segunda-feira, 19 de julho de 2010

Férias ao serviço dos outros












NNuma época em que a maioria das pessoas goza o merecido descanso das férias, há quem use esse tempo para participar em experiências de voluntariado, que tanto enriquecem quem dá e quem recebe.
Para nos falar sobre a sua experiência de voluntariado nas férias, o Luso Fonias conta com a participação de Hugo Gonçalves, do grupo de voluntariado missionário Tuala Kumoxi.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O nosso mundo é complicado. Corremos tanto e parece que atingimos tão poucos objectivos. Estamos sempre tão cansados, mas os resultados dos nossos esforços teimam em não aparecer. As preocupações do dia a dia tomam-nos de tal maneira que passamos a vida stressados, sem respirar fundo, sem saborear a felicidade das pequenas ou grandes conquistas do nosso dia a dia, que deveria ser simples, mas não é.
Por isso, o momento do ano mais ansiado por quase todos é o tempo das férias. O ritmo acelerado que imprimimos à vida dá mais sabor ao tempo em que descansamos dos trabalhos habituais e nos podemos dedicar mais à família, á cultura, a viagens e a fazer muitas coisas que é preciso ou de que gostamos, não tendo hipótese de as realizar durante o resto do ano.
O lazer é um direito a que, infelizmente, muitas pessoas não têm acesso. A pobreza é o factor mais importante no ataque a este direito. Quando os meios materiais são insuficientes para ter uma vida digna, as pessoas vêem-se obrigadas a trabalhar sem pausas, para garantir só e apenas o pão de cada dia.
As férias também são, para quem tiver possibilidades para tal, um tempo favorável ao encontro de povos e culturas, de experimentar novos climas, ver novas paisagens, visitar monumentos, provar novas gastronomias, dançar em ritmos diferentes. Claro que estas experiências não estão ao alcance de todas as bolsas mas podem estar no horizonte de todas as pessoas. Conhecer o mundo para além das fronteiras do meu dia a dia é um objectivo por que vale a pena lutar.
O Mundial de Futebol – isto para dar apenas um exemplo recente – levou á África do Sul milhões de pessoas. Foram lá levados pela onda do futebol. Mas, uma vez lá, fizeram uma pequena experiência de África, conheceram novos povos, novas culturas, escutaram o som das vuvuzelas, aprofundaram a história destes povos da África Austral.
Desejo boas férias a quem as tiver. Que sejam aproveitadas para o lazer, mas também para mais encontros com pessoas, com povos, com monumentos. E avanço com um desafio final: que as férias sejam tempo de mais solidariedade, partindo ao encontro de quem está mais só e mais excluído.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O desporto como factor de unidade mundial











Na véspera da final do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul, os media e a população em geral concentra a sua atenção em torno do futebol. Adeptos de todos os países confraternizam e partilham as emoções do desporto que assim se torna num factor de unidade entre os povos.
Para nos falar sobre a importância do desporto na promoção do desenvolvimento dos povos, o Luso Fonias conta com a participação de Vanda Ramalho, da Associação Nacional de Futebol de Rua.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O Mundial de Futebol levou os olhos e os corações a passear-se por África. Foi a primeira vez que este continente acolheu uma organização tão complexa como esta que amanhã se conclui com a Final.
O desporto nasceu como demonstração das reais capacidades físicas das pessoas e como espaço de encontro e confraternização entre as pessoas. Com o andar dos tempos e com a entrada, em força, do factor económico, tudo mudou no reino do desporto. Hoje, assustamo-nos todos com os milhões que circulam por aí, desde os contratos aos salários, passando pelo complexo mundo das publicidades.
Os comentadores desportivos deste Mundial, talvez sem medirem o alcance do que diziam, constantemente ligavam o jogador ao valor da sua última transferência ou da sua cláusula de rescisão. Como se de gado em feira se tratasse!
Juntar o negócio ao entretenimento parece ser, no desporto de alta competição, uma missão quase impossível. Pelo menos, para os jogadores, sempre sob a pressão dos números a facturar. Hoje, até aqueles jogos que se chamavam ‘amigáveis’ o deixaram de ser pois todos os jogadores estão vigiados por ‘olheiros’ de outros clubes, sempre à pesca dos melhores jogadores pelos mais baixos preços.
Também impressiona o estatuto de ídolos que os jogadores adquirem quando atingem o patamar das estrelas. Infelizmente (e vimos muitos casos desses no mundial), boa parte dos jogadores ganham muito dinheiro, mas a sua formação humana e o seu comportamento estão uns furos abaixo. E o pior é que eles se tornam referências, a todos os níveis, para as novas gerações!
Com esta passagem por África, espero que o desporto ajude a construir pontes entre povos e culturas e proporcione um verdadeiro encontro de pessoas.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Missionários a Caminho










De acordo com os dados revelados recentemente pela Fundação Evangelização e Culturas, durante este ano de 2010 já partiram ou ainda irão partir 360 voluntários para os diversos países de missão. Movidos pela ousadia e pela coragem de contribuirem para um desenvolvimento global mais justo e fraterno, estes voluntários entregam generosa e gratuitamente um período mais ou menos longo das suas vidas para que outros possam também melhorar as suas condições de vida.
Para nos falar sobre voluntariado missionário, o Luso Fonias conta com a presença da Ana Patrícia Fonseca da Fundação Evangelização e Culturas e da Liliana dos Leigos Missionários Combonianos.










Na opinião do P. Tony Neves:




«São muitas e muitos os que estão de malas aviadas e vão partir em Missão. Num tempo acusado de muito egoísmo, é provocador ver tanta gente, sobretudo jovens, querer ir ao encontro de outros povos para falar de Cristo e, de acordo com as suas competências profissionais, dar uma pequena colaboração na construção de um mundo mais humano e mais cristão.
Na hora da publicação das estatísticas, prefiro focar mais a minha reflexão nas orientações que os Bispos Portugueses acabam de dar, em carta Pastoral, sobre o impulso missionário que é urgente dar à Igreja.
Dizem os Bispos que os sinos já não marcam o ritmo da vida das pessoas. É urgente anunciar o Evangelho. É fundamental a opção pelos mais pobres. Portugal é espaço de Missão. A Igreja local é o sujeito primeiro da Missão. Há que apostar mais na pastoral juvenil. Há que trabalhar á imagem do Bom Pastor. A igreja tem de se abrir mais ao Espírito Santo e partir ao encontro dos corações.
Parece óbvio que ninguém ama o que não conhece nem anuncia aquilo que não sabe ou em que não acredita. Os Bispos dizem que o ‘amor excessivo’ de Deus por nós exige-nos uma dedicação radical ao seu anúncio. Nos tempos que correm, não bastam discursos, não basta reformar estruturas. É preciso ir mais longe e mais fundo e converter a nossa vida aos valores do Evangelho, sabendo que tal exige remar contra a corrente. Também não é suficiente a pastoral de manutenção do que já temos: é preciso partir em missão. Há aqui um duplo apelo à espiritualidade (há que aprofundar pela oração as razões da nossa fé) e à disponibilidade para partir onde o Espírito nos levar. O ideal era atingir objectivo que aparece retratada na oração final sobre Maria: a Igreja deve ser uma Casa grande, abertas e feliz, átrio de fraternidade’.
Felicito quantos partem em Missão e, sobretudo, mantenho acesa a esperança de que, com esta Carta Pastoral, a Missão vai sentir um novo dinamismo em Portugal, com consequências em todo o mundo onde os missionários portugueses partilham a fé e a vida das populações a quem são enviados.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Droga: a desumanização da Humanidade









No dia 26 de Junho, comemorámos o Dia Internacional contra o Uso e Tráfico de Droga. De acordo com estudos recentes, o consumo de droga tem aumentado junto das camadas mais jovens e cada vez em mais precocemente. Geradora de vícios e de uma contínua e degradante desumanização, a droga é também um negócio milionário cujas redes de tráfico e consumo continuam a proliferar um pouco por todo o mundo.
Para debatermos este tema, o Luso Fonias com a presença do Pe. Pedro Quintela, da Direcção da Associação Vale de Acór, uma associação que trabalha diariamente na recuperação e reinserção de toxicodependentes.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Contra a droga parece que já inventamos todos os slogans, todas as campanhas. Mas ela continua aí, a dar cabo das novas gerações e já a fazer investidas em classes etárias mais avançadas. Onde ela entra, sai o essencial da dignidade e da vida.
Todos conhecemos pessoas com o estatuto de adicto, palavra bonita que quer dizer ‘dependente’. Esse é o grande problema da droga: depois de tomar conta das pessoas, de as impedir de agir com liberdade e responsabilidade, torna-as dependentes. E é isso que dá dinheiro aos traficantes, pois a droga é muito cara e os adictos necessitam dela mais do que do pão para a boca. Para a obterem não há preço e eles serão capazes de tudo ou quase tudo. Se for mesmo preciso roubar ou matar, essa possibilidade não é descartada, dependendo muito do estado em que a pessoa já se encontra.

Os problemas resolvem-se de duas maneiras: combatendo as consequências e evitando as causas. Neste mundo complexo da toxicodependência, parece óbvio que as melhores soluções se encontram na prevenção. E, quer queiramos quer não, tocamos num problema muito sério: o do sentido da vida, da felicidade das pessoas, da realização pessoal, familiar e profissional de cada uma delas. Aqui é urgente investir. As pessoas, desde a infância, têm de se sentir amadas; precisam de ter vez e voz na família e na sociedade; devem perceber que a escola é um espaço de crescimento e de abertura ao futuro; necessitam de participar, como cidadãos, em grupos de adolescentes e jovens onde as dimensões ética, religiosa e de cidadania sejam cultivadas e valorizadas. Depois, quando não funciona a prevenção há que atacar o problema. Os governos devem lutar contra a produção e tráfico. Os serviços de saúde e as instituições especializadas devem acompanhar e recuperar os adictos. É uma missão muito difícil, mas não impossível. As sociedades têm de investir mais na garantia da felicidade dos cidadãos e no combate a tudo o que os escraviza e desumaniza. A Igreja, aqui e mais uma vez, joga um papel decisivo.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Música como encontro de culturas








A música tem o poder de transmitir sentimentos e aproximar as pessoas, numa linguagem que é universal. Os países lusófonos têm um património musical variado e muito rico, e vários dos nossos artistas têm feito a experiência de juntar ritmos e sonoridades dos diferentes países e assim vão reforçando um universo cultural comum.
Para nos falar sobre música e interculturalidade, o Luso Fonias conta com a presença da cantora caboverdiana Celina Pereira.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Ao falar da Música vem-me sempre á memória o aviso que o meu professor de Eclesiologia, na Universidade Católica, em Lisboa, a fazia aos alunos: estudem os manuais de teologia a sério, não quero que se formem padres de viola ás costas! Esta crítica era dirigida a mim e outros como eu que, durante os estudos de Teologia, percorríamos dos caminhos das paróquias onde fazíamos a pastoral, quase sempre de viola às costas, para falar de Deus ás pessoas de uma forma divertida: cantando e pondo as pessoas a cantar e a louvar a Deus através da música. Anos a fio, tentei animar crianças, jovens e menos jovens, através de textos e melodias que as pessoas gostavam de cantar. E sempre achei que tal não excluía a teologia. Pelo contrário, constituía uma forma simpática atractiva de proclamar as verdades da nossa fé e os compromissos que ela exigia, sempre em ordem à construção de um mundo mais humano e mais fraterno.
E, quando estudava Filosofia em Braga, fundamos uma ‘orquestra Típica’ que cantava e tocava músicas do património popular português, garantindo animação em dias de festa nas comunidades por onde passávamos. A música servia, ao mesmo tempo, a cultura, o convívio e a missão.
Em Angola, não podia passar sem a festa que os batuques garantiam nas visitas às comunidades, mesmo em tempo de guerra. Não era preciso mais nada: bastava um batuque e pessoas para assegurar a alegria por muitas horas, por vezes para a noite inteira. Ali, a música era o garante da comunhão, da alegria e da festa. Em tempo de guerra, juntar-se á volta da fogueira para cantar e dançar era acontecimento que enchia a alma e apagava as mágoas.
Terminou há tempos o Rock in Rio, em Lisboa. Continua a ser impressionante a capacidade que a música tem de unir pessoas ou, pelo menos, de as congregar. O lema deste evento é ‘por um mundo melhor’. Se conseguiu atingir este objectivo há que dar parabéns à música e aos músicos. Afinal, num mundo tão dividido, as expressões musicais têm o talento de unir. Como pede Jesus na parábola do Evangelho, há que pôr este talento a render mais.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Portugal e o mundo lusófono: desenvolvimento comum







Num momento de crise financeira internacional que atinge todos os países e numa altura em que Portugal assume cada vez mais um compromisso de controlo da despesa pública, vamos analisar a cooperação portuguesa face aos compromissos assumidos a nível internacional para contribuir para a criação de um mundo global mais justo.
Para nos falar sobre a cooperação portuguesa, o Luso Fonias conta com a presença do Dr. João Martins, da Plataforma das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento.










Na opinião do P. Tony Neves:




«A lusofonia – basta olhar para a história para o concluir – nasceu da colonização portuguesa. Por isso, á partida, há sentimentos contraditórios nascidos de um processo complexo de mais de 500 anos. A colonização não assentou, como é óbvio, no respeito dos direitos humanos nem da dignidade igual das pessoas. A história foi a que foi e ela não pode ser alterada. Mas há feridas que ainda não estão completamente cicatrizadas. Nestes 500 anos, a par de aspectos negativos, houve, claro está muitas coisas positivas que, apesar de tudo, faz dos povos que hoje falam português países irmãos. Eu não sinto a mesma coisa quando aterro no Congo ou em Angola, no México ou no Brasil, no Senegal um em Cabo Verde, na África do Sul ou em S. Tomé, na Guiné Conacri ou na Guiné Bissau... Sinto as pessoas dos países lusófonas como minhas irmãs, pois partilhamos a mesma língua e boa parte da mesma história.
Ora, o tempo colonial também não ajudou a construir um ‘império económico’ com igual desenvolvimento para todos. A era das independências (e refiro-me só a África) fez passar a autoridade dos administradores portugueses para os novos líderes locais, situação que, em alguns casos degenerou em guerra civil e noutros em dificuldade governativa. Por estas e outras razões, o índice de desenvolvimento humano, publicado ano após ano pelas Nações unidas, prova que há muita pobreza e pouco desenvolvimento sustentável em boa parte do espaço lusófono. Pela história comum e pela cultura que partilhamos, nós, os lusófonos, devíamos dar mais as mãos e trabalhar por um desenvolvimento que aprofunde laços de comunhão e solidariedade entre todos. Não faz sentido que, por exemplo, a Guiné-Bissau esteja na cauda da lista dos países mais pobres. Há que ser mais solidário, quer nos apoios directos, quer na ajuda à boa governação, um dos problemas que muitos países do mundo enfrentam.
Estão constituídas diversas plataformas de encontro no espaço lusófono. Será que funcionam a sério? A CPLP consegue atingir os objectivos para que foi fundada? A Plataforma das Igrejas Lusófonas, que une as lideranças das conferências episcopais do espaço lusófono tem reunido com frequência, debatido assuntos pastorais e sociais importantes, gerado ondas de solidariedade, mas não se poderia ir ainda mais longe?

Estas e outras questões precisam de ser aprofundadas. Há que investir num desenvolvimento mais equilibrado na lusofonia para que todos nos sintamos mais irmãos. É que, verdade seja dita, não basta falarmos a mesma língua!»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

As Crianças: o futuro do desenvolvimento







Na semana em que comemorámos o Dia Mundial da Criança, vamos debater sobre as formas de sensibilizar as crianças para a solidariedade e o desenvolvimento global, porque é nas mãos delas que está o futuro da humanidade. Vamos conhecer a experiência da Associação das Guias de Portugal, que aposta forte na educação das suas crianças e jovens, e que levou a cabo recentemente uma campanha de recolha de fundos para projectos em vários pontos do globo.
Para nos falarem das suas actividades, o Luso Fonias conta com a presença de Inês Domingues e Joana Henrique, da Associação das Guias de Portugal.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Fernando Pessoa quando disse que ‘o melhor do mundo são as crianças’ estava a ser profeta sem dar por ela. De facto, a sua simplicidade, a sua ternura, a capacidade de amar e de crescer, a alegria sem preconceitos, a falta de filtros que lhes permite ser verdadeiras... são valores que nós, os adultos, por vezes, vamos perdendo ao longo dos anos. Mas, as notícias que vão circulando por aí mostram que elas, em muitos contextos, são maltratadas e sentem os seus direitos espezinhados. E não estou em falar na situação limite e degradante que tem a ver com os abusos sexuais, nem me refiro ao drama inqualificável do trabalho infantil. Refiro-me, sim, a situações mais simples que se prendem com as consequências dramáticas da pobreza.
Um dos objectivos do Milénio para o Desenvolvimento refere a escolaridade mínima. Outro refere a saúde materno-infantil. Ora, os números falam alto acerca da quantidade de crianças que não vão á escola, que não têm acesso aos cuidados mais elementares de saúde, que não vivem numa habitação condigna, que passam fome, que vivem em contexto de guerra ou violência mais ou menos generalizada... e continuamos a falar daquelas que Fernando Pessoa definiu como ‘o melhor do mundo’, ou seja, as Crianças.
Trabalhar pelo desenvolvimento integral das novas gerações é fundamental para a construção de um futuro de paz e desenvolvimento. São muitas, felizmente, as instituições que, por esse mundo fora, trabalham por mais educação, mais saúde, melhor habitação, mais respeito pelos direitos humanos, mais paz, mais progresso. E, regra geral, as crianças são sempre o grupo prioritário destas intervenções humanistas e solidárias.

O Dia Mundial da Criança que celebrámos a 1 de Junho, deve permitir uma focagem especial neste mundo das crianças. Que bom que seria perceber que a expressão feliz do nosso Poeta Pessoa não é letra morta gravada em livro mas se transformou em prática quotidiana em todo o mundo. O futuro, desta forma, estaria mais que garantido, para todos.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

África: um continente em expansão






Assimetrias sociais, desenvolvimento muito frágil, instabilidade política e económica... São geralmente estes os termos que preenchem os cabeçalhos dos meios de comunicação quando se referem a África. Mas o continente africano é muito mais do que isto. Nele encontra-se uma grande variedade cultural, um enorme potencial de crescimento dadas as suas riquezas culturais e uma demografia jovem com uma grande sede de conhecimento.
Para nos falar sobre esta África em expansão, o Luso Fonias conta com a presença do Professor Carlos Lopes do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Celebramos, a 25 de Maio, o Dia de África. Festa não faltou. Nem em África, nem no resto do mundo onde África está presente. O ritmo, o colorido, a alegria, a dança estão sempre presentes quando há africanos. Esta é uma imagem de marca do continente verde e talvez seja um dos elementos fundamentais para explicar a sua capacidade de enfrentar dificuldades, de sobreviver em situações críticas aos olhos do resto do mundo. Mas não basta fazer festa. É preciso dar estabilidade aos Estados, às economias, á democracia. É preciso cimentar a paz onde ela foi conseguida após longos anos de conflitos sangrentos. É preciso criar empresas competitivas e modernizadas. É preciso que o Serviço Nacional de Saúde funcione bem. É preciso que os Direitos Humanos sejam respeitados por todos. É preciso que uma Educação de qualidade esteja ao alcance de todos. Enfim, há muitos objectivos ainda por alcançar em África como no resto do mundo. Celebrar o Dia de África é também um excelente pretexto para avaliar o caminho percorrido e lançar os alicerces de um futuro assente em valores, na justiça, na paz, na solidariedade, no respeito pelos direitos humanos, numa economia desenvolvida, na fraternidade.
Passei a Páscoa no norte de Moçambique. Experimentei, mais uma vez, a hospitalidade extraordinária de um povo que oferece tudo o quem tem a quem o visita. Senti, na relação construída, como a festa faz parte da sua vida. Percebi a sua vontade de ver crescer os filhos, apostando na sua ida Escola. Mas doeu-me muito ver a extrema pobreza de quase todos em contraste com a provocadora riqueza de uns poucos. Doeu ver como a máquina do desenvolvimento está quase parada no interior onde não há estradas, nem escolas, nem hospitais, nem fábricas e as pessoas sobrevivem com o seu campo e o pequeno comércio que dá para ir fazendo.

Celebrar o dia de África foi pretexto para fazer subir a auto-estima de um continente que tem tudo para ser grande. Sempre com a convicção de que o melhor do mundo são as pessoas e é nelas que é urgente investir.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

Diálogo Intercultural






Na semana em que comemorámos o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, o Luso Fonias teve como tema o "Escolhas", um Programa do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural que promove a igualdade de oportunidades entre os jovens descendentes de imigrantes e de minorias étnicas. Para nos falar sobre este programa, contamos com a presença de Pedro Calado, Director do Programa, e António Embaló, coordenador de um projecto em Loures, o Projectar Lideranças.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Bento XVI, na sua recente visita a Portugal, falou várias vezes da riqueza da diversidade cultural, quando assenta no diálogo e não na confrontação. No encontro como o mundo da Cultura, o Papa reconheceu que ‘a convivência da Igreja, na sua adesão firme ao carácter perene da verdade, com o respeito por outras ‘verdades’ ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer’. Esta confissão é um acto de humildade que é geradora de esperança na construção de um mundo assente nos pilares dos direitos humanos. Mais adiante, o Papa afirma: ‘Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e dar-lhe aquilo que possui de bem, de verdade e de beleza’.
Na preparação da visita do Papa, Lisboa encheu-se de faixas de pano. Esta campanha de rua apoiou-se em verbos com mensagem profundamente bíblica, que acompanhavam todos a afirmação: ‘Foi o que o Pai me ensinou’. ‘Amar’, ‘perdoar’, ‘acreditar’, ‘esperar’, ‘confiar’ e ’festejar’ eram os verbos que apoiavam o lema da campanha que tinha um rosto a mostrar que Lisboa é multicultural. Quem ia percorrendo as avenidas olhava para caras europeias e africanas, todas unidas por uma fé comum e pela pertença à Igreja. De facto, quer Portugal quer a Igreja Católica são um espaço sem fronteiras onde todas as culturas têm lugar, vez e voz, sem haver quaisquer razões para discriminações.
No Porto, com a Avenida dos Aliados a rebentar pelas costuras, Bento XVI voltou a falar do diálogo: ‘hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência entre os povos’.

O respeito pela diversidade cultural, assente no diálogo gera desenvolvimento e abre caminhos de futuro. Por isso, há que dar vida ao slogan do Rock in Rio que está a acontecer em Lisboa e que tem por lema: ‘Por um mundo melhor’.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cooperação e Solidariedade





As Cáritas dos países de língua oficial portuguesa reuniram-se entre 25 de Abril e 2 de Maio na Guiné-Bissau para reflectir sobre o “Combate à Pobreza promovendo a auto-suficiência alimentar”.
Neste Luso Fonias contamos com um debate organizado pela Rádio Sol Mansi, da Guiné Bissau, com representantes das Cáritas de vários países que estiveram presentes neste encontro.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Falar de Caridade após a passagem de Bento XVI entre nós, em Portugal, vem sempre a propósito. Aliás, o papa fez questão de colocar o compromisso social dos cristãos como ponto alto da sua agenda. O encontro, em Fátima, com quantos se empenham por um país mais solidário e mais fraterno é prova dessa vontade do Papa estar do lado dos mais pobres, daqueles que merecem ter mais vez e mais voz.
‘Deus é Amor’ é a primeira encíclica de Bento XVI. Para o Papa, o amor a Deus e o amor ao ‘próximo’ constituem um único mandamento e fundem-se no mais pequenino dos humanos. Por isso, Jesus usou parábolas como a do Bom Samaritano, a do Rico e do Pobre Lázaro, ou a do Juízo Final para dizer que o ‘próximo’ é qualquer pessoa que necessite de mim e eu possa ajudá-lo.
O Papa recorda ainda que, no âmbito da solidariedade, há que evitar duas tentações: a de ter soluções humanas e técnicas para tudo e a de cruzar os braços porque não se consegue resolver nada.
‘Caridade na Verdade’ é o documento que Bento XVI dedica a temas sociais. Defende um desenvolvimento humano integral, que atinja todas as pessoas em todas as dimensões do humano. O Papa considera que o subdesenvolvimento depende da responsabilidade humana: resulta da falta de fraternidade entre as pessoas e entre os povos: ‘A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos’. Bento XVI condena o aumento do fosso entre ricos e pobres: ‘cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas riquezas’. Há uma denúncia forte à corrupção e ilegalidade presentes no comportamento de sujeitos económicos e políticos dos países, tanto pobres como ricos, insistindo na situação que se vive em certos países mais pobres: ‘(…) alguns gozam duma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora. Continua o escândalo de desproporções revoltantes’ .
O Papa considera que o aumento maciço da pobreza mina a coesão social e põe em risco a democracia. Há que continuar a investir na aplicação dos princípios tradicionais da ética social: a transparência, a honestidade, a responsabilidade e a gratuidade.

Parabéns á caritas e a quantos fazem da solidariedade um espaço de Missão.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A visita do Papa Bento XVI a Portugal




O Santo Padre vai estar em Portugal de 11 a 14 de Maio, passando por Lisboa, Fátima e Porto. Em Fátima vai presidir às celebrações do 13 de Maio, no décimo aniversário da beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta. Vai também ter encontros especiais com agentes da cultura e da pastoral social. Para nos falar do programa e das expectativas da Igreja Portuguesa para esta visita teremos hoje connosco D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e coordenador da visita de Bento XVI.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Estarei lá. Em Lisboa, em Fátima e no Porto. Acompanharei os passos e escutarei as palavras do Papa. Faço parte das largas centenas de jornalistas que terão a missão de amplificar as palavras e os gestos de bento XVI nesta sua primeira visita às terras de Santa Maria.
Acompanhar uma visita papal é uma experiência muito interessante. Para mim, tudo começou no ano 1982 quando em Coimbra, num dia de muito nevoeiro, tive que esperar, ao frio e sem comida, uma noite inteira e uma manhã, pelo Papa João Paulo II que, por causa do mau tempo, chegaria ao Estádio Municipal no dia seguinte ao previsto. Mas ninguém arredou pé e passamos a noite a cantar. Já não recordo das palavras do papa polaco, mas ainda está viva na minha memória a alegria e a festa que todos fizemos na presença de J. Paulo II.
Já como padre e como jornalista, tive o privilégio de acompanhar toda a longa e significativa viagem de J. Paulo II a Angola e S. Tomé em 1992. Tive o privilégio de ser escolhido como comentador da Rádio nacional de Angola e, por isso, tive sempre direito a avião e a jipe em todas as deslocações do Papa. Foi uma festa que, para os angolanos, celebrava a paz, embora, infelizmente, a guerra tenha recomeçado mais tarde.
De regresso á Europa, tive a felicidade de participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Paris, no ano 97. Mais de um milhão de jovens vibraram com a simpatia que J. Paulo II conseguia fazer passar para as novas gerações. Foi um momento forte de encontro, de festa, de celebração da Fé na Cidade Luz.
Voltaria a encontrar J. Paulo II, desta feita já muito debilitado, em Fátima no ano 2000. Ele queria vir cá revelar o terceiro segredo e beatificar a Jacinta e o Francisco. Doía um pouco olhar para aquele homem completamente vergado pela doença, mas dava coragem olhá-lo nos olhos e ver a força com que lutava pela vida e pelo testemunho corajoso do Evangelho.
Nunca encontrei Bento XVI. Esta será a primeira vez que o verei ao vivo. Vem num momento de crise, quer económica quer de valores. Aguardo com expectativa as suas intervenções e os gestos proféticos que venha a fazer. Espero que a sua homilia no Porto dê um empurrão à dimensão missionária de uma Igreja que não pode ficar eternamente a olhar para a história e a dizer que Portugal foi um país muito missionário!

Com Bento XVI, espero que a Missão ganhe força e fôlego em Portugal e no mundo.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ética no Trabalho



Na semana em que comemoramos o Dia do Trabalhador, o Luso Fonias tem como tema a influência da Doutrina Social da Igreja nas relações de trabalho, em especial numa época em que os sacrifícios impostos pela crise económica e pelo alto nível de desemprego colocam a questão do trabalho no topo das preocupações de um grande número de famílias. Para nos falar sobre ética no trabalho, o Luso Fonias conta com a presença do Professor Raul Diniz, Director da AESE – Escola de Direcção e Negócios.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O trabalho foi sempre uma dor de cabeça para as sociedades. Diz a Igreja que ele dignifica a pessoa humana, na medida em que a torna aliada de Deus na obra da criação. Com um trabalho digno e que corresponda aos talentos de cada um, a pessoa realiza-se e ajuda a construir um mundo mais desenvolvido e com mais condições para todos viverem com dignidade. E, havendo um salário condigno associado a todos os trabalhos, as pessoas reúnem condições para satisfazerem todas as necessidades básicas e ainda se aventurarem a utilizar o dinheiro que sobra para a cultura, para o lazer, para constituir um fundo de poupança e, claro está, para partilhar com pessoas e instituições que apoiem os mais excluídos das nossas sociedades.
Mas o problema é que hoje são poucas as pessoas e as empresas que olham o trabalho por este prisma. Boa parte do mundo empresarial olha o trabalho como fonte de lucro, por qualquer preço. Daí que se aposte na mão de obra barata e se tente atingir o máximo de produção com um mínimo de custos salariais. Quando as pessoas contam menos que o dinheiro, as lutas sociais tornam-se inevitáveis e cria-se um onda de mal estar social que não beneficia ninguém. Também, da parte de muitos trabalhadores, o mais importante é o salário e não o trabalho, o serviço que se presta à sociedade ou a realização humana que ele traz. Com esta perspectiva, instala-se alguma irresponsabilidade, as pessoas não produzem o que deviam produzir e ninguém se sente feliz neste processo.

Uma radiografia do mundo mostra bem as desigualdades gritantes entre ricos e pobres, entre empregadores e muitos empregados. Em nome da justiça há que continuar a investir em leis e políticas de trabalho que o dignifiquem. E mais: há que dar sentido a esta colaboração preciosa que Deus espera de cada pessoa na continuação da obra da criação. Só quando trabalharmos com este espírito construtivo é que nos sentiremos felizes. E dificilmente pode haver felicidade em sociedades onde os níveis de desemprego são muito altos e onde muita gente não faz a quilo que gosta e não trabalha em áreas da sua competência. Há que criar condições para que cada pessoa faça o que gosta, o que sabe, o que a sociedade pode esperar dela.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

Liberdade e Desenvolvimento



Na semana em que comemoramos o Dia da Liberdade em Portugal, o Luso Fonias reflecte sobre a importância da liberdade no desenvolvimento dos povos com Joana Rigato, Vice-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz e professora de Filosofia.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Portugal, a 25 de Abril, comemora sempre o dia da Liberdade, pois foi neste dia de 1974 que uma revolução pacífica conclui um tempo marcado pela falta de liberdade e ebriu o caminho a uma verdadeira democracia.
A liberdade é um direito humano, é um bem muito precioso de que só se percebe bem a importância quando não existe. Infelizmente, em muitos pontos da terra, a liberdade só consta nas páginas dos dicionários. São muitos os atentados aos direitos humanos, destacando-se a falta de liberdade religiosa. Escreveu há dias Aristides Neiva, a propósito do Relatório da Ajuda à Igreja que Sofre:
“Não é uma surpresa, mas continua a ser chocante. Entre 75 a 85 por cento das perseguições religiosas em todo o mundo dizem respeito aos cristãos. Quem o diz é a organização “Ajuda à Igreja que Sofre”, no Observatório 2009 da Liberdade Religiosa no Mundo.
É aí que ficamos a saber que a violência e a intolerância contra os cristãos até aumentou no passado. Esta atitude de hostilidade, se no passado vinha sobretudo de regimes com ideologias ateias, actualmente vem de regimes que se apoiam em ideologias baseadas na aceitação de uma única religião, o islamismo em alguns países e o hinduísmo nalguns Estados da Índia.
De facto, se percorremos a geografia onde ocorreu maior agravamento de hostilidade contra os cristãos, somos levados até à Ásia, a países como a Arábia Saudita, Butão, China, Índia, Iraque, Paquistão e Vietname. Em África, os países indicados são a Argélia, o Egipto, a Eritreia e a Somália. Na lista aparecem ainda a Bolívia e a Venezuela’.

E conclui Aristides Neiva: ‘ A hostilidade religiosa, venha de onde vier e dirija-se a quem se dirigir, é sempre um passo atrás no progresso da humanidade e um passo à frente na intolerância e no empobrecimento de uma sociedade. Há Estados que tomam medidas legislativas e administrativas contra os cristãos. Há Estados que tomam medidas legislativas e administrativas contra os muçulmanos. A hostilidade religiosa nunca serviu o progresso da humanidade’.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

Sacerdócio em Missão


De 18 a 25 de Abril celebra-se a Semana das Vocações. O exemplo de quem dedica a vida a Deus e aos irmãos, com alegria e fidelidade, é semente de novas vocações.

Para nos dar o testemunho da sua vida de sacerdócio, com 26 anos em missão em Moçambique, o Luso Fonias conta com a participação do Padre Norberto Louro, Provincial dos Missionários da Consolata.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O Damasceno, o Raul e o Elson têm duas coisas em comum: são Espiritanos e vivem em Itoculo, no norte interior de Moçambique. Mas não estão só nesta missão difícil: partilham-na com as Espiritanas e com dezenas de Leigos comprometidos com as suas Comunidades. A pobreza é muita, mas a vontade de construir futuro é bem maior. Foi lá neste extremo norte de Moçambique que vivi a minha Páscoa 2010.
Itoculo foi vila importante no tempo colonial. A guerra passou por ali e deixou um rasto de destruição, lançando o povo na mais terrível das misérias. Hoje, o centro parece ainda uma vila fantasma, com muitas casas destruídas, embora tenha sido uma das localidades escolhidas para ‘vila do milénio’, com apoio do Japão.
Os Padres e as Irmãs apostam sobretudo na formação dos líderes destes ‘ministérios’, visitando as comunidades e acolhendo-os no Centro Pastoral S. Francisco Xavier que foi construído em Itoculo. Lá se ministram cursos de 15 dias, uma semana ou um fim se semana para capacitar os líderes. As celebrações da Eucaristia e dos outros Sacramentos fazem-se em diversas capelas da vasta extensão da Paróquia / Missão, ou, muitas vezes, debaixo de mangueiras e cajueiros.
Ao olhar para o Plano de Pastoral da Paróquia, é impressionante ver o itinerário que pretende percorrer em 2010, com muitas acções a implementar. Estão previstas acções de formação para o Conselho Paroquial, os Anciãos das Comunidades, os Jovens, a Catequese, as Famílias, os Animadores Vocacionais, a Infância Missionária, a Justiça e Paz, as Escolas Comunitárias, a Ajuda Fraterna, as Mamãs, a Saúde, o Ecumenismo, a Comunicação Social, o Grupo Coral.

Vivi lá a Semana Santa e a Páscoa. Acompanhei os Missionários nas visitas às Comunidades onde celebraram a Ceia do Senhor, a Paixão, a Vigília Pascal e o Domingo de Páscoa. Cerimónias longas e muito participadas, sempre celebradas debaixo de enormes cajueiros, Igrejas ao ar livre onde se louva a Deus na simplicidade e na pobreza.»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)

Os Ciganos: uma vida em caminho


Na passada Quinta-feira, dia 8 de Abril, celebrámos o Dia Internacional dos Ciganos. Portadores de uma cultura e tradições muito antigas, os ciganos continuam a ser muitos vezes excluídos e colocados de parte na nossa sociedade.

Para compreendermos o seu modo de vida e lançarmos desafios e caminhos de comunhão, o Luso Fonias conta com a participação do Responsável Nacional da Obra da Pastoral dos Ciganos, Frei Francisco Sales.












Na opinião do P. Tony Neves:




«O Dia Mundial dos Ciganos celebrou-se a 8 de Abril. Sempre que há um dia mundial de qualquer coisa é sinal de que algo ainda não está muito bem assumido. Neste caso, a celebração reveste-se de uma particular importância porque este povo tem características culturais muito próprias. As tradições étnicas dos ciganos tornaram-nos, ao longo dos tempos, um grupo excluído, porque dificilmente se tem enquadrado nos sistemas sociais dos países europeus onde vivem.
Cresci num ambiente social onde os ciganos eram vistos com suspeição. A ameaça de ‘chamar um cigano’, levava as crianças a mudar de comportamento e a fazer o que os mais velhos estavam a mandar. Chamar a alguém ‘cigano’ não era, propriamente um elogio. Era uma palavra que traduzia falta de seriedade, aldrabice.
Quando numa sociedade os grupos étnicos ficam á margem, a culpa pode estar em ambos os lados. Um esforço de aproximação e comunhão (não quero usar a palavra ‘integração’, pois acho que a ‘comunhão está mais correcta) implica caminhar juntos, derrubar preconceitos e mudar de atitudes. Sim, há conversões a fazer, de parte a parte. E mais: há que questionar algumas formas de estar na vida e de intervir socialmente. De um lado e do outro há aspectos a melhorar. E, se houver mais encontro e mais partilha, é inevitável a aproximação. O derrube dos preconceitos só pode acontecer se todos ouvirem mais e julgarem menos. E, sobretudo, de todos ousarem partilhar a vida e a história.

O valor da família alargada e da defesa do património histórico e cultural é algo que os ciganos podem dar aos outros grupos humanos. O abandonar certas posturas sociais que fragilizam a etnia vai ajudar a criar mais laços com o resto da comunidade. Se todos podem beneficiar da riqueza histórica e cultural de todos, porque perdemos esta oportunidade de crescer e de nos enriquecermos mutuamente?»







Ouça este programa e os mais antigos na Telefonia

(menu do lado direito)