sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Igreja e Solidariedade


Em tempo de crise, com o aumento do número de desempregados, a Igreja é chamada a acudir às situações de dificuldade daqueles que se viram privados do sustento para as suas famílias. Exemplo dessa resposta da Igreja é o Projecto Igreja Solidária, lançado pelo Patriarcado de Lisboa em 2008, que congrega os esforços dos vários serviços de apoio social da região.

Para nos falar sobre o projecto “Igreja Solidária”, o Luso Fonias contou com a participação do Dr. Henrique Joaquim, Professor de Serviço Social da Universidade Católica Portuguesa e membro do gabinete coordenador do projecto Igreja Solidária.





Na opinião do P. Tony Neves:


«A Igreja católica nos Estados Unidos da América realizou, em 2009, um pequeno filme para dar a conhecer a Igreja e a sua intervenção. Colocado no famoso youtube, foi visto por milhões de pessoas e eu tenho-o mostrado em muitas reuniões com jovens e adultos, um pouco por todo o lado. Ao descrever as diferentes áreas de intervenção da Igreja, diz o filme que é a instituição que mais investe na solidariedade. E as estatísticas confirmam.
Estou a ler um livro que segue na mesma linha. O Cardeal Dionísio Tettamanzi, Arcebispo de Milão e uma das figuras mais importantes da Igreja Católica na actualidade, escreveu uma obra que está a ser traduzida em muitas línguas, com o título ‘Não há futuro sem solidariedade. A crise económica e a ajuda da Igreja.
Em tempo de crise, escreve esta obra para ligar a solidariedade à sobriedade, apresentando propostas muito concretas aos católicos e a quantos o queiram ler.
À luz da doutrina Social da Igreja, lançou uma série de iniciativas solidárias em Milão (por exemplo o ‘Fundo Trabalho-Família’), que partilha com os leitores. Fala da solidariedade no mundo da economia e da finança, a partir da família, na empresa, com e pelos imigrantes.
Sugere que todos sejam o ‘Bom Samaritano’ do Evangelho.
Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas, no Prefácio, diz que este livro constitui ‘um motivo de reflexão e um apelo ás iniciativas de responsabilidade social’.
O filme americano que citei termina com um convite: ‘Nós somos a Igreja católica. Seja benvindo a sua casa’, para dizer que a Igreja é uma família onde todos são irmãos e têm lugar à mesa. O Cardeal Tetamanzi diz que a Igreja e a sociedade precisam da solidariedade para sobreviver. Ousemos escutar estas vozes.»





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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

2010 - Ano Internacional da Biodiversidade


Neste ano, as Nações Unidas convidam-nos a reflectir sobre a importância da diversidade de espécies vegetais e animais que povoam o nosso planeta. Perante as ameaças que provocam a extinção de muitas espécies, é necessário tomarmos consciência do que cada um de nós pode fazer para ajudar a preservar a natureza.

Para nos falar sobre “Biodiversidade”, o Luso Fonias contou com a participação de Susana Fonseca, Presidente da Direcção Nacional da Quercus.





Na opinião do P. Tony Neves:


«Quis a ONU que 2010 fosse também o Ano Internacional da Biodiversidade. Digo ‘também’ porque, como já aprofundamos num programa anterior, este ano é dedicado ao combate à pobreza e exclusão social.
A biodiversidade é uma das imagens de marca da riqueza que o nosso mundo tem. O Criador conseguiu pôr na natureza milhares e milhares de espécies que, ora vão evoluindo e ganhando direito á sobrevivência, ora vão sendo atacadas e desaparecem. Sempre que morre uma espécie, a natureza fica mais pobre. E, convencidos de que todas as espécies têm uma missão a cumprir, então a sua extinção leva a que algo fique por fazer.
A evolução das ciências da natureza, a par das facilidades de penetrar em espaços físicos difíceis de lá entrar (florestas equatoriais, fundos do mar, picos das altas montanhas...) permitiu aos cientistas reconhecer quase todas as espécies existentes sobre a face da terra. E mais: deu para eles perceberem a quantidade de espécies que, devido a numerosos factores, estão em vias de extinção. Com os meios de que hoje dispomos, também é possível elaborar estratégias que evitem o desaparecimento de algumas das espécies ameaçadas, sendo necessárias algumas medidas políticas, sobretudo de carácter ambiental. A reunião que congregou governantes do mundo inteiro em Copenhaga, queria levar os líderes políticos a decisões corajosas de carácter ecológico. Mas a verdade é que os interesses económicos têm esmagado a vontade políticas de trabalhar a favor de um planeta mais saudável. E, desta forma, a biodiversidade tem sido atacada, estando em perigo o futuro do próprio planeta.

Em Portugal, o caso mais típico de defesa de espécies em vias da extinção é a do lince da serra da Malcata, no interior norte. Em Angola, tenta-se preservar a palanca preta. Falamos de espécies animais de médio ou grande porte. Mas há que continuar a investir na defesa de todas as espécies, muitas delas quase invisíveis, mas com uma missão a cumprir.»





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A Religião na Sociedade


De uma forma mais ou menos activa, a religião está sempre presente na vida de qualquer indivíduo ou comunidade. Independentemente do credo professado, cada pessoa encontra nas diversas religiões determinados códigos de valores e de conduta e também orientações e propostas de caminhos para realizar a felicidade.

Para nos falar sobre “A Religião na Sociedade”, o Luso Fonias contou com a participação do Prof. Doutor António Matos Ferreira, Professor de História da Igreja da Universidade Católica Portuguesa e Director-Adjunto do Centro de Estudos de História Religiosa da mesma Universidade.





Na opinião do P. Tony Neves:


«A celebração do Dia Mundial da Religião acontece na semana em que os Cristãos rezam pela sua Unidade. Quando se fala dos novos contextos da Missão hoje, apresenta-se o diálogo entre Religiões e entre Confissões Cristãs como uma das prioridades missionárias. Num mundo onde Deus parece ter pouco lugar para estar e intervir, cabe às Religiões apostar na vivência e testemunho de uma espiritualidade que dê sentido à História e marque a diferença:
Num Mundo marcado pela violência e pela retaliação: optar pela Paz por qualquer preço (contra todas as guerras e violações dos direitos humanos).
Num Mundo marcado pelo individualismo: optar pelo sentido comunitário da vida e partilha dos bens. Nesta hora, há que partilhar em força com as vítimas do terramoto no Haiti e de outras tragédias.
Num Mundo marcado por algum racismo: optar pela vivência, desde crianças, em contextos de interculturalidade.
Num Mundo marcado por alguma xenofobia: optar pela defesa e compromisso em favor dos imigrantes, refugiados, deslocados, exilados.
Num Mundo marcado pelo lucro e pelo sucesso: optar pelos excluídos e pobres.
Num Mundo marcado pela construção de trincheiras entre o norte e o sul: optar por partir e/ou ajudar a partir rumo aos países mais desfavorecidos.
Num Mundo marcado pelo laicismo e secularismo: optar por colocar Deus no coração da História da humanidade.
Num Mundo marcado pela ganância do poder: optar por servir.
Num Mundo marcado por um norte rico que explora o sul pobre: optar por apoiar o desenvolvimento, através de projectos.

Assim, a Religião nunca será o ópio do povo, de que falou Marx, mas um caminho de fraternidade, justiça, paz e respeito pelos direitos Humanos. Deus faz falta à humanidade.»





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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social

2010 foi escolhido pela Comissão Europeia como o "Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social". Estas duas realidades continuam a marcar a vida de milhões de pessoas um pouco por todo o globo. Quer em países desenvolvidos, quer em países ainda em desenvolvimento, continuamos a assistir a situações alarmantes provocadas por estes factores.

Para nos falar sobre esta iniciativa da Comissão Europeia e de todo o trabalho que tem sido feito para combater a Pobreza e a Exclusão Social, o Luso Fonias contou com a presença da Dra. Maria José Domingos, do Núcleo Distrital de Lisboa da Rede Europeia Anti-Pobreza.



Na opinião do P. Tony Neves:

««2010 é o Ano Europeu do combate à pobreza e à exclusão social. Ainda mal começou e já correm rios de tinta sobre as diversas formas de pobreza que esmagam e alguns caminhos de solução para tão grave problema. Do muito que se escreveu, gosto da perspectiva apontada por Mário Silva, Director do Centro Padre Alves Correia, que apoia imigrantes pobres e excluídos em Lisboa. Ele escreveu: ‘A pobreza é um mal porque, antes de mais, é um atentado à dignidade da pessoa humana. Os países da União Europeia decidiram que o ano 2010 seria um ano de combate a este mal e estabeleceram como objectivos:
1 - Reconhecimento do direito das pessoas em situação de pobreza viverem com dignidade;
2 - Responsabilidade partilhada e participação das próprias pessoas;
3 - Coesão, sendo que a eliminação da pobreza e a inclusão dizem respeito a toda a sociedade;
4 - Compromisso político, a nível europeu e nacional.
Com certeza que serão várias as iniciativas que serão tomadas ao longo deste ano e todos iremos ouvir falar, muitas vezes, de pobres. Contudo, a pobreza, sobretudo os pobres, continuarão a sofrer, porque a sociedade (nós todos) lhe vai roubando a dignidade a que têm direito.
Os programas de combate à pobreza que Portugal tem encetado desde a sua integração europeia têm tido resultados tão diminutos, que mais não podemos afirmar que as taxas de pobreza se vão mantendo porque, se redução houve, ela é tão diminuta que não aparece, nem nos estudos, nem na realidade que todos constatamos.
Bruto da Costa, no seu último estudo, coloca o “dedo na ferida”. A pobreza continua a ser entendida no nosso país “como fenómeno residual e periférico”. O combate à pobreza tem que estar bem no centro das políticas públicas e terá de atingir os “factores estruturais que residem na sociedade dominante”.
Mário Silva conclui de forma provocadora: “Uma manufactura produz algodão e pobres”, dizia-se na época da revolução industrial. Será que ser pobre é um “destino” de muitos? Para vencer a privação de tantos (pobres), bastaria uma transferência de cerca de 3,5% dos rendimentos de poucos (não-pobres). Irá alguma vez tal coisa acontecer?»





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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Prazer da Leitura

Ler e escrever são duas actividades básicas em qualquer sociedade. Através das páginas dos livros ou dos mais avançados recursos de comunicação, a escrita é sempre uma forma de encontro entre pessoas, culturas e saberes.

Para nos falar sobre o lugar que a escrita e a leitura ocupam no nosso quotidiano, o Luso Fonias contou com a participação da Escritora Alice Vieira, que está a comemorar 30 anos de carreira.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O Dia Mundial da alfabetização deve levar-nos longe. Antes de mais, acho urgente partir em direcção aos contextos onde a escola não funciona e, por isso mesmo, a alfabetização ainda é uma miragem para milhões de pessoas. Apostar na lógica de uma escola para todos constitui um dos pilares do desenvolvimento á escala do mundo e não é por acaso que um dos objectivos do milénio para o desenvolvimento passa por aí.
Quero acreditar que todos os governos sérios do mundo apostam forte na educação. Sendo assim, com o apoio dos países mais ricos, a escola vai, em breve, chegar a todos, sem excepção e o mundo pode subir para um outro patamar de exigências no que à educação diz respeito.
Assim, numa sociedade já alfabetizada há que ir mais longe e mais fundo. Não deixa de ser estranho que as pessoas que mais meios educativos têm sejam as que apresentam índices de gosto pela leitura mais baixos. Basta olhar para as novas gerações da Europa e América do Norte que quase não lêem, entretidas como andam nas internets e jogos de computadores. Dizer que ‘não lêem’ não corresponde bem à verdade, pois têm que ler e escrever nas redes sociais, nos mails, nas sms, as regras dos jogos... mas notícias, reportagens, romances, textos académicos ficam quase só destinados a quem tem obrigação de os ler. E isto, quer queiramos quer não, é um atentado á cultura.
Muitos governos têm criado alguns mecanismos de incentivo á leitura, mas a criação do prazer de ler exige pedagogia e disciplina. A escola tem essa missão, embora as famílias não possam ser descartadas desta responsabilidade. As muitas feiras do livro provam que se publica muito, mas, excluindo os best sellers promovidos pelas máquinas publicitárias, não se investe muito dinheiro nestas obras de literatura. E, falta saber, se o que se compra é lido.
O decréscimo das tiragens de jornais e revistas de qualidade tem sido acompanhado pela subida em flecha das edições on-line. Nada de preocupante se os conteúdos outrora impressos hoje circulassem on-line e fossem lidos nos écrans dos computadores. Em relação ás novas gerações, parece que o computador serve mais para entrar nas redes sociais do que para se formarem e informarem. Criar o prazer de ler constitui, assim, um grande desafio para os governos, para as Escolas e para as famílias. Convém não atrasar numa resposta que abra mais portas à educação e à cultura.»





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domingo, 3 de janeiro de 2010

Pobreza e Justiça Climática

As alterações climáticas afectam todos, mas não de forma igual. Os custos sociais e económicos das alterações climáticas são muito mais pesados para os países em desenvolvimento e o seu impacto é crescente. Nestes países, não só existe uma maior vulnerabilidade às alterações climáticas, como existe uma maior dificuldade de adaptação ao impacto destas alterações.

As alterações climáticas são mais do que uma questão ambiental, são uma questão dNuno Lacastae justiça e igualdade global.

É preciso começar a pensar nas alterações climáticas em termos do seu impacto nas pessoas, das suas implicações sociais, económicas e humanas.

Para nos falar de “Pobreza e Justiça Climática” esteve em estúdio o Dr. Nuno Lacasta, coordenador da Comissão para as Alterações Climáticas, director do Fundo Português de Carbono e negociador nacional na Cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas que decorreu em Copenhaga de 7 a 18 de Dezembro.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O Dia Mundial da Paz, a 1 de Janeiro, remete-nos para um ambiente de ecologia total, com a paz com Deus, com todas as pessoas, com a natureza. Ora, a Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, realizada em Copenhaga, na Dinamarca, de 7 a 18 de Dezembro foi mais uma frustração para quem as questões ecológicas são decisivas para o presente e futuro da humanidade. As Igrejas estão conscientes da gravidade deste problema e, a 13 de Dezembro, quando a reunião estava a meio, os sinos repicaram em nome de mais Justiça Climática. Elas têm alertado para o problema de justiça global que está em jogo: as emissões de gases de efeito de estufa (como o CO2) têm origem sobretudo nos países desenvolvidos, mas o efeito nefasto das alterações climáticas atinge muito mais duramente os países mais pobres. O controlo das alterações climáticas é exigido pelo Papa Bento XVI quando, na sua encíclica ‘Caridade na Verdade’ pede que todos se empenhem mais na defesa da justiça e na solidariedade com os mais pobres do mundo. Alterar o actual estado de coisas é dar mais uma oportunidade às gerações futuras e aos povos mais vulneráveis. A Igreja está sensível a esta problemática, trabalhando pela questão ecológica em diversas frentes. Assim, cito o caso da Confederação Internacional para o Desenvolvimento e Solidariedade (CISDE) que, em conjunto com a Cáritas Internacional lançou, para 2008 e 2009, uma campanha política com o nome de ‘Pobreza e Justiça Climática’ sob o slogan ‘vamos criar um clima para a justiça’. Esta campanha esteve focada nas duas conferências das Nações Unidas sobre as alterações climáticas agendadas para este período e que configuraram uma oportunidade para pressionar os governos a assumir um compromisso justo e efectivo para um acordo global. Em Portugal, foi precisamente a Fundação Evangelização e Culturas, produtora deste programa, quem assumiu a responsabilidade de promover este campanha. Termino com a referência tão repetida de que Deus perdoa sempre, as pessoas perdoam às vezes, mas a natureza nunca perdoa. Corremos o risco de pagar muito caro as ofensas que lhe continuamos a fazer. Há que mudar atitudes. Os governos têm de tomar a sério a luta pela defesa de um clima saudável.»





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domingo, 27 de dezembro de 2009

Presépios da Lusofonia

Diana e Rui Antunes
Em tempo de Natal, fomos procurar saber como se vive a grande festa da família nos vários países lusófonos. Em estúdio estiveram dois Leigos Missionários da Consolata que se casaram em Julho de 2008 e partiram em missão, para Moçambique, em Dezembro do mesmo ano, a Diana e o Rui Antunes. Não deixe de ouvir a experiência deste jovem casal.




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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sem-Abrigo: como dar a mão?

Faltam poucos dias para o Natal. A agitação anda nas ruas, os meios de comunicação social lançam campanhas de solidariedade e toda a gente sente que tem de ajudar e partilhar com quem mais necessita. O problema é que estas pessoas não necessitam apenas uma vez por ano. Há muita gente a precisar de uma mão amiga e de uma palavra de conforto.
Ana Moreira
O Luso Fonias de 19 de Dezembro esteve à conversa sobre os sem-abrigo, sobre como podemos dar a mão a estas pessoas e ajudar na sua reintegração social. Não perca a entrevista à Dra. Ana Moreira, Vice-presidente do Conselho Fiscal do CASA - Centro de Apoio ao Sem-abrigo.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O fenómeno dos sem abrigo é um dado assumido por todas as grandes cidades. De uma forma mais ou menos organizada, todos tentam combatê-lo, encontrando soluções para quem vive na rua, por opção, por consequência da perda de todos os bens ou por desenquadramento social. Rios de tinta já correram nas universidades, câmaras municipais, organizações humanitárias, congregações religiosas sobre as razões profundas que deixam na rua tanta gente e, sobretudo, acerca das iniciativas a tomar para que este drama tenha uma solução que parece muito difícil de encontrar.

Entre os sem abrigo das grandes cidades europeias, encontramos muitas pessoas que foram mais ou menos expulsas das suas famílias, não têm trabalho e estão claramente à margem da sociedade. A droga, o álcool, a dificuldade de assumir um trabalho com regularidade, alguns distúrbios psicológicos... tudo serve de razão para considerar a rua como residência permanente.

Durante o tempo mais quente, o sofrimento deles não incomoda tanto a quem passa e os vê deitados debaixo dos prédios, às portas das garagens ou em cima dos respiradouros do metro. Mas, na dureza dos invernos europeus, dói vê-los enrolados em cobertores e mais cobertores, ladeados da sua garrafa de álcool, a tentar sobreviver a mais uma noite. É que, para os sem abrigo, cada dia que nasce é um livro branco que eles não sabem bem como escrever.

Mas há que dizê-lo, boa parte das pessoas não olha para este drama com desprezo e apatia. Há muitas instituições que foram nascendo para tirar da rua os que querem e vão reunindo condições para tal. Mas, respeitam sempre as opções de vida de cada um e há quem esteja na rua por opção e não se integre em nenhuma instituição nem seja capaz de aceitar regras de espécie alguma. Para todos há propostas de resolução para os problemas que é urgente resolver. Para quem quer manter-se na rua, há equipas de voluntários que percorrem as cidades de lés-a-lés e dão refeição, roupa e fazem alguns tratamentos.

Há que ir ao fundo do problema. Os sem abrigo existem porque as sociedades não são tão humanas nem tão fraternas como deveriam ser. Colocam, com as suas regras de jogo, muita gente de fora. Por isso, uma solução global exige mudanças de mentalidade e de cultura. Às portas do Natal, multiplicam-se os eventos onde os mais pobres são protagonistas. É bom, mas é pouco. O ideal é continuar a lutar para que as desigualdades sociais não sejam gritantes e para que a exclusão seja apenas palavra de dicionário. Há um longo caminho a percorrer...»




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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Os sem-direitos

«Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade» é o que nos diz o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que celebrou 61 anos a 10Frei Michael Daniels de Dezembro. Uma data que o Luso Fonias de 12 de Dezembro mais uma vez relembrou, alertando para a importância de dirigir a sociedade para um caminho de liberdade, justiça e paz no mundo.

Não perca a entrevista ao Frei Michael Daniels, consultor da Organização das Nações Unidas e membro da Comissão Justiça e Paz da Guiné-Bissau, que nos deu um testemunho da realidade guineense e falou do trabalho que tem realizado junto dos presos de Bissau.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Foi em Paris, há 61 anos, que nasceu a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovados pela ONU, em Assembleia Geral. Daí para cá, a missão de os dar a conhecer e fazer cumprir foi fazendo o seu caminho, mas o mundo ainda está longe de os ver respeitados e vividos. Por isso, ano após ano, no dia 10 de Dezembro é Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Diante da Declaração de 1948 (pouco depois de acabadas as atrocidades da II Grande Guerra Mundial), as opiniões dividem-se: há quem a considere um instrumento perfeito para que o mundo inteiro veja a dignidade das pessoas reconhecida e respeitada; mas há também quem a considere uma arma do ocidente a impor padrões de moral e de cultura aos outros cantos do mundo. De qualquer forma, já ninguém lhe tira um mérito: o de obrigar, em termos teóricos, os governantes do mundo a respeitar um conjunto de valores que se tornaram património moral da humanidade.

Por isso, acho que o grande problema está agora do lado executivo. Ou seja, há muita teoria bonita, bem argumentada, mas as práticas quotidianas, por esse mundo além, continuam a deixar muito a desejar. Há muita gente a quem são negados os direitos mais elementares, desde o acesso à alimentação, á escola, aos cuidados básicos de saúde, ao trabalho, a uma habitação condigna, á liberdade de expressão, de circulação, o direito a uma nacionalidade, ao bom nome, a ser julgado com imparcialidade... enfim, tanta gente passa ao lado do respeito que a sua dignidade humana exige e não tem.

Todas as formas de exclusão e exploração têm de ser solenemente condenadas e claramente penalizadas. Colocar-se do lado dos oprimidos da história é uma missão de alto risco, mas, igualmente, de profunda humanidade.

Aproveitemos a data para, em nome dos direitos humanos, darmos um toque mais de justiça e paz ao mundo. É uma aposta em que todos vamos ganhar.»




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domingo, 6 de dezembro de 2009

As várias faces do voluntariado

A 5 de Dezembro celebra-se o Dia Internacional do Voluntário. Uma data que serviu de mote ao programa desta semana, que foi procurar conhecer as várias faces do voluntariado.

Para nos falar do que significa ser voluntário esteve em estúdio a Presidente do ConsElza Chambelelho Nacional para a Promoção do Voluntariado, a Dra. Elza Chambel, e o Presidente da Fidesco Portugal, o Dr. José Victor Adragão.



Na opinião do P. Tony Neves:

«O voluntariado apresenta hoje muitos rostos. Vemos os voluntários nos hospitais, nas prisões, nos centros sociais, nos lares de idosos, nas instituições que acolhem e apoiam crianças e jovens em risco... e vemos voluntários que deixam tudo e partem... os voluntários missionários. Desculpem que só fale destes, pois com eles lido há muito tempo e por eles tenho um especial carinho e admiração que me vem do facto de perceber e acompanhar melhor a escolha que fazem, a preparação a que se submetem e o trabalho que realizam, às vezes em contextos bem difíceis nas muitas linhas da frente da Missão, aonde são enviados.

O gosto pela missão e pela partida para países longínquos continua a estar no horizonte de muitos dos jovens (e menos jovens) em Portugal. Apesar das dificuldades em arranjar financiamentos, existem no nosso país 41 entidades que promovem este tipo de iniciativas, desde congregações a ONGD que se José Victor Adragãodedicam exclusivamente à dinamização de projectos no âmbito do voluntariado missionário e da ajuda ao desenvolvimento.

Embora se verifiquem algumas variações, é notório o investimento que, anualmente, tem sido feito com vista a concretizar inúmeros projectos, com tudo o que isso mobiliza em termos de recursos humanos, materiais e financeiros. São muitas as horas de formação para uma preparação que se quer cada vez mais exigente; são muitas as mangas que se arregaçam para angariar os fundos necessários; mas são, sobretudo, muitos os sonhos de quem sente no seu coração este apelo para a missão.

Por ocasião do Dia Mundial Missionário, as Obras Missionárias Pontifícias publicaram as estatísticas referentes aos Missionários/as portugueses que trabalham fora do país: 723. Uma nota curiosa destas Estatísticas é que, pela primeira vez, as Obras Missionárias Pontifícias uniram-se á Fundação Evangelização e Culturas e, nos números, constam também os Leigos Voluntários Missionários. Há 60 que estão em Missão por um ou dois anos.

Esta Estatística aponta para alguns sinais que a Igreja portuguesa dá na sua dimensão missionária. Primeiro, garante que está viva, no que diz respeito à Missão por toda a vida: só fora de portas temos sete centenas de Missionários. Depois, abre-se uma nova página com a partida de leigos por períodos que variam entre um mês e alguns anos.

Há uma nova onda missionária que não rebenta com a antiga, mas ajuda a aumentar o dinamismo no mar da Missão hoje.»






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domingo, 29 de novembro de 2009

SIDA: Como erradicar o preconceito?

A 1 de Dezembro comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA. Uma data que serviu de mote ao Luso Fonias de 28 de Novembro, que focou a importância de se erradicar o preconceito que está associado a esta doença.
Teresa D'Almeida
Não perca a conversa com Teresa D’Almeida, presidente da SOL – Associação de Apoio às Crianças Infectadas pelo Vírus da SIDA e suas Famílias. Uma conversa sobre solidariedade, luz e esperança.



Na opinião do P. Tony Neves:

«A SIDA apareceu, na viragem do século e do milénio, como um grande desafio à ciência, à medicina e à sociedade. À Ciência porque é preciso investir ainda mais no estudo deste vírus, a fim de se encontrar formas de o erradicar; à medicina porque se trata de uma doença que exige, como todas as outras, de meios e métodos para diagnosticar a presença do vírus, combatê-lo na medida dos possíveis e acompanhar as pessoas que são dele portadoras; à sociedade porque se criou a mentalidade de que os portadores desta doença a contraíram através de comportamentos catalogados como negativos e, por isso, os doentes de SIDA são, em muitos casos, excluídos no plano social e até familiar.

Mais importante do que erradicar o vírus, há que erradicar o preconceito. Tenham lá contraído a doença onde quer que seja, o fundamental é olhar cada pessoa no momento e na circunstância em que está. Mais importante do que querer saber como é que alguém contraiu uma doença é perceber que caminhos palmilhar para a combater, permitindo a recuperação da pessoa.

Assim, há que continuar a investir na investigação para que se encontrem medicamentos que matem ou neutralizem os feitos do vírus do HIV. Há que criar condições para tratar todos os seropositivos, para que vivam com o máximo de dignidade e integração social e familiar. Há, claro está, que evitar comportamentos de risco, para que quem ainda não foi atingido por este flagelo possa passar-lhe ao lado. Aqui, os princípios éticos e propostas de comportamento da moral cristã ajudarão muito, caso as pessoas os queiram seguir.

Combata-se a SIDA, apoiem-se os doentes, mas não esquecemos as outras doenças e os outros doentes para quem quase ninguém olha: refiro-me à malária, à tuberculose e a outras enfermidades que vitimam milhões de pessoas por esse mundo além, mas têm o problema de quase só afectar as populações mais pobres.»




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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O fenómeno religioso nos media

O Luso Fonias de 21 de Novembro esteve à conversa sobre “O fenómeno religioso nos media”. Fomos procurar saber se há ou não espaço nos media para o religioso e qual a importância de formar jornalistas para o tratamento da informação religiosa, para que esta não seja abordada apenas por questões institucionais ou de conflito. Em estúdio esteve António Marujo, jornalista do jornal “Público”.


António Marujo
Na opinião do P. Tony Neves:

«'Notícia não é um cão morder num homem. É um homem morder num cão’ – assim se aprende nas escolas do jornalismo, para ficar claro que o normal, o habitual, o esperado não dá razões a nenhum jornalista para escrever uma notícia que ocupe muito espaço nas páginas de um jornal, num noticiário de rádio ou televisão, num site de internet. Ora, este princípio aplica-se em cheio ao mundo do Religioso nas suas relações com os media. Fala apenas de três situações que têm feito correr rios de tinta. Comecemos pela mais dura: houve alguns casos de membros da Igreja que foram envolvidos na teia da pedofilia. Abriram-se noticiários sem conta, escreveram-se páginas e mais páginas... como se de notícias religiosas se tratasse! Para qualquer receptor mais atento, estávamos perante um caso de tribunal, mas o facto de envolver figuras da Igreja, multiplicaram o efeito da atenção dada pelos receptores e, por consequência, obrigaram os emissores a gastar mais espaço.

Em Portugal, o escritor Nobel José Saramago, lembrou-se, do alto do seu anticlericalismo primário, de escrever um livro sobre ‘Caim’, mas, mais do que isso, aproveitar o lançamento da obra para insultar a Igreja, com palavras que mostravam uma intolerância extrema. Com isto, todos holofotes mediáticos apontaram para o livro e para o autor, abrindo quase que uma guerra religiosa, concluindo Saramago que só não foi queimado pela Igreja porque a inquisição já tinha fechado as portas. O resultado final foi que a venda dos livros disparou... e pouco mais. Mas também é verdade que a Bíblia foi mais referida nesses dias que no conjunto dos últimos 10 anos!

Para acabar, queria lembrar que os Bispos portugueses reuniram em Fátima, de 9 a 12 de Novembro. Como está aceso o debate sobre o casamento dos homossexuais, a comunicação social apareceu em peso, em Fátima...só para abordar este assunto. Tudo o que era importante na agenda dos Bispos, não pareceu ter qualquer interesse para os jornalistas. Só aquele tema fracturante.

Diante disto, que pode fazer a Igreja para ter mais vez e mais voz nos media? Não me parece haver respostas de catálogo, mas há que encontrar formas de provar ao mundo que o Evangelho é uma grande notícia, cheia de novidade e impacto social. Talvez nessa altura, o fenómeno religioso tenha, nos media, direito de cidadania.»




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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Imigrantes: um perigo social?

André Costa JorgeA imigração é um fenómeno social. No entanto, os imigrantes nem sempre são encarados da melhor forma, têm dificuldades de integração e, muitas vezes, são explorados pelas fragilidades que apresentam.



No Luso Fonias de 14 de Novembro procurámos saber se há ou não motivos para considerarmos os imigrantes um perigo social. Não perca a entrevista a André Costa Jorge, Director do Serviço Jesuíta aos Refugiados.



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domingo, 8 de novembro de 2009

Ano Internacional da Reconciliação

O ano de 2009 foi proclamado como o "Ano Internacional para a Reconciliação", para que se caminhe para a resolução de conflitos nas sociedades marcadas pelo ódio e violência, e para que a paz seja duradoura.

O programa de 7 de Novembro esteve à conversa sobre o conceito de reconP. José Gaspar e Fátima Claudinociliação e como podemos caminhar para uma melhor convivência multicultural. Em estúdio esteve o P. José Gaspar, que foi missionário em Angola, e a Dra. Fátima Claudino, representante da Comissão Nacional da UNESCO.



Na opinião do P. Tony Neves:

«Ia 2008 ainda no meio quando fui surpreendido com a oferta de um calendário dos Missionários da Consolata para 2009 cujo tema era: Ano Internacional da Reconciliação. Foi nessa altura que me apercebi que a ONU tinha tomado esta decisão, útil e oportuna em qualquer ano, atendendo à importância da reconciliação para a construção de um mundo justo e pacífico.

Curiosamente, o II Sínodo Africano, que fechou as portas a 25 de Outubro em Roma, também pegou neste grande tema, aliando-o, como não podia deixar de ser, à justiça e paz. Por isso, achei que, para este espaço, o melhor mesmo era pegar em algumas frases da densa Mensagem Final deste evento que deve marcar o continente africano e questionar o resto do mundo. Destaco, então, algumas das afirmações mais fortes:

Vivemos num mundo cheio de contradições e profundas crises (...). A situação trágica dos refugiados, uma pobreza escandalosa, as doenças e a fome continuam a matar diariamente milhares de pessoas (nº 4).

No que se refere à reconciliação, à justiça e à paz, a Igreja em África continua a contar com a solidariedade dos responsáveis da Igreja nos países ricos e poderosos, cuja política, acções ou omissões, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a difícil situação da África. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a África há uma peculiar relação histórica (nº11).

Às grandes potências deste mundo apelamos: tratai a África com respeito e dignidade (...) Muitos dos conflitos, guerras e pobreza em África derivam em grande parte destas estruturas injustas (nº32).

A consequência negativa de tudo isto está aí, bem patente a todo o mundo: pobreza, miséria e doenças; refugiados dentro e fora do país e no estrangeiro, a busca de pastagens frescas, a fuga de cérebros, as migrações clandestinas, tráfico de seres humanos, guerras, derramamento de sangue, não raro sob comissão, a barbaridade das crianças-soldado e indizíveis violências contra as mulheres. Como é que alguém se pode orgulhar de “governar” em semelhante situação? Onde pára o nosso sentimento tradicional africano de vergonha? Este Sínodo proclama-o claramente, alto e bom som: é tempo de mudar de atitudes para o bem da geração presente e futuras (nº37).»




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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caminhos de Cooperação

No Luso Fonias de 31 de Outubro estivemos à conversa sobre cooperação, sobre como podemos construir pontes entre povos e culturas, ajudando a promover o desenvolvimento sem interesses económicos e financeiros.


“Caminhos de Cooperação” é o tema deste programa, porque o trabalho em Simão Cardoso Leitãoprol do desenvolvimento é isso mesmo, um percurso que está a ser feito mais do que uma solução já pronta.


Para nos falar de algumas experiências esteve em estúdio o Coordenador de Programa da FEC na Guiné-Bissau, o Simão Cardoso Leitão.





Na opinião do P. Tony Neves:


«Participei, no Montijo, a 24 de Outubro, no XI Fórum Ecuménico Jovem. É um evento que se repete ano após ano e que sensibiliza as gerações mais jovens para a urgência da comunhão, da cooperação, da unidade. Este ano foi sobre a reconciliação, apontando cinco direcções. A reconciliação consigo próprio, com Deus, com a Igreja, com os outros e com a natureza. Embora não pareça, esta temática tem tudo a ver com os caminhos de cooperação que é urgente continuar a rasgar. Isto porque, o grande drama da humanidade continua a assentar no facto das pessoas não se considerarem irmãs e, por isso mesmo, não viverem a fraternidade como valor universal.


O mundo continua a caminhar a velocidades diferentes. Uns têm tudo e outros quase nada. Uns esbanjam e outros passam fome. Uns têm máquinas que nunca mais acabam e outros continuam mergulhados num subdesenvolvimento intolerável...


Ora, só mudando mentalidades e corações haverá espaço para uma verdadeira cooperação assente nos pilares da justiça e da fraternidade.


Olhando para as cooperações institucionais, feiras de povo para povo, percebemos logo que elas são comandadas pelos interesses e não pelo respeito que as pessoas merecem. E isso, inquina as águas de uma solidariedade internacional séria, bem como impede que haja um apoio ao desenvolvimento sustentado dos povos mais pobres.


Mas há honrosas excepções. Diversas organizações humanitárias têm feito e continuam a fazer o que podem para que, com os seus projectos, o mundo seja mais humano, mais fraterno e mais solidário, usando a estratégia de dar pão a quem precisa dele hoje e dar ‘cana e ensinar a pescar’ para que haja pão amanhã.


Os mecanismos actuais do desenvolvimento assentam em novas e caras tecnologias que não estão ao alcance dos mais pobres. Ou há uma verdadeira solidariedade internacional ou a globalização ainda vai cavar um fosso mais profundo entre quem tem e quem não tem, podem gerar conflitos que resultarão das injustiças gritantes que vão continuar a existir por esse mundo além.


Abrir caminhos de uma cooperação mais solidária é uma forma de construir um mundo assente na justiça e no respeito pelos direitos humanos.»






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