segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nas estantes de uma biblioteca

O Luso Fonias de 24 de Outubro contou com uma emissão dedicada aos livros, que surgiu a propósito de Outubro ser o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares. Fomos procurar perceber qual a importância destes espaços na construção das aprendizagens e crescimento dos nossos jovens.

Não perca a conversa com o professor e escritor, José Fanha, um comunicador nato que cativa qualquer ouvinte. José Fanha



Na opinião do P. Tony Neves:

«É neste Mês Internacional das Bibliotecas Escolares que rebenta uma enorme polémica à volta de um livro. José Saramago, Nobel da Literatura e conhecido pelas posições sempre venenosas contra a Igreja Católica, publicou o livro ‘Caim’, aproveitando para atacar frontalmente a Bíblia, livro que considerou um código de maus costumes. Ora, nas estantes de uma Biblioteca, a Bíblia tem de ter lugar cativo. É o livro mais lido, mais traduzido, mais vendido, mais inspirador da história da humanidade. Foi o livro que Gutenberg escolheu para imprimir em primeira lugar, abrindo uma página na grande história da imprensa. Por isso e por tudo quanto disse, a Bíblia é um livro imprescindível em todas as bibliotecas do mundo. Depois, há que apostar nos clássicos da literatura mundial. Nas estantes deve encontrar-se um bom lugar para a História, seja a universal, seja a que cada país, dando a oportunidade de cada um conhecer as raízes em que assentam a vida e as fontes onde se vai beber.

A sociologia, a antropologia, a teologia, a filosofia também devem ter lugar cativo, para valorizar o lado humano da cultura. E, não só para os mais jovens, há que dar lugar de realce à banda desenhada. Ao longo dos tempos produziram-se obras fantásticas que formam e divertem todas as gerações, tendo criado nomes com o Astérix, as personagens do Walt Disney, o Lucky Luke e tantos outros que ainda hoje fazem as nossas delícias literárias e abrem as portas da geração mais nova ao gosto pela leitura.

Claro que uma biblioteca moderna tem de ter enciclopédias... mas, sobretudo, muito espaço para o multimédia que é o suporte mais atraente para os mais novos e por onde muitos dos mais velhos já se passeiam á vontade.

Uma biblioteca humanista ajuda a crescer no conhecimento, na cultura, na humanidade. Ir às raízes, beber nas fontes, crescer na cultura é construir património, é rasgar caminhos de um futuro mais humano.»




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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pobreza Escondida

A 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Uma data que serve para reflectirmos sobre o que se passa à nossa volta, porque a pobreza pode estar mesmo na casa ao nosso lado, no nosso colega de trabalho, no nosso melhor amigo, naquela pessoa que aparentemente não tem qualquer tipo de problema.

“Pobreza Escondida” foi o tema do Luso Fonias desta semana. Não perca a entrevista a Celestino Cunha da Comunidade Vida e Paz.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O mundo, coComunidade Vida e Pazm todas as bênçãos da ONU, celebra, a 17 de Outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Falta saber se é pura demagogia ou há mesmo vontade, da parte de quem pode, de investir numa luta sem tréguas para esta grande mancha da humanidade: a miséria a que estão submetidos milhões e milhões de pessoas. Por isso se compreendem campanhas como a que tem mobilizado muita gente: ‘Levanta-te e actua contra a pobreza’. Até Bento XVI convidou os crentes a unirem-se ao Dia Mundial da Luta contra a Pobreza.

Mas esta crise global gerou novas formas de pobreza, sendo a mais badalada a dita ‘pobreza escondida’ ou ‘pobreza envergonhada’. Ela chama-se assim porque afecta gente que, outrora, vivia bem e, por isso, nunca se habituará à ideia de que tem de estender a mão á generosidade dos outros, atitude que é humilhante e para a qual estas pessoas não estavam nem estão preparadas. Algumas preferirão morrer á fome a ter que pedir pão para comer. Talvez por isso, a par dos fenómenos dos bancos alimentares contra a fome, a Europa está a inventar modalidades que combatam, de forma discreta, esta pobreza escondida. A título de exemplo, no fim de Setembro, a Cáritas Portuguesa lançou o projecto de entrega de senhas de restaurante, a fim de fornecer gratuitamente refeições a quem, vitimados de surpresa pela crise, não tem dinheiro para comprar bens alimentares e também não se sente à vontade para ir buscar alimentos ao banco alimentar contra a fome ou às conferências vicentinas.

Escondida ou escandalosamente à vista, a pobreza tem de ser combatida por todos os meios, em nome dos direitos humanos. Quando os líderes de todo o mundo se reuniram na Cimeira do Milénio, a grande decisão que tomaram foi a dar as mãos e reduzir a pobreza do mundo para metade, até 2015. Assim nasceram os famosos Objectivos para o desenvolvimento do Milénio (ODM) que têm feito correr tanta tinta, mas nem por isso têm feito reduzir os índices de pobreza na maior parte do mundo. E tudo isto porque há muita hipocrisia na maneira como o mundo é governado. Enquanto a lógica do poder assentar sobre interesses, não iremos a lado nenhum. Desafio os governantes deste mundo a olharem mais para as pessoas do que para os interesses. Nessa altura, a pobreza descerá a pique e a fraternidade tomará conta de nós. Para bem de todos.»




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Dialogar na Diferença

A emissão do Luso Fonias de 10 de Outubro foi dedicada ao diálogo, ao diálogo na diferença. Fomos procurar perceber como podemos promover a interculturalidade, o respeito e a aceitação mútua.

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural, que se comemorou em 2008, teve como lema “Juntos na Diversidade”. E em 2009? O que mudou? Será que Bernardo Sousaestamos cada vez mais juntos? Para esclarecer estas dúvidas esteve em estúdio o Director do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), o Dr. Bernardo Sousa.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O diálogo é a arma dos fortes. Pensa-se, com frequência, que os grandes devem impor-se aos pequenos e, se não o fazem, estão a dar mostras de fragilidade. Nada mais absurdo! É verdadeiramente grande quem tem um olhar largo, quem vê mais longe e mais fundo. E esses percebem os seus limites e a riqueza que pode constituir a colaboração dos outros.

Hoje fala-se muito em diálogo. Se calhar, o grande problema é que se fala mas não se pratica o suficiente para que os resultados apareçam. Mas as experiências que se vão fazendo a este nível provam que é um caminho a seguir. Quando há uma guerra, a única solução é sentar-se á mesa e negociar a paz, na base das convicções comuns e da vontade de construir uma sociedade reconciliada. Quando as famílias não se entendem, há que reunir, analisar as razões das dificuldades e encontrar portas de saída para uma crise que pode conduzir a uma ruptura.

Também a nível político, o dialogar na diferença é um desafio a que convém responder com a prática. Um país só se constrói com a colaboração de todos os cidadãos. De mãos dadas e não de armas na mão. Assim, os partidos políticos têm a obrigação de apresentar os seus programas próprios, mas negociá-los com os adversários políticos, dando-se as mãos após a publicação dos resultados eleitorais. Só assim há democracia, só desta forma se ganha com a diferença de opiniões, perspectivas e projectos. Se cada um se refugia atrás da sua trincheira ideológica, quem sofre é o povo.

Passemos a outra dimensão onde o diálogo ganha contornos de altíssima importância: a Religião. Tempos houve em que cada comunidade religiosa se sentia senhora absoluta da verdade e, por isso, não havia qualquer espaço ao diálogo. De costas voltadas, todas as religiões de apresentavam ao povo como únicas e os seus líderes e fiéis estavam até dispostos a fazer guerra para impor a sua maneira de se relacionar com Deus. Ora, ninguém tem o exclusivo da relação com Deus e, por isso, a humildade é a única forma séria de estar na vida. Por isso, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso ganharam direito de cidadania e apresentam-se hoje como as únicas formas aceitáveis de relação com deus e das religiões entre si. De mãos dadas, as Religiões comprometem-se a dar a sua colaboração decisiva na construção de um mundo novo, mais humano e mais fraterno. Assim, as diferenças se tornam riquezas e o diálogo ganha estatuto de ferramenta essencial na relação entre as pessoas e os povos.»



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Crise Alimentar vs Crise Energética

Hoje em dia não se fala da falta de alimentos no mundo, mas fala-se da impossibilidade das populações mais pobres acederem a bens alimentares.

Na conversa do Luso Fonias de 3 de Outubro fomos procurar perceber como a crise alimentar está associada à crise energética e o «efeito bola de neve» que uma provoca sobre a outra. Não deixe de ouvir a entrevista ao responsável pela Rede África – Europa Fé e Justiça (AEFJN), o P. José P. José Augusto LeitãoAugusto Leitão.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O mundo continua marcado por injustiças gritantes que têm consequências no dia-a-dia das pessoas, sobretudo das mais pobres. Enquanto os povos da opulência esbanjam, os povos pobres passam fome; enquanto nas regiões ricas do globo muita gente entrou em pânico por causa da obesidade e tem de fazer grandes dietas e tratamentos para emagrecer, nas regiões mais carenciadas a falta de vitaminas e proteínas faz engrossar a fileira dos famintos a cuja boca o pão de cada dia não chega nunca em quantidades suficientes. Esta é, infelizmente, a imagem do nosso mundo que se tornou numa aldeia global, mas onde a justiça e a solidariedade ainda não estão assim tão globalizadas a ponto de fazer da terra um espaço de fraternidade sem fronteiras.

Mas, se a crise alimentar que afecta de milhões de pessoas por esse mundo além era já muito grave, tudo se complicou ainda mais quando entramos em crise energética e alguns governos decidiram avançar para a produção de bio combustíveis. Ou seja, optaram por transformar bens alimentares em energia alternativa ou complementar á que nos chegava dos petróleos. Com esta decisão, os alimentos tornaram-se ainda mais escassos e mais caros, para desgraça dos pequeninos e dos pobres.

Por esse mundo além, foram e são muitas as vozes que se levantaram e levantam contra esta opção. Criar energias alternativas é importante para a humanidade, mas tal não deverá concretizar-se á custa de mais miséria e mais fome na vida já muito atribulada das populações empobrecidas.

Há que medir sempre o alcance das decisões a tomar. Esta de converter comida em energia pode ser boa para quem tem a mesa farta, mas é desastrosa para quem já luta muito apenas para ter direito ao pão de cada dia.

O mundo precisa de uma sociedade civil mais forte e mais interveniente para agir nestes e noutros casos como advogados dos excluídos das nossas sociedades. Caso contrário, vencerá sempre a lógica do mais forte e, neste caso, a lei da selva vai vencer sempre. Tal constituirá uma derrota da humanidade.»




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10 Anos de Luso Fonias

Na emissão de 26 de Setembro estivemos à conversa sobre os 10 anos de Luso Fonias. Inicialmente com o nome de Igreja Lusófona, fomos para o ar a 23 de Fevereiro de 1999 com uma entrevista a D. Zacarias Kamwenho sobre a “Campanha de Fraternidade – II Encontro das Igrejas Lusófonas”.



P. Tony Neves e Jorge Líbano MonteiroAlém dos 10 anos, comemoramos também 500 emissões dedicadas a temas como a saúde, direitos humanos, cooperação, interculturalidade, entre muitos outros que preenchem este magazine semanal de encontro de vozes e culturas.



Para nos falar da importância deste programa radiofónico esteve em estúdio o Dr. Jorge Líbano Monteiro, Administrador da FEC, e o P. Tony Neves, que colabora semanalmente com um comentário e que durante nove anos foi nosso editor.



Vale a pena ouvir também o comentário desta semana, que contou com o testemunho de uma pessoa muito especial para a nossa equipa, o presidente do Conselho de Assessores da FEC, Monsenhor José Alves Cachadinha.







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Direito à Saúde

O direito à saúde é reconhecido por todos e está expresso na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas, em pleno século XXI, ainda assistimos a uma boa parte da população mundial que não tem sequer os cuidados básicos de saúde. Que medidas deverão ser tomadas para que todos tenham acesso à saúde?

Rui Portugal
Não deixe de ouvir o Luso Fonias de 19 de Setembro com uma entrevista ao Dr. Rui Portugal, Presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.





Na opinião do P. Tony Neves:


«O Direito à saúde faz parte da lista dos direitos fundamentais da pessoa humana, como não podia deixar de ser. Em termos teóricos, o mundo ergue a voz, em uníssono, para apoiar esta ideia, mas, na prática, boa parte da humanidade não tem acesso sequer aos cuidados elementares da saúde. Daí que, até nos Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento, este direito lá apareça bem expresso.


O problema é sempre o mesmo: a distância entre a teoria e a prática, entre o que se diz e o que se faz é enorme. E, por esse mundo além, até em países ricos, muita gente passa ao lado de tudo quanto poderia ajudar a manter as pessoas em bom estado de saúde e, nos casos de doença, seriam bem acompanhadas. Evitar-se-iam muitas doenças e combater-se-iam com sucesso outras tantas.


Dói verificar que, por causa das guerras dos laboratórios da indústria farmacêutica, muitos medicamentos e tratamentos ficam, pelo preço, fora do alcance das populações mais pobres. Medicamentos que saem baratos na produção, ficam caros pelo preço das patentes. Há ainda o problema das desfocagens: vivemos o terror da gripe A que tem matado pouca gente, mas feito circular, em medicamentos, prevenção, planos de contingência e publicidade muitos milhões de euros. E, no entretanto, a malária, as hepatites, as pneumonias, as tuberculoses e outras doenças fora dos holofotes da comunicação social continuam a fazer razias. Mas a comunicação social, os ministérios da saúde e a indústria farmacêutica têm as baterias apontadas à gripe A…


Também o acesso aos hospitais públicos continua a ser um problema sério. Costuma dizer-se que para se estar doente é preciso ser-se rico! E é verdade, porque só quem tem dinheiro se pode dar ao luxo de recorrer a hospitais e clínicas privadas que, a preço de ouro, têm á disposição imediata todo o tipo de tratamentos. Quem adoece e pára numa urgência de hospital ou precisa de uma consulta em alguma especialidade, bem pode esperar sentado uns meses para ver o seu problema de saúde analisado... e poderá esperar muito mais por uma cirurgia ou tratamento prolongado. Há que mudar esta situação, mas ninguém ainda descobriu bem como.


Em nome do direito à Saúde, peçamos a quem governa que mude este estado de coisas. Até porque, com saúde, a sociedade é mais feliz e todos poderão trabalhar mais e melhor pelo bem comum.»






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Quais os apoios ao desenvolvimento rural?

O Luso Fonias de 12 de Setembro foi procurar conhecer quais os apoios ao desenvolvimento rural. Que políticas têm sido implementadas para ajudar a melhorar as condições de vida das pessoas que residem em regiões rurais.


Em estúdio esteve o Eng. Rui Veríssimo Batista, Chefe de Projecto do Programa de Iniciativa Comunitária Leader +, da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR).




Rui Veríssimo Batista
Na opinião do P. Tony Neves:


«A agricultura é a responsável pela base da alimentação das populações. Quando as economias estão de boa saúde e com boa organização, o problema alimentar nunca se coloca, porque o patamar das exigências está situado muito acima das necessidades básicas. Nestas sociedades mais ricas, a agricultura está muito desenvolvida e mesmo as populações mais pobres acabam por ter alimentos suficientes, uma vez que há excessos de produção e entidades, estatais ou particulares, que distribuem o pão de cada dia aos que o não têm sobre a sua mesa.


O mesmo não se pode dizer das sociedades mais pobres e desorganizadas onde a fome impera e há uma necessidade urgente de ajuda humanitária para garantir a sobrevivência dos mais desfavorecidos. Quando a pobreza ataca, há uma tendência de fuga para as grandes cidades, onde as oportunidades que se procuram se transformam, na maioria dos casos, em tragédia. Desenraizadas e desesperadas, as pessoas tentam tudo para sobreviver, entram em esquemas mafiosos ou delinquentes, não resolvendo os seus problemas e criando ou agudizando a instabilidade e violência que caracteriza muitas das periferias pobres das grandes cidades.


Mas há soluções já testadas por alguns países. Uma delas passa pelo desenvolvimento rural que leve a fixar famílias longe das cidades e gere produções maiores que criem riqueza e aumentem a quantidade e qualidade dos bens que os campos permitem produzir. Só que este desenvolvimento no meio rural deriva de uma opção política clara de governos que queiram investir no campo, apoiando os agricultores e suas famílias. Os resultados não serão imediatos e os políticos podem não ganhar votos com decisões deste género...


Em nome dos povos mais pobres e em defesa de quantos vivem, na miséria, nas periferias das cidades, há que fazer alguma pressão para que os governos invistam numa agricultura moderna. É ainda urgente que a ajuda dos países mais ricos ao desenvolvimento dos mais pobres passe muito pela agricultura, pecuária e silvicultura, dando pão e futuro aos mais pobres. Como eu gostaria de ver Luanda, Benguela, Maputo, Beira, Rio de Janeiro, S. Paulo, Lisboa... com menos habitantes e mais qualidade de vida, sabendo que, lá mais para o interior dos países, podíamos encontrar famílias de agricultores felizes, com tecnologia avançada, a produzir toneladas e toneladas de alimentos e outros produtos agrícolas, como garantia do desenvolvimento sustentado dos nossos países. É um sonho que gostaria de ver convertido em realidade.»






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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Escola Multicultural


No LusoFonias de hoje vamos reflectir sobre a "Escola Multicultural". Vamos procurar saber como se pode educar para a diversidade e como fazer da escola um lugar de encontro de culturas.

Fique na nossa companhia e ouça a entrevista à Professora Isabel Paes do Gabinete de Educação e Formação, do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI).



Na opinião do P. Tony Neves:


«A celebração do Dia Internacional da Alfabetização é um excelente pretexto para reflectirmos sobre o papel da Escola num tempo marcado pela diversidade cultural. Os tempos da globalização, como se costumam chamar os nossos, exigem uma nova escola, pois lançam enormes desafios à educação de todas as gerações, a começar pelas mais novas.

Em cidades maiores, encontramos escolas que têm crianças e jovens provenientes de diferentes países, raças, cores ou etnias. Será que a sociedade está atenta a esta diversidade e tem encontrado respostas aos desafios que a diferença cultural coloca?
É urgente a promoção de um espírito académico que abra as portas a uma escola multicultural, onde não aconteça como no futebol em que há uma equipa que joga em casa e outra que joga fora, numa lógica desigual de ‘visitados contra visitantes’. Na escola, os alunos devem sentir-se todos em casa, mesmo que alguns possam ter acabado de chegar do outro canto da terra.

Esta nova maneira de olhar e organizar a educação tem de responder bem a diversas perguntas, de acordo com os intervenientes neste processo educativo. Ou seja, para que a escola seja multicultural, os alunos têm de saber o que isso implica, os professores têm que saber leccionar segundo este espírito, todos os funcionários devem entrar nesta onda... De mãos dadas e visando um objectivo comum, a comunidade académica consegue ajudar a construir uma sociedade onde todos crescem juntos, transformando a diversidade em riqueza que a todos faz crescer em humanidade e fraternidade sem fronteiras.

Numa época em que, na Europa, os estudantes regressam á escola após longas férias, este é um tempo oportuno para olhar a educação com olhos de futuro e de abertura aos tempos que correm. Noutras paragens onde o ano escolar caminha para o fim, é tempo de avaliar o percurso feito e de ajustar o que ainda não foi conseguido para que a terra se transforme na casa comum de todos.»




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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Projectos de Esperança


Durante este tempo de férias, são muitos aqueles que partem em diversos projectos de missão. Fazem-no na certeza de que o pouco que podem dar do seu tempo, pode ser essencial para transformar a vida daqueles que continuam a enfrentar graves dificuldades no seu dia-a-dia. Desta forma, a esperança de um futuro diferente torna-se presente em rostos concretos, em atitudes de mudança, em projectos de cooperação.

Para nos falar sobre “Projectos de Esperança”, mote da campanha “Agir para Desenvolver” lançada pela Fundação Evangelização e Culturas, o LusoFonias de hoje conta com a participação da Ana Patrícia Fonseca, responsável pela Plataforma do Voluntariado Missionário da Fundação e com Mário Nogueira, Director da Associação Mãos Unidas – Pe. Damião, responsável por um dos projectos que esta campanha apoia.



Na opinião do P. Tony Neves:


«O desenvolvimento verdadeiro – diz Bento XVI no seu último documento social – tem de ser integral. Ou seja, tem de atingir todas as pessoas do mundo e todas as dimensões da pessoa, sem esquecer a espiritual e moral.

A Igreja católica, através das suas instituições, tem combatido a fome, a pobreza, a falta de acesso aos cuidados de saúde, a impossibilidade de ir á escola. E cumpre esta missão apostando num desenvolvimento integral. A Fundação Evangelização e Culturas, actuando nesta linha, avançou com a campanha ‘Agir para desnvolver. Projectos de esperança’ contando com o apoio financeira de empresas, instituições e pessoas particulares a fim de levar por diante a concretização de 10 projectos de desenvolvimento.

Assim, Moçambique, Angola, Portugal, Timor –Leste seriam os países de concretização desses projectos de desenvolvimento e solidariedade. As áreas de intervenção também são plurais. O ensino é a aposta de metade destes projectos, quer na formação de formadores educativos, na construção e equipamento de bibliotecas e espaços lúdicos, na construção de internatos que permitam acolher crianças e jovens que, desta forma terão acesso á escola. A saúde também tem lugar de relevo com a criação de espaços onde se forma para a higiene, segurança alimentar, questões ambientais, puericultura, campanhas contra o HIV /Sida. Há ainda lugar para a construção de uma padaria e uma moagem, para uma aposta nas novas tecnologias da comunicação, tudo isto ao serviço de uma economia local sustentável e social.

O desenvolvimento é o novo nome da paz e a garantia de futuro para muitas pessoas que parecem estar fora de uma caminho de felicidade e de bem-estar.

Com projectos deste género, a esperança volta a ganhar lugar cativo no jogo da vida feliz.»




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Escravos do século XXI


Em pleno século XXI, são muitas as pessoas que não sabem o que é a liberdade e continuam a viver sob o drama da escravatura. Já com 60 anos de existência, a Declaração Universal dos Direitos do Homem continua a ser um projecto por realizar, também ele preso por interesses que violam a dignidade do ser humano.

Para nos falar sobre a escravatura nos dias de hoje, o LusoFonias conta com a participação do Director Executivo da Amnistia Internacional em Portugal, Dr. Pedro Krupenski.



Na opinião do P. Tony Neves:


«A escravatura, por esse mundo além, continua a fazer vítimas. Dizemos nós que ele já foi abolido há muito tempo, mas refinou-se e ganhou novas formas, algumas delas muito bem disfarçadas.

Aproveitando a onda da oportunidade, vou referir algumas citações do último documento social do Papa Bento XVI, ‘Caridade na Verdade’, onde ele apresenta algumas situações que constituem uma escravatura e exigir imediata libertação.

‘O desenvolvimento humano tem por objectivo fazer sair os povos da fome, da miséria, das doenças endémicas e do analfabetismo’ (CV, 21). Mais adiante, Bento XVI denuncia: ‘cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres, alguns grupos gozam de uma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora. Continua o escândalo das desproporções revoltantes’ (CV, nº22).
O Papa ainda ataca a exagerada mobilidade e desregulamentação do trabalho que faz com que muitas pessoas vivam a angústia da insegurança do seu emprego e, como consequência, o risco permanente de não poder reunir as condições mínimas para sustentar a sua família, criando enorme instabilidade.

Diz o Papa mais à frente: ‘Em muitos países pobres, continua – com o risco de aumentar – uma insegurança extrema de vida, que deriva da carência da alimentação. A fome ceifa ainda inúmeras vítimas’ (CV, 27).

Sobre a violência, que gera morte, pobreza, insegurança e instabilidade, o Papa afirma: ‘As violências refreiam o desenvolvimento autêntico e impedem a evolução dos povos para um bem-estar sócio-económico e espiritual maior’. Há ainda uma condenação clara do terrorismo e do fanatismo religioso.

Voltando ao problema da pobreza, o Papa alerta para o facto dela minar a coesão social e pôr em risco da democracia, onde ela já existe.

Enfim, em pleno século XXI, a escravatura mantém-se com outros nomes: pobreza, injustiça, fome, terrorismo, doenças endémicas, analfabetismo, subdesenvolvimento, trabalho precário…. Estas e outras formas de escravatura exigem luta por uma libertação. Há que trabalhar pelas pessoas e pelo direito que têm a ver a sua dignidade respeitada.»




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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Educar para a Cidadania


Todos sabemos da importância da educação para a construção e definição da personalidade de qualquer pessoa. Por isso, numa sociedade cada vez mais global e mais exigente, torna-se urgente fomentar junto das camadas mais jovens, um verdadeiro sentido de cidadania, que promova o bem comum e crie as bases necessárias a um desenvolvimento sustentável e equilibrado.

Para nos falar sobre cidadania à escala global, e de como é possível promovê-la junto dos mais jovens, o LusoFonias conta com a participação de Ricardo Santos, um dos responsáveis pela Associação Ad Gentes, uma ONGD ligada aos Leigos Missionários da Consolata que desenvolveu o DEL8, um concurso destinado a todos os alunos do ensino secundário e que procura dar a conhecer os Objectivos do Milénio.



Na opinião do P. Tony Neves:


«A celebração do Dia Internacional da Juventude, a 12 de Agosto, proporciona uma reflexão actual sobre a cidadania e a educação que ele exige nos tempos que correm.

As novas gerações parecem não ter lugar cativo nos dinamismos das sociedades hoje. Basta olhar para o panorama do emprego para concluir facilmente que os jovens só podem ir ocupando os poucos lugares que os adultos, por doença, morte ou reforma vão deixando livres. Também a política parece ser para gente adulta. Nota-se, talvez por estas e outras razões, que os jovens se vão alheando, pouco a pouco, dos seus compromissos de cidadãos intervenientes e responsáveis. Percebe-se que muitos não votam. A sua intervenção em organizações cívicas também não é muito forte. A pertença a grupos de solidariedade também não cativa muitos jovens. Enfim, olhamos para as escolas e universidades e ficamos um pouco assustados com a falta de motivação, o insucesso. Olhamos para os indicadores da vida social e preocupámo-nos com o aumento da violência e da instabilidade social, aí sim, com um forte colaboração das gerações mais novas.

Como educar para a cidadania? É talvez a pergunta mais importante que hoje se pode colocar à sociedade em geral e aos jovens em particular. Há que formar para os valores que devem cimentar as sociedades e estruturar a vida das pessoas. Há que investir na solidificação de perspectivas de vida que assentem sobre a liberdade, a justiça, a paz, a tolerância, o respeito pelos direitos humanos. Há que aproximar as pessoas para que se sintam irmãs e se ajudem mutuamente. Bento XVI, no seu último documento social, diz: ‘A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos’. Falta, muitas vezes, a fraternidade entre povos e pessoas.

A educação para a cidadania deve comprometer mais os jovens em projectos sociais e de desenvolvimento. Há muitas Organizações que realizam projectos de solidariedade, contando com o apoio e o envolvimento dos jovens. Ser cidadãos do mundo obriga a partir ao encontro de quem mais precisa, com esta convicção de que a terra é grande, mas somos todos irmãos.»




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Saber comer - o papel da Família na alimentação


Uma alimentação saudável está na base de um crescimento equilibrado das nossas crianças. No entanto, na correria do dia-a-dia nem sempre se consegue ter tempo e disponibilidade para preparar uma refeição completa que vá ao encontro das necessidades básicas. E em tempo de crise, aumenta exponencialmente o número de famílias que não dispõem de recursos financeiros suficientes para darem aos seus filhos os alimentos mais simples e mais necessários.

Para nos falar sobre como se deve comer e qual o papel da família na alimentação, o LusoFonias conta com o contributo de Luís Santos, Secretário da Direcção da Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos de Portugal.



Na opinião do P. Tony Neves:


«Perdi sete quilos nos últimos seis meses. Para boa parte dos europeus e de outros ricos deste mundo, o que me aconteceu seria uma graça enorme. Só que eu já estava magro e assim fiquei pior. Mas uma parte da humanidade tem problemas sérios de saúde porque come demais e está obesa.

Não é por acaso que os meios de comunicação social falam hoje muito de alimentação. Propõem dietas saudáveis, denunciam a chamada ‘comida de plástico’, tentam educar as pessoas para uma alimentação que não peque nem por excesso nem por defeito. Isto, entre os mais ricos das nossas sociedades.

Entre os mais pobres e acerca deles, o discurso é outro. A fome continua a fazer razias por esse mundo além. A subnutrição é um problema muito sério com consequências desastrosas a todos os níveis. Quando o dinheiro não chega para a comida, muito menos será suficiente para permitir ir à escola, ter uma casa condigna. As desgraças andam sempre todas juntas.

A família desempenha um papel decisivo nas questões alimentares. Tal acontece em caso de abundância como em caso de penúria. Há que investir na educação para a alimentação. Temos que evitar, a todo o custo, que haja desperdícios de comida em casa de quem tem demais e haja fome em boa parte das mesas da humanidade. O saber comer é uma arte que pode revolucionar o mundo, permitindo mais partilha e solidariedade. Provam as estatísticas que a fome não é fruto da falta de alimentos. É, antes, o resultado da sua péssima distribuição, pois enquanto uns esbanjam outros morrem pela sua falta.
Criemos, pela educação, mais justiça distributiva e todo o mundo estará melhor. Sobretudo, todos nos sentiremos mais irmãos.»




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Saúde Materna


Foi lançado recentemente o último relatório da UNICEF que nos dá conta da Situação Mundial da Infância 2009. De acordo com este documento, continuam a verificar-se um pouco por todo o mundo inúmeras situações onde a dignidade do ser humano é colocada em causa. Na sua fragilidade, são as crianças as primeiras a sentir os efeitos das guerras, das doenças, da fome e de outros dramas que continuam a fazer parte do dia-a-dia de tantos países.


Para nos falar sobre os resultados deste relatório e nos explicar o porquê da humanidade continuar a viver dramas como este, o Lusofonias de hoje conta com a participação da Dra. Helena de Gubernatis do Comité Português para a UNICEF.



Na opinião do P. Tony Neves:


«A saúde materna é uma das grandes conquistas dos últimos tempos, á escala do mundo. Conseguir acompanhar a maternidade, corrigir alguns problemas de saúde que surjam durante a gravidez, ter condições para um parto excelente (normal ou por cesariana) e acompanhar os primeiros tempos da criança nascida... é o que quase todas as mulheres conseguem fazer bem nos contextos onde as economias estão de saúde. Uma das consequências positivas é o facto de quase já não haver mulheres a morrer de parto e da maioria absoluta das crianças sobreviverem aos primeiros anos de vida.


O problema é que isto não acontece assim em todo o mundo. Em muitos países, o estado da Saúde ainda é muito grave, as condições de vida das pessoas são más e os cuidados a que as grávidas têm acesso são quase nulos, com consequências desastrosas: elas não são acompanhadas, os partos são tradicionais, as vacinas quase não existem e, como consta no último relatório da UNICEF sobre o estado da infância no mundo, ainda há muitas mulheres que morrem de parto, muitas crianças que não resistem aos primeiros anos de vida, por falta de condições.


‘Mais justiça’ à escala do mundo é uma exigência de humanidade. Não faz sentido que haja cidadãos de primeira e de segunda, que uns tenham tudo e outros quase nada. Bento XVI, na sua encíclica social, fala de um desenvolvimento humano integral que atinja todas as dimensões da vida das pessoas e chegue a todos. Daí que ‘os povos da fome continuem a dirigir-se hoje, de modo dramático, aos da opulência’, a clamar por mais justiça. Diz ainda o Papa que o subdesenvolvimento tem como causa a falta de fraternidade entre os povos.


Apostar na melhoria de condições de vida aos mais pobres é a forma mais óbvia de melhorar a saúde materna e infantil. Assim se prepara um futuro saudável e com vida.»


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As Crianças e os Media

Dra. Manuela Botelho, Associação Portuguesa de Anunciantes
Os meios de comunicação social estão presentes no nosso quotidiano desde tenra idade. Os mais novos passam cada vez mais tempo a ver televisão ou a usar a internet. Assim, também eles são alvo das várias estratégias da publicidade. Neste sentido, torna-se necessário formar as camadas mais jovens para lhes fomentar um espírito crítico em relação a toda a informação que lhes é transmitida.


Para nos falar sobre a importância da publicidade na vida das crianças e de como é possível educar o seu espírito crítico, o LusoFonias conta com o contributo da Dra. Manuela Botelho, Secretária Geral da Associação Portuguesa de Anunciantes, responsável pelo Programa Media Smart, um programa de literacia sobre a publicidade destinado a crianças.



Na opinião do P. Tony Neves:


«As crianças, hoje, na Europa, até parece que já nascem a mexer em máquinas. Muitos brinquedos são simulações de telemóveis, de Play-stations, de ipods e outras maquinarias que provam que o mundo vive numa era de comunicações. Depois, quando entram no primeiro ciclo começam a ter acesso aos computadores, com o famoso ‘Magalhães’ a dar uma ajudinha. Isto já para não falar da televisão que todos têm nos quartos, com um bom leitor de DVD que permite ver, dia e noite, os melhores filmes de banda desenhada. Daí que todos conheçam e adorem o Noddy, o Bob Construtor, o Shreck e toda a antiga equipa da Disney, da família do Tio Patinhas.
Hoje, os peritos em educação questionam-se acerca do real impacto dos médios de comunicação sobre as crianças. Até que ponto ajudam a construir a personalidade e cimentam valores de humanidade nas novas gerações.


Há ainda o problema sério do impacto da publicidade nas crianças. Percebemos que muitos dos reclames estão direccionados para elas e são feitos de tal maneira que os pais têm dificuldades de negar aos filhos o que a publicidade propõe que se compre ou se use.


Daí que, em nome de uma educação sadia e integral, há que investir muito na educação para a utilização dos media por parte das crianças. È bom que elas cresçam na aprendizagem destes meios, mas também é necessário que se saibam defender das suas investidas. E quando acontece que gente mafiosa usa as novas tecnologias da comunicação para assediar e, como consequência, surgiram casos de abuso sexual e mesmo de morte, aí há que encontrar formas dos pais poderem acompanhar melhor a utilização perigosa destas tecnologias por parte dos mais novos.


Que os media têm uma grande capacidade de ajudar a crescer e educar ninguém tem dúvidas. Mas que trazem alguns perigos á mistura, também é certo, e, por isso, é urgente aliar incentivo e cautela, para potenciar tudo quanto é positivo e afastar tudo quanto estraga o futuro das nossas crianças.»


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terça-feira, 21 de julho de 2009

A criatividade como motor de desenvolvimento

Prof. António Câmara
O presente ano foi nomeado como o Ano Europeu da Criatividade e da Inovação. Em ambiente de crise, torna-se urgente para qualquer sociedade encontrar soluções criativas que impulsionem a economia e que vão ao encontro das necessidades das pessoas. Por isso, o Lusofonias de hoje procura compreender a importância da criatividade no contexto do desenvolvimento global.

Para nos falar sobre este tema, o LusoFonias conta com o contributo do Professor António Câmara, Professor Universitário e Director Geral da Y-Dreams.



Na opinião do P. Tony Neves:


«Bento XVI acaba de publicar um documento importante sobre o desenvolvimento. Ouso destacar algumas das passagens mais significativas:

‘O amor é uma força extraordinária que impele as pessoas a comprometerem-se, com coagem e generosidade, no campo da justiça e da paz’.

‘Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência de justiça e de caridade’.

‘Ama-se tanto mais eficazmente o próximo quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidades reais’.

‘O desenvolvimento autêntico deve ser integral, quer dizer, deve promover todos os homens e o homem todo’.

A cauda principal do ‘subdesenvolvimento é a falta de fraternidade entre os homens e entre os povos. A sociedade, cada vez mais globalizada, torna-nos vizinhos mas não nos faz irmãos’.

O objectivo principal do desenvolvimento era, para Paulo VI, fazer sair os povos ‘da fome, da miséria, das doenças endémicas e do analfabetismo’. Hoje, em muitos países pobres, ‘a fome ceifa ainda inúmeras vítimas Eliminar a fome no mundo tornou-.se, na era da globalização, também um objectivo a alancar para precaver a paz e a subsistência da terra’.

‘Na época da globalização, a actividade económica não pode prescindir da gratuidade que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum, em seus diversos sujeitos e actores’ – escreveu Bento XVI nesta encíclica social.

Em tempo de crise económica e financeira, o desenvolvimento, para que seja humano e integral, tem de assentar sobre valores de fundo: a justiça e o bem comum. A criatividade é exigida para que as boas teorias sem convertam em práticas que construam mais solidariedade e fraternidade. Bento XVI aponta caminhos. Há que percorre-los.»


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