segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Os Jovens: Voluntariado e Criatividade para o Desenvolvimento


Os jovens caracterizam-se pela sua criatividade e capacidade de abraçar novos projectos e desafios. Facilmente se empenham em causas que permitem transformar este mundo deixando-o um pouco melhor do que aquele que encontraram. Foi este o desafio que Baden-Powell, fundador do Escutismo, deixou aos jovens daquele que é hoje o maior movimento juvenil nacional e um dos maiores em todo o mundo. O Escutismo é uma escola de vida e apresenta às crianças, jovens e adultos uma proposta de formação que pode de facto transformar as suas vidas.
Para nos falar melhor sobre o Escutismo , o Luso Fonias conta com a presença de Pedro Duarte Silva, Secretário Nacional Pedagógico do CNE – Corpo Nacional de Escutas.

Na opinião do P. Tony Neves:
«Agosto é um mês que potencia muitas intervenções dos jovens em termos de cidadania, solidariedade social e apoio ao desenvolvimento de povos e países mais pobres. Só para focar em voluntariado missionário, indico os números apontados pela Fundação Evangelização e Culturas para este verão: 360 jovens partiram para África e América Latina com o objectivo de fazer uma experiência missionária de intervenção na área do apoio ao desenvolvimento e para interagir com outros jovens e as populações em geral, partindo com a certeza de que vão dar o seu melhor, mas vão regressar mais ricos do que partiram. Levam na bagagem ideias muito criativas e originais de iniciativas que pretendem gerar sintonias e simpatias, dando uma pequenina colaboração na construção de sociedades mais marcadas pelo desenvolvimento, pela justiça e pela paz. São projectos com muita utopia à mistura, mas que vão dando alguns resultados e, sobretudo, vão construindo pontes entre pessoas, grupos e povos.
Se é verdade que muitos dos projectos de voluntariado não conduzem a resultados palpáveis, outros mostram obra feita. Recordo, a título de exemplo, as muitas escolas, centros de saúde, lares, internatos, bibliotecas... que são construídos por Associações e Movimentos juvenis e que constituem um factor importante para o desenvolvimento de muitas comunidades, sobretudo na África.
Ao falar de desenvolvimento, queria fazer uma focagem no lado humano, pois, vulgarmente, associa-se mais à dimensão tecnológica. Estou a terminar uma experiência missionária com jovens no norte de Portugal. Privilegiamos algumas frentes de intervenção: actividades de tempos livres com crianças que não puderam sair das suas aldeias em tempo de férias; encontro e animação de idosos em lares de terceira idade; visitas a um estabelecimento prisional. Não construímos nenhuma casa nem andamos a limpar florestas; não ministramos nenhum curso de informática ou de música. Mas estamos com as pessoas, falamos com elas, ouvimos as suas histórias, rezamos com elas, partilhamos o que somos e o que sabemos...e todos estamos a ficar mais ricos. Os jovens, nas avaliações, vão confessando o quanto estão a crescer em humanidade e cidadania.
Há que investir em todas as frentes que permitem aos jovens crescer e ajudar outros a crescer com eles.»

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A cultura e as tradições dos povos indígenas















No coração da Amazónia bem como em muitas outras zonas mais interiores do globo continuam nos dias de hoje a existir inúmeras comunidades indígenas. Muitas vezes ameaçadas pela cultura contemporânea do imediatismo e do facilitismo, estes povos são portadores e zeladores de culturas ancestrais e partilham saberes e tradições que nos interpelam e cativam. Na sua simplicidade de vida encontram a alegria de viver em comunidade e de se relacionarem de forma vital com a natureza.
Para nos falar um pouco sobre estes povos, o Luso Fonias conta com o testemunho do Arcebispo de Manaus e também Vice-Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Luiz Soares Vieira.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Os missionários da Consolata vivem há muitos anos com os povos indígenas ‘Raposa Serra do Sol’. Com eles lutaram anos a fio para garantir do Governo a demarcação das terras indígenas que estavam a ser ocupadas. Ganharam a causa e, a 19 de Abril, dia Nacional do Índio no Brasil, Maturuca, uma aldeia que simboliza 34 anos de luta, foi o local escolhido para festejar a demarcação das terras indígenas da Raposa Serra do Sol. No coração da área indígena, no estado do Roraima, norte do Brasil, faz fronteira com a Venezuela e a Guiana. Ponto alto da celebração foi a visita do presidente Lula da Silva. Animação, alegria, música e actividades culturais encheram seis dias de grande festa – como contam as enviadas especiais da revista Fátima Missionária.
Hoje, a Raposa Serra do Sol é uma terra indígena, com 1,7 milhão de hectares, homologada, demarcada e registada pelo Supremo Tribunal Federal. Constitui uma área contínua, reservada aos povos indígenas.
Muitas pessoas ligadas a esta causa passaram por Maturuca, entre elas vários missionários da Consolata. Actual­mente dois portugueses moram em Maturuca e acompanham a caminhada dos índios: os padres Mário Campos e José Marçal.
A única escola indígena que existe em Maturuca ensina a língua macuxi e portuguesa, para que aquela não caia no esquecimento. A escola é dedicada a José Allamano, fundador dos missionários e missionárias da Consolata. Maturuca foi o local escolhido para o encontro que Lula da Silva manteve com os líderes índios. Esteve presente Jacir José de Souza, chefe dos tuxauas e grande lutador desde o início da demarcação das terras. A ele se deve a fundação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), em 1977 – dizem ainda as repórteres idas de Portugal para participar neste evento.
Escolhi este exemplo para evocar a importância do respeito de todos os povos indígenas que, com a sua ligação à terra e á tradição, nos obrigam a poisar bem os pés no chão, a beber nas fontes das nossas origens, a perceber que o futuro está nas raízes. Sem pararmos no tempo, há que perceber que a natureza é mãe, que a comunidade é muito importante, que não nos podemos desligar da nossa história. Nos tempos que correm, a sociedade globalizada perdeu as referências ás raízes, esmagou as culturas locais, destruiu as raízes tradicionais comunitárias e está a pagar preços elevadíssimos por tudo isso.

Sem parar no tempo, respeitemos os povos e as culturas que não querem viver ao ritmo alucinante dos tempos que correm e preservemos os valores da família alargada e da sã convivência com a natureza.»







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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

IX Encontro dos Bispos Lusófonos














No início deste mês de Julho, reuniram-se em São Tomé e Príncipe, os Bispos representantes das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos. Este é já o nono encontro que este ano teve como tema “A acção da Igreja na luta contra a pobreza nos países lusófonos”.
Para nos falar sobre esta iniciativa, o Luso Fonias de hoje conta com o testemunho do Padre José Maia, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Evangelização e Culturas, entidade promotora deste encontro.










Na opinião do P. Tony Neves:




«A tradição já vem de longe e os Bispos que representam os países lusófonos encontraram-se, mais uma vez. A Ilha de S. Tomé foi o local escolhido para receber o evento, de 2 a 9 de Julho, que contou com os representantes máximos das Igrejas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor.
É bom que se saiba que, ainda antes de existir a Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), já os Bispos lusófonos se reuniam. O objectivo era partilhar experiências de pastoral e formas de intervenção na vida do dia a dia das populações destes países que falam português e estão espalhados pelo mundo inteiro.
Une estas Igrejas uma longa história comum e a língua oficial. E mais: do tempo que houve uma Igreja Mãe (Portugal) e muitas Igrejas filhas (todas as outras) passamos para uma nova era onde temos apenas e só Igrejas Irmãs. E nesta fraternidade carimbada com o selo do Evangelho, os compromissos são os mesmos: tornar o mundo mais fraterno e mais humano, anunciando a Boa Nova de Jesus Cristo, organizando as comunidades e animando-as. Assim, em Macau como em Brasília, testemunhar o Evangelho de Cristo é desafio comum.
Não é fácil medir resultados. Mas, por exemplo, no que diz respeito a uma maior partilha de agentes de pastoral (Padres, irmãs e Leigos), é visível o caminho feito. Também é notável a partilha económica entre Igrejas com mais capacidade financeira e outras com reais dificuldades económicas para formar os seus agentes de pastoral e cumprir a sua missão.
Há gestos que falam alto. Por exemplo, quando o Papa veio a Portugal, todas as Igrejas lusófonas foram convidadas e estiveram representadas. Este e outros sinais visíveis mostram o caminho já realizado e a comunhão que existe no espaço lusófono.
Sem querer forçar resultados palpáveis, faz sentido continuar a construir pontes entre estas Igrejas que rezam em Português e trabalham no espaço lusófono.»







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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Avós e Netos













Na semana em que comemoramos o Dia dos Avós, vamos falar das relações de afectos que se estabelecem entre avós e netos, da participação dos avós na sua educação e das alterações de comportamentos em relação às famílias do passado.
Para nos falar dos laços entre avós e netos, o Luso Fonias conta com a participação de Mary Anne Avillez, enfermeira e avó de 8 netos.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Tempos houve em que os avós eram referências obrigatórias em todas as famílias. A sua ternura, a sua sabedoria enraizada ao longo dos anos, a sua história de dedicação á família, colocavam-nos quase no pedestal. Com o andar dos anos, a sociedade mudou, os valores por que se rege também se alteraram e, sobretudo, a dimensão económico ultrapassou completamente a afectiva, sendo o dinheiro bem mais importante que o amor.
Neste novo quadro cultural, a imagem dos avós desceu a pique. Estamos, é claro, a falar da regra geral, embora haja muitas e honrosas excepções. Mas, basta visitar alguns dos lares de terceira idade e algumas das aldeias do interior de Portugal para encontrarmos pessoas idosas que trabalharam e sofreram para educar os filhos e hoje são por eles completamente abandonados.
Nos meses de verão, os Jovens Sem fronteiras fazem missões de dez dias em Portugal. Sempre visitam e animam lares de idosos. E, a partir do 3º ou 4º dia, as pessoas idosas sentem os jovens como netos, dão abraços e beijos com fartura e abrem o livro das suas memórias. Regra geral, são tristes, porque falam dos filhos e netos que passam meses e meses sem aparecer, ocupados como estão nas suas vidas quotidianas, onde os idosos que já não produzem, não encontram espaço nenhum. Ouvi, nestes últimos anos, histórias muito tristes.
Mas também há histórias lindas, dignas de ser escritas. Temos pessoas idosas que se sentem felizes, sempre acompanhados e apoiados pelos seus familiares amigos, nas horas alegres e nas horas tristes. O capital de carinho que os avós acumulam ao longo dos anos merece tudo da parte das novas gerações. Não basta que as autarquias promovam, de tempos a tempos, uns passeios e uns picnics. Há que criar condições para que todos os idosos vivam até ao fim junto daqueles que amam, por quem, afinal de contas, deram tudo o que eram e o que tinham.»







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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Férias ao serviço dos outros












NNuma época em que a maioria das pessoas goza o merecido descanso das férias, há quem use esse tempo para participar em experiências de voluntariado, que tanto enriquecem quem dá e quem recebe.
Para nos falar sobre a sua experiência de voluntariado nas férias, o Luso Fonias conta com a participação de Hugo Gonçalves, do grupo de voluntariado missionário Tuala Kumoxi.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O nosso mundo é complicado. Corremos tanto e parece que atingimos tão poucos objectivos. Estamos sempre tão cansados, mas os resultados dos nossos esforços teimam em não aparecer. As preocupações do dia a dia tomam-nos de tal maneira que passamos a vida stressados, sem respirar fundo, sem saborear a felicidade das pequenas ou grandes conquistas do nosso dia a dia, que deveria ser simples, mas não é.
Por isso, o momento do ano mais ansiado por quase todos é o tempo das férias. O ritmo acelerado que imprimimos à vida dá mais sabor ao tempo em que descansamos dos trabalhos habituais e nos podemos dedicar mais à família, á cultura, a viagens e a fazer muitas coisas que é preciso ou de que gostamos, não tendo hipótese de as realizar durante o resto do ano.
O lazer é um direito a que, infelizmente, muitas pessoas não têm acesso. A pobreza é o factor mais importante no ataque a este direito. Quando os meios materiais são insuficientes para ter uma vida digna, as pessoas vêem-se obrigadas a trabalhar sem pausas, para garantir só e apenas o pão de cada dia.
As férias também são, para quem tiver possibilidades para tal, um tempo favorável ao encontro de povos e culturas, de experimentar novos climas, ver novas paisagens, visitar monumentos, provar novas gastronomias, dançar em ritmos diferentes. Claro que estas experiências não estão ao alcance de todas as bolsas mas podem estar no horizonte de todas as pessoas. Conhecer o mundo para além das fronteiras do meu dia a dia é um objectivo por que vale a pena lutar.
O Mundial de Futebol – isto para dar apenas um exemplo recente – levou á África do Sul milhões de pessoas. Foram lá levados pela onda do futebol. Mas, uma vez lá, fizeram uma pequena experiência de África, conheceram novos povos, novas culturas, escutaram o som das vuvuzelas, aprofundaram a história destes povos da África Austral.
Desejo boas férias a quem as tiver. Que sejam aproveitadas para o lazer, mas também para mais encontros com pessoas, com povos, com monumentos. E avanço com um desafio final: que as férias sejam tempo de mais solidariedade, partindo ao encontro de quem está mais só e mais excluído.»







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segunda-feira, 12 de julho de 2010

O desporto como factor de unidade mundial











Na véspera da final do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul, os media e a população em geral concentra a sua atenção em torno do futebol. Adeptos de todos os países confraternizam e partilham as emoções do desporto que assim se torna num factor de unidade entre os povos.
Para nos falar sobre a importância do desporto na promoção do desenvolvimento dos povos, o Luso Fonias conta com a participação de Vanda Ramalho, da Associação Nacional de Futebol de Rua.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O Mundial de Futebol levou os olhos e os corações a passear-se por África. Foi a primeira vez que este continente acolheu uma organização tão complexa como esta que amanhã se conclui com a Final.
O desporto nasceu como demonstração das reais capacidades físicas das pessoas e como espaço de encontro e confraternização entre as pessoas. Com o andar dos tempos e com a entrada, em força, do factor económico, tudo mudou no reino do desporto. Hoje, assustamo-nos todos com os milhões que circulam por aí, desde os contratos aos salários, passando pelo complexo mundo das publicidades.
Os comentadores desportivos deste Mundial, talvez sem medirem o alcance do que diziam, constantemente ligavam o jogador ao valor da sua última transferência ou da sua cláusula de rescisão. Como se de gado em feira se tratasse!
Juntar o negócio ao entretenimento parece ser, no desporto de alta competição, uma missão quase impossível. Pelo menos, para os jogadores, sempre sob a pressão dos números a facturar. Hoje, até aqueles jogos que se chamavam ‘amigáveis’ o deixaram de ser pois todos os jogadores estão vigiados por ‘olheiros’ de outros clubes, sempre à pesca dos melhores jogadores pelos mais baixos preços.
Também impressiona o estatuto de ídolos que os jogadores adquirem quando atingem o patamar das estrelas. Infelizmente (e vimos muitos casos desses no mundial), boa parte dos jogadores ganham muito dinheiro, mas a sua formação humana e o seu comportamento estão uns furos abaixo. E o pior é que eles se tornam referências, a todos os níveis, para as novas gerações!
Com esta passagem por África, espero que o desporto ajude a construir pontes entre povos e culturas e proporcione um verdadeiro encontro de pessoas.»







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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Missionários a Caminho










De acordo com os dados revelados recentemente pela Fundação Evangelização e Culturas, durante este ano de 2010 já partiram ou ainda irão partir 360 voluntários para os diversos países de missão. Movidos pela ousadia e pela coragem de contribuirem para um desenvolvimento global mais justo e fraterno, estes voluntários entregam generosa e gratuitamente um período mais ou menos longo das suas vidas para que outros possam também melhorar as suas condições de vida.
Para nos falar sobre voluntariado missionário, o Luso Fonias conta com a presença da Ana Patrícia Fonseca da Fundação Evangelização e Culturas e da Liliana dos Leigos Missionários Combonianos.










Na opinião do P. Tony Neves:




«São muitas e muitos os que estão de malas aviadas e vão partir em Missão. Num tempo acusado de muito egoísmo, é provocador ver tanta gente, sobretudo jovens, querer ir ao encontro de outros povos para falar de Cristo e, de acordo com as suas competências profissionais, dar uma pequena colaboração na construção de um mundo mais humano e mais cristão.
Na hora da publicação das estatísticas, prefiro focar mais a minha reflexão nas orientações que os Bispos Portugueses acabam de dar, em carta Pastoral, sobre o impulso missionário que é urgente dar à Igreja.
Dizem os Bispos que os sinos já não marcam o ritmo da vida das pessoas. É urgente anunciar o Evangelho. É fundamental a opção pelos mais pobres. Portugal é espaço de Missão. A Igreja local é o sujeito primeiro da Missão. Há que apostar mais na pastoral juvenil. Há que trabalhar á imagem do Bom Pastor. A igreja tem de se abrir mais ao Espírito Santo e partir ao encontro dos corações.
Parece óbvio que ninguém ama o que não conhece nem anuncia aquilo que não sabe ou em que não acredita. Os Bispos dizem que o ‘amor excessivo’ de Deus por nós exige-nos uma dedicação radical ao seu anúncio. Nos tempos que correm, não bastam discursos, não basta reformar estruturas. É preciso ir mais longe e mais fundo e converter a nossa vida aos valores do Evangelho, sabendo que tal exige remar contra a corrente. Também não é suficiente a pastoral de manutenção do que já temos: é preciso partir em missão. Há aqui um duplo apelo à espiritualidade (há que aprofundar pela oração as razões da nossa fé) e à disponibilidade para partir onde o Espírito nos levar. O ideal era atingir objectivo que aparece retratada na oração final sobre Maria: a Igreja deve ser uma Casa grande, abertas e feliz, átrio de fraternidade’.
Felicito quantos partem em Missão e, sobretudo, mantenho acesa a esperança de que, com esta Carta Pastoral, a Missão vai sentir um novo dinamismo em Portugal, com consequências em todo o mundo onde os missionários portugueses partilham a fé e a vida das populações a quem são enviados.»







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sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Droga: a desumanização da Humanidade









No dia 26 de Junho, comemorámos o Dia Internacional contra o Uso e Tráfico de Droga. De acordo com estudos recentes, o consumo de droga tem aumentado junto das camadas mais jovens e cada vez em mais precocemente. Geradora de vícios e de uma contínua e degradante desumanização, a droga é também um negócio milionário cujas redes de tráfico e consumo continuam a proliferar um pouco por todo o mundo.
Para debatermos este tema, o Luso Fonias com a presença do Pe. Pedro Quintela, da Direcção da Associação Vale de Acór, uma associação que trabalha diariamente na recuperação e reinserção de toxicodependentes.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Contra a droga parece que já inventamos todos os slogans, todas as campanhas. Mas ela continua aí, a dar cabo das novas gerações e já a fazer investidas em classes etárias mais avançadas. Onde ela entra, sai o essencial da dignidade e da vida.
Todos conhecemos pessoas com o estatuto de adicto, palavra bonita que quer dizer ‘dependente’. Esse é o grande problema da droga: depois de tomar conta das pessoas, de as impedir de agir com liberdade e responsabilidade, torna-as dependentes. E é isso que dá dinheiro aos traficantes, pois a droga é muito cara e os adictos necessitam dela mais do que do pão para a boca. Para a obterem não há preço e eles serão capazes de tudo ou quase tudo. Se for mesmo preciso roubar ou matar, essa possibilidade não é descartada, dependendo muito do estado em que a pessoa já se encontra.

Os problemas resolvem-se de duas maneiras: combatendo as consequências e evitando as causas. Neste mundo complexo da toxicodependência, parece óbvio que as melhores soluções se encontram na prevenção. E, quer queiramos quer não, tocamos num problema muito sério: o do sentido da vida, da felicidade das pessoas, da realização pessoal, familiar e profissional de cada uma delas. Aqui é urgente investir. As pessoas, desde a infância, têm de se sentir amadas; precisam de ter vez e voz na família e na sociedade; devem perceber que a escola é um espaço de crescimento e de abertura ao futuro; necessitam de participar, como cidadãos, em grupos de adolescentes e jovens onde as dimensões ética, religiosa e de cidadania sejam cultivadas e valorizadas. Depois, quando não funciona a prevenção há que atacar o problema. Os governos devem lutar contra a produção e tráfico. Os serviços de saúde e as instituições especializadas devem acompanhar e recuperar os adictos. É uma missão muito difícil, mas não impossível. As sociedades têm de investir mais na garantia da felicidade dos cidadãos e no combate a tudo o que os escraviza e desumaniza. A Igreja, aqui e mais uma vez, joga um papel decisivo.»







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sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Música como encontro de culturas








A música tem o poder de transmitir sentimentos e aproximar as pessoas, numa linguagem que é universal. Os países lusófonos têm um património musical variado e muito rico, e vários dos nossos artistas têm feito a experiência de juntar ritmos e sonoridades dos diferentes países e assim vão reforçando um universo cultural comum.
Para nos falar sobre música e interculturalidade, o Luso Fonias conta com a presença da cantora caboverdiana Celina Pereira.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Ao falar da Música vem-me sempre á memória o aviso que o meu professor de Eclesiologia, na Universidade Católica, em Lisboa, a fazia aos alunos: estudem os manuais de teologia a sério, não quero que se formem padres de viola ás costas! Esta crítica era dirigida a mim e outros como eu que, durante os estudos de Teologia, percorríamos dos caminhos das paróquias onde fazíamos a pastoral, quase sempre de viola às costas, para falar de Deus ás pessoas de uma forma divertida: cantando e pondo as pessoas a cantar e a louvar a Deus através da música. Anos a fio, tentei animar crianças, jovens e menos jovens, através de textos e melodias que as pessoas gostavam de cantar. E sempre achei que tal não excluía a teologia. Pelo contrário, constituía uma forma simpática atractiva de proclamar as verdades da nossa fé e os compromissos que ela exigia, sempre em ordem à construção de um mundo mais humano e mais fraterno.
E, quando estudava Filosofia em Braga, fundamos uma ‘orquestra Típica’ que cantava e tocava músicas do património popular português, garantindo animação em dias de festa nas comunidades por onde passávamos. A música servia, ao mesmo tempo, a cultura, o convívio e a missão.
Em Angola, não podia passar sem a festa que os batuques garantiam nas visitas às comunidades, mesmo em tempo de guerra. Não era preciso mais nada: bastava um batuque e pessoas para assegurar a alegria por muitas horas, por vezes para a noite inteira. Ali, a música era o garante da comunhão, da alegria e da festa. Em tempo de guerra, juntar-se á volta da fogueira para cantar e dançar era acontecimento que enchia a alma e apagava as mágoas.
Terminou há tempos o Rock in Rio, em Lisboa. Continua a ser impressionante a capacidade que a música tem de unir pessoas ou, pelo menos, de as congregar. O lema deste evento é ‘por um mundo melhor’. Se conseguiu atingir este objectivo há que dar parabéns à música e aos músicos. Afinal, num mundo tão dividido, as expressões musicais têm o talento de unir. Como pede Jesus na parábola do Evangelho, há que pôr este talento a render mais.»







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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Portugal e o mundo lusófono: desenvolvimento comum







Num momento de crise financeira internacional que atinge todos os países e numa altura em que Portugal assume cada vez mais um compromisso de controlo da despesa pública, vamos analisar a cooperação portuguesa face aos compromissos assumidos a nível internacional para contribuir para a criação de um mundo global mais justo.
Para nos falar sobre a cooperação portuguesa, o Luso Fonias conta com a presença do Dr. João Martins, da Plataforma das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento.










Na opinião do P. Tony Neves:




«A lusofonia – basta olhar para a história para o concluir – nasceu da colonização portuguesa. Por isso, á partida, há sentimentos contraditórios nascidos de um processo complexo de mais de 500 anos. A colonização não assentou, como é óbvio, no respeito dos direitos humanos nem da dignidade igual das pessoas. A história foi a que foi e ela não pode ser alterada. Mas há feridas que ainda não estão completamente cicatrizadas. Nestes 500 anos, a par de aspectos negativos, houve, claro está muitas coisas positivas que, apesar de tudo, faz dos povos que hoje falam português países irmãos. Eu não sinto a mesma coisa quando aterro no Congo ou em Angola, no México ou no Brasil, no Senegal um em Cabo Verde, na África do Sul ou em S. Tomé, na Guiné Conacri ou na Guiné Bissau... Sinto as pessoas dos países lusófonas como minhas irmãs, pois partilhamos a mesma língua e boa parte da mesma história.
Ora, o tempo colonial também não ajudou a construir um ‘império económico’ com igual desenvolvimento para todos. A era das independências (e refiro-me só a África) fez passar a autoridade dos administradores portugueses para os novos líderes locais, situação que, em alguns casos degenerou em guerra civil e noutros em dificuldade governativa. Por estas e outras razões, o índice de desenvolvimento humano, publicado ano após ano pelas Nações unidas, prova que há muita pobreza e pouco desenvolvimento sustentável em boa parte do espaço lusófono. Pela história comum e pela cultura que partilhamos, nós, os lusófonos, devíamos dar mais as mãos e trabalhar por um desenvolvimento que aprofunde laços de comunhão e solidariedade entre todos. Não faz sentido que, por exemplo, a Guiné-Bissau esteja na cauda da lista dos países mais pobres. Há que ser mais solidário, quer nos apoios directos, quer na ajuda à boa governação, um dos problemas que muitos países do mundo enfrentam.
Estão constituídas diversas plataformas de encontro no espaço lusófono. Será que funcionam a sério? A CPLP consegue atingir os objectivos para que foi fundada? A Plataforma das Igrejas Lusófonas, que une as lideranças das conferências episcopais do espaço lusófono tem reunido com frequência, debatido assuntos pastorais e sociais importantes, gerado ondas de solidariedade, mas não se poderia ir ainda mais longe?

Estas e outras questões precisam de ser aprofundadas. Há que investir num desenvolvimento mais equilibrado na lusofonia para que todos nos sintamos mais irmãos. É que, verdade seja dita, não basta falarmos a mesma língua!»







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As Crianças: o futuro do desenvolvimento







Na semana em que comemorámos o Dia Mundial da Criança, vamos debater sobre as formas de sensibilizar as crianças para a solidariedade e o desenvolvimento global, porque é nas mãos delas que está o futuro da humanidade. Vamos conhecer a experiência da Associação das Guias de Portugal, que aposta forte na educação das suas crianças e jovens, e que levou a cabo recentemente uma campanha de recolha de fundos para projectos em vários pontos do globo.
Para nos falarem das suas actividades, o Luso Fonias conta com a presença de Inês Domingues e Joana Henrique, da Associação das Guias de Portugal.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Fernando Pessoa quando disse que ‘o melhor do mundo são as crianças’ estava a ser profeta sem dar por ela. De facto, a sua simplicidade, a sua ternura, a capacidade de amar e de crescer, a alegria sem preconceitos, a falta de filtros que lhes permite ser verdadeiras... são valores que nós, os adultos, por vezes, vamos perdendo ao longo dos anos. Mas, as notícias que vão circulando por aí mostram que elas, em muitos contextos, são maltratadas e sentem os seus direitos espezinhados. E não estou em falar na situação limite e degradante que tem a ver com os abusos sexuais, nem me refiro ao drama inqualificável do trabalho infantil. Refiro-me, sim, a situações mais simples que se prendem com as consequências dramáticas da pobreza.
Um dos objectivos do Milénio para o Desenvolvimento refere a escolaridade mínima. Outro refere a saúde materno-infantil. Ora, os números falam alto acerca da quantidade de crianças que não vão á escola, que não têm acesso aos cuidados mais elementares de saúde, que não vivem numa habitação condigna, que passam fome, que vivem em contexto de guerra ou violência mais ou menos generalizada... e continuamos a falar daquelas que Fernando Pessoa definiu como ‘o melhor do mundo’, ou seja, as Crianças.
Trabalhar pelo desenvolvimento integral das novas gerações é fundamental para a construção de um futuro de paz e desenvolvimento. São muitas, felizmente, as instituições que, por esse mundo fora, trabalham por mais educação, mais saúde, melhor habitação, mais respeito pelos direitos humanos, mais paz, mais progresso. E, regra geral, as crianças são sempre o grupo prioritário destas intervenções humanistas e solidárias.

O Dia Mundial da Criança que celebrámos a 1 de Junho, deve permitir uma focagem especial neste mundo das crianças. Que bom que seria perceber que a expressão feliz do nosso Poeta Pessoa não é letra morta gravada em livro mas se transformou em prática quotidiana em todo o mundo. O futuro, desta forma, estaria mais que garantido, para todos.»







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sexta-feira, 11 de junho de 2010

África: um continente em expansão






Assimetrias sociais, desenvolvimento muito frágil, instabilidade política e económica... São geralmente estes os termos que preenchem os cabeçalhos dos meios de comunicação quando se referem a África. Mas o continente africano é muito mais do que isto. Nele encontra-se uma grande variedade cultural, um enorme potencial de crescimento dadas as suas riquezas culturais e uma demografia jovem com uma grande sede de conhecimento.
Para nos falar sobre esta África em expansão, o Luso Fonias conta com a presença do Professor Carlos Lopes do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Celebramos, a 25 de Maio, o Dia de África. Festa não faltou. Nem em África, nem no resto do mundo onde África está presente. O ritmo, o colorido, a alegria, a dança estão sempre presentes quando há africanos. Esta é uma imagem de marca do continente verde e talvez seja um dos elementos fundamentais para explicar a sua capacidade de enfrentar dificuldades, de sobreviver em situações críticas aos olhos do resto do mundo. Mas não basta fazer festa. É preciso dar estabilidade aos Estados, às economias, á democracia. É preciso cimentar a paz onde ela foi conseguida após longos anos de conflitos sangrentos. É preciso criar empresas competitivas e modernizadas. É preciso que o Serviço Nacional de Saúde funcione bem. É preciso que os Direitos Humanos sejam respeitados por todos. É preciso que uma Educação de qualidade esteja ao alcance de todos. Enfim, há muitos objectivos ainda por alcançar em África como no resto do mundo. Celebrar o Dia de África é também um excelente pretexto para avaliar o caminho percorrido e lançar os alicerces de um futuro assente em valores, na justiça, na paz, na solidariedade, no respeito pelos direitos humanos, numa economia desenvolvida, na fraternidade.
Passei a Páscoa no norte de Moçambique. Experimentei, mais uma vez, a hospitalidade extraordinária de um povo que oferece tudo o quem tem a quem o visita. Senti, na relação construída, como a festa faz parte da sua vida. Percebi a sua vontade de ver crescer os filhos, apostando na sua ida Escola. Mas doeu-me muito ver a extrema pobreza de quase todos em contraste com a provocadora riqueza de uns poucos. Doeu ver como a máquina do desenvolvimento está quase parada no interior onde não há estradas, nem escolas, nem hospitais, nem fábricas e as pessoas sobrevivem com o seu campo e o pequeno comércio que dá para ir fazendo.

Celebrar o dia de África foi pretexto para fazer subir a auto-estima de um continente que tem tudo para ser grande. Sempre com a convicção de que o melhor do mundo são as pessoas e é nelas que é urgente investir.»







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Diálogo Intercultural






Na semana em que comemorámos o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, o Luso Fonias teve como tema o "Escolhas", um Programa do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural que promove a igualdade de oportunidades entre os jovens descendentes de imigrantes e de minorias étnicas. Para nos falar sobre este programa, contamos com a presença de Pedro Calado, Director do Programa, e António Embaló, coordenador de um projecto em Loures, o Projectar Lideranças.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Bento XVI, na sua recente visita a Portugal, falou várias vezes da riqueza da diversidade cultural, quando assenta no diálogo e não na confrontação. No encontro como o mundo da Cultura, o Papa reconheceu que ‘a convivência da Igreja, na sua adesão firme ao carácter perene da verdade, com o respeito por outras ‘verdades’ ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer’. Esta confissão é um acto de humildade que é geradora de esperança na construção de um mundo assente nos pilares dos direitos humanos. Mais adiante, o Papa afirma: ‘Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e dar-lhe aquilo que possui de bem, de verdade e de beleza’.
Na preparação da visita do Papa, Lisboa encheu-se de faixas de pano. Esta campanha de rua apoiou-se em verbos com mensagem profundamente bíblica, que acompanhavam todos a afirmação: ‘Foi o que o Pai me ensinou’. ‘Amar’, ‘perdoar’, ‘acreditar’, ‘esperar’, ‘confiar’ e ’festejar’ eram os verbos que apoiavam o lema da campanha que tinha um rosto a mostrar que Lisboa é multicultural. Quem ia percorrendo as avenidas olhava para caras europeias e africanas, todas unidas por uma fé comum e pela pertença à Igreja. De facto, quer Portugal quer a Igreja Católica são um espaço sem fronteiras onde todas as culturas têm lugar, vez e voz, sem haver quaisquer razões para discriminações.
No Porto, com a Avenida dos Aliados a rebentar pelas costuras, Bento XVI voltou a falar do diálogo: ‘hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência entre os povos’.

O respeito pela diversidade cultural, assente no diálogo gera desenvolvimento e abre caminhos de futuro. Por isso, há que dar vida ao slogan do Rock in Rio que está a acontecer em Lisboa e que tem por lema: ‘Por um mundo melhor’.»







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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cooperação e Solidariedade





As Cáritas dos países de língua oficial portuguesa reuniram-se entre 25 de Abril e 2 de Maio na Guiné-Bissau para reflectir sobre o “Combate à Pobreza promovendo a auto-suficiência alimentar”.
Neste Luso Fonias contamos com um debate organizado pela Rádio Sol Mansi, da Guiné Bissau, com representantes das Cáritas de vários países que estiveram presentes neste encontro.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Falar de Caridade após a passagem de Bento XVI entre nós, em Portugal, vem sempre a propósito. Aliás, o papa fez questão de colocar o compromisso social dos cristãos como ponto alto da sua agenda. O encontro, em Fátima, com quantos se empenham por um país mais solidário e mais fraterno é prova dessa vontade do Papa estar do lado dos mais pobres, daqueles que merecem ter mais vez e mais voz.
‘Deus é Amor’ é a primeira encíclica de Bento XVI. Para o Papa, o amor a Deus e o amor ao ‘próximo’ constituem um único mandamento e fundem-se no mais pequenino dos humanos. Por isso, Jesus usou parábolas como a do Bom Samaritano, a do Rico e do Pobre Lázaro, ou a do Juízo Final para dizer que o ‘próximo’ é qualquer pessoa que necessite de mim e eu possa ajudá-lo.
O Papa recorda ainda que, no âmbito da solidariedade, há que evitar duas tentações: a de ter soluções humanas e técnicas para tudo e a de cruzar os braços porque não se consegue resolver nada.
‘Caridade na Verdade’ é o documento que Bento XVI dedica a temas sociais. Defende um desenvolvimento humano integral, que atinja todas as pessoas em todas as dimensões do humano. O Papa considera que o subdesenvolvimento depende da responsabilidade humana: resulta da falta de fraternidade entre as pessoas e entre os povos: ‘A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos’. Bento XVI condena o aumento do fosso entre ricos e pobres: ‘cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas riquezas’. Há uma denúncia forte à corrupção e ilegalidade presentes no comportamento de sujeitos económicos e políticos dos países, tanto pobres como ricos, insistindo na situação que se vive em certos países mais pobres: ‘(…) alguns gozam duma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora. Continua o escândalo de desproporções revoltantes’ .
O Papa considera que o aumento maciço da pobreza mina a coesão social e põe em risco a democracia. Há que continuar a investir na aplicação dos princípios tradicionais da ética social: a transparência, a honestidade, a responsabilidade e a gratuidade.

Parabéns á caritas e a quantos fazem da solidariedade um espaço de Missão.»







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sexta-feira, 14 de maio de 2010

A visita do Papa Bento XVI a Portugal




O Santo Padre vai estar em Portugal de 11 a 14 de Maio, passando por Lisboa, Fátima e Porto. Em Fátima vai presidir às celebrações do 13 de Maio, no décimo aniversário da beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta. Vai também ter encontros especiais com agentes da cultura e da pastoral social. Para nos falar do programa e das expectativas da Igreja Portuguesa para esta visita teremos hoje connosco D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e coordenador da visita de Bento XVI.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Estarei lá. Em Lisboa, em Fátima e no Porto. Acompanharei os passos e escutarei as palavras do Papa. Faço parte das largas centenas de jornalistas que terão a missão de amplificar as palavras e os gestos de bento XVI nesta sua primeira visita às terras de Santa Maria.
Acompanhar uma visita papal é uma experiência muito interessante. Para mim, tudo começou no ano 1982 quando em Coimbra, num dia de muito nevoeiro, tive que esperar, ao frio e sem comida, uma noite inteira e uma manhã, pelo Papa João Paulo II que, por causa do mau tempo, chegaria ao Estádio Municipal no dia seguinte ao previsto. Mas ninguém arredou pé e passamos a noite a cantar. Já não recordo das palavras do papa polaco, mas ainda está viva na minha memória a alegria e a festa que todos fizemos na presença de J. Paulo II.
Já como padre e como jornalista, tive o privilégio de acompanhar toda a longa e significativa viagem de J. Paulo II a Angola e S. Tomé em 1992. Tive o privilégio de ser escolhido como comentador da Rádio nacional de Angola e, por isso, tive sempre direito a avião e a jipe em todas as deslocações do Papa. Foi uma festa que, para os angolanos, celebrava a paz, embora, infelizmente, a guerra tenha recomeçado mais tarde.
De regresso á Europa, tive a felicidade de participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Paris, no ano 97. Mais de um milhão de jovens vibraram com a simpatia que J. Paulo II conseguia fazer passar para as novas gerações. Foi um momento forte de encontro, de festa, de celebração da Fé na Cidade Luz.
Voltaria a encontrar J. Paulo II, desta feita já muito debilitado, em Fátima no ano 2000. Ele queria vir cá revelar o terceiro segredo e beatificar a Jacinta e o Francisco. Doía um pouco olhar para aquele homem completamente vergado pela doença, mas dava coragem olhá-lo nos olhos e ver a força com que lutava pela vida e pelo testemunho corajoso do Evangelho.
Nunca encontrei Bento XVI. Esta será a primeira vez que o verei ao vivo. Vem num momento de crise, quer económica quer de valores. Aguardo com expectativa as suas intervenções e os gestos proféticos que venha a fazer. Espero que a sua homilia no Porto dê um empurrão à dimensão missionária de uma Igreja que não pode ficar eternamente a olhar para a história e a dizer que Portugal foi um país muito missionário!

Com Bento XVI, espero que a Missão ganhe força e fôlego em Portugal e no mundo.»







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