segunda-feira, 29 de junho de 2009

Jogos da Lusofonia

Dr. João Ribeiro
O desporto sempre foi ao longo da história, um espaço de encontro entre povos e culturas. Para além da competição que marca os ambientes desportivos, testemunhamos também a alegria e o entusiasmo que as diversas modalidades criam, quer entre atletas, quer em todos aqueles que directa ou indirectamente participam nas grandes festas do desporto mundial.

Para nos falar da importância do desporto no espaço lusófono, o LusoFonias de hoje conta com o testemunho do Dr. João Ribeiro, Director Executivo da Organização dos Segundos Jogos da Lusofonia.



Na opinião do P. Tony Neves:


«Lisboa acolhe, de 11 a 19 de Julho, os 2º Jogos da Lusofonia. O lema diz tudo ou quase: ‘A união é mais forte que vitória’, sugerindo aos participantes muito fair Play e capacidade de aproveitar esta oportunidade para conhecer mais e melhor pessoas que falam a sua língua, a nossa.

O desporto é, com estes Jogos, colocado ao serviço de mais comunhão. Necessitamos, enquanto lusófonos, de nos conhecermos melhor e, para tal, é urgente que nos encontremos mais, que nos abracemos como irmãos, que partilhemos a riqueza da nossa diversidade.

O espaço lusófono é um arco-íris de povos e culturas onde a língua oficial comum e alguns períodos da história nos aproxima. É verdade que na relação entre todos nem sempre o respeito foi o valor mais vivido. Mas, lavada a história e purificada a memória, há que ver os aspectos positivos e as portas que se abriram. Esta, a de uma comunhão mais forte, pode e deve ser capitalizada por todos.
Antes de mais, queria saudar a organização pela iniciativa. É verdade que estamos em crise e custa dinheiro lançar um projecto destes. Mas é importante que a crise não nos feche e nos ponha a rodar á volta do nosso umbigo enquanto esperamos melhores dias. Valores como o da comunhão e da partilha fraterna merecem todo o nosso investimento.

Há uma aposta clara no fair-play, valor que parece estar cada vez mais arredado dos meios desportivos, a medir por eventos tristes dos últimos tempos. Neste Jogos, o ganhar não é essencial, como bem diz o lema, pois a união é mais forte que a vitória.
Este evento pode aproximar mais povos e culturas que a geografia afasta. O desporto pode ser um excelente elo de união pois, independentemente das raças, culturas ou distâncias geográficas que nos separem, todos sabemos jogar futebol, basquete, voleibol e muitas outras modalidades que fazem parte do programa destes 2ºs Jogos da Lusofonia.

Num vídeo que se vê no youtube, Inês Barroso deixa um depoimento que faz reflectir. Coloca o desporto ao serviço de mais união e formula um voto final: ‘que todos saiamos mais ricos como seres humanos’. Faço meus estes votos, em nome de uma sã e frutuosa lusofonia, capaz de construir pontes entre povos e culturas que se exprimem na língua portuguesa.»



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Cultura e Cooperação

Dra. Margarida Abecassis
A Lusofonia é um espaço muito rico em termos culturais. Numa mesma língua encontram-se povos geograficamente distantes e com costumes bastante diversificados. Esta pluralidade uma partilha e um cruzamento de experiências e saberes que favorece e promove o desenvolvimento à escala global.

Para nos falar de cultura no espaço lusófono, o LusoFonias de hoje conta com a presença Dra. Margarida Abecassis da Fundação Calouste Gulbenkian.





Na opinião do P. Tony Neves:


«Quem percorre um pouco o espaço lusófono percebe, imediatamente, que há muito que nos une, mas também é fácil de entender que há traços culturais que carimbam a identidade de cada um dos nossos povos. E mais: dentro de cada país há expressões culturais que são típicas de cada região ou etnia.

Ora, o facto de termos muito em comum aproxima-nos e cria laços que nos unem. Mas a grande riqueza está na partilha da diversidade e, nesse aspecto, a cultura constitui um valor acrescentado para todos.

Fico sempre fascinado com as danças de ritmos africanos. Pelo movimento, pela expressão corporal, pelo colorido, pela alegria. Ora, esta dimensão cultural devia ser mais valorizado no resto do espaço lusófono. E dei apenas um exemplo entre os muitos que poderia ter escolhido. O teatro é outra das formas de arte onde a diferença de representação é enorme de país para país. Recordo sempre como em contexto de guerra e de falta de liberdade de expressão, os jovens de Angola partilhavam as suas angústias e manifestavam as suas convicções através de representações muito divertidas, mas, ao mesmo tempo, muito sérias, com avisos claros a quem mantinha uma guerra cruel.

No que diz respeito á literatura, gosto muito de ler autores lusófonos e é impressionante constatar a diferença entre os autores, no que diz respeito às histórias que contam, às personagens que escolhem, às paisagens que descrevem, às palavras que utilizam. Tudo pode e deve constituir uma grande riqueza.
E podemos falar até já de cinema ou documentários, pintura (Vieira da Silva não pinta com as mesmas cores do Malangatana...), escultura, etc.

Dada a importância da cultura como alma de um povo e porque a partilha enriquece todos, seria importante aumentar a cooperação entre os países lusófonos mais ricos e mais pobres de modo a que se apoiasse mais a produção cultural. Os governos, as fundações, as organizações não governamentais, outras instituições com carisma de mecenato...todos, de mãos dadas, deveriam fazer mais e melhor para que a alma de cada povo pudesse exprimir-se e, ao partilhar esta expressão, constituísse uma enorme riqueza para todos. Se todos podemos ganhar, há que investir por aí».


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Propostas autárquicas para uma cooperação descentralizada

Dr. Amadeu Albergaria
Somos cada vez mais cidadãos de um mundo que não conhece fronteiras ou barreiras. Povos geograficamente distantes estão unidos por laços históricos, económicos ou culturais. Mas também são muitas as desigualdades no desenvolvimento destes diversos povos. Por isso têm-se multiplicado os projectos de cooperação na procura de um crescimento global fraterno e sustentável.

Para nos dar um testemunho de como é possível cooperar à escala global, o LusoFonias de hoje conta com a presença do Dr. Amadeu Albergaria, Vereador do Pelouro da Educação, Cultura, Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira que tem desenvolvido inúmeros projectos de cooperação com diversos países, em particular, com a Guiné-Bissau.





Na opinião do P. Tony Neves:


«A cooperação entre povos é tão antiga como as lutas que caracterizaram e marcaram muitas relações, sobretudo, de vizinhança. Com a progressiva organização dos países, o seu relacionamento político e económico começou a constar de leis, daí o aparecimento do direito internacional.

A cooperação para o desenvolvimento é um passo mais adiantado neste processo de relação entre países e povos, quase sempre garantida pelos governos, mesmo que praticada por organizações mais restritas. A comunidade internacional, no seu teórico esforço por mais justiça á escala planetária até já legislou que os países mais ricos deviam atribuir 0,7% do seu PIB para apoiar os países mais pobres. Por enquanto, ficamo-nos pelas boas intenções o que, verdade se diga, já é alguma coisa, pois resulta de uma reflexão séria sobre a dignidade humana e um correcta relação entre os povos.

Mas o mundo pode ir um pouco mais longe neste esforço por mais justiça e fraternidade. Além dos governos (que são entidades muito altas), há outras instituições do Estado que podem e devem intervir neste esforço de descentralização da cooperação. Por exemplo, as Câmaras Municipais e até algumas Juntas de Freguesia podem, à sua dimensão, ser agentes de cooperação para o desenvolvimento. Há já em curso algumas geminações bem sucedidas e, através delas, Câmaras Municipais da Europa estão geminadas com outras de África, da Ásia ou da América Latina e estabelecem laços de cooperação que enriquecem ambas as partes envolvidas neste dinamismo de encontro e de partilha. Parece-me, pelos casos de sucesso que conheço, que esta cooperação descentralizada ainda tem muito que andar e pode oferecer mais comunhão e solidariedade. Aqui aposta-se na proximidade que só se consegue aprofundar quando os parceiros são entidades mais pequenas. Não se pode pensar em grandes obras, mas a partilha entre pessoas será mais enriquecedora e as iniciativas lançadas garantem, à partida, mais eficácia na sua concretização.

A fraternidade não pode ter limites, muito menos permite que cruzemos os braços. Mais a melhor cooperação entre povos e culturas é possível e é desejável».


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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Economia Solidária

Professor Albino Lopes
A economia está presente de uma forma directa ou indirecta na simplicidade do nosso dia-a-dia. Constantemente somos confrontados com a necessidade de gerir e articular bens ou recursos humanos, orientar a nossa acção neste ou naquele sentido, realizar ou não determinadas acções. Deste modo, todos nós somos agentes económicos e, por isso, podemos concretizar a chamada “economia solidária”.
Para percebermos melhor este conceito e a forma como ele pode de facto transformar a sociedade em que vivemos, o Luso Fonias contou com a participação do Professor Doutor Albino Anjos Lopes, do Departamento de Ciências de Gestão do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.




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terça-feira, 9 de junho de 2009

Sangue: Dar pela Vida

Doutora Leonilde Outerelo
Nem sempre nos damos conta de pequenos gestos heróicos que passam despercebidos no meio da agitação da nossa sociedade. Dar sangue é um desses gestos; é um acto de cidadania que continua a salvar as vidas daqueles que mais carecem deste bem essencial para a vida humana.
Na véspera do Dia Mundial do Dador de Sangue, o Luso Fonias procura perceber a importância deste gesto generoso que beneficia toda a comunidade humana. Para isso, contamos com a participação da Doutora Leonilde Outerelo, Médica do Centro Regional de Sangue de Lisboa.




Na opinião do P. Tony Neves:


«Nunca como hoje dar sangue ajuda a salvar vidas. Nos tempos que correm, com os avanços que a medicina registou nos últimos tempos, o sangue joga um papel decisivo. Ter ou não ter sangue disponível é, em muitas situações de risco, uma questão de vida ou de morte. Quase todas as intervenções cirúrgicas são acompanhadas de uma transfusão de sangue. Com o aumento significativo de acidentes provocado por choques ou despistes de viaturas automóveis na estrada e com a construção civil e a actividade industrial a provocar muitos acidentes de trabalho, quase tudo se tenta resolver com transfusões de sangue, para compensar as perdas ocorridas nos acidentes. Por isso, o apelo a que todos sejamos dadores é constante e dar sangue tornou-se um acto de humanismo e de solidariedade, muitas vezes com consequências directas para os próprios dadores.

Por mentalidade comodista, somos tentados a só fazer aquilo que nos dá gosto ou traz resultados económicos ou afectivos imediatos. O sentido da solidariedade para com os outros nem sempre nos motiva a agir. Por isso, muita gente nunca deu sangue porque não quis ter o trabalho de ir até onde ele é recolhido. Ora, é urgente activar o nosso sentido de cidadania e responsabilidade social, pois muitas vidas (se calhar até a nossa) dependem destes gestos generosos de quem percebe que a vida e a felicidade dos outros também nos diz respeito.

Celebrar o dia mundial do sangue é também um excelente pretexto para uma reflexão séria acerca do respeito que temos ou não pelo sangue e pela vida dos outros. A violência, as atitudes irresponsáveis ao volante, o desleixo nas condições de segurança no trabalho...tudo isto faz derramar sangue e é responsável por muitas vidas que se apagam.

Dar sangue é uma obrigação cívica. Se ainda der tempo, saiamos de casa e vamos até ao centro de saúde mais próximo onde recolhem este líquido que nos corre nas veias e é responsável por ainda estarmos vivos e activos. Vale sempre a pena ser irmão».




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Energias Renováveis

Engº Carlos Pimenta
Neste mundo onde o crescimento económico acelerado parece marcar o ritmo do planeta, experimentamos no dia-a-dia as consequências da nossa própria irresponsabilidade em termos ambientais. O clima está mudado e são cada vez mais frequentes os desastres ecológicos. É urgente mudar de atitude e comprometer-nos na construção de um futuro ambientalmente sustentável.
Para nos falar melhor sobre estas alterações climáticas, sobre as suas causas e consequências e sobre as soluções que temos ao nosso alcance, o Luso Fonias conta com a participação do Eng. Carlos Pimenta, Director do Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente.




Na opinião do P. Tony Neves:


«O Dia Mundial do Ambiente, celebrado no dia 5, é um apelo à consciência da humanidade. Séculos a fio, o mundo divertiu-se a poluir a natureza e a fazer da sua casa um lugar que quase não dá para habitar. Agora, quando há danos que são irreversíveis, estamos todos com as mãos na cabeça a perguntarmo-nos ‘como chegamos tão longe?’ e a tentar encontrar as soluções ainda possíveis que a terra continue a reunir condições para que nela vivamos felizes. Foi pena termos ido longe de mais, pois o buraco do ozono na atmosfera está grande demais, o aquecimento do planeta é inevitável, há muitas espécies que foram extintas, os níveis de poluição do ar e águas, em certos locais, estão elevadíssimos...enfim, a natureza está de armas na mão pronta para se vingar da nossa incapacidade histórica de a respeitarmos.

Mas há caminhos já andados, na viagem de regresso ao respeito pela mãe natureza ou, se quisermos usar uma palavra mais moderna, pelo ambiente. Muitos rios, ribeiros, lagos e mares estão a ser despoluídos; é grande o esforço para que as empresas não atirem para o ar gazes tóxicos; a educação ambiental nas escolas permite que os lixos sejam colocados nos locais próprios e tratados; há um esforço para que se poupe energia e se aposte em energias renováveis.

Ao percorrer Portugal, de lés a lés, da costa ao interior, vemos plantados nos cimos dos montes umas grandes torres de betão com ventoinhas nas pontas... De facto, o parque eólico nacional está enorme e o vento é já hoje uma energia alternativa ao petróleo e à electricidade das barragens. Trata-se de uma energia não poluente com muito futuro, sobretudo em áreas onde o vento é forte e contínuo. Também a aposta na energia solar tem presente e tem futuro. Podemos ver nos telhados de muitas casas e fábricas os painéis solares que, em muitos casos, tornam as famílias ou empresas autónomas e, embora seja ainda raro, há casos em que os painéis produzem mais electricidade do que precisam e vendem á própria rede eléctrica nacional.

A criatividade impõe-se. Há que recuperar o tempo perdido na luta por uma relação sadia entre o homem e a natureza, a bem de todos. As energias renováveis são um dos caminhos a percorrer. Mas tudo o que ajude a respeitar o ambiente é para tomar a sério se queremos continuar a viver nesta terra».




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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tabaco: como abandonar o vício?

Doutor Luís Negrão
No dia 31 de Maio, último dia do chamado "Mês do Coração" comemoramos o Dia Mundial sem Tabaco. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo continua a ser a principal causa de morte evitável em todo o mundo.
Para reflectir um pouco sobre este problema que afecta não só a população adulta como também os mais jovens, o Luso Fonias entrevistou o Doutor Luís Negrão, Assessor Médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia e Responsável pela Campanha "Maio - Mês do Coração".



Na opinião do P. Tony Neves:


O tabaco continua a ser uma das muitas causas de morte em todo o mundo. Tempos houve em que fumar cigarro ou cachimbo era sinal de algum estatuto social. Já passou esta moda mas o consumo de tabaco continua em alta, apesar de todas as campanhas. Pensei eu que a última investida contra ao tabaco, quando se escreveu nos pacotes que o tabaco mata ou provoca danos graves á saúde, que iria dissuadir os fumadores e que diminuiria em flecha o número dos dependentes do fumo. Parece que, mais uma vez, não deu resultado. Já antes, quando os preços subiram em flecha, se esperavam resultados mais palpáveis, que não chegaram a verificar-se.

Eu não fumo nem nunca fumei. Ao conversar com amigos e amigas viciados do tabaco, dizem-me que estão a tentar deixar de fumar pela chumbada que o cigarro dá á saúde e à carteira. Mas, regra geral, ficam-se pelos bons propósitos.

Pergunto-me sempre o que estará por detrás desta dependência, pois estou convencido que os males só se atalham quando se resolvem as razões de fundo. Os fumadores dizem que o tabaco alivia tensões, dá mais calma, distende os nervos, combate o stress...Não estou muito convencido destes argumentos, mas que se continua a fumar, apesar de só se poder fazer em espaços abertos, esse é um dado que salta aos olhos.
Fica sempre no ar a eterna questão dos interesses em jogo. A máquina que se serve do tabaco para engordar contas bancárias está de braços cruzados a aceitar esta cruzada contra o cigarro? Desconfio que não e uma publicidade mais discreta continua a ter a eficiência da antiga, seduzindo agora mais adolescentes e jovens e investindo fortemente no feminino.

Neste 31 de Maio, dia Mundial sem Tabaco, conscientes do malefício do fumo, há que dar as mãos á Organização Mundial de Saúde para que, pelo menos, as crianças, adolescentes e jovens não sejam fumadores activos. É uma batalha difícil de travar, sem resultados à vista. Mas valerá a pena libertar as novas gerações desta dependência que engorda algumas fortunas, mas produz doença e até morte em muita gente por esse mundo fora. Eu apoio um mundo sem fumo.




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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Timor: um país em construção

No dia 20 de Maio celebrámos o sétimo aniversário do reconhecimento internacional da independência de Timor-Leste. Ao fim de sete anos, este jovem país dá ainda os seus primeiros passos na construção e edificação dos pilares da sua sociedade.
Para reflectir melhor sobre a evolução e a situação actual de Timor-Leste, o Luso Fonias entrevistou o Professor Doutor Fernando Maymone Martins, Presidente da Fundação Mater Timor e Director do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Timor continua a sua caminhada rumo a uma estabilidade fundamental para garantir paz e pão a todos os timorenses. Tem sido um caminho difícil e sinuoso, com algumas estações de via-sacra a causar sofrimento ao povo.

Viveu tempos de massacre e de opressão quando da dominação indonésia. Depois, veio a libertação com a independência. Mas este mais jovem país do mundo tem dado provas de pouca capacidade de gestão da diversidade étnica e cultural que possui. Muita violência e instabilidade marcaram alguns períodos recentes do dia a dia dos timorenses. Nem o carisma de Xanana Gusmão nem a força moral dos prémios Nobel da Paz, D. Ximenes e Ramos-Horta têm sido, até agora, argumentos suficientes para dar serenidade ao povo e permitir o desenvolvimento do país. Apesar de tudo, há sinais positivos na calma que o país tem vivido nos últimos meses, situação que todos esperamos se mantenha e melhore. Mas, não podemos esquecer que na raiz da violência está a pobreza da grande parte da população e a memória fresca de traumas passados que ainda não foram ultrapassados. Já começa a ser tempo de reconciliar mentes e corações fazendo a purificação das memórias mais traumatizantes.

Falo sempre de Timor com emoção pelos acontecimentos que vêm logo à memória. Recordo-me do encontro que tive com o Dr. Ramos Horta, em Bruxelas, quando o território vivia tempos de massacre; lembro diversos encontros com D. Ximenes Belo, quase sempre em momentos críticos; nunca esquecerei a longa conversa mantida com o P. João Felgueiras, quando Díli ardia de violência e ele veio a Portugal para se tratar e multiplicar contactos a fim de apoiar estudantes timorenses. Era um homem abatido pela crueldade da situação mas, ao mesmo tempo, confiante na força de tanto sangue derramado e da alma cristã do povo timorense.

Timor tem de seguir em frente, passando ao lado das pressões económicas dos petróleos e das questões étnicas que têm tanto potencial para enriquecer mas, muitas vezes, têm sido factor de discórdia e violência.

Desejo aos timorenses muito progresso, muita paz e muito futuro.»




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Família e Empresa: uma conciliação possível?

Numa sociedade cada vez mais marcada pelo ritmo acelerado da economia e do comércio, a família acaba muitas vezes por ser abalada na sua estabilidade e unidade. A propósito do Dia Internacional das Famílias que se comemorou no dia 15 de Maio, o Luso Fonias entrevistou a Professora Fátima Carioca, professora de Comportamento Humano na Organização na AESE, Escola de Direcção e Negócios.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Trabalhar fora de casa foi sempre um desafio enorme à coesão das famílias com consequências directas na educação dos filhos. Após a Revolução Industrial, a situação complicou-se com o emprego das mulheres mães, situação que as levava a passar fora de casa e longe dos filhos muitas horas, num tempo em que nem sequer havia creches e infantários.

Mas foi já no século XX que, com a opção de praticamente todas as mulheres terem um emprego fora de casa, as relações família e empresa adquiriram outro estatuto e lançaram novos desafios.

Não contesto a importância de homens e mulheres se realizarem como pessoas através de um trabalho profissional fora dos muros da residência familiar. A igualdade de acesso ao mercado de trabalho é uma conquista importante com consequências positivas, como é o facto da mulher, mesmo no plano financeiro, não depender absolutamente do seu marido, além de deitar abaixo a ideia de que ela só serve para cozinhar, lavar a roupa, limpar a casa e tratar das crianças. Mas – há que dizê-lo com alguma coragem – esta situação actual não resolve alguns problemas muito graves como é o do abandono dos filhos à sua sorte (vão para as creches, os infantários, escolas...e quase não vêem os pais). Também a coesão da família sofre alguns abalos, pois marido e esposa, muitas vezes, passam muito mais tempo e aprofundam mais relação com outras pessoas que não o seu cônjuge.

Há, com certeza, mais aspectos a considerar para responder à pergunta se há uma conciliação possível entre a família e a empresa. Há muitas relações entre estas entidades que é importante conservar, pois as empresas ajudam as famílias a manter-se, no plano económico. Mas há sinais preocupantes de que a crise financeira e social está a arrasar a coesão das famílias. Primeiro, porque muitas empresas estão a falir ou a reduzir drasticamente os postos de trabalho. Segundo – e a Dra Manuela Silva, da Comissão Justiça e Paz ainda alertou para este problema há dias – a crise trouxe aos empresários a possibilidade de aumentar a flexibilidade laboral, dando-lhes a liberdade de mexer muito nos horários de trabalho, fazendo com que alguns trabalhadores estejam fora de casa até às 21 ou até 22h. Como pode resistir uma família onde pais e filhos quase nunca se vêem?

Há que criar condições para que as famílias vivam mais unidas e construam o seu projecto de felicidade juntas. Quando as famílias estiverem coesas, as próprias empresas e a sociedade em geral vão beneficiar. Mas quem consegue fazer passar esta mensagem?»




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domingo, 17 de maio de 2009

Pensar a Europa

A 9 de Maio comemora-se o Dia da Europa. O espaço europeu é marcado por uma grande diversidade cultural onde se assiste a um esforço crescente de unidade e crescimento global. São muitos e de natureza diversa os desafios que se colocam a esta Europa: a crise financeira mundial, as alterações Francisco Sarsfield Cabralclimáticas ou o envelhecimento da população são apenas alguns dos factores que nos levam a “Pensar a Europa”, tema da entrevista do programa Luso Fonias de 9 de Maio.

Em estúdio esteve o Professor Francisco Sarsfield Cabral, comentador da Rádio Renascença para os temas europeus.



Na opinião do P. Tony Neves:

«S. Bento e a grande tradição Beneditina, assente no ‘Reza e Trabalha’ ajudou a construir a Europa Ocidental. O outro pulmão europeu, o de Leste, foi ajudado a construir com S. Cirilo e S. Metódio, como tão bem escreveu João Paulo II.

Quer queiramos quer não, apesar do arco-íris que nós, Europeus, sempre fomos e somos, a matriz cristã da Europa parece não merecer muitas dúvidas. Mas, e este projecto Europeu riscado pelas instâncias da União Europeia, quer colocar o Cristianismo como apenas um dos muitos elementos que imprimem a identidade do continente branco.

Como cristãos, não podemos deixar de pensar a Europa com os valores gravados nas páginas dos Evangelhos e na longa e profunda tradição da doutrina social da Igreja. Isto não vai excluir ninguém, não vai permitir fechar portas a quem cá está ou cá pretender entrar, não vai catalogar as pessoas em cidadãos de primeira e de segunda. É exactamente o contrário o que um projecto europeu de matriz cristã poderá fazer: os valores cristãos exigem fraternidade universal, abertura aos outros, sensibilidade aos mais pobres. Há que combater todas as discriminações, enterrar, de uma vez por todas, o racismo e a xenofobia, há que investir em sociedades marcadas pela integração dos mais pobres e excluídos, há que proteger o ambiente para que esta terra seja a casa comum de todos, habitável e nos garanta o pão de cada dia.

Quero continuar a pensar uma Europa que, ultrapassado o tempo do colonialismo, se torna continente irmão de todos os outros, colaborando, na medida das suas possibilidades, na construção de uma mundo que quer ver atingidos os oito objectivos do milénio para o desenvolvimento.

Uma Europa aberta ao mundo, onde todos possam entrar e sair, é um sonho que as leis não permitem que se transforme em realidade. Mas é a Europa dos meus sonhos e não vou desistir dele. Tudo isto em nome das minhas convicções, em nome do Evangelho em que acredito, perla fraternidade que ele testemunha e constrói.»




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terça-feira, 12 de maio de 2009

Isenção na comunicação

O desenvolvimento rápido dos meios de comunicação permite-nos uma partilha cada vez maior de experiências, de saberes e de culturas. A sociedade da informação marca o ritmo de vida das pessoas e comunidades e influencia a tomada de decisões e a escolha dos indivíduos. Mas até que ponto é que podemos falar de uma comunicação isenta de quaisquer interesses políticos, religiosos, sociais ou de outra ordem qualquer?

José Luís Ramos PinheiroA 3 de Maio comemoramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Numa sociedade profundamente marcada pela facilidade e rapidez de comunicação, a imprensa assume um papel fundamental na difusão do saber e do conhecimento em geral. Por isso, é essencial que os meios de comunicação sejam isentos aos mais diversos níveis.

Para nos falar sobre a “Isenção na Comunicação”, o Luso Fonias de 2 de Maio contou com a presença em estúdio de José Luís Ramos Pinheiro, jornalista da Rádio Renascença.




Na opinião do P. Tony Neves:

«A notícia deveria ser a informação mais objectiva que alguém pudesse dar a outra pessoa, sem introduzir nenhum elemento pessoal. É assim que se aprende nas Universidades quando se tira o Curso de Jornalismo. Mas, verdade seja dita, a objectividade pura não existe porque a própria selecção do que se diz e do que se não fala já transparece uma escolha pessoal. Por isso, o importante é a convicção de que devemos ser o mais isentos possível. E mais: é fundamental que nunca dêmos informações para delas tirar proveitos, um oportunismo que não é aceitável e, por isso, os códigos de ética o reprovam.

Passando de lindas teorias às práticas que se fazem, é triste o cenário da comunicação á escala do mundo. A lógica dos interesses passa por cima de toda e qualquer moral. Em muitas situações, sobretudo onde a liberdade de imprensa é apenas palavra escrita, os jornalistas ou alinham na propaganda de quem manda ou então têm a sua cabeça a prémio. Não é por acaso que, ano após ano, as listas de jornalistas assassinados no cumprimento da sua missão se equipara ao dos missionários mártires. Um caso que dá que pensar no que ao alto risco destas missões diz respeito. Uma comunicação social livre e isenta torna-se imagem de marca de um país democrático. Mas, mesmo em contexto de democracia há que estar atento pois as tentativas de manipulação (mais ou menos discretas) serão sempre uma constante. Se o poder político deixa em paz relativa os jornalistas, atacam os poderes económicos e entre as duas forças de manipulação venha o diabo e escolha. Ambas são péssimas para as populações.

Aprofundados os princípios democráticos há condições para que nasça uma comunicação social plural, mas assente no serviço à verdade, à paz e à justiça. Com estes valores de fundo, a missão da comunicação será fundamental. A democracia agradece-lhe.»



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terça-feira, 14 de abril de 2009

Como sensibilizar para o Desenvolvimento?

Nos próximos dias 28 e 29 de Abril realiza-se a segunda edição dos Dias do Desenvolvimento, uma iniciativa do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), uma iniciativa do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento que procura dar a conhecer à sociedade em geral as várias organizações e iniciativas nacionais nesta área. Este ano o programa é marcado pelos temas do Combate à Pobreza, das Energias Alternativas e Desenvolvimento Económico e Sustentável, Gestão dos Recursos e Respeito pelo Meio Ambiente, Saúde e Desenvolvimento Humano entre outros.

O Luso Fonias entrevistou o Professor Manuel Correia, Presidente do IPAD, que nos falou deste evento em particular e da temática do Desenvolvimento em geral.



Na opinião do P. Tony Neves:

O desenvolvimento é decisivo para o presente e o futuro dos povos, sobretudo dos mais pobres. Daí a habitual e mais que lógica ligação entre o desenvolvimento e o combate à pobreza, sob todas as formas em que ela se esconde ou se mostra.

Portugal acolhe, a 28 e 29 deste mês de Abril, a 2ª edição dos Dias do Desenvolvimento. É apenas mais um pretexto para trazer à agenda dos políticos e meios de comunicação social este tema que merece estar sempre debaixo das luzes da ribalta, para não ser esquecido. Sensibilizar para o desenvolvimento é questão de vida ou de morte para muita gente por esse mundo além, o nosso mundo.

A cooperação entre povos é, talvez, a arma mais poderosa que se criou para combater a pobreza e dar corpo a um desenvolvimento sustentado dos países com mais dificuldades em ganhar lugar no concerto dos povos. Mas – há que denunciar com clareza – as promessas feitas pelos países ricos de atribuir 0,7º do seu pib para apoiar países em desenvolvimento ficaram sem cumprimento. Nem os mais ricos cumprem esta promessa e, por isso, o desenvolvimento de muitos povos continua a ser só uma miragem.

Na mesma linha, há que gritar bem alto que os objectivos do milénio para o desenvolvimento não podem morrer como santos propósitos dos ricos, proclamação de ocasião no momento da viragem do milénio. Parece cínico, mas é verdade: os ricos prometeram reduzir a pobreza do mundo para metade até 2015 e, mais de metade do tempo já passou e a pobreza não diminui...Algo está mal na vida dos senhores que mandam no mundo. Então não parece humanamente importante erradicar a pobreza extrema e a fome, atingir o ensino básico universal, promover a igualdade entre os sexos, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a Sida, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental?

Estamos à espera de quê para transformar o mundo na casa de todos?



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Educação para a Mudança

A educação é um factor fundamental para a mudança e para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Na Guiné-Bissau, a Fundação Evangelização e Culturas bem como outras Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento em parceria com diversos organismos estatais portugueses e guineenses, têm desenvolvido diversos projectos no âmbito da educação com vista a promover um desenvolvimento justo e sustentável.

O Luso Fonias desta semana contou com o apoio da Rádio Sol Mansi da Guiné-Bissau que entrevistou o Dr. Huco Monteiro, ex-Ministro da Educação da Guiné-Bissau e actual membro da equipa de avaliação do impacto da Cooperação Portuguesa na área da educação, e a Irmã Beti, responsável pelas escolas de auto-gestão do Oio nas quais a Fundação Evangelização e Culturas teve uma intervenção directa.



Na opinião do P. Tony Neves:

A educação parece estar em crise. E nem sequer parece ser um problema localizado. É geral, porque a globalização a tanto obriga. Assim, por onde quer que passeemos os olhos, sobretudo nos sites da Internet, verificamos que as lutas estudantis, as greves dos professores, as queixas dos encarregados de educação vão acontecendo um pouco por todo o mundo como sinal claro de que algo anda mal no mundo da educação.

Há mudanças importantes a fazer. Antes de mais, é urgente voltar a valorizar as humanidades. Tempos houve em que estudar filosofia, literatura, história era fundamental para uma formação académica superior. Pouco a pouco, o lado prático da vida impôs-se e, com esta mentalidade, optou-se por investir em áreas que davam acesso directo a empregos bem pagos. O caso mais claro é o das informáticas que, com umas pitadinhas de matemática e muita tecnologia à mistura, atingiam o objectivo de bem manipular com os computadores e, desta forma, garantir salários chorudos e a convicção de ajudar a mudar o mundo sem compreender as pessoas, a sua vocação e a sua missão de construtores de uma terra marcada pela justiça e pela realização das pessoas que a povoam.

A Escola parece não estar hoje á altura de uma instituição que deveria formar técnicos e cidadãos. A transmissão clássica dos saberes, num tempo marcado por muita informação e pouco conhecimento processado, torna-se, para a Escola, missão quase impossível. Algo tem que mudar e depressa. Quando as instituições não respondem, é preciso ter a coragem de analisar bem as questões e encontrar caminhos que lhes dê respostas.
A educação mantém-se um desafio enorme para o mundo de hoje. Não parece apontar caminhos de futuro uma escola que apenas debita informação, esquecendo a dimensão humanista. O mundo parece farto do bombardeamento de notícias e dados que, não sendo processados, aumentam o stress mas não melhoram a humanidade.

Mudar é urgente. Há que repensar a escola, em todas as etapas. Há que ajudar as instituições clássicas a reequacionar o seu papel social. A Educação tem de continuar a exercer a sua missão altíssima de ajudar a construir cultura, ciência e cidadania. Uma escola que não passe por aqui não é um valor acrescentado á humanidade.



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Páscoa: um Tempo de Esperança

A Páscoa é um tempo de esperança. Numa altura em que a palavra “crise” está tão presente no nosso quotidiano eis que surge novamente a surpresa da Páscoa e que nos impele a um dinamismo de esperança.

O Luso Fonias procurou perceber como é que esta esperança se traduz em acções concretas. Para isso falámos com Sérgio Cabral dos Leigos Boa Nova, um grupo de voluntários cristãos, membros da Obra Missionária de Acção Social, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que lançou recentemente o projecto “Age(nda) a partir de ti!”.



Na opinião do P. Tony Neves:

Ano após ano, celebrar a Ressurreição é um desafio a que é preciso dar resposta de qualidade. O cristianismo é uma religião que tem um rosto: Jesus Cristo. O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus veio recordar-nos quatro coisas importantes: a palavra de Deus tem uma Voz: a Revelação de Deus à humanidade; a palavra de Deus tem uma casa: a Igreja, assente em quatro colunas (ensinamento dos Apóstolos, oração, fracção do pão e comunhão fraterna, como nos lembra o livro dos Actos dos Apóstolos); a palavra de Deus tem caminhos próprios: a Missão; a palavra de Deus tem um rosto: Jesus Cristo Ressuscitado. Diz a mensagem final deste Sínodo: ‘Cristo vive a existência fatigante da humanidade até à morte, mas ressurge e vive para sempre. Ele é quem faz que seja perfeito o nosso encontro com a Palavra de Deus. Ele é quem nos revela o sentido pleno e unitário das Sagradas Escrituras, pelas quais o Cristianismo é uma religião que tem no centro uma pessoa, Jesus Cristo que, na Páscoa vence todas as formas de morte e nos envia pelos caminhos do mundo a anunciar a boa notícia de que a Vida vence sempre que nós vivemos de acordo com os planos de Deus.

Ao dar uma volta ao mundo com o nosso olhar, ajudados pelos meios de comunicação social, percebemos como a Páscoa ainda está, em muitos contextos, em lista de espera, pois as forças da morte andam á solta e têm nomes próprios: guerra, fome, pobreza extrema, violência, desemprego, falta de habitação condigna, analfabetismo...
Celebrar a Páscoa obriga a reunir condições para cantar a vida. Muitas comunidades cristãs, por esse mundo além, vão mostrar na alegria dos seus rostos que a Quaresma valeu a pena e que o jejum e a oração mais intensos desembocaram numa conversão mais efectiva e numa solidariedade mais fraterna.

Neste ano em que olhamos, com uma ternura especial para o grande anunciador da Páscoa de Cristo, o missionário S. Paulo, desejo a todos os ouvintes uma Santa Páscoa.



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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Como travar a tuberculose?


A 24 de Março comemorou-se o Dia Mundial da Tuberculose, uma celebração que pretendeu sensibilizar a população, a nível mundial, para uma doença que apesar de já ter tratamento ainda continua a causar a morte de vários milhões de pessoas por ano, principalmente nos países mais pobres.

Foi o tema da "tuberculose" que serviu de mote ao Luso Fonias de 4 de Abril, onde pudemos contar com a presença do Dr. Teles de Araújo, da Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias




Na opinião do P. Tony Neves:

A tuberculose continua a ser, por esse mundo além, uma doença que nos envergonha. Como a malária, por exemplo. Devíamos, como humanos, cobrir a cara de vergonha porque, na maioria dos casos, a tuberculose não devia matar. Mas são milhares, todos os dias, as vítimas desta doença. A razão principal está na pobreza das pessoas que a contraem e que não têm meios para a combater. E morrem. E transmitam-na. E a pobreza degenera em miséria. E nós cruzamos os braços, sem fazer nada, ou quase. Resignámo-nos. Achamos que tem que ser. E ela continua a avançar e a fazer vítimas nas fileiras das populações mais excluídas.

Acompanhou o mundo todo a polémica levantada pela afirmação de Bento XVI de que a mera distribuição de preservativos ás mãos cheias não resolvia o problema da Sida. E quase todos esfolaram vivo o papa por ter estas afirmações consideradas atentado à vida. Nessa altura, perguntei onde andavam essas multinacionais dos preservativos e esses ministérios da saúde do norte e do sul, de mãos dadas no combate à sida e que se esqueciam de que há doenças mais mortais e mais fatais, como, por exemplo, a tuberculose e a malária, que quase ninguém ousa combater porque não são doenças ideológicas nem de ricos. Todos os que andamos pelos interiores pobres de África sabemos que o único problema é a pobreza. Os outros (e são graves) derivam desta. Por isso, não há que dar curvas se queremos atalhar bem os problemas e encontrar soluções à altura dos dramas que eles provocam.

Combater a tuberculose é uma questão delicada mas não uma missão impossível. Há que ajudar as pessoas a proteger-se com uma alimentação sadia e algumas condições de vida. Depois, se a doença vier, há que ter à mão os medicamentos adequados a este combate que, no Hemisfério Norte têm tido um alto índice de sucesso. Aqui também há mortos por tuberculose, mas, regra geral, atinge as camadas mais pobres e marginalizadas das populações. Ou então, vitima os que deixam a doença avançar demais, por incúria ou convicção de que ‘vai passar’.

A luta por mais e melhor saúde no mundo não pode ser ideológica nem interesseira. Temos que nos dar as mãos para que a tuberculose e outras doenças dos pobres sejam erradicadas. A todo o preço e a bem de todos.»




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