Ano Europeu do Diálogo Intercultural”, procurando saber de que forma este ano pode ajudar a moldar consciências e a fomentar o diálogo entre povos e culturas.

Um programa muito especial, já que a 25 de Maio se celebra África e se lança o desafio do diálogo intercultural, por um mundo onde as diferenças sejam apenas as diferentes cores que dão beleza à vida.

Ouça a entrevista à Dra. Rosário Farmhouse, que a 8 de Fevereiro assumiu o cargo de Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural. Licenciada em Antropologia com especialização em Antropologia Social, foi directora do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

Uma conversa sobre como a diferença enriquece a vida cultural. Uma diferença que assume as mais diversas formas e acaba por se expressar na mistura de culturas que hoje somos todos nós, o nosso quotidiano, a nossa gastronomia, a nossa arte.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A União Europeia sugeriu que, durante 2008, todos fizéssemos uma aposta séria no diálogo intercultural. Num tempo marcado pela globalização, pela informação sem fronteiras, pela circulação de pessoas à escala do planeta, as nossas sociedades, quer queiramos quer não, são espaços ‘arco-íris’, ou seja, são compostas por pessoas provenientes de muitos povos e culturas.

Apelar ao diálogo intercultural parece-me apontar para dois grandes objectivos que, na prática, se completam. Primeiro, parte-se do princípio que o encontro de povos e culturas permite enriquecer quem tiver o coração aberto e quiser crescer com a riqueza que todos constituímos, no que diz respeito a valores. Depois, há que reconhecer que, em muitos casos, não há encontro de culturas mas confronto, o que tem dado à história exemplos tristes de guerras étnicas, de exclusão, de construção de juros em vez de pontes.

A Europa já não é o que era há 100 anos. São milhões os cidadãos da União Europeia que têm raízes noutros espaços geográficos. Com eles (ou com os pais ou avós deles) vieram elementos culturais diferentes que se concretizam em convicções e atitudes que marcam a diferença e que há que compreender bem para as aceitar como enriquecimento do património cultural da Europa de hoje.

O apelo da União Europeia a um diálogo intercultural também nos purifica mentalidades e práticas que atentam contra o respeito que os outros merecem por serem diferentes, por terem outra história, outras convicções e outras maneiras de estar na vida. Quando nós dermos as mãos e olharmos para o lado bom que todos temos, a Europa será mais rica e com mais capacidade de entrar em sintonia com o mundo.»



Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio – Iniciativas Locais

No ano 2000, os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio adoptados por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, vieram lançar um processo decisivo na cooperação global do século XXI.


Um desafio lançado a toda a comunidade internacional para a concretização de objectivos que atravessam questões como o acesso à educação e à saúde, a sustentabilidade ambiental e a erradicação da pobreza num prazo de 25 anos.


A entrevista do Luso Fonias de 18 de Maio teve o objectivo de dar a conhecer um dos muitos exemplos de iniciativas locais realizadas a propósito dos Objectivos do Milénio. Em estúdio esteve a Dra. Vanda Narciso, Técnica da Divisão de Inclusão Social da Câmara Municipal de Setúbal, e o Dr. Vasco Caleira, Técnico na SEIES – Sociedade de Estudos e Investigação em Engenharia Social.





Segue o comentário do Pe. Tony Neves:


«O panorama do mundo, no que diz respeito ao combate à pobreza, não está lá muito bonito. Os líderes dos países, na famosa Cimeira do Milénio, rasgaram horizontes e atiraram para 2015 a redução da pobreza para metade. Só que os objectivos do milénio para o desenvolvimento precisavam de medidas, de conversão de mentalidades, de mais solidariedade e partilha e isso é que não aconteceu, não está a acontecer e não se vislumbra vontade política dos grandes para que tal aconteça. Uma vez que todos continuam agarrados, de unhas e dentes, a privilégios e situações adquiridas.


Agora, para agravar a situação, veio a lume a questão dos biocombustíveis e a fome que eles trazem, na medida em que os bens alimentares de primeira necessidade vão transformar-se em combustíveis e, por causa da especulação, os preços estão a subir em flecha. A consequência maior será a fome das classes mais vulneráveis das sociedades, sobretudo as dos países mais pobres.


Concluo com uma reflexão/ interpelação do P. José Gaspar: E por muito que se diga que não se farão combustíveis do que é destinado à alimentação humana ou a rações para animais, a verdade é que por via deste duelo entre estômagos e tanques já dispararam os preços do trigo, arroz, milho e outros bens alimentares e ninguém pode predizer até onde irão subir. O Fundo da ONU para a Alimentação está preocupado, já lançou um pedido de uma ajuda adicional de 500 milhões de dólares para fazer face a situações graves de fome, multiplicam-se as revoltas pela falta agravada de comida em países pobres e sobem de tom os alertas de técnicos, igrejas e organizações sociais e de ajuda ao desenvolvimento’.


Há que ser humano e olhar mais para os pobres. Caso contrário, a cimeira do Milénio foi um enorme acto de hipocrisia.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia


(menu do lado direito)


O futuro do clima

As alterações climáticas são um problema global, mas cada um de nós pode fazer a diferença. Mesmo as mais pequenas alterações na nossa rotina diária podem ajudar a evitar as emissões de gases de efeito de estufa sem afectar a nossa qualidade de vida. Na realidade, podem até representar uma poupança de dinheiro.

“O futuro do clima” foi o tema do Luso Fonias de 11 de Maio. Saiba o que pode fazer para proteger o nosso ambiente. Em estúdio esteve Gonçalo Cavalheiro, Administrador da Ecoprogresso – Consultores em Ambiente e Desenvolvimento.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«Falar do clima é tema de actualidade. E ainda bem. Mas dói reparar que as práticas não correspondem aos discursos. Todos acham que a terra é a nossa casa, que podem destruí-la e torná-la inabitável, mas, quando se trata de tomar medidas dolorosas para pôr cobro à destruição do planeta, aí todos começam a fazer contas à vida e ninguém quer perder dinheiro ou regalias.

Quando as questões se tornam de vida ou de morte (e a questão ecológica está já neste patamar), a situação muda. Ou seja, mesmo contra a vontade e os interesses de alguns, os governos vão tomando medidas. Só que, em muitos casos, estas não passam para além do papel e meio mundo vai descobrindo maneiras de lhes passar ao lado, mesmo mostrando muita sensibilidade aos problemas ecológicos.

As mudanças climáticas têm provocado tragédias em cima de tragédias em boa parte do nosso planeta e adivinham-se dias piores. O quase total descontrolo climático assusta pois ninguém sabe as consequências reais desta situação em que vivemos. Os agricultores, por exemplo, na Europa, começam a ver as plantas a florir fora de época, as chuvas a cair em tempos desastrosos para certas culturas, a água a faltar nos poços, nos rios e nas fontes, as cegonhas e outras aves a não emigrar... e não sabem muito bem o que é que o futuro reserva.

Há que ser realista e humano e tirar todas as consequências deste ‘massacre’ que temos vindo a fazer à ‘mãe terra’. Sempre com a velha convicção de que Deus perdoa sempre, as pessoas perdoam às vezes, mas a natureza nunca perdoa.»




Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)


Família: semear o futuro

A 15 de Maio celebra-se o Dia Internacional das Famílias, um dia que serviu de mote ao tema do Luso Fonias de 4 de Maio.

Segundo D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém, «A família é o seio do amor fundamental, que está na origem de todas as outras experiências e formas de amor, com que toda a gente sonha e de que toda a gente precisa. Por isso, a família é a comunidade fundamental na vida das pessoas e das sociedades».

Um programa dedicado ao papel da família do século XXI, que contou com a presença da Dra. Ana Cid Gonçalves, Secretária-Geral da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Casada há 20 anos e mãe de quatro filhos. Um deles esteve também na nossa companhia, foi o António Cid Gonçalves que tem 18 anos.



Segue o comentário do Pe. Tony Neves:

«A morte recente do Cardeal Lopez Trujillo fez correr rios de tinta sobre a família. Ele foi, até agora, o presidente do Conselho Pontifício para a Família e é o rosto mais visível da Igreja Católica para as questões ligadas a esta instituição familiar. É muito difícil falar hoje de família, uma vez que são tantas as formas de constituição e reconstituição que o mundo anda todo baralhado. Sobretudo com o aumento em massa dos divórcios e novas núpcias, aliado ao facto de haver muitas pessoas em união de facto (já para não referir as uniões homossexuais), o panorama familiar está em tempo de mudanças profundas e radicais que ninguém sabe aonde vamos chegar.

A família devia ser o lugar onde o futuro se semeia, com segurança e bem-estar. Ali, todos deviam encontrar um espaço de ternura e felicidade, base fundamental para enfrentar, fora de casa, todas as circunstâncias que o dia-a-dia reserva, nem sempre positivas.

Reaparece, pouco a pouco, a urgência de se construírem famílias com projecto. Ou seja, não faz sentido avançar para uma vida em comum sem se ponderar bem as consequências de tão importante decisão. Não se avança para a geração de um filho quando não parecem estar reunidas as condições de estabilidade que garantam algum futuro à criança que vai nascer desta união.

Mas, sobretudo na Europa, instalou-se uma onda de egoísmo tal que muitas pessoas preferem ir gozando a vida sem correr o risco e assumir a responsabilidade de fazer crescer a família humana. Há que semear o futuro com um presente responsável. E a família joga aqui um papel decisivo.»



Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)