quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tabaco: como abandonar o vício?

Doutor Luís Negrão
No dia 31 de Maio, último dia do chamado "Mês do Coração" comemoramos o Dia Mundial sem Tabaco. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo continua a ser a principal causa de morte evitável em todo o mundo.
Para reflectir um pouco sobre este problema que afecta não só a população adulta como também os mais jovens, o Luso Fonias entrevistou o Doutor Luís Negrão, Assessor Médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia e Responsável pela Campanha "Maio - Mês do Coração".



Na opinião do P. Tony Neves:


O tabaco continua a ser uma das muitas causas de morte em todo o mundo. Tempos houve em que fumar cigarro ou cachimbo era sinal de algum estatuto social. Já passou esta moda mas o consumo de tabaco continua em alta, apesar de todas as campanhas. Pensei eu que a última investida contra ao tabaco, quando se escreveu nos pacotes que o tabaco mata ou provoca danos graves á saúde, que iria dissuadir os fumadores e que diminuiria em flecha o número dos dependentes do fumo. Parece que, mais uma vez, não deu resultado. Já antes, quando os preços subiram em flecha, se esperavam resultados mais palpáveis, que não chegaram a verificar-se.

Eu não fumo nem nunca fumei. Ao conversar com amigos e amigas viciados do tabaco, dizem-me que estão a tentar deixar de fumar pela chumbada que o cigarro dá á saúde e à carteira. Mas, regra geral, ficam-se pelos bons propósitos.

Pergunto-me sempre o que estará por detrás desta dependência, pois estou convencido que os males só se atalham quando se resolvem as razões de fundo. Os fumadores dizem que o tabaco alivia tensões, dá mais calma, distende os nervos, combate o stress...Não estou muito convencido destes argumentos, mas que se continua a fumar, apesar de só se poder fazer em espaços abertos, esse é um dado que salta aos olhos.
Fica sempre no ar a eterna questão dos interesses em jogo. A máquina que se serve do tabaco para engordar contas bancárias está de braços cruzados a aceitar esta cruzada contra o cigarro? Desconfio que não e uma publicidade mais discreta continua a ter a eficiência da antiga, seduzindo agora mais adolescentes e jovens e investindo fortemente no feminino.

Neste 31 de Maio, dia Mundial sem Tabaco, conscientes do malefício do fumo, há que dar as mãos á Organização Mundial de Saúde para que, pelo menos, as crianças, adolescentes e jovens não sejam fumadores activos. É uma batalha difícil de travar, sem resultados à vista. Mas valerá a pena libertar as novas gerações desta dependência que engorda algumas fortunas, mas produz doença e até morte em muita gente por esse mundo fora. Eu apoio um mundo sem fumo.




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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Timor: um país em construção

No dia 20 de Maio celebrámos o sétimo aniversário do reconhecimento internacional da independência de Timor-Leste. Ao fim de sete anos, este jovem país dá ainda os seus primeiros passos na construção e edificação dos pilares da sua sociedade.
Para reflectir melhor sobre a evolução e a situação actual de Timor-Leste, o Luso Fonias entrevistou o Professor Doutor Fernando Maymone Martins, Presidente da Fundação Mater Timor e Director do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Timor continua a sua caminhada rumo a uma estabilidade fundamental para garantir paz e pão a todos os timorenses. Tem sido um caminho difícil e sinuoso, com algumas estações de via-sacra a causar sofrimento ao povo.

Viveu tempos de massacre e de opressão quando da dominação indonésia. Depois, veio a libertação com a independência. Mas este mais jovem país do mundo tem dado provas de pouca capacidade de gestão da diversidade étnica e cultural que possui. Muita violência e instabilidade marcaram alguns períodos recentes do dia a dia dos timorenses. Nem o carisma de Xanana Gusmão nem a força moral dos prémios Nobel da Paz, D. Ximenes e Ramos-Horta têm sido, até agora, argumentos suficientes para dar serenidade ao povo e permitir o desenvolvimento do país. Apesar de tudo, há sinais positivos na calma que o país tem vivido nos últimos meses, situação que todos esperamos se mantenha e melhore. Mas, não podemos esquecer que na raiz da violência está a pobreza da grande parte da população e a memória fresca de traumas passados que ainda não foram ultrapassados. Já começa a ser tempo de reconciliar mentes e corações fazendo a purificação das memórias mais traumatizantes.

Falo sempre de Timor com emoção pelos acontecimentos que vêm logo à memória. Recordo-me do encontro que tive com o Dr. Ramos Horta, em Bruxelas, quando o território vivia tempos de massacre; lembro diversos encontros com D. Ximenes Belo, quase sempre em momentos críticos; nunca esquecerei a longa conversa mantida com o P. João Felgueiras, quando Díli ardia de violência e ele veio a Portugal para se tratar e multiplicar contactos a fim de apoiar estudantes timorenses. Era um homem abatido pela crueldade da situação mas, ao mesmo tempo, confiante na força de tanto sangue derramado e da alma cristã do povo timorense.

Timor tem de seguir em frente, passando ao lado das pressões económicas dos petróleos e das questões étnicas que têm tanto potencial para enriquecer mas, muitas vezes, têm sido factor de discórdia e violência.

Desejo aos timorenses muito progresso, muita paz e muito futuro.»




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Família e Empresa: uma conciliação possível?

Numa sociedade cada vez mais marcada pelo ritmo acelerado da economia e do comércio, a família acaba muitas vezes por ser abalada na sua estabilidade e unidade. A propósito do Dia Internacional das Famílias que se comemorou no dia 15 de Maio, o Luso Fonias entrevistou a Professora Fátima Carioca, professora de Comportamento Humano na Organização na AESE, Escola de Direcção e Negócios.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Trabalhar fora de casa foi sempre um desafio enorme à coesão das famílias com consequências directas na educação dos filhos. Após a Revolução Industrial, a situação complicou-se com o emprego das mulheres mães, situação que as levava a passar fora de casa e longe dos filhos muitas horas, num tempo em que nem sequer havia creches e infantários.

Mas foi já no século XX que, com a opção de praticamente todas as mulheres terem um emprego fora de casa, as relações família e empresa adquiriram outro estatuto e lançaram novos desafios.

Não contesto a importância de homens e mulheres se realizarem como pessoas através de um trabalho profissional fora dos muros da residência familiar. A igualdade de acesso ao mercado de trabalho é uma conquista importante com consequências positivas, como é o facto da mulher, mesmo no plano financeiro, não depender absolutamente do seu marido, além de deitar abaixo a ideia de que ela só serve para cozinhar, lavar a roupa, limpar a casa e tratar das crianças. Mas – há que dizê-lo com alguma coragem – esta situação actual não resolve alguns problemas muito graves como é o do abandono dos filhos à sua sorte (vão para as creches, os infantários, escolas...e quase não vêem os pais). Também a coesão da família sofre alguns abalos, pois marido e esposa, muitas vezes, passam muito mais tempo e aprofundam mais relação com outras pessoas que não o seu cônjuge.

Há, com certeza, mais aspectos a considerar para responder à pergunta se há uma conciliação possível entre a família e a empresa. Há muitas relações entre estas entidades que é importante conservar, pois as empresas ajudam as famílias a manter-se, no plano económico. Mas há sinais preocupantes de que a crise financeira e social está a arrasar a coesão das famílias. Primeiro, porque muitas empresas estão a falir ou a reduzir drasticamente os postos de trabalho. Segundo – e a Dra Manuela Silva, da Comissão Justiça e Paz ainda alertou para este problema há dias – a crise trouxe aos empresários a possibilidade de aumentar a flexibilidade laboral, dando-lhes a liberdade de mexer muito nos horários de trabalho, fazendo com que alguns trabalhadores estejam fora de casa até às 21 ou até 22h. Como pode resistir uma família onde pais e filhos quase nunca se vêem?

Há que criar condições para que as famílias vivam mais unidas e construam o seu projecto de felicidade juntas. Quando as famílias estiverem coesas, as próprias empresas e a sociedade em geral vão beneficiar. Mas quem consegue fazer passar esta mensagem?»




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domingo, 17 de maio de 2009

Pensar a Europa

A 9 de Maio comemora-se o Dia da Europa. O espaço europeu é marcado por uma grande diversidade cultural onde se assiste a um esforço crescente de unidade e crescimento global. São muitos e de natureza diversa os desafios que se colocam a esta Europa: a crise financeira mundial, as alterações Francisco Sarsfield Cabralclimáticas ou o envelhecimento da população são apenas alguns dos factores que nos levam a “Pensar a Europa”, tema da entrevista do programa Luso Fonias de 9 de Maio.

Em estúdio esteve o Professor Francisco Sarsfield Cabral, comentador da Rádio Renascença para os temas europeus.



Na opinião do P. Tony Neves:

«S. Bento e a grande tradição Beneditina, assente no ‘Reza e Trabalha’ ajudou a construir a Europa Ocidental. O outro pulmão europeu, o de Leste, foi ajudado a construir com S. Cirilo e S. Metódio, como tão bem escreveu João Paulo II.

Quer queiramos quer não, apesar do arco-íris que nós, Europeus, sempre fomos e somos, a matriz cristã da Europa parece não merecer muitas dúvidas. Mas, e este projecto Europeu riscado pelas instâncias da União Europeia, quer colocar o Cristianismo como apenas um dos muitos elementos que imprimem a identidade do continente branco.

Como cristãos, não podemos deixar de pensar a Europa com os valores gravados nas páginas dos Evangelhos e na longa e profunda tradição da doutrina social da Igreja. Isto não vai excluir ninguém, não vai permitir fechar portas a quem cá está ou cá pretender entrar, não vai catalogar as pessoas em cidadãos de primeira e de segunda. É exactamente o contrário o que um projecto europeu de matriz cristã poderá fazer: os valores cristãos exigem fraternidade universal, abertura aos outros, sensibilidade aos mais pobres. Há que combater todas as discriminações, enterrar, de uma vez por todas, o racismo e a xenofobia, há que investir em sociedades marcadas pela integração dos mais pobres e excluídos, há que proteger o ambiente para que esta terra seja a casa comum de todos, habitável e nos garanta o pão de cada dia.

Quero continuar a pensar uma Europa que, ultrapassado o tempo do colonialismo, se torna continente irmão de todos os outros, colaborando, na medida das suas possibilidades, na construção de uma mundo que quer ver atingidos os oito objectivos do milénio para o desenvolvimento.

Uma Europa aberta ao mundo, onde todos possam entrar e sair, é um sonho que as leis não permitem que se transforme em realidade. Mas é a Europa dos meus sonhos e não vou desistir dele. Tudo isto em nome das minhas convicções, em nome do Evangelho em que acredito, perla fraternidade que ele testemunha e constrói.»




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terça-feira, 12 de maio de 2009

Isenção na comunicação

O desenvolvimento rápido dos meios de comunicação permite-nos uma partilha cada vez maior de experiências, de saberes e de culturas. A sociedade da informação marca o ritmo de vida das pessoas e comunidades e influencia a tomada de decisões e a escolha dos indivíduos. Mas até que ponto é que podemos falar de uma comunicação isenta de quaisquer interesses políticos, religiosos, sociais ou de outra ordem qualquer?

José Luís Ramos PinheiroA 3 de Maio comemoramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Numa sociedade profundamente marcada pela facilidade e rapidez de comunicação, a imprensa assume um papel fundamental na difusão do saber e do conhecimento em geral. Por isso, é essencial que os meios de comunicação sejam isentos aos mais diversos níveis.

Para nos falar sobre a “Isenção na Comunicação”, o Luso Fonias de 2 de Maio contou com a presença em estúdio de José Luís Ramos Pinheiro, jornalista da Rádio Renascença.




Na opinião do P. Tony Neves:

«A notícia deveria ser a informação mais objectiva que alguém pudesse dar a outra pessoa, sem introduzir nenhum elemento pessoal. É assim que se aprende nas Universidades quando se tira o Curso de Jornalismo. Mas, verdade seja dita, a objectividade pura não existe porque a própria selecção do que se diz e do que se não fala já transparece uma escolha pessoal. Por isso, o importante é a convicção de que devemos ser o mais isentos possível. E mais: é fundamental que nunca dêmos informações para delas tirar proveitos, um oportunismo que não é aceitável e, por isso, os códigos de ética o reprovam.

Passando de lindas teorias às práticas que se fazem, é triste o cenário da comunicação á escala do mundo. A lógica dos interesses passa por cima de toda e qualquer moral. Em muitas situações, sobretudo onde a liberdade de imprensa é apenas palavra escrita, os jornalistas ou alinham na propaganda de quem manda ou então têm a sua cabeça a prémio. Não é por acaso que, ano após ano, as listas de jornalistas assassinados no cumprimento da sua missão se equipara ao dos missionários mártires. Um caso que dá que pensar no que ao alto risco destas missões diz respeito. Uma comunicação social livre e isenta torna-se imagem de marca de um país democrático. Mas, mesmo em contexto de democracia há que estar atento pois as tentativas de manipulação (mais ou menos discretas) serão sempre uma constante. Se o poder político deixa em paz relativa os jornalistas, atacam os poderes económicos e entre as duas forças de manipulação venha o diabo e escolha. Ambas são péssimas para as populações.

Aprofundados os princípios democráticos há condições para que nasça uma comunicação social plural, mas assente no serviço à verdade, à paz e à justiça. Com estes valores de fundo, a missão da comunicação será fundamental. A democracia agradece-lhe.»



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terça-feira, 14 de abril de 2009

Como sensibilizar para o Desenvolvimento?

Nos próximos dias 28 e 29 de Abril realiza-se a segunda edição dos Dias do Desenvolvimento, uma iniciativa do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), uma iniciativa do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento que procura dar a conhecer à sociedade em geral as várias organizações e iniciativas nacionais nesta área. Este ano o programa é marcado pelos temas do Combate à Pobreza, das Energias Alternativas e Desenvolvimento Económico e Sustentável, Gestão dos Recursos e Respeito pelo Meio Ambiente, Saúde e Desenvolvimento Humano entre outros.

O Luso Fonias entrevistou o Professor Manuel Correia, Presidente do IPAD, que nos falou deste evento em particular e da temática do Desenvolvimento em geral.



Na opinião do P. Tony Neves:

O desenvolvimento é decisivo para o presente e o futuro dos povos, sobretudo dos mais pobres. Daí a habitual e mais que lógica ligação entre o desenvolvimento e o combate à pobreza, sob todas as formas em que ela se esconde ou se mostra.

Portugal acolhe, a 28 e 29 deste mês de Abril, a 2ª edição dos Dias do Desenvolvimento. É apenas mais um pretexto para trazer à agenda dos políticos e meios de comunicação social este tema que merece estar sempre debaixo das luzes da ribalta, para não ser esquecido. Sensibilizar para o desenvolvimento é questão de vida ou de morte para muita gente por esse mundo além, o nosso mundo.

A cooperação entre povos é, talvez, a arma mais poderosa que se criou para combater a pobreza e dar corpo a um desenvolvimento sustentado dos países com mais dificuldades em ganhar lugar no concerto dos povos. Mas – há que denunciar com clareza – as promessas feitas pelos países ricos de atribuir 0,7º do seu pib para apoiar países em desenvolvimento ficaram sem cumprimento. Nem os mais ricos cumprem esta promessa e, por isso, o desenvolvimento de muitos povos continua a ser só uma miragem.

Na mesma linha, há que gritar bem alto que os objectivos do milénio para o desenvolvimento não podem morrer como santos propósitos dos ricos, proclamação de ocasião no momento da viragem do milénio. Parece cínico, mas é verdade: os ricos prometeram reduzir a pobreza do mundo para metade até 2015 e, mais de metade do tempo já passou e a pobreza não diminui...Algo está mal na vida dos senhores que mandam no mundo. Então não parece humanamente importante erradicar a pobreza extrema e a fome, atingir o ensino básico universal, promover a igualdade entre os sexos, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a Sida, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental?

Estamos à espera de quê para transformar o mundo na casa de todos?



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Educação para a Mudança

A educação é um factor fundamental para a mudança e para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Na Guiné-Bissau, a Fundação Evangelização e Culturas bem como outras Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento em parceria com diversos organismos estatais portugueses e guineenses, têm desenvolvido diversos projectos no âmbito da educação com vista a promover um desenvolvimento justo e sustentável.

O Luso Fonias desta semana contou com o apoio da Rádio Sol Mansi da Guiné-Bissau que entrevistou o Dr. Huco Monteiro, ex-Ministro da Educação da Guiné-Bissau e actual membro da equipa de avaliação do impacto da Cooperação Portuguesa na área da educação, e a Irmã Beti, responsável pelas escolas de auto-gestão do Oio nas quais a Fundação Evangelização e Culturas teve uma intervenção directa.



Na opinião do P. Tony Neves:

A educação parece estar em crise. E nem sequer parece ser um problema localizado. É geral, porque a globalização a tanto obriga. Assim, por onde quer que passeemos os olhos, sobretudo nos sites da Internet, verificamos que as lutas estudantis, as greves dos professores, as queixas dos encarregados de educação vão acontecendo um pouco por todo o mundo como sinal claro de que algo anda mal no mundo da educação.

Há mudanças importantes a fazer. Antes de mais, é urgente voltar a valorizar as humanidades. Tempos houve em que estudar filosofia, literatura, história era fundamental para uma formação académica superior. Pouco a pouco, o lado prático da vida impôs-se e, com esta mentalidade, optou-se por investir em áreas que davam acesso directo a empregos bem pagos. O caso mais claro é o das informáticas que, com umas pitadinhas de matemática e muita tecnologia à mistura, atingiam o objectivo de bem manipular com os computadores e, desta forma, garantir salários chorudos e a convicção de ajudar a mudar o mundo sem compreender as pessoas, a sua vocação e a sua missão de construtores de uma terra marcada pela justiça e pela realização das pessoas que a povoam.

A Escola parece não estar hoje á altura de uma instituição que deveria formar técnicos e cidadãos. A transmissão clássica dos saberes, num tempo marcado por muita informação e pouco conhecimento processado, torna-se, para a Escola, missão quase impossível. Algo tem que mudar e depressa. Quando as instituições não respondem, é preciso ter a coragem de analisar bem as questões e encontrar caminhos que lhes dê respostas.
A educação mantém-se um desafio enorme para o mundo de hoje. Não parece apontar caminhos de futuro uma escola que apenas debita informação, esquecendo a dimensão humanista. O mundo parece farto do bombardeamento de notícias e dados que, não sendo processados, aumentam o stress mas não melhoram a humanidade.

Mudar é urgente. Há que repensar a escola, em todas as etapas. Há que ajudar as instituições clássicas a reequacionar o seu papel social. A Educação tem de continuar a exercer a sua missão altíssima de ajudar a construir cultura, ciência e cidadania. Uma escola que não passe por aqui não é um valor acrescentado á humanidade.



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Páscoa: um Tempo de Esperança

A Páscoa é um tempo de esperança. Numa altura em que a palavra “crise” está tão presente no nosso quotidiano eis que surge novamente a surpresa da Páscoa e que nos impele a um dinamismo de esperança.

O Luso Fonias procurou perceber como é que esta esperança se traduz em acções concretas. Para isso falámos com Sérgio Cabral dos Leigos Boa Nova, um grupo de voluntários cristãos, membros da Obra Missionária de Acção Social, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que lançou recentemente o projecto “Age(nda) a partir de ti!”.



Na opinião do P. Tony Neves:

Ano após ano, celebrar a Ressurreição é um desafio a que é preciso dar resposta de qualidade. O cristianismo é uma religião que tem um rosto: Jesus Cristo. O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus veio recordar-nos quatro coisas importantes: a palavra de Deus tem uma Voz: a Revelação de Deus à humanidade; a palavra de Deus tem uma casa: a Igreja, assente em quatro colunas (ensinamento dos Apóstolos, oração, fracção do pão e comunhão fraterna, como nos lembra o livro dos Actos dos Apóstolos); a palavra de Deus tem caminhos próprios: a Missão; a palavra de Deus tem um rosto: Jesus Cristo Ressuscitado. Diz a mensagem final deste Sínodo: ‘Cristo vive a existência fatigante da humanidade até à morte, mas ressurge e vive para sempre. Ele é quem faz que seja perfeito o nosso encontro com a Palavra de Deus. Ele é quem nos revela o sentido pleno e unitário das Sagradas Escrituras, pelas quais o Cristianismo é uma religião que tem no centro uma pessoa, Jesus Cristo que, na Páscoa vence todas as formas de morte e nos envia pelos caminhos do mundo a anunciar a boa notícia de que a Vida vence sempre que nós vivemos de acordo com os planos de Deus.

Ao dar uma volta ao mundo com o nosso olhar, ajudados pelos meios de comunicação social, percebemos como a Páscoa ainda está, em muitos contextos, em lista de espera, pois as forças da morte andam á solta e têm nomes próprios: guerra, fome, pobreza extrema, violência, desemprego, falta de habitação condigna, analfabetismo...
Celebrar a Páscoa obriga a reunir condições para cantar a vida. Muitas comunidades cristãs, por esse mundo além, vão mostrar na alegria dos seus rostos que a Quaresma valeu a pena e que o jejum e a oração mais intensos desembocaram numa conversão mais efectiva e numa solidariedade mais fraterna.

Neste ano em que olhamos, com uma ternura especial para o grande anunciador da Páscoa de Cristo, o missionário S. Paulo, desejo a todos os ouvintes uma Santa Páscoa.



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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Como travar a tuberculose?


A 24 de Março comemorou-se o Dia Mundial da Tuberculose, uma celebração que pretendeu sensibilizar a população, a nível mundial, para uma doença que apesar de já ter tratamento ainda continua a causar a morte de vários milhões de pessoas por ano, principalmente nos países mais pobres.

Foi o tema da "tuberculose" que serviu de mote ao Luso Fonias de 4 de Abril, onde pudemos contar com a presença do Dr. Teles de Araújo, da Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias




Na opinião do P. Tony Neves:

A tuberculose continua a ser, por esse mundo além, uma doença que nos envergonha. Como a malária, por exemplo. Devíamos, como humanos, cobrir a cara de vergonha porque, na maioria dos casos, a tuberculose não devia matar. Mas são milhares, todos os dias, as vítimas desta doença. A razão principal está na pobreza das pessoas que a contraem e que não têm meios para a combater. E morrem. E transmitam-na. E a pobreza degenera em miséria. E nós cruzamos os braços, sem fazer nada, ou quase. Resignámo-nos. Achamos que tem que ser. E ela continua a avançar e a fazer vítimas nas fileiras das populações mais excluídas.

Acompanhou o mundo todo a polémica levantada pela afirmação de Bento XVI de que a mera distribuição de preservativos ás mãos cheias não resolvia o problema da Sida. E quase todos esfolaram vivo o papa por ter estas afirmações consideradas atentado à vida. Nessa altura, perguntei onde andavam essas multinacionais dos preservativos e esses ministérios da saúde do norte e do sul, de mãos dadas no combate à sida e que se esqueciam de que há doenças mais mortais e mais fatais, como, por exemplo, a tuberculose e a malária, que quase ninguém ousa combater porque não são doenças ideológicas nem de ricos. Todos os que andamos pelos interiores pobres de África sabemos que o único problema é a pobreza. Os outros (e são graves) derivam desta. Por isso, não há que dar curvas se queremos atalhar bem os problemas e encontrar soluções à altura dos dramas que eles provocam.

Combater a tuberculose é uma questão delicada mas não uma missão impossível. Há que ajudar as pessoas a proteger-se com uma alimentação sadia e algumas condições de vida. Depois, se a doença vier, há que ter à mão os medicamentos adequados a este combate que, no Hemisfério Norte têm tido um alto índice de sucesso. Aqui também há mortos por tuberculose, mas, regra geral, atinge as camadas mais pobres e marginalizadas das populações. Ou então, vitima os que deixam a doença avançar demais, por incúria ou convicção de que ‘vai passar’.

A luta por mais e melhor saúde no mundo não pode ser ideológica nem interesseira. Temos que nos dar as mãos para que a tuberculose e outras doenças dos pobres sejam erradicadas. A todo o preço e a bem de todos.»




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domingo, 22 de março de 2009

A Igreja e o continente africano

P. Tony NevesBento XVI está de visita a Angola de 20 a 23 de Março, para celebrar solenemente os 500 anos da evangelização deste país lusófono. O mesmo motivo que levou João Paulo II a Angola em 1992.

Segundo o Santo Padre, África «é a grande esperança da Igreja», uma afirmação que serviu de mote ao Luso Fonias de 21 de Março que esteve à conversa sobre "A Igreja e o continente africano".

Em estúdio esteve o P. Tony Neves, Espiritano, que colabora habitualmente no nosso programa e foi missionário em Angola durante vários anos.

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Dar: Um Amor Maior

Quando falamos de dar, não nos referimos necessariamente a bens materiais, falamos de pequenos gestos que nos aquecem o coração, o coração de quem dá e o de quem recebe.

Esta acção de "dar" que serviu de mote ao Luso Fonias de 14 de Março, significa na maior parte das vezes um trabalho voluntário, livre e desinteressado, de Eugénio Fonsecaalguém que quer dar um pouco de si, do seu tempo, a quem mais necessita.

Para nos falar deste tema, esteve na nossa companhia o Professor Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa e da Confederação Portuguesa do Voluntariado.




Na opinião do P. Tony Neves:

«O ‘dar de graça’, uma das imagens de marca do Evangelho, continua a ter simpatizantes e seguidores. Uma das formas mais radicais expressa-se no Voluntariado Missionário que, para além da gratuidade da experiência, exige distância das raízes, da família, dos amigos, da segurança construída ao longo dos anos. Mas vale a pena – dizem quantos passam por ele e por ele são profundamente marcados.

Partilho dois exemplos que são recentes: a Joana Pedro, Engenheira do Ambiente, acaba de regressar do norte de Moçambique, onde viveu um ano de Missão; a Céline Marques, licenciada em Serviço Social, regressou há pouco da Guiné-Bissau onde trabalhou um ano em Bafatá. Os seus testemunhos falam alto do que lhes vai na alma.

Escreveu a Joana: ‘Cresci muito. Não foi tanto com o fazer que cresci, mas sim com o estar. Por isso, fiz muita coisa, mas sobretudo estive:

Estive no meio de um povo, o povo macua, que do nada faz tudo, com uma generosidade imensa e com um sorriso constante no rosto. Estive no meio de um povo onde os batuques ditam o ritmo e a genuidade de cada um impera.

Estive no meio de um equipa missionária que me acolheu com um espontaneidade e uma alegria indescritíveis. Estive no meio de uma equipa missionária que me ensinou outra forma de encontrar Deus. Estive onde sinto que Deus me quis. E espero continuar agora a seguir o Seu caminho, certa de que este ano que passei me fará andar mais forte e com mais confiança
’.

A Céline partilhou, á chegada: ‘Muita gente pergunta: porquê? Porquê partir se temos tanto para fazer cá? Porquê partir se a vida está tão má, se a crise é tão grande? Porquê? Porque Deus quer que partamos, Deus precisa de nós noutro lugar, porque talvez lá precisem mais de nós do que aqui, não que aqui não haja problemas, mas porque o nosso sorriso e as nossas mãos farão mais lá do que cá; porque outros foram já chamados e destinados a trabalhar por cá; porque talvez precisemos de ver, viver e trabalhar noutra realidade para aprender a relativizar, aprender outra forma de lidar com os problemas, aprender a ver mais além do que estamos habituados, porque o mundo não é só o sítio onde vivemos, há muito para lá das “fronteiras” de cada um’.»




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domingo, 8 de março de 2009

Pela cooperação no mundo lusófono

Na entrevista do Luso Fonias de 7 de Março estivemos à conversa sobre cooperação no mundo lusófono.

A cooperação para o desenvolvimento é uma prioridade da política externa portuguesa, onde se Catarina Lopesdestacam os valores da solidariedade e do respeito pelos direitos humanos.

Não perca a conversa com Catarina Lopes e a Ana Patrícia Fonseca, da Fundação Evangelização e Culturas, uma organização não governamental para o desenvolvimento que a 13 de Março celebra 19 anos de cooperação no espaço lusófono.



Na opinião do P. Tony Neves:

«A Cooperação entre povos, através dos seus Governos, é um dever e um direito. Aqui, como em tudo, segue-se a máxima segundo a qual ‘ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar nem tão rico que não tenha nada para receber’. A cooperação assente sobre o princípio da partilha onde todos dão e todos recebem. Enfim, a lógica de uma sã cooperação só pode ser o enriquecimento mútuo, com a certeza de que quem ajuda os outros a viver com mais dignidade já se deve sentir recompensado.

Esta deveria ser a lógica do relacionamento fraterno entre povos, mas não é, infelizmente. Estamos num mundo onde as relações internacionais não se constroem sobre a gratuidade e o Ana Patrícia Fonsecaserviço a prestar aos outros, mas sobre o interesse, e só o nosso, mesmo que, para alcançarmos os nossos objectivos tenhamos que esmagar os outros.

Esta lógica em vigor é uma lógica perversa, uma espécie de bomba relógio com retardador, com consequências desastrosas para o futuro da humanidade. Um mundo que se aguenta com uns a tentar gozar a vida à custa do sofrimento e da miséria dos outros, não pode ir muito longe. As lógicas de um capitalismo selvagem só podem conduzir, mais tarde ou mais cedo, a crises como a que hoje se desenha na linha do horizonte e que só terá resolução positiva se as forças do mundo derem as mãos. E não percebo muito bem como tal poderá acontecer.

Aí devem entrar em jogo outro tipo de instituições: as Igrejas, as Organizações não Governamentais e outras entidades filantrópicas, sem fins lucrativos e com um grande sentido de humanidade. Aí, sim, há condições para que um espírito de solidariedade ajude a derrubar muros e construir pontes, fazendo com que se esbatam as distâncias entre ricos e pobres, criando mais justiça social.

Alguém me dizia há dias, ao falar de fundamentalismos religiosos que, com as mesmas pedras se podem construir muros ou pontes. Os meios são os mesmos, mas o resultado final é exactamente o contrário. Assim acontece com os mecanismos de cooperação que se accionam. E há que escolher. A sobrevivência da própria humanidade pode depender da forma como nos relacionamos. Há que trabalhar por mais justiça.»






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Quaresma em tempo de crise

Estamos em tempo de Quaresma, o tempo de preparação para a Páscoa que nos convida à caridade e solidariedade.



O Luso Fonias de 28 de Fevereiro procurou saber como se vive a Quaresma nos dias de hoje, nestes dias em que só se ouve falar de crise.


Maria do Rosário CarneiroNão perca a conversa com a Dra. Maria do Rosário Carneiro, vice-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, sobre como se vive a Quaresma nos dias de hoje.





Na opinião do P. Tony Neves:


«A Quaresma é um tempo muito especial, desde que tomado a sério. Longe vão os tempos em que os rigores do jejum se mediam pelas refeições que ficavam por tomar, a abstinência não admitia excepções na privação da carne e a esmola era tomada a sério, tentando todas as famílias fazer as suas renúncias quaresmais para partilhar com os muitos pobres que existiam e que todos conheciam. Os tempos que correm assentam noutros princípios de vida e não passam muito por privações, para além daquelas que nos são impostas. Dizem alguns – e com alguma razão – que a crise que vivemos já nos obriga a muito jejum e abstinência. Mas esta maneira de pensar e agir é arriscada, pois não criamos mecanismos que nos obriguem a perceber melhor o quanto sofrem os pobres mais pobres. Mas, verdade seja dita e as estatísticas o mostram, é nos tempos de crise e dificuldade que se vê alma solidária das pessoas. A última grande recolha do Banco Alimentar contra a fome constituiu um hino à solidariedade. Foi a maior recolha de sempre e os meios de comunicação social acompanharam esta operação solidária e entrevistaram muitos dos doadores que afirmaram que não tinham muito mas sentiam esta necessidade de repartir bens essenciais com quem tem ainda menos.

Bento XVI, na sua habitual mensagem da Quaresma, foi buscar uma das passagens bíblicas sobre o retiro espiritual que Cristo fez no deserto. E, segundo este texto tão simbólico, ‘Jesus esteve 40 dias e 40 noites sem comer e no fim teve fome’. Pudera! A riqueza deste texto está no facto de não se falar só de uma fome física, mas também espiritual. Conclui o Papa que a fome de Deus, a fome de Justiça, a fome de humanidade é tão ou mais grave que a fome de pão. Aliás, para estar de acordo com o Papa, basta olhar para o mundo em que vivemos e para as relações entre os povos. As pessoas contam muito pouco porque os bens materiais, os interesses económicos contam muito mais. Chega-se ao limite do ridículo e do imoral quando esmagamos pessoas para ganhar dinheiro, como acontece quando estão em causa os petróleos e diamantes do nosso mundo.

Dar sentido humano à vida é o mais importante neste tempo de Quaresma. São 40 dias intensos de oração, de conversão aos valores do Evangelho, de partilha solidária com quem mais precisa. Vale a pena despir-nos da mentalidade interesseira dos tempos que correm para nos vestirmos de uma humanidade que a todos respeite e que, pela justiça, traga de volta a dignidade a quantos se sentem espezinhados nos seus direitos.»







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terça-feira, 3 de março de 2009

O drama do álcool

“O Drama do Álcool”foi o tema do Luso Fonias de 21 de Fevereiro.

Fala-se de drogas como a cocaína, heroína e até mesmo o tabaco, mas esquecemo-nos que o álcool também faz parte dessa lista de substâncias que causam um elevado grau de dependência.

O álcool é uma droga socialmente aceite cujo consumo tem vindo a aumentar nos últimos anos, consumo este que pode levar-nos a pensar que não tem Alcoólicos Anónimos de Portugalriscos, mas basta olharmos para os efeitos a curto e longo prazo para nos darmos conta da importância dos diversos problemas que produzem.

Não perca os testemunhos da Isabel e do João dos Alcoólicos Anónimos de Portugal, relatos impressionantes de um vício que é socialmente aceite mas que acarreta muitos riscos.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Nas voltas que vou dando por esse mundo além, tenho verificado um dado curioso: seja nas montanhas dos índios no México, no planalto interior de Angola, no norte mais distante de Moçambique, junto aos braços de mar mais perdidos da Guiné-Bissau, nas roças mais abandonadas de S. Tomé e Príncipe, nas estepes do Zimbabwe... todos os grupos étnicos sabem fabricar bebidas alcoólicas. E mais: não há festa em que tais líquidos não sejam ingeridos e, regra geral, de forma exagerada, com as consequências que todos conhecemos. Para agravar a situação, há sempre uma franja da população que não precisa das festas para pretexto de ingestão alcoólica. Daí que o mundo esteja semeado de ébrios, uma situação desastrosa que afecta ricos e pobres, homens e mulheres e, por vezes, até adolescentes e crianças.

Regra geral, quando entra o álcool numa casa, a paz e a prosperidade saem pela janela. Ou seja, quem toma álcool em demasia desgraça a sua vida e complica a de quantos vivem próximos, a começar pelos familiares mais directos. E lá se vai o emprego, as poupanças, o equilíbrio de vida, os amigos... e tudo um bom copo de bebida alcoólica deita a perder, gerando desgraça atrás de desgraça, porque, como diz o nosso povo, uma desgraça nunca vem só.

Os tempos modernos, na sua relação com o álcool, não se caracterizam pela coerência. Porque, por um lado, há grandes medidas de combate ao alcoolismo, com regras na sua produção e na sua venda. Mas, por outro lado, a publicidade incentiva ao seu consumo, sobretudo entre as gerações mais jovens. É de fazer doer o coração ir, sexta-feira ou sábado à noite, aos locais onde se concentram os jovens, e ver a quantidade de bebidas alcoólicas que se ingerem. Triste é o cenário que se vê aos sábados e domingos de manhã, nestes mesmos locais, onde encontramos jovens completamente embriagados, depois de uma noite a beber e a dançar... partindo dali para uma ressaca que dura o resto do fim-de-semana...

Há famílias que se desgraçam quando o álcool invade a sua casa. Há tentativas muito sérias de regeneração de quantos entraram nas malhas do álcool. Há organizações, como a associação dos Alcoólicos Anónimos, que fazem alguns milagres. Há departamentos clínicos especializados. Mas há, sobretudo, um longo trabalho de sensibilização a realizar nas escolas e nas Igrejas. Há que investir na formação para o auto-controle, para que cada um e cada uma saibam até onde podem ir, até onde o corpo aguenta sem fazer mal. É um investimento que contraria o lobby da grande indústria alcoólica, mas defende as pessoas que, verdade seja dita, são o melhor do mundo.»




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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ao encontro do amor

A 14 de Fevereiro comemora-se o Dia de S. Valentim, mais conhecido como Dia dos Namorados. Em Portugal esta data está a tornar-se cada vez mais numa estratégia de vendas, num pretexto para que as pessoas gastem o seu dinheiro. E na verdade, será que este dia faz sentido? Faz sentido haver um dia para se celebrar o amor quando este deve ser celebrado todos os dias?

P. José MeloO Luso Fonias desta semana esteve à conversa sobre a importância do compromisso e do diálogo. Uma emissão que contou com a presença do P. José Melo, do movimento Schoenstatt, e de Ana Joanaz de Melo, responsável pela Pastoral dos Namorados.

Não perca também a rubrica Vozes da Lusofonia, com os testemunhos das nossas rádios parceiras sobre a realidade dos casais em terras lusófonas.



Na opinião do P. Tony Neves:

«São João da Cruz, esse grande místico, deixou-nos uma frase que nos inquieta: ‘No entardecer da vida seremos julgados pelo Amor’. E, já no longínquo século V, no norte de África, Santo Agostinho lançava o grito: ‘Ama e faz o que quiseres!’. Nenhum deles parece muito original, pois os Dez Mandamentos de Moisés já dizem que o caminho da felicidade passa por amar a Deus e ao próximo e Jesus Cristo veio carimbar esta convicção, dando ao Amor o estatuto de Mandamento Novo: ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei’... indo mais longe, dizendo: ‘Saberão que sois meus discípulos se vos aAna Joanaz de Melomardes uns aos outros’!

Mas, esta reflexão por ocasião do dia dos namorados, ligado a S. Valentim, parece não vir muito a propósito. De facto, as propostas que se fazem a quem namora não têm nada ou quase nada a ver com este ideal supremo que nos é apresentado pela Bíblia e pela tradição da Igreja. Convidam-se os namorados a comprar grandes prendas, a organizar grandes saídas, a divertir-se à brava... mas raramente se propõe uma reflexão séria sobre o projecto de vida que estão a construir e sobre a dimensão espiritual sobre a qual tal projecto deve assentar e ganhar raízes e consistência. Partir ao encontro do Amor não é a mesma coisa que gozar de presença física da pessoa com quem namoramos nesta altura do campeonato. Tem de ser muito mais que isso.

Num tempo marcado pela vertigem da mudança, construir projectos que durem uma vida é remar contra ventos e marés. E tal só me parece possível se assentarem sobre o pilar indestrutível do amor. Por isso, aos namorados que acreditam em Deus lanço o desafio de viverem este dia 14 como um momento forte de acção de graças. Sim, faz sentido agradecer a Deus as pessoas que Ele coloca na nossa vida e, particularmente, aquele ou aquela com a qual, dia após dia, vamos construindo um projecto de felicidade e de eternidade. Assim, teremos a certeza de que, não só partimos ao encontro do Amor como também o Amor caminha ao encontro de nós. Só assim a nossa vida poderá terminar como os filmes antigos em que os protagonistas casavam, tinham filhos queridos e eram muito felizes, para sempre.»






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