terça-feira, 14 de abril de 2009

Como sensibilizar para o Desenvolvimento?

Nos próximos dias 28 e 29 de Abril realiza-se a segunda edição dos Dias do Desenvolvimento, uma iniciativa do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), uma iniciativa do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento que procura dar a conhecer à sociedade em geral as várias organizações e iniciativas nacionais nesta área. Este ano o programa é marcado pelos temas do Combate à Pobreza, das Energias Alternativas e Desenvolvimento Económico e Sustentável, Gestão dos Recursos e Respeito pelo Meio Ambiente, Saúde e Desenvolvimento Humano entre outros.

O Luso Fonias entrevistou o Professor Manuel Correia, Presidente do IPAD, que nos falou deste evento em particular e da temática do Desenvolvimento em geral.



Na opinião do P. Tony Neves:

O desenvolvimento é decisivo para o presente e o futuro dos povos, sobretudo dos mais pobres. Daí a habitual e mais que lógica ligação entre o desenvolvimento e o combate à pobreza, sob todas as formas em que ela se esconde ou se mostra.

Portugal acolhe, a 28 e 29 deste mês de Abril, a 2ª edição dos Dias do Desenvolvimento. É apenas mais um pretexto para trazer à agenda dos políticos e meios de comunicação social este tema que merece estar sempre debaixo das luzes da ribalta, para não ser esquecido. Sensibilizar para o desenvolvimento é questão de vida ou de morte para muita gente por esse mundo além, o nosso mundo.

A cooperação entre povos é, talvez, a arma mais poderosa que se criou para combater a pobreza e dar corpo a um desenvolvimento sustentado dos países com mais dificuldades em ganhar lugar no concerto dos povos. Mas – há que denunciar com clareza – as promessas feitas pelos países ricos de atribuir 0,7º do seu pib para apoiar países em desenvolvimento ficaram sem cumprimento. Nem os mais ricos cumprem esta promessa e, por isso, o desenvolvimento de muitos povos continua a ser só uma miragem.

Na mesma linha, há que gritar bem alto que os objectivos do milénio para o desenvolvimento não podem morrer como santos propósitos dos ricos, proclamação de ocasião no momento da viragem do milénio. Parece cínico, mas é verdade: os ricos prometeram reduzir a pobreza do mundo para metade até 2015 e, mais de metade do tempo já passou e a pobreza não diminui...Algo está mal na vida dos senhores que mandam no mundo. Então não parece humanamente importante erradicar a pobreza extrema e a fome, atingir o ensino básico universal, promover a igualdade entre os sexos, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a Sida, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental?

Estamos à espera de quê para transformar o mundo na casa de todos?



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Educação para a Mudança

A educação é um factor fundamental para a mudança e para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Na Guiné-Bissau, a Fundação Evangelização e Culturas bem como outras Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento em parceria com diversos organismos estatais portugueses e guineenses, têm desenvolvido diversos projectos no âmbito da educação com vista a promover um desenvolvimento justo e sustentável.

O Luso Fonias desta semana contou com o apoio da Rádio Sol Mansi da Guiné-Bissau que entrevistou o Dr. Huco Monteiro, ex-Ministro da Educação da Guiné-Bissau e actual membro da equipa de avaliação do impacto da Cooperação Portuguesa na área da educação, e a Irmã Beti, responsável pelas escolas de auto-gestão do Oio nas quais a Fundação Evangelização e Culturas teve uma intervenção directa.



Na opinião do P. Tony Neves:

A educação parece estar em crise. E nem sequer parece ser um problema localizado. É geral, porque a globalização a tanto obriga. Assim, por onde quer que passeemos os olhos, sobretudo nos sites da Internet, verificamos que as lutas estudantis, as greves dos professores, as queixas dos encarregados de educação vão acontecendo um pouco por todo o mundo como sinal claro de que algo anda mal no mundo da educação.

Há mudanças importantes a fazer. Antes de mais, é urgente voltar a valorizar as humanidades. Tempos houve em que estudar filosofia, literatura, história era fundamental para uma formação académica superior. Pouco a pouco, o lado prático da vida impôs-se e, com esta mentalidade, optou-se por investir em áreas que davam acesso directo a empregos bem pagos. O caso mais claro é o das informáticas que, com umas pitadinhas de matemática e muita tecnologia à mistura, atingiam o objectivo de bem manipular com os computadores e, desta forma, garantir salários chorudos e a convicção de ajudar a mudar o mundo sem compreender as pessoas, a sua vocação e a sua missão de construtores de uma terra marcada pela justiça e pela realização das pessoas que a povoam.

A Escola parece não estar hoje á altura de uma instituição que deveria formar técnicos e cidadãos. A transmissão clássica dos saberes, num tempo marcado por muita informação e pouco conhecimento processado, torna-se, para a Escola, missão quase impossível. Algo tem que mudar e depressa. Quando as instituições não respondem, é preciso ter a coragem de analisar bem as questões e encontrar caminhos que lhes dê respostas.
A educação mantém-se um desafio enorme para o mundo de hoje. Não parece apontar caminhos de futuro uma escola que apenas debita informação, esquecendo a dimensão humanista. O mundo parece farto do bombardeamento de notícias e dados que, não sendo processados, aumentam o stress mas não melhoram a humanidade.

Mudar é urgente. Há que repensar a escola, em todas as etapas. Há que ajudar as instituições clássicas a reequacionar o seu papel social. A Educação tem de continuar a exercer a sua missão altíssima de ajudar a construir cultura, ciência e cidadania. Uma escola que não passe por aqui não é um valor acrescentado á humanidade.



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Páscoa: um Tempo de Esperança

A Páscoa é um tempo de esperança. Numa altura em que a palavra “crise” está tão presente no nosso quotidiano eis que surge novamente a surpresa da Páscoa e que nos impele a um dinamismo de esperança.

O Luso Fonias procurou perceber como é que esta esperança se traduz em acções concretas. Para isso falámos com Sérgio Cabral dos Leigos Boa Nova, um grupo de voluntários cristãos, membros da Obra Missionária de Acção Social, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que lançou recentemente o projecto “Age(nda) a partir de ti!”.



Na opinião do P. Tony Neves:

Ano após ano, celebrar a Ressurreição é um desafio a que é preciso dar resposta de qualidade. O cristianismo é uma religião que tem um rosto: Jesus Cristo. O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus veio recordar-nos quatro coisas importantes: a palavra de Deus tem uma Voz: a Revelação de Deus à humanidade; a palavra de Deus tem uma casa: a Igreja, assente em quatro colunas (ensinamento dos Apóstolos, oração, fracção do pão e comunhão fraterna, como nos lembra o livro dos Actos dos Apóstolos); a palavra de Deus tem caminhos próprios: a Missão; a palavra de Deus tem um rosto: Jesus Cristo Ressuscitado. Diz a mensagem final deste Sínodo: ‘Cristo vive a existência fatigante da humanidade até à morte, mas ressurge e vive para sempre. Ele é quem faz que seja perfeito o nosso encontro com a Palavra de Deus. Ele é quem nos revela o sentido pleno e unitário das Sagradas Escrituras, pelas quais o Cristianismo é uma religião que tem no centro uma pessoa, Jesus Cristo que, na Páscoa vence todas as formas de morte e nos envia pelos caminhos do mundo a anunciar a boa notícia de que a Vida vence sempre que nós vivemos de acordo com os planos de Deus.

Ao dar uma volta ao mundo com o nosso olhar, ajudados pelos meios de comunicação social, percebemos como a Páscoa ainda está, em muitos contextos, em lista de espera, pois as forças da morte andam á solta e têm nomes próprios: guerra, fome, pobreza extrema, violência, desemprego, falta de habitação condigna, analfabetismo...
Celebrar a Páscoa obriga a reunir condições para cantar a vida. Muitas comunidades cristãs, por esse mundo além, vão mostrar na alegria dos seus rostos que a Quaresma valeu a pena e que o jejum e a oração mais intensos desembocaram numa conversão mais efectiva e numa solidariedade mais fraterna.

Neste ano em que olhamos, com uma ternura especial para o grande anunciador da Páscoa de Cristo, o missionário S. Paulo, desejo a todos os ouvintes uma Santa Páscoa.



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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Como travar a tuberculose?


A 24 de Março comemorou-se o Dia Mundial da Tuberculose, uma celebração que pretendeu sensibilizar a população, a nível mundial, para uma doença que apesar de já ter tratamento ainda continua a causar a morte de vários milhões de pessoas por ano, principalmente nos países mais pobres.

Foi o tema da "tuberculose" que serviu de mote ao Luso Fonias de 4 de Abril, onde pudemos contar com a presença do Dr. Teles de Araújo, da Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias




Na opinião do P. Tony Neves:

A tuberculose continua a ser, por esse mundo além, uma doença que nos envergonha. Como a malária, por exemplo. Devíamos, como humanos, cobrir a cara de vergonha porque, na maioria dos casos, a tuberculose não devia matar. Mas são milhares, todos os dias, as vítimas desta doença. A razão principal está na pobreza das pessoas que a contraem e que não têm meios para a combater. E morrem. E transmitam-na. E a pobreza degenera em miséria. E nós cruzamos os braços, sem fazer nada, ou quase. Resignámo-nos. Achamos que tem que ser. E ela continua a avançar e a fazer vítimas nas fileiras das populações mais excluídas.

Acompanhou o mundo todo a polémica levantada pela afirmação de Bento XVI de que a mera distribuição de preservativos ás mãos cheias não resolvia o problema da Sida. E quase todos esfolaram vivo o papa por ter estas afirmações consideradas atentado à vida. Nessa altura, perguntei onde andavam essas multinacionais dos preservativos e esses ministérios da saúde do norte e do sul, de mãos dadas no combate à sida e que se esqueciam de que há doenças mais mortais e mais fatais, como, por exemplo, a tuberculose e a malária, que quase ninguém ousa combater porque não são doenças ideológicas nem de ricos. Todos os que andamos pelos interiores pobres de África sabemos que o único problema é a pobreza. Os outros (e são graves) derivam desta. Por isso, não há que dar curvas se queremos atalhar bem os problemas e encontrar soluções à altura dos dramas que eles provocam.

Combater a tuberculose é uma questão delicada mas não uma missão impossível. Há que ajudar as pessoas a proteger-se com uma alimentação sadia e algumas condições de vida. Depois, se a doença vier, há que ter à mão os medicamentos adequados a este combate que, no Hemisfério Norte têm tido um alto índice de sucesso. Aqui também há mortos por tuberculose, mas, regra geral, atinge as camadas mais pobres e marginalizadas das populações. Ou então, vitima os que deixam a doença avançar demais, por incúria ou convicção de que ‘vai passar’.

A luta por mais e melhor saúde no mundo não pode ser ideológica nem interesseira. Temos que nos dar as mãos para que a tuberculose e outras doenças dos pobres sejam erradicadas. A todo o preço e a bem de todos.»




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domingo, 22 de março de 2009

A Igreja e o continente africano

P. Tony NevesBento XVI está de visita a Angola de 20 a 23 de Março, para celebrar solenemente os 500 anos da evangelização deste país lusófono. O mesmo motivo que levou João Paulo II a Angola em 1992.

Segundo o Santo Padre, África «é a grande esperança da Igreja», uma afirmação que serviu de mote ao Luso Fonias de 21 de Março que esteve à conversa sobre "A Igreja e o continente africano".

Em estúdio esteve o P. Tony Neves, Espiritano, que colabora habitualmente no nosso programa e foi missionário em Angola durante vários anos.

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Dar: Um Amor Maior

Quando falamos de dar, não nos referimos necessariamente a bens materiais, falamos de pequenos gestos que nos aquecem o coração, o coração de quem dá e o de quem recebe.

Esta acção de "dar" que serviu de mote ao Luso Fonias de 14 de Março, significa na maior parte das vezes um trabalho voluntário, livre e desinteressado, de Eugénio Fonsecaalguém que quer dar um pouco de si, do seu tempo, a quem mais necessita.

Para nos falar deste tema, esteve na nossa companhia o Professor Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa e da Confederação Portuguesa do Voluntariado.




Na opinião do P. Tony Neves:

«O ‘dar de graça’, uma das imagens de marca do Evangelho, continua a ter simpatizantes e seguidores. Uma das formas mais radicais expressa-se no Voluntariado Missionário que, para além da gratuidade da experiência, exige distância das raízes, da família, dos amigos, da segurança construída ao longo dos anos. Mas vale a pena – dizem quantos passam por ele e por ele são profundamente marcados.

Partilho dois exemplos que são recentes: a Joana Pedro, Engenheira do Ambiente, acaba de regressar do norte de Moçambique, onde viveu um ano de Missão; a Céline Marques, licenciada em Serviço Social, regressou há pouco da Guiné-Bissau onde trabalhou um ano em Bafatá. Os seus testemunhos falam alto do que lhes vai na alma.

Escreveu a Joana: ‘Cresci muito. Não foi tanto com o fazer que cresci, mas sim com o estar. Por isso, fiz muita coisa, mas sobretudo estive:

Estive no meio de um povo, o povo macua, que do nada faz tudo, com uma generosidade imensa e com um sorriso constante no rosto. Estive no meio de um povo onde os batuques ditam o ritmo e a genuidade de cada um impera.

Estive no meio de um equipa missionária que me acolheu com um espontaneidade e uma alegria indescritíveis. Estive no meio de uma equipa missionária que me ensinou outra forma de encontrar Deus. Estive onde sinto que Deus me quis. E espero continuar agora a seguir o Seu caminho, certa de que este ano que passei me fará andar mais forte e com mais confiança
’.

A Céline partilhou, á chegada: ‘Muita gente pergunta: porquê? Porquê partir se temos tanto para fazer cá? Porquê partir se a vida está tão má, se a crise é tão grande? Porquê? Porque Deus quer que partamos, Deus precisa de nós noutro lugar, porque talvez lá precisem mais de nós do que aqui, não que aqui não haja problemas, mas porque o nosso sorriso e as nossas mãos farão mais lá do que cá; porque outros foram já chamados e destinados a trabalhar por cá; porque talvez precisemos de ver, viver e trabalhar noutra realidade para aprender a relativizar, aprender outra forma de lidar com os problemas, aprender a ver mais além do que estamos habituados, porque o mundo não é só o sítio onde vivemos, há muito para lá das “fronteiras” de cada um’.»




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domingo, 8 de março de 2009

Pela cooperação no mundo lusófono

Na entrevista do Luso Fonias de 7 de Março estivemos à conversa sobre cooperação no mundo lusófono.

A cooperação para o desenvolvimento é uma prioridade da política externa portuguesa, onde se Catarina Lopesdestacam os valores da solidariedade e do respeito pelos direitos humanos.

Não perca a conversa com Catarina Lopes e a Ana Patrícia Fonseca, da Fundação Evangelização e Culturas, uma organização não governamental para o desenvolvimento que a 13 de Março celebra 19 anos de cooperação no espaço lusófono.



Na opinião do P. Tony Neves:

«A Cooperação entre povos, através dos seus Governos, é um dever e um direito. Aqui, como em tudo, segue-se a máxima segundo a qual ‘ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar nem tão rico que não tenha nada para receber’. A cooperação assente sobre o princípio da partilha onde todos dão e todos recebem. Enfim, a lógica de uma sã cooperação só pode ser o enriquecimento mútuo, com a certeza de que quem ajuda os outros a viver com mais dignidade já se deve sentir recompensado.

Esta deveria ser a lógica do relacionamento fraterno entre povos, mas não é, infelizmente. Estamos num mundo onde as relações internacionais não se constroem sobre a gratuidade e o Ana Patrícia Fonsecaserviço a prestar aos outros, mas sobre o interesse, e só o nosso, mesmo que, para alcançarmos os nossos objectivos tenhamos que esmagar os outros.

Esta lógica em vigor é uma lógica perversa, uma espécie de bomba relógio com retardador, com consequências desastrosas para o futuro da humanidade. Um mundo que se aguenta com uns a tentar gozar a vida à custa do sofrimento e da miséria dos outros, não pode ir muito longe. As lógicas de um capitalismo selvagem só podem conduzir, mais tarde ou mais cedo, a crises como a que hoje se desenha na linha do horizonte e que só terá resolução positiva se as forças do mundo derem as mãos. E não percebo muito bem como tal poderá acontecer.

Aí devem entrar em jogo outro tipo de instituições: as Igrejas, as Organizações não Governamentais e outras entidades filantrópicas, sem fins lucrativos e com um grande sentido de humanidade. Aí, sim, há condições para que um espírito de solidariedade ajude a derrubar muros e construir pontes, fazendo com que se esbatam as distâncias entre ricos e pobres, criando mais justiça social.

Alguém me dizia há dias, ao falar de fundamentalismos religiosos que, com as mesmas pedras se podem construir muros ou pontes. Os meios são os mesmos, mas o resultado final é exactamente o contrário. Assim acontece com os mecanismos de cooperação que se accionam. E há que escolher. A sobrevivência da própria humanidade pode depender da forma como nos relacionamos. Há que trabalhar por mais justiça.»






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Quaresma em tempo de crise

Estamos em tempo de Quaresma, o tempo de preparação para a Páscoa que nos convida à caridade e solidariedade.



O Luso Fonias de 28 de Fevereiro procurou saber como se vive a Quaresma nos dias de hoje, nestes dias em que só se ouve falar de crise.


Maria do Rosário CarneiroNão perca a conversa com a Dra. Maria do Rosário Carneiro, vice-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, sobre como se vive a Quaresma nos dias de hoje.





Na opinião do P. Tony Neves:


«A Quaresma é um tempo muito especial, desde que tomado a sério. Longe vão os tempos em que os rigores do jejum se mediam pelas refeições que ficavam por tomar, a abstinência não admitia excepções na privação da carne e a esmola era tomada a sério, tentando todas as famílias fazer as suas renúncias quaresmais para partilhar com os muitos pobres que existiam e que todos conheciam. Os tempos que correm assentam noutros princípios de vida e não passam muito por privações, para além daquelas que nos são impostas. Dizem alguns – e com alguma razão – que a crise que vivemos já nos obriga a muito jejum e abstinência. Mas esta maneira de pensar e agir é arriscada, pois não criamos mecanismos que nos obriguem a perceber melhor o quanto sofrem os pobres mais pobres. Mas, verdade seja dita e as estatísticas o mostram, é nos tempos de crise e dificuldade que se vê alma solidária das pessoas. A última grande recolha do Banco Alimentar contra a fome constituiu um hino à solidariedade. Foi a maior recolha de sempre e os meios de comunicação social acompanharam esta operação solidária e entrevistaram muitos dos doadores que afirmaram que não tinham muito mas sentiam esta necessidade de repartir bens essenciais com quem tem ainda menos.

Bento XVI, na sua habitual mensagem da Quaresma, foi buscar uma das passagens bíblicas sobre o retiro espiritual que Cristo fez no deserto. E, segundo este texto tão simbólico, ‘Jesus esteve 40 dias e 40 noites sem comer e no fim teve fome’. Pudera! A riqueza deste texto está no facto de não se falar só de uma fome física, mas também espiritual. Conclui o Papa que a fome de Deus, a fome de Justiça, a fome de humanidade é tão ou mais grave que a fome de pão. Aliás, para estar de acordo com o Papa, basta olhar para o mundo em que vivemos e para as relações entre os povos. As pessoas contam muito pouco porque os bens materiais, os interesses económicos contam muito mais. Chega-se ao limite do ridículo e do imoral quando esmagamos pessoas para ganhar dinheiro, como acontece quando estão em causa os petróleos e diamantes do nosso mundo.

Dar sentido humano à vida é o mais importante neste tempo de Quaresma. São 40 dias intensos de oração, de conversão aos valores do Evangelho, de partilha solidária com quem mais precisa. Vale a pena despir-nos da mentalidade interesseira dos tempos que correm para nos vestirmos de uma humanidade que a todos respeite e que, pela justiça, traga de volta a dignidade a quantos se sentem espezinhados nos seus direitos.»







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terça-feira, 3 de março de 2009

O drama do álcool

“O Drama do Álcool”foi o tema do Luso Fonias de 21 de Fevereiro.

Fala-se de drogas como a cocaína, heroína e até mesmo o tabaco, mas esquecemo-nos que o álcool também faz parte dessa lista de substâncias que causam um elevado grau de dependência.

O álcool é uma droga socialmente aceite cujo consumo tem vindo a aumentar nos últimos anos, consumo este que pode levar-nos a pensar que não tem Alcoólicos Anónimos de Portugalriscos, mas basta olharmos para os efeitos a curto e longo prazo para nos darmos conta da importância dos diversos problemas que produzem.

Não perca os testemunhos da Isabel e do João dos Alcoólicos Anónimos de Portugal, relatos impressionantes de um vício que é socialmente aceite mas que acarreta muitos riscos.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Nas voltas que vou dando por esse mundo além, tenho verificado um dado curioso: seja nas montanhas dos índios no México, no planalto interior de Angola, no norte mais distante de Moçambique, junto aos braços de mar mais perdidos da Guiné-Bissau, nas roças mais abandonadas de S. Tomé e Príncipe, nas estepes do Zimbabwe... todos os grupos étnicos sabem fabricar bebidas alcoólicas. E mais: não há festa em que tais líquidos não sejam ingeridos e, regra geral, de forma exagerada, com as consequências que todos conhecemos. Para agravar a situação, há sempre uma franja da população que não precisa das festas para pretexto de ingestão alcoólica. Daí que o mundo esteja semeado de ébrios, uma situação desastrosa que afecta ricos e pobres, homens e mulheres e, por vezes, até adolescentes e crianças.

Regra geral, quando entra o álcool numa casa, a paz e a prosperidade saem pela janela. Ou seja, quem toma álcool em demasia desgraça a sua vida e complica a de quantos vivem próximos, a começar pelos familiares mais directos. E lá se vai o emprego, as poupanças, o equilíbrio de vida, os amigos... e tudo um bom copo de bebida alcoólica deita a perder, gerando desgraça atrás de desgraça, porque, como diz o nosso povo, uma desgraça nunca vem só.

Os tempos modernos, na sua relação com o álcool, não se caracterizam pela coerência. Porque, por um lado, há grandes medidas de combate ao alcoolismo, com regras na sua produção e na sua venda. Mas, por outro lado, a publicidade incentiva ao seu consumo, sobretudo entre as gerações mais jovens. É de fazer doer o coração ir, sexta-feira ou sábado à noite, aos locais onde se concentram os jovens, e ver a quantidade de bebidas alcoólicas que se ingerem. Triste é o cenário que se vê aos sábados e domingos de manhã, nestes mesmos locais, onde encontramos jovens completamente embriagados, depois de uma noite a beber e a dançar... partindo dali para uma ressaca que dura o resto do fim-de-semana...

Há famílias que se desgraçam quando o álcool invade a sua casa. Há tentativas muito sérias de regeneração de quantos entraram nas malhas do álcool. Há organizações, como a associação dos Alcoólicos Anónimos, que fazem alguns milagres. Há departamentos clínicos especializados. Mas há, sobretudo, um longo trabalho de sensibilização a realizar nas escolas e nas Igrejas. Há que investir na formação para o auto-controle, para que cada um e cada uma saibam até onde podem ir, até onde o corpo aguenta sem fazer mal. É um investimento que contraria o lobby da grande indústria alcoólica, mas defende as pessoas que, verdade seja dita, são o melhor do mundo.»




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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ao encontro do amor

A 14 de Fevereiro comemora-se o Dia de S. Valentim, mais conhecido como Dia dos Namorados. Em Portugal esta data está a tornar-se cada vez mais numa estratégia de vendas, num pretexto para que as pessoas gastem o seu dinheiro. E na verdade, será que este dia faz sentido? Faz sentido haver um dia para se celebrar o amor quando este deve ser celebrado todos os dias?

P. José MeloO Luso Fonias desta semana esteve à conversa sobre a importância do compromisso e do diálogo. Uma emissão que contou com a presença do P. José Melo, do movimento Schoenstatt, e de Ana Joanaz de Melo, responsável pela Pastoral dos Namorados.

Não perca também a rubrica Vozes da Lusofonia, com os testemunhos das nossas rádios parceiras sobre a realidade dos casais em terras lusófonas.



Na opinião do P. Tony Neves:

«São João da Cruz, esse grande místico, deixou-nos uma frase que nos inquieta: ‘No entardecer da vida seremos julgados pelo Amor’. E, já no longínquo século V, no norte de África, Santo Agostinho lançava o grito: ‘Ama e faz o que quiseres!’. Nenhum deles parece muito original, pois os Dez Mandamentos de Moisés já dizem que o caminho da felicidade passa por amar a Deus e ao próximo e Jesus Cristo veio carimbar esta convicção, dando ao Amor o estatuto de Mandamento Novo: ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei’... indo mais longe, dizendo: ‘Saberão que sois meus discípulos se vos aAna Joanaz de Melomardes uns aos outros’!

Mas, esta reflexão por ocasião do dia dos namorados, ligado a S. Valentim, parece não vir muito a propósito. De facto, as propostas que se fazem a quem namora não têm nada ou quase nada a ver com este ideal supremo que nos é apresentado pela Bíblia e pela tradição da Igreja. Convidam-se os namorados a comprar grandes prendas, a organizar grandes saídas, a divertir-se à brava... mas raramente se propõe uma reflexão séria sobre o projecto de vida que estão a construir e sobre a dimensão espiritual sobre a qual tal projecto deve assentar e ganhar raízes e consistência. Partir ao encontro do Amor não é a mesma coisa que gozar de presença física da pessoa com quem namoramos nesta altura do campeonato. Tem de ser muito mais que isso.

Num tempo marcado pela vertigem da mudança, construir projectos que durem uma vida é remar contra ventos e marés. E tal só me parece possível se assentarem sobre o pilar indestrutível do amor. Por isso, aos namorados que acreditam em Deus lanço o desafio de viverem este dia 14 como um momento forte de acção de graças. Sim, faz sentido agradecer a Deus as pessoas que Ele coloca na nossa vida e, particularmente, aquele ou aquela com a qual, dia após dia, vamos construindo um projecto de felicidade e de eternidade. Assim, teremos a certeza de que, não só partimos ao encontro do Amor como também o Amor caminha ao encontro de nós. Só assim a nossa vida poderá terminar como os filmes antigos em que os protagonistas casavam, tinham filhos queridos e eram muito felizes, para sempre.»






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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Segurança na net

A 10 de Fevereiro comemora-se o Dia Europeu da Internet Segura, uma data que serviu de mote ao Luso Fonias do passado dia 7.

Ao longo dos últimos anos, as tecnologias de informação e comunicação têm modificado os hábitos das pessoas, tanto no seu trabalho como nas relações pessoais. Muitos de nós já não conseguem estar sem acesso diário ao e-mail. E este é apenas um dos exemplos de como a Internet veio Jorge Borgesmudar as nossas rotinas.

No entanto, é importante saber como podemos ter segurança e privacidade no uso da Internet, quais os riscos que corremos e como nos podemos proteger.

Para nos esclarecer estas dúvidas, esteve em estúdio Jorge Borges da Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas, da Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação.



Na opinião do P. Tony Neves:

«A auto-estrada da comunicação, a internet, não tem grandes polícias nem regras, pelo que tudo, ou quase tudo passa por ali. Esta é, ao mesmo tempo, a sua vantagem e um perigo. Vantagem porque todo o bem pode circular por ali; perigo porque todo o mal anda por ali á solta, ou quase. Isto, com a eterna desvantagem de não sabermos muito bem traçar a linha que separa o bem do mal, numa sociedade onde os valores quase que mudam de cabeça para cabeça e o que uns acham bem e sinal de avanço social outros podem achar criminoso (aborto, por exemplo). O P. António Rego definiu assim a internet: ‘é uma espaço, um foro, uma feira, uma expo, uma ciber-cidade, com todo o delírio de trânsito, pessoas, ofertas, procuras, compras, vendas, oportunidades, ruídos, vícios, depravações, páginas sublimes, lugar privilegiado de encontro de ideias, pessoas, jogos e afectos. Na net navega o mais nobre e o mais sórdido do que o ser humano é capaz. O ruído, o vírus e o lixo são três componentes que atravessam, a desoras, a cidade e todas as vias de comunicação virtual’ – considero esta definição do P. Rego uma das mais interessantes e abertas da internet.

Ora, a segurança, neste meio quase sem controlo, é um problema muito sério. Por vírus e outros atentados é fácil entrar nesta estrada, alterar dados, estragar programas e ficheiros, ter acesso a informação confidencial e, talvez pior que isso, seduzir crianças e adolescentes, atrai-las a lugares onde o crime andará á solta, semear o pânico nas famílias e nas sociedades.

Não defendo políticas de controlo da comunicação como a que se faz hoje na China ou em certos países Árabes, por exemplo. Ali está em causa a liberdade de expressão. Mas há que criar dinamismos que permitam perceber quando a net é utilizada para violar os direitos humanos. E aí não há que ter contemplações: é urgente agir em força para defender as pessoas e fazer a justiça possível a quem semeia o pânico e a morte nesta auto-estrada da comunicação.

Eu sou pela internet, pois considero-a um meio extraordinário de comunicação á escala do mundo. Mas também partilho a angústia de muita gente que acha que nesta nossa terra onde o bem e o mal andam de braço dado é preciso criar alguns mecanismos de segurança. É pena, mas tem que ser, para bem de todos.»




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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Lepra: ainda uma doença do século XXI

A 25 de Janeiro comemorou-se o Dia Mundial dos Leprosos, uma data que serviu para nos relembrar que a Lepra ainda é uma doença do século XXI. É uma doença já muito esquecida na Europa, mas ainda uma realidade nos países mais pobres.


O Luso Fonias de 31 de Janeiro focou a importância de nos unirmos no Sandra Figueiredocombate a esta doença, dando destaque ao trabalho dos voluntários, daquelas pessoas que dão um pouco de si para ajudar quem mais necessita.


Em estúdio esteve a Sandra Figueiredo e o Ricardo Leonardo, que foram voluntários em Moçambique pela APARF - Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau. Uma entrevista a não perder!





Na opinião do P. Tony Neves:


«A celebração do Dia Mundial dos Leprosos, no último domingo de Janeiro, toca no mais fundo da consciência da humanidade. É que, todos o sabemos, a lepra só faz vítimas entre os pobres mais pobres. Na Europa, as pessoas que contraem hoje esta doença são raríssimas e o tratamento é fácil e eficiente quando iniciado logo que surgem os primeiros sinais. Mas, em áreas do mundo onde ainda manda a pobreza, há casos de lepra de bradar aos céus: pessoas que ficam deformadas no rosto, nas mãos, nos pés, porque a doença vai minando e ninguém ajuda a combatê-la, o que seria fácil e barato. Escusado será dizer que a falta de condições dignas de vida, de alimentação e de higiene é a grande causa da sobrevivência desta terrível praga entre os humanos.

Ricardo Leonardo
Desde há muito tempo que o combate à lepra foi considerado uma causa maior pela Igreja. É conhecida a História do P. Damião que aceitou ir até à Ilha de Molokai, um espaço isolado onde eram atirados todos os leprosos. Ali morriam no mais cruel dos desesperos causados pelo abandono e pela falta de tudo. O P. Damião desembarcou ali, contra todas as indicações e conselhos, e lá partilhou o resto da vida com os leprosos, dando alento e ajudando a transformar esta Ilha da morte num espaço de vida e felicidade. Foi ali que ele morreu, também leproso. Bento XVI vai fazê-lo subir à honra dos altares ainda durante este ano.


Há numerosas associações que, pelo mundo fora, combatem a lepra e outras doenças que afectam as camadas mais vulneráveis das populações. Em Portugal, temos a Associação Portuguesa dos Amigos de Raoul Follereau (APARF) que, com este nome, presta homenagem a um homem que dedicou grande parte da sua vida à erradicação da lepra no mundo. Temos também a Associação Mãos Unidas Padre Damião que tem por padroeiro e inspirador o P. Damião de Molokai, de quem já falamos.


Ousar enfrentar e combater todas as lepras é um bom desafio para este início de ano. Mesmo que a crise abafe muitas vontades de sermos generosos, acreditemos na máxima de que é dando que se recebe. Assim fez Cristo, o mesmo tentou fazer S. Francisco de Assis. Que tal se tentássemos seguir estes modelos de fé, dedicação, humanidade e compromisso?»








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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Unidade dos Cristãos

De 18 a 25 de Janeiro decorre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Uma semana criada para unir todos os anos as várias religiões cristãs espalhadas pelo mundo.

João Luís FontesPara conhecermos melhor o sentido desta semana, o Luso Fonias de 24 de Janeiro esteve à conversa com o Dr. João Luís Fontes, membro da Equipa Ecuménica Jovem como um dos representantes da Igreja Católica. Fomos procurar saber o que nos une e o que nos separa nos diferentes cultos cristãos.



Na opinião do P. Tony Neves:

«As Igrejas Cristãs até parece que fazem tréguas, durante uma semana, nas suas históricas divisões. É sempre, ano após ano, de 18 a 25 de Janeiro, na Semana da Unidade dos Cristãos. É pouco, muito pouco mesmo, este símbolo de comunhão, atendendo à gravidade do impacto do testemunho negativo que dá a divisão entre aqueles que seguem Jesus Cristo. Mas, como é sempre melhor o pouco que nada, há que valorizar esta Semana e dar tudo por tudo para que ela seja vivida com intensidade e com verdade.

Este ano, as reflexões e propostas de oração chegam-nos da Coreia, de uma comunidade onde o ecumenismo não é letra morta, mas realidade vivida ao longo de todo o ano. O tema é tirado do profeta Ezequiel: ‘Serão um só, em tua mão’. É um extracto da belíssima história que o profeta nos conta sobre a divisão e a reconciliação do povo de Israel: há dois pedaços de madeira, separados, onde estão inscritos os nomes dos reinos divididos de Israel. E, na mão de Deus, esses dois pedaços vão unir-se. Hoje, esta metáfora volta a fazer sentido porque, sobre os dois pedaços de madeira que formam a sua cruz, o Senhor da história cura as feridas e as divisões da humanidade.

O Ecumenismo tem de ser hoje, para as Igrejas, uma viagem sem retorno. Os caminhos que nos levam ao coração de Deus, à unidade, têm de ser palmilhados, quanto antes, por todos os que se dizem cristãos. É uma questão de credibilidade, é uma questão de verdade.

Por isso, há que combater com todas as armas que temos na mão e a oração é a mais forte. Mas também podemos investir noutras áreas de comunhão: reflectir juntos, trabalhar juntos pela justiça, pela paz, pelos direitos humanos; dar as mãos para a concretização dos objectivos do milénio para o desenvolvimento; combater a pobreza e todas as formas de exclusão e marginalização.

E tudo isto por uma questão de fidelidade a Cristo que, desde a primeira hora, quis que os cristãos formassem um só rebanho, conduzido por Ele, o Bom Pastor.»




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A factura da energia

“Temos que poupar energia” é uma das frases que mais se tem ouvido nos últimos tempos. Fala-se em poupar energia e ser amigo do ambiente, mas quais as vantagens de se consumir menos energia? E será que essa poupança é vantajosa para a carteira do cidadão?

Inês LimaO Luso Fonias de 17 de Janeiro esteve à conversa com a Dra. Inês Lima, Directora do Departamento de Marketing da EDP – Electricidade de Portugal, que nos falou sobre eficiência energética e explicou quais os resultados de certos comportamentos na factura ao final do mês.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Tempos houve em que, nas aldeias, vilas e cidades, as pessoas utilizavam o carvão, a lenha, o azeite e, mais tarde, o petróleo... como fontes de energia. A população era menor do que hoje e os hábitos de vida e consumo eram de poupança.

Com o evoluir dos níveis de tecnologia, o mundo dos mais ricos entrou numa nova era marcada pela electricidade e combustíveis derivados do petróleo. Ora, estes é que têm tomado conta das economias mundiais, o que se tornou uma desgraça, por duas grandes razões: a poluição que estes combustíveis provocam e a ‘chantagem’ económica e financeira que os detentores do petróleo fazem ao resto do mundo. A dependência destes derivados do chamado ‘ouro negro’ é tão grande que todas as economias do mundo se vergam diante das suas subidas e descidas de preço. E mais: a fraca aposta em energias renováveis e não poluentes (hidráulica, eólica, solar...) deve-se aos lobbies dos senhores que não querem alternativas ao produto que apresentam no mercado, custe o que custar, doa a quem doer, mesmo estragando o nosso planeta. E é bom que se saiba que, por esse mundo fora, mesmo uma grande parte da electricidade que se consome provém de geradores a gasóleo.

Estes tempos de crise têm a vantagem de nos ajudar a racionalizar todos os tipos de energia, também olhando aos custos que ela comporta às famílias, às organizações e às empresas. E tudo começa com o tipo de máquinas utilizadas, com as lâmpadas que fornecem a luz aos espaços, com a escolha de horas de mais baixo consumo para ligar máquinas de lavar e outras que gastam muita electricidade. Às vezes faz doer o coração entrar em certas instituições e reparar que todas as lâmpadas estão acesas (mesmo sem lá estar ninguém) e que há máquinas de todas as qualidades e feitios ligadas, a piscar à direita e à esquerda, sem ter uma utilidade evidente nessa hora. Costuma-se dizer, nessas ocasiões, que tal acontece porque quem paga a factura é o Estado... Mas também é verdade que nas famílias, mesmo nas mais pobres, nem sempre há uma contenção de gastos energéticos por falta de cuidado e por algum desconhecimento sobre o que cada lâmpada e cada máquina gasta realmente quando está ligada.

A União Europeia está a preparar um grande pacote de leis sobre a poupança da energia, penalizando quem abusa na sua utilização. Mas ninguém substitui ninguém neste esforço de tornar a terra mais habitável e de evitar gastos desnecessários de energia. Se, ao mesmo tempo, faz bem ao ambiente e à carteira, por que continuamos a gastar energia à toa?»




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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Heróis no Anonimato

“Heróis no anonimato” foi o tema do Luso Fonias de dia 10 de Janeiro.

Durante a infância temos os nossos super-heróis, aqueles que resistem a todos os males e que preenchem o nosso imaginário. Em adultos deixamos de P. Alberto Oliveiraacreditar nesses heróis mas desejamos ter alguns dos seus poderes, sermos invencíveis e conseguirmos resolver todos os problemas que nos surgem.

Para se ser herói não é preciso muito. O filósofo e poeta Voltaire dizia que: «As grandes coisas são muitas vezes mais fáceis do que aquilo que se pensa». Na verdade, quantos heróis não existirão à nossa volta? Pessoas que ajudam o outro sem receber nada em troca e que fazem o bem só pelo simples facto de quererem ajudar o seu próximo.

Não perca a entrevista ao Capelão do Hospital Egas Moniz, o P. Alberto Oliveira, que nos falou do trabalho realizado pelas capelanias hospitalares.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Criámos o mito das figuras públicas, geradas pela comunicação social. Então, regra geral, importantes são as pessoas que ocupam cargos de notoriedade ou aquelas que desempenham funções que estão sempre na mira dos meios de comunicação social. São referência hoje, os políticos, as figuras do chamado ‘jet-set’ que vão aparecendo nas ‘ditas’ revistas ‘cor-de-rosa’, os futebolistas mais famosos, os artistas de cinema e telenovelas, os escritores e cantores nos ‘tops’ das vendas, os ‘pivots’ dos telejornais... enfim, as pessoas que nos falam e de quem os meios de comunicação social falam.

Mas, verdade seja dita, a história é feita por muito mais gente. E há homens e mulheres que dão o que são e o que têm para que o mundo seja mais humano e, dessas e desses não se fala muito. Trata-se de gente discreta, simples, mas com um coração do tamanho do mundo, dispostos a dar tudo por tudo para que o mundo tenha alma, para que os direitos humanos sejam respeitados, para que ninguém fique fora da história.

Conheci e conheço muitos destes heróis anónimos que, cá dentro ou lá fora, dão um toque de qualidade à vida, fazem autênticos milagres nas áreas da saúde, da educação, dos direitos humanos, da ecologia, da cidadania, da fé.

Há que abrir os olhos a quem ajuda a abrir os corações. Há que mudar critérios de avaliação às práticas humanas, ultrapassando a enganadora eficiência de quem apenas produz coisas e riqueza: ajudar as pessoas a serem mais felizes, integrar quem está à margem, dar razões para viver e acreditar no futuro... é o mais importante para as pessoas. E os muitos heróis anónimos que actuam no palco discreto deste mundo da solidariedade merecem que os olhemos, respeitemos e imitemos.»




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