domingo, 27 de dezembro de 2009

Presépios da Lusofonia

Diana e Rui Antunes
Em tempo de Natal, fomos procurar saber como se vive a grande festa da família nos vários países lusófonos. Em estúdio estiveram dois Leigos Missionários da Consolata que se casaram em Julho de 2008 e partiram em missão, para Moçambique, em Dezembro do mesmo ano, a Diana e o Rui Antunes. Não deixe de ouvir a experiência deste jovem casal.




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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sem-Abrigo: como dar a mão?

Faltam poucos dias para o Natal. A agitação anda nas ruas, os meios de comunicação social lançam campanhas de solidariedade e toda a gente sente que tem de ajudar e partilhar com quem mais necessita. O problema é que estas pessoas não necessitam apenas uma vez por ano. Há muita gente a precisar de uma mão amiga e de uma palavra de conforto.
Ana Moreira
O Luso Fonias de 19 de Dezembro esteve à conversa sobre os sem-abrigo, sobre como podemos dar a mão a estas pessoas e ajudar na sua reintegração social. Não perca a entrevista à Dra. Ana Moreira, Vice-presidente do Conselho Fiscal do CASA - Centro de Apoio ao Sem-abrigo.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O fenómeno dos sem abrigo é um dado assumido por todas as grandes cidades. De uma forma mais ou menos organizada, todos tentam combatê-lo, encontrando soluções para quem vive na rua, por opção, por consequência da perda de todos os bens ou por desenquadramento social. Rios de tinta já correram nas universidades, câmaras municipais, organizações humanitárias, congregações religiosas sobre as razões profundas que deixam na rua tanta gente e, sobretudo, acerca das iniciativas a tomar para que este drama tenha uma solução que parece muito difícil de encontrar.

Entre os sem abrigo das grandes cidades europeias, encontramos muitas pessoas que foram mais ou menos expulsas das suas famílias, não têm trabalho e estão claramente à margem da sociedade. A droga, o álcool, a dificuldade de assumir um trabalho com regularidade, alguns distúrbios psicológicos... tudo serve de razão para considerar a rua como residência permanente.

Durante o tempo mais quente, o sofrimento deles não incomoda tanto a quem passa e os vê deitados debaixo dos prédios, às portas das garagens ou em cima dos respiradouros do metro. Mas, na dureza dos invernos europeus, dói vê-los enrolados em cobertores e mais cobertores, ladeados da sua garrafa de álcool, a tentar sobreviver a mais uma noite. É que, para os sem abrigo, cada dia que nasce é um livro branco que eles não sabem bem como escrever.

Mas há que dizê-lo, boa parte das pessoas não olha para este drama com desprezo e apatia. Há muitas instituições que foram nascendo para tirar da rua os que querem e vão reunindo condições para tal. Mas, respeitam sempre as opções de vida de cada um e há quem esteja na rua por opção e não se integre em nenhuma instituição nem seja capaz de aceitar regras de espécie alguma. Para todos há propostas de resolução para os problemas que é urgente resolver. Para quem quer manter-se na rua, há equipas de voluntários que percorrem as cidades de lés-a-lés e dão refeição, roupa e fazem alguns tratamentos.

Há que ir ao fundo do problema. Os sem abrigo existem porque as sociedades não são tão humanas nem tão fraternas como deveriam ser. Colocam, com as suas regras de jogo, muita gente de fora. Por isso, uma solução global exige mudanças de mentalidade e de cultura. Às portas do Natal, multiplicam-se os eventos onde os mais pobres são protagonistas. É bom, mas é pouco. O ideal é continuar a lutar para que as desigualdades sociais não sejam gritantes e para que a exclusão seja apenas palavra de dicionário. Há um longo caminho a percorrer...»




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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Os sem-direitos

«Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade» é o que nos diz o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que celebrou 61 anos a 10Frei Michael Daniels de Dezembro. Uma data que o Luso Fonias de 12 de Dezembro mais uma vez relembrou, alertando para a importância de dirigir a sociedade para um caminho de liberdade, justiça e paz no mundo.

Não perca a entrevista ao Frei Michael Daniels, consultor da Organização das Nações Unidas e membro da Comissão Justiça e Paz da Guiné-Bissau, que nos deu um testemunho da realidade guineense e falou do trabalho que tem realizado junto dos presos de Bissau.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Foi em Paris, há 61 anos, que nasceu a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovados pela ONU, em Assembleia Geral. Daí para cá, a missão de os dar a conhecer e fazer cumprir foi fazendo o seu caminho, mas o mundo ainda está longe de os ver respeitados e vividos. Por isso, ano após ano, no dia 10 de Dezembro é Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Diante da Declaração de 1948 (pouco depois de acabadas as atrocidades da II Grande Guerra Mundial), as opiniões dividem-se: há quem a considere um instrumento perfeito para que o mundo inteiro veja a dignidade das pessoas reconhecida e respeitada; mas há também quem a considere uma arma do ocidente a impor padrões de moral e de cultura aos outros cantos do mundo. De qualquer forma, já ninguém lhe tira um mérito: o de obrigar, em termos teóricos, os governantes do mundo a respeitar um conjunto de valores que se tornaram património moral da humanidade.

Por isso, acho que o grande problema está agora do lado executivo. Ou seja, há muita teoria bonita, bem argumentada, mas as práticas quotidianas, por esse mundo além, continuam a deixar muito a desejar. Há muita gente a quem são negados os direitos mais elementares, desde o acesso à alimentação, á escola, aos cuidados básicos de saúde, ao trabalho, a uma habitação condigna, á liberdade de expressão, de circulação, o direito a uma nacionalidade, ao bom nome, a ser julgado com imparcialidade... enfim, tanta gente passa ao lado do respeito que a sua dignidade humana exige e não tem.

Todas as formas de exclusão e exploração têm de ser solenemente condenadas e claramente penalizadas. Colocar-se do lado dos oprimidos da história é uma missão de alto risco, mas, igualmente, de profunda humanidade.

Aproveitemos a data para, em nome dos direitos humanos, darmos um toque mais de justiça e paz ao mundo. É uma aposta em que todos vamos ganhar.»




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domingo, 6 de dezembro de 2009

As várias faces do voluntariado

A 5 de Dezembro celebra-se o Dia Internacional do Voluntário. Uma data que serviu de mote ao programa desta semana, que foi procurar conhecer as várias faces do voluntariado.

Para nos falar do que significa ser voluntário esteve em estúdio a Presidente do ConsElza Chambelelho Nacional para a Promoção do Voluntariado, a Dra. Elza Chambel, e o Presidente da Fidesco Portugal, o Dr. José Victor Adragão.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O voluntariado apresenta hoje muitos rostos. Vemos os voluntários nos hospitais, nas prisões, nos centros sociais, nos lares de idosos, nas instituições que acolhem e apoiam crianças e jovens em risco... e vemos voluntários que deixam tudo e partem... os voluntários missionários. Desculpem que só fale destes, pois com eles lido há muito tempo e por eles tenho um especial carinho e admiração que me vem do facto de perceber e acompanhar melhor a escolha que fazem, a preparação a que se submetem e o trabalho que realizam, às vezes em contextos bem difíceis nas muitas linhas da frente da Missão, aonde são enviados.

O gosto pela missão e pela partida para países longínquos continua a estar no horizonte de muitos dos jovens (e menos jovens) em Portugal. Apesar das dificuldades em arranjar financiamentos, existem no nosso país 41 entidades que promovem este tipo de iniciativas, desde congregações a ONGD que se José Victor Adragãodedicam exclusivamente à dinamização de projectos no âmbito do voluntariado missionário e da ajuda ao desenvolvimento.

Embora se verifiquem algumas variações, é notório o investimento que, anualmente, tem sido feito com vista a concretizar inúmeros projectos, com tudo o que isso mobiliza em termos de recursos humanos, materiais e financeiros. São muitas as horas de formação para uma preparação que se quer cada vez mais exigente; são muitas as mangas que se arregaçam para angariar os fundos necessários; mas são, sobretudo, muitos os sonhos de quem sente no seu coração este apelo para a missão.

Por ocasião do Dia Mundial Missionário, as Obras Missionárias Pontifícias publicaram as estatísticas referentes aos Missionários/as portugueses que trabalham fora do país: 723. Uma nota curiosa destas Estatísticas é que, pela primeira vez, as Obras Missionárias Pontifícias uniram-se á Fundação Evangelização e Culturas e, nos números, constam também os Leigos Voluntários Missionários. Há 60 que estão em Missão por um ou dois anos.

Esta Estatística aponta para alguns sinais que a Igreja portuguesa dá na sua dimensão missionária. Primeiro, garante que está viva, no que diz respeito à Missão por toda a vida: só fora de portas temos sete centenas de Missionários. Depois, abre-se uma nova página com a partida de leigos por períodos que variam entre um mês e alguns anos.

Há uma nova onda missionária que não rebenta com a antiga, mas ajuda a aumentar o dinamismo no mar da Missão hoje.»






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domingo, 29 de novembro de 2009

SIDA: Como erradicar o preconceito?

A 1 de Dezembro comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA. Uma data que serviu de mote ao Luso Fonias de 28 de Novembro, que focou a importância de se erradicar o preconceito que está associado a esta doença.
Teresa D'Almeida
Não perca a conversa com Teresa D’Almeida, presidente da SOL – Associação de Apoio às Crianças Infectadas pelo Vírus da SIDA e suas Famílias. Uma conversa sobre solidariedade, luz e esperança.



Na opinião do P. Tony Neves:

«A SIDA apareceu, na viragem do século e do milénio, como um grande desafio à ciência, à medicina e à sociedade. À Ciência porque é preciso investir ainda mais no estudo deste vírus, a fim de se encontrar formas de o erradicar; à medicina porque se trata de uma doença que exige, como todas as outras, de meios e métodos para diagnosticar a presença do vírus, combatê-lo na medida dos possíveis e acompanhar as pessoas que são dele portadoras; à sociedade porque se criou a mentalidade de que os portadores desta doença a contraíram através de comportamentos catalogados como negativos e, por isso, os doentes de SIDA são, em muitos casos, excluídos no plano social e até familiar.

Mais importante do que erradicar o vírus, há que erradicar o preconceito. Tenham lá contraído a doença onde quer que seja, o fundamental é olhar cada pessoa no momento e na circunstância em que está. Mais importante do que querer saber como é que alguém contraiu uma doença é perceber que caminhos palmilhar para a combater, permitindo a recuperação da pessoa.

Assim, há que continuar a investir na investigação para que se encontrem medicamentos que matem ou neutralizem os feitos do vírus do HIV. Há que criar condições para tratar todos os seropositivos, para que vivam com o máximo de dignidade e integração social e familiar. Há, claro está, que evitar comportamentos de risco, para que quem ainda não foi atingido por este flagelo possa passar-lhe ao lado. Aqui, os princípios éticos e propostas de comportamento da moral cristã ajudarão muito, caso as pessoas os queiram seguir.

Combata-se a SIDA, apoiem-se os doentes, mas não esquecemos as outras doenças e os outros doentes para quem quase ninguém olha: refiro-me à malária, à tuberculose e a outras enfermidades que vitimam milhões de pessoas por esse mundo além, mas têm o problema de quase só afectar as populações mais pobres.»




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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O fenómeno religioso nos media

O Luso Fonias de 21 de Novembro esteve à conversa sobre “O fenómeno religioso nos media”. Fomos procurar saber se há ou não espaço nos media para o religioso e qual a importância de formar jornalistas para o tratamento da informação religiosa, para que esta não seja abordada apenas por questões institucionais ou de conflito. Em estúdio esteve António Marujo, jornalista do jornal “Público”.


António Marujo
Na opinião do P. Tony Neves:

«'Notícia não é um cão morder num homem. É um homem morder num cão’ – assim se aprende nas escolas do jornalismo, para ficar claro que o normal, o habitual, o esperado não dá razões a nenhum jornalista para escrever uma notícia que ocupe muito espaço nas páginas de um jornal, num noticiário de rádio ou televisão, num site de internet. Ora, este princípio aplica-se em cheio ao mundo do Religioso nas suas relações com os media. Fala apenas de três situações que têm feito correr rios de tinta. Comecemos pela mais dura: houve alguns casos de membros da Igreja que foram envolvidos na teia da pedofilia. Abriram-se noticiários sem conta, escreveram-se páginas e mais páginas... como se de notícias religiosas se tratasse! Para qualquer receptor mais atento, estávamos perante um caso de tribunal, mas o facto de envolver figuras da Igreja, multiplicaram o efeito da atenção dada pelos receptores e, por consequência, obrigaram os emissores a gastar mais espaço.

Em Portugal, o escritor Nobel José Saramago, lembrou-se, do alto do seu anticlericalismo primário, de escrever um livro sobre ‘Caim’, mas, mais do que isso, aproveitar o lançamento da obra para insultar a Igreja, com palavras que mostravam uma intolerância extrema. Com isto, todos holofotes mediáticos apontaram para o livro e para o autor, abrindo quase que uma guerra religiosa, concluindo Saramago que só não foi queimado pela Igreja porque a inquisição já tinha fechado as portas. O resultado final foi que a venda dos livros disparou... e pouco mais. Mas também é verdade que a Bíblia foi mais referida nesses dias que no conjunto dos últimos 10 anos!

Para acabar, queria lembrar que os Bispos portugueses reuniram em Fátima, de 9 a 12 de Novembro. Como está aceso o debate sobre o casamento dos homossexuais, a comunicação social apareceu em peso, em Fátima...só para abordar este assunto. Tudo o que era importante na agenda dos Bispos, não pareceu ter qualquer interesse para os jornalistas. Só aquele tema fracturante.

Diante disto, que pode fazer a Igreja para ter mais vez e mais voz nos media? Não me parece haver respostas de catálogo, mas há que encontrar formas de provar ao mundo que o Evangelho é uma grande notícia, cheia de novidade e impacto social. Talvez nessa altura, o fenómeno religioso tenha, nos media, direito de cidadania.»




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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Imigrantes: um perigo social?

André Costa JorgeA imigração é um fenómeno social. No entanto, os imigrantes nem sempre são encarados da melhor forma, têm dificuldades de integração e, muitas vezes, são explorados pelas fragilidades que apresentam.



No Luso Fonias de 14 de Novembro procurámos saber se há ou não motivos para considerarmos os imigrantes um perigo social. Não perca a entrevista a André Costa Jorge, Director do Serviço Jesuíta aos Refugiados.



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domingo, 8 de novembro de 2009

Ano Internacional da Reconciliação

O ano de 2009 foi proclamado como o "Ano Internacional para a Reconciliação", para que se caminhe para a resolução de conflitos nas sociedades marcadas pelo ódio e violência, e para que a paz seja duradoura.

O programa de 7 de Novembro esteve à conversa sobre o conceito de reconP. José Gaspar e Fátima Claudinociliação e como podemos caminhar para uma melhor convivência multicultural. Em estúdio esteve o P. José Gaspar, que foi missionário em Angola, e a Dra. Fátima Claudino, representante da Comissão Nacional da UNESCO.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Ia 2008 ainda no meio quando fui surpreendido com a oferta de um calendário dos Missionários da Consolata para 2009 cujo tema era: Ano Internacional da Reconciliação. Foi nessa altura que me apercebi que a ONU tinha tomado esta decisão, útil e oportuna em qualquer ano, atendendo à importância da reconciliação para a construção de um mundo justo e pacífico.

Curiosamente, o II Sínodo Africano, que fechou as portas a 25 de Outubro em Roma, também pegou neste grande tema, aliando-o, como não podia deixar de ser, à justiça e paz. Por isso, achei que, para este espaço, o melhor mesmo era pegar em algumas frases da densa Mensagem Final deste evento que deve marcar o continente africano e questionar o resto do mundo. Destaco, então, algumas das afirmações mais fortes:

Vivemos num mundo cheio de contradições e profundas crises (...). A situação trágica dos refugiados, uma pobreza escandalosa, as doenças e a fome continuam a matar diariamente milhares de pessoas (nº 4).

No que se refere à reconciliação, à justiça e à paz, a Igreja em África continua a contar com a solidariedade dos responsáveis da Igreja nos países ricos e poderosos, cuja política, acções ou omissões, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a difícil situação da África. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a África há uma peculiar relação histórica (nº11).

Às grandes potências deste mundo apelamos: tratai a África com respeito e dignidade (...) Muitos dos conflitos, guerras e pobreza em África derivam em grande parte destas estruturas injustas (nº32).

A consequência negativa de tudo isto está aí, bem patente a todo o mundo: pobreza, miséria e doenças; refugiados dentro e fora do país e no estrangeiro, a busca de pastagens frescas, a fuga de cérebros, as migrações clandestinas, tráfico de seres humanos, guerras, derramamento de sangue, não raro sob comissão, a barbaridade das crianças-soldado e indizíveis violências contra as mulheres. Como é que alguém se pode orgulhar de “governar” em semelhante situação? Onde pára o nosso sentimento tradicional africano de vergonha? Este Sínodo proclama-o claramente, alto e bom som: é tempo de mudar de atitudes para o bem da geração presente e futuras (nº37).»




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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caminhos de Cooperação

No Luso Fonias de 31 de Outubro estivemos à conversa sobre cooperação, sobre como podemos construir pontes entre povos e culturas, ajudando a promover o desenvolvimento sem interesses económicos e financeiros.


“Caminhos de Cooperação” é o tema deste programa, porque o trabalho em Simão Cardoso Leitãoprol do desenvolvimento é isso mesmo, um percurso que está a ser feito mais do que uma solução já pronta.


Para nos falar de algumas experiências esteve em estúdio o Coordenador de Programa da FEC na Guiné-Bissau, o Simão Cardoso Leitão.





Na opinião do P. Tony Neves:


«Participei, no Montijo, a 24 de Outubro, no XI Fórum Ecuménico Jovem. É um evento que se repete ano após ano e que sensibiliza as gerações mais jovens para a urgência da comunhão, da cooperação, da unidade. Este ano foi sobre a reconciliação, apontando cinco direcções. A reconciliação consigo próprio, com Deus, com a Igreja, com os outros e com a natureza. Embora não pareça, esta temática tem tudo a ver com os caminhos de cooperação que é urgente continuar a rasgar. Isto porque, o grande drama da humanidade continua a assentar no facto das pessoas não se considerarem irmãs e, por isso mesmo, não viverem a fraternidade como valor universal.


O mundo continua a caminhar a velocidades diferentes. Uns têm tudo e outros quase nada. Uns esbanjam e outros passam fome. Uns têm máquinas que nunca mais acabam e outros continuam mergulhados num subdesenvolvimento intolerável...


Ora, só mudando mentalidades e corações haverá espaço para uma verdadeira cooperação assente nos pilares da justiça e da fraternidade.


Olhando para as cooperações institucionais, feiras de povo para povo, percebemos logo que elas são comandadas pelos interesses e não pelo respeito que as pessoas merecem. E isso, inquina as águas de uma solidariedade internacional séria, bem como impede que haja um apoio ao desenvolvimento sustentado dos povos mais pobres.


Mas há honrosas excepções. Diversas organizações humanitárias têm feito e continuam a fazer o que podem para que, com os seus projectos, o mundo seja mais humano, mais fraterno e mais solidário, usando a estratégia de dar pão a quem precisa dele hoje e dar ‘cana e ensinar a pescar’ para que haja pão amanhã.


Os mecanismos actuais do desenvolvimento assentam em novas e caras tecnologias que não estão ao alcance dos mais pobres. Ou há uma verdadeira solidariedade internacional ou a globalização ainda vai cavar um fosso mais profundo entre quem tem e quem não tem, podem gerar conflitos que resultarão das injustiças gritantes que vão continuar a existir por esse mundo além.


Abrir caminhos de uma cooperação mais solidária é uma forma de construir um mundo assente na justiça e no respeito pelos direitos humanos.»






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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nas estantes de uma biblioteca

O Luso Fonias de 24 de Outubro contou com uma emissão dedicada aos livros, que surgiu a propósito de Outubro ser o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares. Fomos procurar perceber qual a importância destes espaços na construção das aprendizagens e crescimento dos nossos jovens.

Não perca a conversa com o professor e escritor, José Fanha, um comunicador nato que cativa qualquer ouvinte. José Fanha



Na opinião do P. Tony Neves:

«É neste Mês Internacional das Bibliotecas Escolares que rebenta uma enorme polémica à volta de um livro. José Saramago, Nobel da Literatura e conhecido pelas posições sempre venenosas contra a Igreja Católica, publicou o livro ‘Caim’, aproveitando para atacar frontalmente a Bíblia, livro que considerou um código de maus costumes. Ora, nas estantes de uma Biblioteca, a Bíblia tem de ter lugar cativo. É o livro mais lido, mais traduzido, mais vendido, mais inspirador da história da humanidade. Foi o livro que Gutenberg escolheu para imprimir em primeira lugar, abrindo uma página na grande história da imprensa. Por isso e por tudo quanto disse, a Bíblia é um livro imprescindível em todas as bibliotecas do mundo. Depois, há que apostar nos clássicos da literatura mundial. Nas estantes deve encontrar-se um bom lugar para a História, seja a universal, seja a que cada país, dando a oportunidade de cada um conhecer as raízes em que assentam a vida e as fontes onde se vai beber.

A sociologia, a antropologia, a teologia, a filosofia também devem ter lugar cativo, para valorizar o lado humano da cultura. E, não só para os mais jovens, há que dar lugar de realce à banda desenhada. Ao longo dos tempos produziram-se obras fantásticas que formam e divertem todas as gerações, tendo criado nomes com o Astérix, as personagens do Walt Disney, o Lucky Luke e tantos outros que ainda hoje fazem as nossas delícias literárias e abrem as portas da geração mais nova ao gosto pela leitura.

Claro que uma biblioteca moderna tem de ter enciclopédias... mas, sobretudo, muito espaço para o multimédia que é o suporte mais atraente para os mais novos e por onde muitos dos mais velhos já se passeiam á vontade.

Uma biblioteca humanista ajuda a crescer no conhecimento, na cultura, na humanidade. Ir às raízes, beber nas fontes, crescer na cultura é construir património, é rasgar caminhos de um futuro mais humano.»




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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pobreza Escondida

A 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Uma data que serve para reflectirmos sobre o que se passa à nossa volta, porque a pobreza pode estar mesmo na casa ao nosso lado, no nosso colega de trabalho, no nosso melhor amigo, naquela pessoa que aparentemente não tem qualquer tipo de problema.

“Pobreza Escondida” foi o tema do Luso Fonias desta semana. Não perca a entrevista a Celestino Cunha da Comunidade Vida e Paz.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O mundo, coComunidade Vida e Pazm todas as bênçãos da ONU, celebra, a 17 de Outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Falta saber se é pura demagogia ou há mesmo vontade, da parte de quem pode, de investir numa luta sem tréguas para esta grande mancha da humanidade: a miséria a que estão submetidos milhões e milhões de pessoas. Por isso se compreendem campanhas como a que tem mobilizado muita gente: ‘Levanta-te e actua contra a pobreza’. Até Bento XVI convidou os crentes a unirem-se ao Dia Mundial da Luta contra a Pobreza.

Mas esta crise global gerou novas formas de pobreza, sendo a mais badalada a dita ‘pobreza escondida’ ou ‘pobreza envergonhada’. Ela chama-se assim porque afecta gente que, outrora, vivia bem e, por isso, nunca se habituará à ideia de que tem de estender a mão á generosidade dos outros, atitude que é humilhante e para a qual estas pessoas não estavam nem estão preparadas. Algumas preferirão morrer á fome a ter que pedir pão para comer. Talvez por isso, a par dos fenómenos dos bancos alimentares contra a fome, a Europa está a inventar modalidades que combatam, de forma discreta, esta pobreza escondida. A título de exemplo, no fim de Setembro, a Cáritas Portuguesa lançou o projecto de entrega de senhas de restaurante, a fim de fornecer gratuitamente refeições a quem, vitimados de surpresa pela crise, não tem dinheiro para comprar bens alimentares e também não se sente à vontade para ir buscar alimentos ao banco alimentar contra a fome ou às conferências vicentinas.

Escondida ou escandalosamente à vista, a pobreza tem de ser combatida por todos os meios, em nome dos direitos humanos. Quando os líderes de todo o mundo se reuniram na Cimeira do Milénio, a grande decisão que tomaram foi a dar as mãos e reduzir a pobreza do mundo para metade, até 2015. Assim nasceram os famosos Objectivos para o desenvolvimento do Milénio (ODM) que têm feito correr tanta tinta, mas nem por isso têm feito reduzir os índices de pobreza na maior parte do mundo. E tudo isto porque há muita hipocrisia na maneira como o mundo é governado. Enquanto a lógica do poder assentar sobre interesses, não iremos a lado nenhum. Desafio os governantes deste mundo a olharem mais para as pessoas do que para os interesses. Nessa altura, a pobreza descerá a pique e a fraternidade tomará conta de nós. Para bem de todos.»




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Dialogar na Diferença

A emissão do Luso Fonias de 10 de Outubro foi dedicada ao diálogo, ao diálogo na diferença. Fomos procurar perceber como podemos promover a interculturalidade, o respeito e a aceitação mútua.

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural, que se comemorou em 2008, teve como lema “Juntos na Diversidade”. E em 2009? O que mudou? Será que Bernardo Sousaestamos cada vez mais juntos? Para esclarecer estas dúvidas esteve em estúdio o Director do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), o Dr. Bernardo Sousa.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O diálogo é a arma dos fortes. Pensa-se, com frequência, que os grandes devem impor-se aos pequenos e, se não o fazem, estão a dar mostras de fragilidade. Nada mais absurdo! É verdadeiramente grande quem tem um olhar largo, quem vê mais longe e mais fundo. E esses percebem os seus limites e a riqueza que pode constituir a colaboração dos outros.

Hoje fala-se muito em diálogo. Se calhar, o grande problema é que se fala mas não se pratica o suficiente para que os resultados apareçam. Mas as experiências que se vão fazendo a este nível provam que é um caminho a seguir. Quando há uma guerra, a única solução é sentar-se á mesa e negociar a paz, na base das convicções comuns e da vontade de construir uma sociedade reconciliada. Quando as famílias não se entendem, há que reunir, analisar as razões das dificuldades e encontrar portas de saída para uma crise que pode conduzir a uma ruptura.

Também a nível político, o dialogar na diferença é um desafio a que convém responder com a prática. Um país só se constrói com a colaboração de todos os cidadãos. De mãos dadas e não de armas na mão. Assim, os partidos políticos têm a obrigação de apresentar os seus programas próprios, mas negociá-los com os adversários políticos, dando-se as mãos após a publicação dos resultados eleitorais. Só assim há democracia, só desta forma se ganha com a diferença de opiniões, perspectivas e projectos. Se cada um se refugia atrás da sua trincheira ideológica, quem sofre é o povo.

Passemos a outra dimensão onde o diálogo ganha contornos de altíssima importância: a Religião. Tempos houve em que cada comunidade religiosa se sentia senhora absoluta da verdade e, por isso, não havia qualquer espaço ao diálogo. De costas voltadas, todas as religiões de apresentavam ao povo como únicas e os seus líderes e fiéis estavam até dispostos a fazer guerra para impor a sua maneira de se relacionar com Deus. Ora, ninguém tem o exclusivo da relação com Deus e, por isso, a humildade é a única forma séria de estar na vida. Por isso, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso ganharam direito de cidadania e apresentam-se hoje como as únicas formas aceitáveis de relação com deus e das religiões entre si. De mãos dadas, as Religiões comprometem-se a dar a sua colaboração decisiva na construção de um mundo novo, mais humano e mais fraterno. Assim, as diferenças se tornam riquezas e o diálogo ganha estatuto de ferramenta essencial na relação entre as pessoas e os povos.»



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Crise Alimentar vs Crise Energética

Hoje em dia não se fala da falta de alimentos no mundo, mas fala-se da impossibilidade das populações mais pobres acederem a bens alimentares.

Na conversa do Luso Fonias de 3 de Outubro fomos procurar perceber como a crise alimentar está associada à crise energética e o «efeito bola de neve» que uma provoca sobre a outra. Não deixe de ouvir a entrevista ao responsável pela Rede África – Europa Fé e Justiça (AEFJN), o P. José P. José Augusto LeitãoAugusto Leitão.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O mundo continua marcado por injustiças gritantes que têm consequências no dia-a-dia das pessoas, sobretudo das mais pobres. Enquanto os povos da opulência esbanjam, os povos pobres passam fome; enquanto nas regiões ricas do globo muita gente entrou em pânico por causa da obesidade e tem de fazer grandes dietas e tratamentos para emagrecer, nas regiões mais carenciadas a falta de vitaminas e proteínas faz engrossar a fileira dos famintos a cuja boca o pão de cada dia não chega nunca em quantidades suficientes. Esta é, infelizmente, a imagem do nosso mundo que se tornou numa aldeia global, mas onde a justiça e a solidariedade ainda não estão assim tão globalizadas a ponto de fazer da terra um espaço de fraternidade sem fronteiras.

Mas, se a crise alimentar que afecta de milhões de pessoas por esse mundo além era já muito grave, tudo se complicou ainda mais quando entramos em crise energética e alguns governos decidiram avançar para a produção de bio combustíveis. Ou seja, optaram por transformar bens alimentares em energia alternativa ou complementar á que nos chegava dos petróleos. Com esta decisão, os alimentos tornaram-se ainda mais escassos e mais caros, para desgraça dos pequeninos e dos pobres.

Por esse mundo além, foram e são muitas as vozes que se levantaram e levantam contra esta opção. Criar energias alternativas é importante para a humanidade, mas tal não deverá concretizar-se á custa de mais miséria e mais fome na vida já muito atribulada das populações empobrecidas.

Há que medir sempre o alcance das decisões a tomar. Esta de converter comida em energia pode ser boa para quem tem a mesa farta, mas é desastrosa para quem já luta muito apenas para ter direito ao pão de cada dia.

O mundo precisa de uma sociedade civil mais forte e mais interveniente para agir nestes e noutros casos como advogados dos excluídos das nossas sociedades. Caso contrário, vencerá sempre a lógica do mais forte e, neste caso, a lei da selva vai vencer sempre. Tal constituirá uma derrota da humanidade.»




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10 Anos de Luso Fonias

Na emissão de 26 de Setembro estivemos à conversa sobre os 10 anos de Luso Fonias. Inicialmente com o nome de Igreja Lusófona, fomos para o ar a 23 de Fevereiro de 1999 com uma entrevista a D. Zacarias Kamwenho sobre a “Campanha de Fraternidade – II Encontro das Igrejas Lusófonas”.



P. Tony Neves e Jorge Líbano MonteiroAlém dos 10 anos, comemoramos também 500 emissões dedicadas a temas como a saúde, direitos humanos, cooperação, interculturalidade, entre muitos outros que preenchem este magazine semanal de encontro de vozes e culturas.



Para nos falar da importância deste programa radiofónico esteve em estúdio o Dr. Jorge Líbano Monteiro, Administrador da FEC, e o P. Tony Neves, que colabora semanalmente com um comentário e que durante nove anos foi nosso editor.



Vale a pena ouvir também o comentário desta semana, que contou com o testemunho de uma pessoa muito especial para a nossa equipa, o presidente do Conselho de Assessores da FEC, Monsenhor José Alves Cachadinha.







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Direito à Saúde

O direito à saúde é reconhecido por todos e está expresso na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas, em pleno século XXI, ainda assistimos a uma boa parte da população mundial que não tem sequer os cuidados básicos de saúde. Que medidas deverão ser tomadas para que todos tenham acesso à saúde?

Rui Portugal
Não deixe de ouvir o Luso Fonias de 19 de Setembro com uma entrevista ao Dr. Rui Portugal, Presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.





Na opinião do P. Tony Neves:


«O Direito à saúde faz parte da lista dos direitos fundamentais da pessoa humana, como não podia deixar de ser. Em termos teóricos, o mundo ergue a voz, em uníssono, para apoiar esta ideia, mas, na prática, boa parte da humanidade não tem acesso sequer aos cuidados elementares da saúde. Daí que, até nos Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento, este direito lá apareça bem expresso.


O problema é sempre o mesmo: a distância entre a teoria e a prática, entre o que se diz e o que se faz é enorme. E, por esse mundo além, até em países ricos, muita gente passa ao lado de tudo quanto poderia ajudar a manter as pessoas em bom estado de saúde e, nos casos de doença, seriam bem acompanhadas. Evitar-se-iam muitas doenças e combater-se-iam com sucesso outras tantas.


Dói verificar que, por causa das guerras dos laboratórios da indústria farmacêutica, muitos medicamentos e tratamentos ficam, pelo preço, fora do alcance das populações mais pobres. Medicamentos que saem baratos na produção, ficam caros pelo preço das patentes. Há ainda o problema das desfocagens: vivemos o terror da gripe A que tem matado pouca gente, mas feito circular, em medicamentos, prevenção, planos de contingência e publicidade muitos milhões de euros. E, no entretanto, a malária, as hepatites, as pneumonias, as tuberculoses e outras doenças fora dos holofotes da comunicação social continuam a fazer razias. Mas a comunicação social, os ministérios da saúde e a indústria farmacêutica têm as baterias apontadas à gripe A…


Também o acesso aos hospitais públicos continua a ser um problema sério. Costuma dizer-se que para se estar doente é preciso ser-se rico! E é verdade, porque só quem tem dinheiro se pode dar ao luxo de recorrer a hospitais e clínicas privadas que, a preço de ouro, têm á disposição imediata todo o tipo de tratamentos. Quem adoece e pára numa urgência de hospital ou precisa de uma consulta em alguma especialidade, bem pode esperar sentado uns meses para ver o seu problema de saúde analisado... e poderá esperar muito mais por uma cirurgia ou tratamento prolongado. Há que mudar esta situação, mas ninguém ainda descobriu bem como.


Em nome do direito à Saúde, peçamos a quem governa que mude este estado de coisas. Até porque, com saúde, a sociedade é mais feliz e todos poderão trabalhar mais e melhor pelo bem comum.»






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