sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Escola Multicultural


No LusoFonias de hoje vamos reflectir sobre a "Escola Multicultural". Vamos procurar saber como se pode educar para a diversidade e como fazer da escola um lugar de encontro de culturas.

Fique na nossa companhia e ouça a entrevista à Professora Isabel Paes do Gabinete de Educação e Formação, do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI).



Na opinião do P. Tony Neves:


«A celebração do Dia Internacional da Alfabetização é um excelente pretexto para reflectirmos sobre o papel da Escola num tempo marcado pela diversidade cultural. Os tempos da globalização, como se costumam chamar os nossos, exigem uma nova escola, pois lançam enormes desafios à educação de todas as gerações, a começar pelas mais novas.

Em cidades maiores, encontramos escolas que têm crianças e jovens provenientes de diferentes países, raças, cores ou etnias. Será que a sociedade está atenta a esta diversidade e tem encontrado respostas aos desafios que a diferença cultural coloca?
É urgente a promoção de um espírito académico que abra as portas a uma escola multicultural, onde não aconteça como no futebol em que há uma equipa que joga em casa e outra que joga fora, numa lógica desigual de ‘visitados contra visitantes’. Na escola, os alunos devem sentir-se todos em casa, mesmo que alguns possam ter acabado de chegar do outro canto da terra.

Esta nova maneira de olhar e organizar a educação tem de responder bem a diversas perguntas, de acordo com os intervenientes neste processo educativo. Ou seja, para que a escola seja multicultural, os alunos têm de saber o que isso implica, os professores têm que saber leccionar segundo este espírito, todos os funcionários devem entrar nesta onda... De mãos dadas e visando um objectivo comum, a comunidade académica consegue ajudar a construir uma sociedade onde todos crescem juntos, transformando a diversidade em riqueza que a todos faz crescer em humanidade e fraternidade sem fronteiras.

Numa época em que, na Europa, os estudantes regressam á escola após longas férias, este é um tempo oportuno para olhar a educação com olhos de futuro e de abertura aos tempos que correm. Noutras paragens onde o ano escolar caminha para o fim, é tempo de avaliar o percurso feito e de ajustar o que ainda não foi conseguido para que a terra se transforme na casa comum de todos.»




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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Projectos de Esperança


Durante este tempo de férias, são muitos aqueles que partem em diversos projectos de missão. Fazem-no na certeza de que o pouco que podem dar do seu tempo, pode ser essencial para transformar a vida daqueles que continuam a enfrentar graves dificuldades no seu dia-a-dia. Desta forma, a esperança de um futuro diferente torna-se presente em rostos concretos, em atitudes de mudança, em projectos de cooperação.

Para nos falar sobre “Projectos de Esperança”, mote da campanha “Agir para Desenvolver” lançada pela Fundação Evangelização e Culturas, o LusoFonias de hoje conta com a participação da Ana Patrícia Fonseca, responsável pela Plataforma do Voluntariado Missionário da Fundação e com Mário Nogueira, Director da Associação Mãos Unidas – Pe. Damião, responsável por um dos projectos que esta campanha apoia.



Na opinião do P. Tony Neves:


«O desenvolvimento verdadeiro – diz Bento XVI no seu último documento social – tem de ser integral. Ou seja, tem de atingir todas as pessoas do mundo e todas as dimensões da pessoa, sem esquecer a espiritual e moral.

A Igreja católica, através das suas instituições, tem combatido a fome, a pobreza, a falta de acesso aos cuidados de saúde, a impossibilidade de ir á escola. E cumpre esta missão apostando num desenvolvimento integral. A Fundação Evangelização e Culturas, actuando nesta linha, avançou com a campanha ‘Agir para desnvolver. Projectos de esperança’ contando com o apoio financeira de empresas, instituições e pessoas particulares a fim de levar por diante a concretização de 10 projectos de desenvolvimento.

Assim, Moçambique, Angola, Portugal, Timor –Leste seriam os países de concretização desses projectos de desenvolvimento e solidariedade. As áreas de intervenção também são plurais. O ensino é a aposta de metade destes projectos, quer na formação de formadores educativos, na construção e equipamento de bibliotecas e espaços lúdicos, na construção de internatos que permitam acolher crianças e jovens que, desta forma terão acesso á escola. A saúde também tem lugar de relevo com a criação de espaços onde se forma para a higiene, segurança alimentar, questões ambientais, puericultura, campanhas contra o HIV /Sida. Há ainda lugar para a construção de uma padaria e uma moagem, para uma aposta nas novas tecnologias da comunicação, tudo isto ao serviço de uma economia local sustentável e social.

O desenvolvimento é o novo nome da paz e a garantia de futuro para muitas pessoas que parecem estar fora de uma caminho de felicidade e de bem-estar.

Com projectos deste género, a esperança volta a ganhar lugar cativo no jogo da vida feliz.»




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Escravos do século XXI


Em pleno século XXI, são muitas as pessoas que não sabem o que é a liberdade e continuam a viver sob o drama da escravatura. Já com 60 anos de existência, a Declaração Universal dos Direitos do Homem continua a ser um projecto por realizar, também ele preso por interesses que violam a dignidade do ser humano.

Para nos falar sobre a escravatura nos dias de hoje, o LusoFonias conta com a participação do Director Executivo da Amnistia Internacional em Portugal, Dr. Pedro Krupenski.



Na opinião do P. Tony Neves:


«A escravatura, por esse mundo além, continua a fazer vítimas. Dizemos nós que ele já foi abolido há muito tempo, mas refinou-se e ganhou novas formas, algumas delas muito bem disfarçadas.

Aproveitando a onda da oportunidade, vou referir algumas citações do último documento social do Papa Bento XVI, ‘Caridade na Verdade’, onde ele apresenta algumas situações que constituem uma escravatura e exigir imediata libertação.

‘O desenvolvimento humano tem por objectivo fazer sair os povos da fome, da miséria, das doenças endémicas e do analfabetismo’ (CV, 21). Mais adiante, Bento XVI denuncia: ‘cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres, alguns grupos gozam de uma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora. Continua o escândalo das desproporções revoltantes’ (CV, nº22).
O Papa ainda ataca a exagerada mobilidade e desregulamentação do trabalho que faz com que muitas pessoas vivam a angústia da insegurança do seu emprego e, como consequência, o risco permanente de não poder reunir as condições mínimas para sustentar a sua família, criando enorme instabilidade.

Diz o Papa mais à frente: ‘Em muitos países pobres, continua – com o risco de aumentar – uma insegurança extrema de vida, que deriva da carência da alimentação. A fome ceifa ainda inúmeras vítimas’ (CV, 27).

Sobre a violência, que gera morte, pobreza, insegurança e instabilidade, o Papa afirma: ‘As violências refreiam o desenvolvimento autêntico e impedem a evolução dos povos para um bem-estar sócio-económico e espiritual maior’. Há ainda uma condenação clara do terrorismo e do fanatismo religioso.

Voltando ao problema da pobreza, o Papa alerta para o facto dela minar a coesão social e pôr em risco da democracia, onde ela já existe.

Enfim, em pleno século XXI, a escravatura mantém-se com outros nomes: pobreza, injustiça, fome, terrorismo, doenças endémicas, analfabetismo, subdesenvolvimento, trabalho precário…. Estas e outras formas de escravatura exigem luta por uma libertação. Há que trabalhar pelas pessoas e pelo direito que têm a ver a sua dignidade respeitada.»




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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Educar para a Cidadania


Todos sabemos da importância da educação para a construção e definição da personalidade de qualquer pessoa. Por isso, numa sociedade cada vez mais global e mais exigente, torna-se urgente fomentar junto das camadas mais jovens, um verdadeiro sentido de cidadania, que promova o bem comum e crie as bases necessárias a um desenvolvimento sustentável e equilibrado.

Para nos falar sobre cidadania à escala global, e de como é possível promovê-la junto dos mais jovens, o LusoFonias conta com a participação de Ricardo Santos, um dos responsáveis pela Associação Ad Gentes, uma ONGD ligada aos Leigos Missionários da Consolata que desenvolveu o DEL8, um concurso destinado a todos os alunos do ensino secundário e que procura dar a conhecer os Objectivos do Milénio.



Na opinião do P. Tony Neves:


«A celebração do Dia Internacional da Juventude, a 12 de Agosto, proporciona uma reflexão actual sobre a cidadania e a educação que ele exige nos tempos que correm.

As novas gerações parecem não ter lugar cativo nos dinamismos das sociedades hoje. Basta olhar para o panorama do emprego para concluir facilmente que os jovens só podem ir ocupando os poucos lugares que os adultos, por doença, morte ou reforma vão deixando livres. Também a política parece ser para gente adulta. Nota-se, talvez por estas e outras razões, que os jovens se vão alheando, pouco a pouco, dos seus compromissos de cidadãos intervenientes e responsáveis. Percebe-se que muitos não votam. A sua intervenção em organizações cívicas também não é muito forte. A pertença a grupos de solidariedade também não cativa muitos jovens. Enfim, olhamos para as escolas e universidades e ficamos um pouco assustados com a falta de motivação, o insucesso. Olhamos para os indicadores da vida social e preocupámo-nos com o aumento da violência e da instabilidade social, aí sim, com um forte colaboração das gerações mais novas.

Como educar para a cidadania? É talvez a pergunta mais importante que hoje se pode colocar à sociedade em geral e aos jovens em particular. Há que formar para os valores que devem cimentar as sociedades e estruturar a vida das pessoas. Há que investir na solidificação de perspectivas de vida que assentem sobre a liberdade, a justiça, a paz, a tolerância, o respeito pelos direitos humanos. Há que aproximar as pessoas para que se sintam irmãs e se ajudem mutuamente. Bento XVI, no seu último documento social, diz: ‘A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos’. Falta, muitas vezes, a fraternidade entre povos e pessoas.

A educação para a cidadania deve comprometer mais os jovens em projectos sociais e de desenvolvimento. Há muitas Organizações que realizam projectos de solidariedade, contando com o apoio e o envolvimento dos jovens. Ser cidadãos do mundo obriga a partir ao encontro de quem mais precisa, com esta convicção de que a terra é grande, mas somos todos irmãos.»




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Saber comer - o papel da Família na alimentação


Uma alimentação saudável está na base de um crescimento equilibrado das nossas crianças. No entanto, na correria do dia-a-dia nem sempre se consegue ter tempo e disponibilidade para preparar uma refeição completa que vá ao encontro das necessidades básicas. E em tempo de crise, aumenta exponencialmente o número de famílias que não dispõem de recursos financeiros suficientes para darem aos seus filhos os alimentos mais simples e mais necessários.

Para nos falar sobre como se deve comer e qual o papel da família na alimentação, o LusoFonias conta com o contributo de Luís Santos, Secretário da Direcção da Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos de Portugal.



Na opinião do P. Tony Neves:


«Perdi sete quilos nos últimos seis meses. Para boa parte dos europeus e de outros ricos deste mundo, o que me aconteceu seria uma graça enorme. Só que eu já estava magro e assim fiquei pior. Mas uma parte da humanidade tem problemas sérios de saúde porque come demais e está obesa.

Não é por acaso que os meios de comunicação social falam hoje muito de alimentação. Propõem dietas saudáveis, denunciam a chamada ‘comida de plástico’, tentam educar as pessoas para uma alimentação que não peque nem por excesso nem por defeito. Isto, entre os mais ricos das nossas sociedades.

Entre os mais pobres e acerca deles, o discurso é outro. A fome continua a fazer razias por esse mundo além. A subnutrição é um problema muito sério com consequências desastrosas a todos os níveis. Quando o dinheiro não chega para a comida, muito menos será suficiente para permitir ir à escola, ter uma casa condigna. As desgraças andam sempre todas juntas.

A família desempenha um papel decisivo nas questões alimentares. Tal acontece em caso de abundância como em caso de penúria. Há que investir na educação para a alimentação. Temos que evitar, a todo o custo, que haja desperdícios de comida em casa de quem tem demais e haja fome em boa parte das mesas da humanidade. O saber comer é uma arte que pode revolucionar o mundo, permitindo mais partilha e solidariedade. Provam as estatísticas que a fome não é fruto da falta de alimentos. É, antes, o resultado da sua péssima distribuição, pois enquanto uns esbanjam outros morrem pela sua falta.
Criemos, pela educação, mais justiça distributiva e todo o mundo estará melhor. Sobretudo, todos nos sentiremos mais irmãos.»




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Saúde Materna


Foi lançado recentemente o último relatório da UNICEF que nos dá conta da Situação Mundial da Infância 2009. De acordo com este documento, continuam a verificar-se um pouco por todo o mundo inúmeras situações onde a dignidade do ser humano é colocada em causa. Na sua fragilidade, são as crianças as primeiras a sentir os efeitos das guerras, das doenças, da fome e de outros dramas que continuam a fazer parte do dia-a-dia de tantos países.


Para nos falar sobre os resultados deste relatório e nos explicar o porquê da humanidade continuar a viver dramas como este, o Lusofonias de hoje conta com a participação da Dra. Helena de Gubernatis do Comité Português para a UNICEF.



Na opinião do P. Tony Neves:


«A saúde materna é uma das grandes conquistas dos últimos tempos, á escala do mundo. Conseguir acompanhar a maternidade, corrigir alguns problemas de saúde que surjam durante a gravidez, ter condições para um parto excelente (normal ou por cesariana) e acompanhar os primeiros tempos da criança nascida... é o que quase todas as mulheres conseguem fazer bem nos contextos onde as economias estão de saúde. Uma das consequências positivas é o facto de quase já não haver mulheres a morrer de parto e da maioria absoluta das crianças sobreviverem aos primeiros anos de vida.


O problema é que isto não acontece assim em todo o mundo. Em muitos países, o estado da Saúde ainda é muito grave, as condições de vida das pessoas são más e os cuidados a que as grávidas têm acesso são quase nulos, com consequências desastrosas: elas não são acompanhadas, os partos são tradicionais, as vacinas quase não existem e, como consta no último relatório da UNICEF sobre o estado da infância no mundo, ainda há muitas mulheres que morrem de parto, muitas crianças que não resistem aos primeiros anos de vida, por falta de condições.


‘Mais justiça’ à escala do mundo é uma exigência de humanidade. Não faz sentido que haja cidadãos de primeira e de segunda, que uns tenham tudo e outros quase nada. Bento XVI, na sua encíclica social, fala de um desenvolvimento humano integral que atinja todas as dimensões da vida das pessoas e chegue a todos. Daí que ‘os povos da fome continuem a dirigir-se hoje, de modo dramático, aos da opulência’, a clamar por mais justiça. Diz ainda o Papa que o subdesenvolvimento tem como causa a falta de fraternidade entre os povos.


Apostar na melhoria de condições de vida aos mais pobres é a forma mais óbvia de melhorar a saúde materna e infantil. Assim se prepara um futuro saudável e com vida.»


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As Crianças e os Media

Dra. Manuela Botelho, Associação Portuguesa de Anunciantes
Os meios de comunicação social estão presentes no nosso quotidiano desde tenra idade. Os mais novos passam cada vez mais tempo a ver televisão ou a usar a internet. Assim, também eles são alvo das várias estratégias da publicidade. Neste sentido, torna-se necessário formar as camadas mais jovens para lhes fomentar um espírito crítico em relação a toda a informação que lhes é transmitida.


Para nos falar sobre a importância da publicidade na vida das crianças e de como é possível educar o seu espírito crítico, o LusoFonias conta com o contributo da Dra. Manuela Botelho, Secretária Geral da Associação Portuguesa de Anunciantes, responsável pelo Programa Media Smart, um programa de literacia sobre a publicidade destinado a crianças.



Na opinião do P. Tony Neves:


«As crianças, hoje, na Europa, até parece que já nascem a mexer em máquinas. Muitos brinquedos são simulações de telemóveis, de Play-stations, de ipods e outras maquinarias que provam que o mundo vive numa era de comunicações. Depois, quando entram no primeiro ciclo começam a ter acesso aos computadores, com o famoso ‘Magalhães’ a dar uma ajudinha. Isto já para não falar da televisão que todos têm nos quartos, com um bom leitor de DVD que permite ver, dia e noite, os melhores filmes de banda desenhada. Daí que todos conheçam e adorem o Noddy, o Bob Construtor, o Shreck e toda a antiga equipa da Disney, da família do Tio Patinhas.
Hoje, os peritos em educação questionam-se acerca do real impacto dos médios de comunicação sobre as crianças. Até que ponto ajudam a construir a personalidade e cimentam valores de humanidade nas novas gerações.


Há ainda o problema sério do impacto da publicidade nas crianças. Percebemos que muitos dos reclames estão direccionados para elas e são feitos de tal maneira que os pais têm dificuldades de negar aos filhos o que a publicidade propõe que se compre ou se use.


Daí que, em nome de uma educação sadia e integral, há que investir muito na educação para a utilização dos media por parte das crianças. È bom que elas cresçam na aprendizagem destes meios, mas também é necessário que se saibam defender das suas investidas. E quando acontece que gente mafiosa usa as novas tecnologias da comunicação para assediar e, como consequência, surgiram casos de abuso sexual e mesmo de morte, aí há que encontrar formas dos pais poderem acompanhar melhor a utilização perigosa destas tecnologias por parte dos mais novos.


Que os media têm uma grande capacidade de ajudar a crescer e educar ninguém tem dúvidas. Mas que trazem alguns perigos á mistura, também é certo, e, por isso, é urgente aliar incentivo e cautela, para potenciar tudo quanto é positivo e afastar tudo quanto estraga o futuro das nossas crianças.»


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terça-feira, 21 de julho de 2009

A criatividade como motor de desenvolvimento

Prof. António Câmara
O presente ano foi nomeado como o Ano Europeu da Criatividade e da Inovação. Em ambiente de crise, torna-se urgente para qualquer sociedade encontrar soluções criativas que impulsionem a economia e que vão ao encontro das necessidades das pessoas. Por isso, o Lusofonias de hoje procura compreender a importância da criatividade no contexto do desenvolvimento global.

Para nos falar sobre este tema, o LusoFonias conta com o contributo do Professor António Câmara, Professor Universitário e Director Geral da Y-Dreams.



Na opinião do P. Tony Neves:


«Bento XVI acaba de publicar um documento importante sobre o desenvolvimento. Ouso destacar algumas das passagens mais significativas:

‘O amor é uma força extraordinária que impele as pessoas a comprometerem-se, com coagem e generosidade, no campo da justiça e da paz’.

‘Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência de justiça e de caridade’.

‘Ama-se tanto mais eficazmente o próximo quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidades reais’.

‘O desenvolvimento autêntico deve ser integral, quer dizer, deve promover todos os homens e o homem todo’.

A cauda principal do ‘subdesenvolvimento é a falta de fraternidade entre os homens e entre os povos. A sociedade, cada vez mais globalizada, torna-nos vizinhos mas não nos faz irmãos’.

O objectivo principal do desenvolvimento era, para Paulo VI, fazer sair os povos ‘da fome, da miséria, das doenças endémicas e do analfabetismo’. Hoje, em muitos países pobres, ‘a fome ceifa ainda inúmeras vítimas Eliminar a fome no mundo tornou-.se, na era da globalização, também um objectivo a alancar para precaver a paz e a subsistência da terra’.

‘Na época da globalização, a actividade económica não pode prescindir da gratuidade que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum, em seus diversos sujeitos e actores’ – escreveu Bento XVI nesta encíclica social.

Em tempo de crise económica e financeira, o desenvolvimento, para que seja humano e integral, tem de assentar sobre valores de fundo: a justiça e o bem comum. A criatividade é exigida para que as boas teorias sem convertam em práticas que construam mais solidariedade e fraternidade. Bento XVI aponta caminhos. Há que percorre-los.»


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Jogos da Lusofonia

Dr. João Ribeiro
O desporto sempre foi ao longo da história, um espaço de encontro entre povos e culturas. Para além da competição que marca os ambientes desportivos, testemunhamos também a alegria e o entusiasmo que as diversas modalidades criam, quer entre atletas, quer em todos aqueles que directa ou indirectamente participam nas grandes festas do desporto mundial.

Para nos falar da importância do desporto no espaço lusófono, o LusoFonias de hoje conta com o testemunho do Dr. João Ribeiro, Director Executivo da Organização dos Segundos Jogos da Lusofonia.



Na opinião do P. Tony Neves:


«Lisboa acolhe, de 11 a 19 de Julho, os 2º Jogos da Lusofonia. O lema diz tudo ou quase: ‘A união é mais forte que vitória’, sugerindo aos participantes muito fair Play e capacidade de aproveitar esta oportunidade para conhecer mais e melhor pessoas que falam a sua língua, a nossa.

O desporto é, com estes Jogos, colocado ao serviço de mais comunhão. Necessitamos, enquanto lusófonos, de nos conhecermos melhor e, para tal, é urgente que nos encontremos mais, que nos abracemos como irmãos, que partilhemos a riqueza da nossa diversidade.

O espaço lusófono é um arco-íris de povos e culturas onde a língua oficial comum e alguns períodos da história nos aproxima. É verdade que na relação entre todos nem sempre o respeito foi o valor mais vivido. Mas, lavada a história e purificada a memória, há que ver os aspectos positivos e as portas que se abriram. Esta, a de uma comunhão mais forte, pode e deve ser capitalizada por todos.
Antes de mais, queria saudar a organização pela iniciativa. É verdade que estamos em crise e custa dinheiro lançar um projecto destes. Mas é importante que a crise não nos feche e nos ponha a rodar á volta do nosso umbigo enquanto esperamos melhores dias. Valores como o da comunhão e da partilha fraterna merecem todo o nosso investimento.

Há uma aposta clara no fair-play, valor que parece estar cada vez mais arredado dos meios desportivos, a medir por eventos tristes dos últimos tempos. Neste Jogos, o ganhar não é essencial, como bem diz o lema, pois a união é mais forte que a vitória.
Este evento pode aproximar mais povos e culturas que a geografia afasta. O desporto pode ser um excelente elo de união pois, independentemente das raças, culturas ou distâncias geográficas que nos separem, todos sabemos jogar futebol, basquete, voleibol e muitas outras modalidades que fazem parte do programa destes 2ºs Jogos da Lusofonia.

Num vídeo que se vê no youtube, Inês Barroso deixa um depoimento que faz reflectir. Coloca o desporto ao serviço de mais união e formula um voto final: ‘que todos saiamos mais ricos como seres humanos’. Faço meus estes votos, em nome de uma sã e frutuosa lusofonia, capaz de construir pontes entre povos e culturas que se exprimem na língua portuguesa.»



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Cultura e Cooperação

Dra. Margarida Abecassis
A Lusofonia é um espaço muito rico em termos culturais. Numa mesma língua encontram-se povos geograficamente distantes e com costumes bastante diversificados. Esta pluralidade uma partilha e um cruzamento de experiências e saberes que favorece e promove o desenvolvimento à escala global.

Para nos falar de cultura no espaço lusófono, o LusoFonias de hoje conta com a presença Dra. Margarida Abecassis da Fundação Calouste Gulbenkian.





Na opinião do P. Tony Neves:


«Quem percorre um pouco o espaço lusófono percebe, imediatamente, que há muito que nos une, mas também é fácil de entender que há traços culturais que carimbam a identidade de cada um dos nossos povos. E mais: dentro de cada país há expressões culturais que são típicas de cada região ou etnia.

Ora, o facto de termos muito em comum aproxima-nos e cria laços que nos unem. Mas a grande riqueza está na partilha da diversidade e, nesse aspecto, a cultura constitui um valor acrescentado para todos.

Fico sempre fascinado com as danças de ritmos africanos. Pelo movimento, pela expressão corporal, pelo colorido, pela alegria. Ora, esta dimensão cultural devia ser mais valorizado no resto do espaço lusófono. E dei apenas um exemplo entre os muitos que poderia ter escolhido. O teatro é outra das formas de arte onde a diferença de representação é enorme de país para país. Recordo sempre como em contexto de guerra e de falta de liberdade de expressão, os jovens de Angola partilhavam as suas angústias e manifestavam as suas convicções através de representações muito divertidas, mas, ao mesmo tempo, muito sérias, com avisos claros a quem mantinha uma guerra cruel.

No que diz respeito á literatura, gosto muito de ler autores lusófonos e é impressionante constatar a diferença entre os autores, no que diz respeito às histórias que contam, às personagens que escolhem, às paisagens que descrevem, às palavras que utilizam. Tudo pode e deve constituir uma grande riqueza.
E podemos falar até já de cinema ou documentários, pintura (Vieira da Silva não pinta com as mesmas cores do Malangatana...), escultura, etc.

Dada a importância da cultura como alma de um povo e porque a partilha enriquece todos, seria importante aumentar a cooperação entre os países lusófonos mais ricos e mais pobres de modo a que se apoiasse mais a produção cultural. Os governos, as fundações, as organizações não governamentais, outras instituições com carisma de mecenato...todos, de mãos dadas, deveriam fazer mais e melhor para que a alma de cada povo pudesse exprimir-se e, ao partilhar esta expressão, constituísse uma enorme riqueza para todos. Se todos podemos ganhar, há que investir por aí».


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Propostas autárquicas para uma cooperação descentralizada

Dr. Amadeu Albergaria
Somos cada vez mais cidadãos de um mundo que não conhece fronteiras ou barreiras. Povos geograficamente distantes estão unidos por laços históricos, económicos ou culturais. Mas também são muitas as desigualdades no desenvolvimento destes diversos povos. Por isso têm-se multiplicado os projectos de cooperação na procura de um crescimento global fraterno e sustentável.

Para nos dar um testemunho de como é possível cooperar à escala global, o LusoFonias de hoje conta com a presença do Dr. Amadeu Albergaria, Vereador do Pelouro da Educação, Cultura, Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira que tem desenvolvido inúmeros projectos de cooperação com diversos países, em particular, com a Guiné-Bissau.





Na opinião do P. Tony Neves:


«A cooperação entre povos é tão antiga como as lutas que caracterizaram e marcaram muitas relações, sobretudo, de vizinhança. Com a progressiva organização dos países, o seu relacionamento político e económico começou a constar de leis, daí o aparecimento do direito internacional.

A cooperação para o desenvolvimento é um passo mais adiantado neste processo de relação entre países e povos, quase sempre garantida pelos governos, mesmo que praticada por organizações mais restritas. A comunidade internacional, no seu teórico esforço por mais justiça á escala planetária até já legislou que os países mais ricos deviam atribuir 0,7% do seu PIB para apoiar os países mais pobres. Por enquanto, ficamo-nos pelas boas intenções o que, verdade se diga, já é alguma coisa, pois resulta de uma reflexão séria sobre a dignidade humana e um correcta relação entre os povos.

Mas o mundo pode ir um pouco mais longe neste esforço por mais justiça e fraternidade. Além dos governos (que são entidades muito altas), há outras instituições do Estado que podem e devem intervir neste esforço de descentralização da cooperação. Por exemplo, as Câmaras Municipais e até algumas Juntas de Freguesia podem, à sua dimensão, ser agentes de cooperação para o desenvolvimento. Há já em curso algumas geminações bem sucedidas e, através delas, Câmaras Municipais da Europa estão geminadas com outras de África, da Ásia ou da América Latina e estabelecem laços de cooperação que enriquecem ambas as partes envolvidas neste dinamismo de encontro e de partilha. Parece-me, pelos casos de sucesso que conheço, que esta cooperação descentralizada ainda tem muito que andar e pode oferecer mais comunhão e solidariedade. Aqui aposta-se na proximidade que só se consegue aprofundar quando os parceiros são entidades mais pequenas. Não se pode pensar em grandes obras, mas a partilha entre pessoas será mais enriquecedora e as iniciativas lançadas garantem, à partida, mais eficácia na sua concretização.

A fraternidade não pode ter limites, muito menos permite que cruzemos os braços. Mais a melhor cooperação entre povos e culturas é possível e é desejável».


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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Economia Solidária

Professor Albino Lopes
A economia está presente de uma forma directa ou indirecta na simplicidade do nosso dia-a-dia. Constantemente somos confrontados com a necessidade de gerir e articular bens ou recursos humanos, orientar a nossa acção neste ou naquele sentido, realizar ou não determinadas acções. Deste modo, todos nós somos agentes económicos e, por isso, podemos concretizar a chamada “economia solidária”.
Para percebermos melhor este conceito e a forma como ele pode de facto transformar a sociedade em que vivemos, o Luso Fonias contou com a participação do Professor Doutor Albino Anjos Lopes, do Departamento de Ciências de Gestão do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.




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terça-feira, 9 de junho de 2009

Sangue: Dar pela Vida

Doutora Leonilde Outerelo
Nem sempre nos damos conta de pequenos gestos heróicos que passam despercebidos no meio da agitação da nossa sociedade. Dar sangue é um desses gestos; é um acto de cidadania que continua a salvar as vidas daqueles que mais carecem deste bem essencial para a vida humana.
Na véspera do Dia Mundial do Dador de Sangue, o Luso Fonias procura perceber a importância deste gesto generoso que beneficia toda a comunidade humana. Para isso, contamos com a participação da Doutora Leonilde Outerelo, Médica do Centro Regional de Sangue de Lisboa.




Na opinião do P. Tony Neves:


«Nunca como hoje dar sangue ajuda a salvar vidas. Nos tempos que correm, com os avanços que a medicina registou nos últimos tempos, o sangue joga um papel decisivo. Ter ou não ter sangue disponível é, em muitas situações de risco, uma questão de vida ou de morte. Quase todas as intervenções cirúrgicas são acompanhadas de uma transfusão de sangue. Com o aumento significativo de acidentes provocado por choques ou despistes de viaturas automóveis na estrada e com a construção civil e a actividade industrial a provocar muitos acidentes de trabalho, quase tudo se tenta resolver com transfusões de sangue, para compensar as perdas ocorridas nos acidentes. Por isso, o apelo a que todos sejamos dadores é constante e dar sangue tornou-se um acto de humanismo e de solidariedade, muitas vezes com consequências directas para os próprios dadores.

Por mentalidade comodista, somos tentados a só fazer aquilo que nos dá gosto ou traz resultados económicos ou afectivos imediatos. O sentido da solidariedade para com os outros nem sempre nos motiva a agir. Por isso, muita gente nunca deu sangue porque não quis ter o trabalho de ir até onde ele é recolhido. Ora, é urgente activar o nosso sentido de cidadania e responsabilidade social, pois muitas vidas (se calhar até a nossa) dependem destes gestos generosos de quem percebe que a vida e a felicidade dos outros também nos diz respeito.

Celebrar o dia mundial do sangue é também um excelente pretexto para uma reflexão séria acerca do respeito que temos ou não pelo sangue e pela vida dos outros. A violência, as atitudes irresponsáveis ao volante, o desleixo nas condições de segurança no trabalho...tudo isto faz derramar sangue e é responsável por muitas vidas que se apagam.

Dar sangue é uma obrigação cívica. Se ainda der tempo, saiamos de casa e vamos até ao centro de saúde mais próximo onde recolhem este líquido que nos corre nas veias e é responsável por ainda estarmos vivos e activos. Vale sempre a pena ser irmão».




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Energias Renováveis

Engº Carlos Pimenta
Neste mundo onde o crescimento económico acelerado parece marcar o ritmo do planeta, experimentamos no dia-a-dia as consequências da nossa própria irresponsabilidade em termos ambientais. O clima está mudado e são cada vez mais frequentes os desastres ecológicos. É urgente mudar de atitude e comprometer-nos na construção de um futuro ambientalmente sustentável.
Para nos falar melhor sobre estas alterações climáticas, sobre as suas causas e consequências e sobre as soluções que temos ao nosso alcance, o Luso Fonias conta com a participação do Eng. Carlos Pimenta, Director do Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente.




Na opinião do P. Tony Neves:


«O Dia Mundial do Ambiente, celebrado no dia 5, é um apelo à consciência da humanidade. Séculos a fio, o mundo divertiu-se a poluir a natureza e a fazer da sua casa um lugar que quase não dá para habitar. Agora, quando há danos que são irreversíveis, estamos todos com as mãos na cabeça a perguntarmo-nos ‘como chegamos tão longe?’ e a tentar encontrar as soluções ainda possíveis que a terra continue a reunir condições para que nela vivamos felizes. Foi pena termos ido longe de mais, pois o buraco do ozono na atmosfera está grande demais, o aquecimento do planeta é inevitável, há muitas espécies que foram extintas, os níveis de poluição do ar e águas, em certos locais, estão elevadíssimos...enfim, a natureza está de armas na mão pronta para se vingar da nossa incapacidade histórica de a respeitarmos.

Mas há caminhos já andados, na viagem de regresso ao respeito pela mãe natureza ou, se quisermos usar uma palavra mais moderna, pelo ambiente. Muitos rios, ribeiros, lagos e mares estão a ser despoluídos; é grande o esforço para que as empresas não atirem para o ar gazes tóxicos; a educação ambiental nas escolas permite que os lixos sejam colocados nos locais próprios e tratados; há um esforço para que se poupe energia e se aposte em energias renováveis.

Ao percorrer Portugal, de lés a lés, da costa ao interior, vemos plantados nos cimos dos montes umas grandes torres de betão com ventoinhas nas pontas... De facto, o parque eólico nacional está enorme e o vento é já hoje uma energia alternativa ao petróleo e à electricidade das barragens. Trata-se de uma energia não poluente com muito futuro, sobretudo em áreas onde o vento é forte e contínuo. Também a aposta na energia solar tem presente e tem futuro. Podemos ver nos telhados de muitas casas e fábricas os painéis solares que, em muitos casos, tornam as famílias ou empresas autónomas e, embora seja ainda raro, há casos em que os painéis produzem mais electricidade do que precisam e vendem á própria rede eléctrica nacional.

A criatividade impõe-se. Há que recuperar o tempo perdido na luta por uma relação sadia entre o homem e a natureza, a bem de todos. As energias renováveis são um dos caminhos a percorrer. Mas tudo o que ajude a respeitar o ambiente é para tomar a sério se queremos continuar a viver nesta terra».




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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tabaco: como abandonar o vício?

Doutor Luís Negrão
No dia 31 de Maio, último dia do chamado "Mês do Coração" comemoramos o Dia Mundial sem Tabaco. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo continua a ser a principal causa de morte evitável em todo o mundo.
Para reflectir um pouco sobre este problema que afecta não só a população adulta como também os mais jovens, o Luso Fonias entrevistou o Doutor Luís Negrão, Assessor Médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia e Responsável pela Campanha "Maio - Mês do Coração".



Na opinião do P. Tony Neves:


O tabaco continua a ser uma das muitas causas de morte em todo o mundo. Tempos houve em que fumar cigarro ou cachimbo era sinal de algum estatuto social. Já passou esta moda mas o consumo de tabaco continua em alta, apesar de todas as campanhas. Pensei eu que a última investida contra ao tabaco, quando se escreveu nos pacotes que o tabaco mata ou provoca danos graves á saúde, que iria dissuadir os fumadores e que diminuiria em flecha o número dos dependentes do fumo. Parece que, mais uma vez, não deu resultado. Já antes, quando os preços subiram em flecha, se esperavam resultados mais palpáveis, que não chegaram a verificar-se.

Eu não fumo nem nunca fumei. Ao conversar com amigos e amigas viciados do tabaco, dizem-me que estão a tentar deixar de fumar pela chumbada que o cigarro dá á saúde e à carteira. Mas, regra geral, ficam-se pelos bons propósitos.

Pergunto-me sempre o que estará por detrás desta dependência, pois estou convencido que os males só se atalham quando se resolvem as razões de fundo. Os fumadores dizem que o tabaco alivia tensões, dá mais calma, distende os nervos, combate o stress...Não estou muito convencido destes argumentos, mas que se continua a fumar, apesar de só se poder fazer em espaços abertos, esse é um dado que salta aos olhos.
Fica sempre no ar a eterna questão dos interesses em jogo. A máquina que se serve do tabaco para engordar contas bancárias está de braços cruzados a aceitar esta cruzada contra o cigarro? Desconfio que não e uma publicidade mais discreta continua a ter a eficiência da antiga, seduzindo agora mais adolescentes e jovens e investindo fortemente no feminino.

Neste 31 de Maio, dia Mundial sem Tabaco, conscientes do malefício do fumo, há que dar as mãos á Organização Mundial de Saúde para que, pelo menos, as crianças, adolescentes e jovens não sejam fumadores activos. É uma batalha difícil de travar, sem resultados à vista. Mas valerá a pena libertar as novas gerações desta dependência que engorda algumas fortunas, mas produz doença e até morte em muita gente por esse mundo fora. Eu apoio um mundo sem fumo.




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