sábado, 16 de outubro de 2010

Rede Fé e Desenvolvimento


Com base na Doutrina Social da Igreja, que incita à participação na transformação do mundo, a Fundação Evangelização e Culturas criou em 2009 a Rede Fé e Desenvolvimento. Esta Rede tem trabalhado com várias dioceses e movimentos da Igreja Católica, promovendo uma reflexão sobre os temas do Desenvolvimento e mobilizando esses grupos para serem mais activos na discussão de problemas globais, como o cumprimento dos Objectivos do Milénio ou as alterações climáticas.
Para nos explicar em que consiste a Rede Fé e Desenvolvimento, o Luso Fonias conta com a participação de Margarida Alvim, Coordenadora da Rede.

Na opinião do P. Tony Neves:

«A Rede Fé e Desenvolvimento nasceu para ajudar a Igreja e a sociedade a perceber a importância dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) em que os Governos sem comprometem a reduzir a pobreza do mundo para metade até 2015. Trata-se de um projecto apoiado pela Campanha do Milénio das Nações Unidas, que pretende sensibilizar e mobilizar a Igreja Católica para as questões do desenvolvimento, actuando no mundo e em diálogo com as outras confissões religiosas e restante sociedade civil. Uma das últimas iniciativas foi a de acompanhar por dentro a Cimeira da ONU para a avaliação dos ODM, que se realizou em Nova Iorque a 27 e 28 de Setembro.
A Margarida Alvim, que coordena esta Rede criada no âmbito da Fundação Evangelização e Culturas, aceitou esta missão como um desafio, como explicou: ‘este trabalho contribui, mais uma vez, muito para o meu próprio desenvolvimento, como cidadã e como crente. Só tenho a agradecer a Deus e à FEC esta oportunidade. A Rede Fé e Desenvolvimento transporta-me para o Mundo’.
Trabalhar em Rede é hoje um imperativo. Ninguém faz nada sozinho e os problemas do mundo têm tal dimensão que só unindo esforços e corações se podem tentar resolver. Por isso, a Margarida Alvim acredita que a missão da Rede Fé e Desenvolvimento lança desafios à Igreja: ‘Ela deve ter uma voz mais activa e forte no exercício da sua cidadania. Porque tem autoridade para o fazer, porque faz parte da sua Missão e porque como crentes, temos a obrigação acrescida de intervir na construção de uma sociedade mais justa, e isso passa pelo acompanhamento das políticas, pela acção, pela sensibilização, pelo desmascarar injustiças, pelo fazer pontes’.
Percebemos, pelos resultados da Cimeira, que a Pobreza ainda está para durar e o objectivo de acabar com metade até 2015 será mais miragem que concretização. Mas não é tempo de cruzar os braços porque o grito dos pobres continua a ecoar bem alto e bem fundo nos nossos ouvidos de pessoas marados com o carimbo do Evangelho que nos obriga a partir ao encontro dos mais pobres».

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sábado, 9 de outubro de 2010

Cooperação Intermunicipal


Há vários anos que se estabeleceram laços de cooperação e partilha de recursos e experiências entre municípios de Portugal e dos países lusófonos. Desta cooperação nasceram vários projectos de construção de infra-estruturas, apoio à educação e à saúde, ou formação de técnicos municipais. É também uma forma de integração das populações imigrantes presentes em Portugal, que assim estreitam laços com os seus países de origem e vêm a sua cultura valorizada.
Para nos falar sobre a cooperação estabelecida entre municípios de Portugal e dos países africanos de língua portuguesa, o Luso Fonias conta com a participação da Vereadora Corália Loureiro, da Câmara Municipal do Seixal, que comemora 20 anos de cooperação com o município caboverdiano da Boa Vista.

Na opinião do P. Tony Neves:

«Criar laços, construir pontes... são sempre objectivos em que vale a pena apostar. Isso pode dar-se entre todos os países (ONU), entre alguns países (União Europeia, União Africana...), entre Dioceses (por exemplo, entre Leiria-Fátima e Sumbe (Angola), entre Paróquias e entre Municípios. É sobretudo destes laços que gostaria de reflectir hoje.
Há diversas câmaras municipais de Portugal que estão geminadas com Municípios de outros países do espaço lusófono. Une-as as afinidades entre povos que falam a mesma língua e partilham história e cultura. Estas afinidades são decisivas para que outros projectos de parceria possam ser pensados e implementados.
Não há dois municípios iguais, pelo que as geminações têm todas a marca da originalidade que caracteriza cada terra e cada povo. Algumas vezes, um dos Municípios está a passar por um período mais complicado da sua história e a geminação pode ajudar a resolver problemas, seja no âmbito da saúde, da educação ou de âmbito social. Outras vezes, a geminação é pretexto para intercâmbio de pessoas que aproveitam a oportunidade para partilhar culturas e experiências diversificadas que a todos enriquecem. Não se podem perder oportunidades de aproximar povos e culturas, dando uma pequena contribuição para que expressões como ‘fraternidade universal’ não apareçam só em dicionários e enciclopédias.
Se todos os lusófonos fizessem mais esforço em gerar sintonias com quantos partilham a língua, parte da história e da cultura, ganharíamos um estatuto diferente à escala do mundo. Somos muitos milhões, mas precisamos de ser mais irmãos. Que o projecto Enlaces, que quer promover mais cidadania e desenvolvimento, mais partilha e encontro dentro do espaço lusófono, seja mais conhecido e mais vivido. Toda a lusofonia, todos os lusófonos vamos ficar mais ricos».

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sábado, 2 de outubro de 2010

A arte de ensinar


Ensinar é sempre um desafio. A responsabilidade de transmitir saberes e conhecimentos é desde há muitos séculos uma preocupação da humanidade. Existe todo um património que se deseja perpetuar mas existe também a necessidade de investigar novos saberes e descobrir novas matérias. Desde modo, o ensino é sempre uma janela aberta para novas oportunidades. Para nos falar sobre esta arte de ensinar no contexto mais geral da cooperação e do desenvolvimento, o Luso Fonias conta com a participação do Presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, o Professor Manuel Correia.

Na opinião do P. Tony Neves:

«Tempos houve em que ser professor era algo que trazia muito prestígio. Lembrava o meu avô que, no tempo da sua infância, a terra tinha três pessoas importantes: o padre, o professor e o doutor. Os tempos mudaram muito de então para cá e ser professor hoje traz mais chatices que louros. Dos tempos em que a disciplina numa sala de aulas era sagrada e a obediência aos professores era intocável, chagamos a uma época em que crianças e jovens quase não obedecem a ninguém e alguns pais até vão questionar os professores quando estes quiserem impor alguma disciplina aos seus filhos. Isto para já não falar de alunos que exercem violência física sobre professores....
Mas no Dia Internacional do Professor não queria falar muito dos dramas que hoje se vive na escola. É bom olhar para o lado mais positivo e para o papel fundamental que a escola continua a exercer na sociedade.
Há que investir ainda mais na formação dos professores que os leve a sentir-se em casa quando estão diante dos seus alunos. Bem formados, motivados, vocacionados para leccionar, os professores conseguirão melhor atrair a atenção dos mais jovens e fazer caminhada pedagógica com eles.
Há um dado relativamente novo no panorama europeu do ensino superior que gostava de referir hoje: o programa Erasmus. Assim, durante o curso superior, há milhares de jovens europeus que deixam a sua universidade e o seu país e fazem um ano lectivo numa outra universidade e noutro país, com outros colegas e noutro contexto cultural. Há quem aproveite bem esta oportunidade para rasgar novos horizontes, conhecer novas pessoas e culturas, agarrar novos mercados de trabalho.
A Educação tem de mudar: nos alunos e nos professores. Há que construir uma mentalidade académica baseada na convicção de que a Escola é decisiva para o futuro das pessoas e dos povos. Quando percebermos isto, tudo o resto se resolverá. Há que dignificar a Escola, em nome de uma educação humana integral».

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sábado, 25 de setembro de 2010

Turismo: Potencialidades e Desafios


O turismo é um sector essencial para o desenvolvimento dos países, porque gera rendimento económico e permite o intercâmbio cultural entre visitantes e visitados. Todos os países lusófonos têm para oferecer belas paisagens naturais e praias com potencial turístico, mas será que todos estão bem preparados para receber turistas? Para debater os desafios do turismo nos países lusófonos, no Luso Fonias vamos estar à conversa com a Professora Brígida Brito, do Centro de Estudos Africanos do ISCTE.

Na opinião do P. Tony Neves:
«Conhecer deve ser sempre um grande objectivo para qualquer pessoa. Devemos criar condições para aumentar o nosso conhecimento sobre o mundo e as pessoas que nele habitam. Vem isto a propósito da comemoração, a 25 de Setembro, do Dia Mundial do Turismo. Quem tem dinheiro aproveita as suas férias para partir rumo a terras que não conhecem a fim de encontrar povos, monumentos e paisagens que encham os olhos e, sobretudo, o coração.
Ainda há dias me sentei para ouvir uma amiga contar como foram as suas férias na Tunísia. Um grupo de jovens decidiu programar por conta própria as suas férias e ir, Tunísia dentro, ao encontro de povoações e pessoas que as agências de viagem nunca ajudariam a encontrar. A conversa recaiu sobre a pobreza de muitas pessoas mas, ao mesmo tempo, sobre a alegria genuína, o sentido de festa e de acolhimento que o grupo viveu e sentiu por onde passou. Conto este episódio como poderia contar muitos outros, a provar que o encontro de povos e culturas poderá ser sempre um enriquecimento mútuo.
Mas falar de Turismo obriga a referir o fosso abissal entre ricos e pobres, entre os que podem ter férias e conhecer novos mundos e os que nunca saberão o que a palavra ‘turismo’ quer dizer. De qualquer forma, é muito importante estimular o que de mais lindo o conceito ‘turismo’ traz dentro de si: a possibilidade de entrar noutros mundos e noutros corações e isso não exige dinheiro: requer apenas disponibilidade interior para escutar e partilhar.
Os tempos de crise que vivemos obrigam a cortes orçamentais no que não é essencial e, neste aspecto, o turismo sofre. A criatividade é, por isso, chamada ao palco, e é impressionante ver as ginásticas orçamentais que algumas pessoas fazem para, mesmo gastando pouco, poderem fazer esta experiência de entrada noutras terras, noutros mundos, no coração de outras gentes. Há que fazer tudo por tudo para que o mundo seja a casa de todos e em todos os lugares do mundo as pessoas se sintam em casa».

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sábado, 18 de setembro de 2010

Alzheimer: como lidar com a doença


Esta é uma doença que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Estudos recentes alertam para o facto de que na nossa sociedade cada vez mais envelhecida, este número aumentará ainda mais nos próximos anos. O doente com Alzheimer vai progressivamente perdendo as suas faculdades, tornando-se cada vez mais dependente de outros.
A interacção com os doentes, os possíveis tratamentos, as causas e efeitos da doença são alguns dos temas do Luso Fonias que conta com a participação do Dr. António Oliveira Costa da Associação Alzheimer Portugal.

Na opinião do P. Tony Neves:
«A medicina está muito avançada na detecção das doenças e no combate contra muitas das enfermidades que atacam as pessoas hoje. Isto é óptimo, sinal de que a inteligência que Deus nos deu está a ser posta ao serviço do bem. Mas, como todas as medalhas, esta tem um reverso. Muitas pessoas vivem muitos mais anos do que viveriam antigamente, graças aos avanços da medicina e, por isso, também muitas delas mostram mais e por mais tempo os limites da nossa condição humana. Um dos sinais mais dolorosos dos tempos que correm é a doença de Alzheimer que faz com que algumas pessoas mais idosas percam qualidades de memória e inteligência, ficando, pouco a pouco, muito dependentes a todos os níveis. A situação torna-se dolorosa pois percebemos que pessoas muito queridas, simpáticas e activas ficam baralhadas, desajustadas do mundo e a precisar de cuidados 24 horas por dia. Sendo pessoas importantes para nós, a fragilidade que demonstram causa um enorme sofrimento.
Diante de doentes com Alzheimer, as famílias tomam diferentes decisões: tentam encontrar uma instituição que os receba e acompanhe até á morte, processo lento e de progressiva perda de qualidade de relação e de autonomia; outros fazem um esforço enorme para criar condições de manter essa pessoa querida no círculo da família, até à morte. Todas as decisões que levem familiares a passar o fim dos seus dias fora do contexto onde viveram são dolorosas. E ainda bem, pois é sinal de que os nossos familiares valem muito e a nossa relação afectiva é intensa. Mas, na hora das grandes decisões, às vezes, pesa mais o factor económico do que o afectivo; outras vezes, a decisão olha mais à libertação de um peso do que ao assumir a debilidade humana como algo de natural à nossa vida, situação pela qual quase todos iremos passar.
Neste Dia Mundial dos doentes com Alzheimer façamos um esforço para olhar para eles como pessoas que viveram connosco e para nós e que, no fim da vida, têm uma doença que exige paciência, carinho e acompanhamento da nossa parte. As pessoas valem pelo que são e não pela saúde que têm. Que o amor não nos falte quando mais urgente é a sua presença. Com amor, seremos todos mais humanos».

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sábado, 11 de setembro de 2010

Terrorismo e instabilidade nas relações internacionais


Nove anos após o atentado de 11 de Setembro em Nova Iorque, o Luso Fonias procura compreender melhor o impacto deste acontecimento no xadrez das relações internacionais. As alianças entre Estados no combate ao terrorismo e as medidas de segurança impostas para fazer face a um inimigo que pode aparecer quando menos se espera vão ser tema de conversa naquela que é a edição número 200 do Luso Fonias.
Para nos falar sobre o terrorismo no quadro das relações internacionais, o Luso Fonias conta com o Prof. Carlos Gaspar, director do Instituto Português de Relações Internacionais.

Na opinião do P. Tony Neves:
«11 de Setembro fica para a história da humanidade como um dia de tragédia e de reflexão sobre a forma como as pessoas se relacionam e se respeitam…ou não. A destruição das Torres Gémeas de Nova Iorque representa uma destruição muito maior: a da confiança nas pessoas e nas instituições, a da segurança que o mundo percebeu que não existe mais.
O mundo depois deste dia mudou muito. Sentimos isso quando viajamos de avião e nos investigam até à sola dos sapatos. Percebemos que os níveis de confiança estão em baixo. Compreendemos que estamos sempre sob suspeita de sermos um terrorista qualquer que chega armadilhado e manda tudo pelo ar.
Atribuiu-se o atentado de Nova Iorque ao fundamentalismo islâmico e o mundo abriu guerra aberta a todos os fundamentalismos religiosos. Se calhar, a identificação do problema não foi bem feita. Há que ver as razões profundas dos terrorismos. A forma como o mundo se organiza, como os mais ricos arrasam a dignidade dos mais pobres poderá explicar melhor o aparecimento de grupos que, não tendo nada a perder, atacam os que têm tudo a ganhar.
Combater o terrorismo implica um investimento grande no combate à pobreza e na defesa dos direitos humanos. Não faz sentido que o mundo continue a dividir-se entre os que têm mais barriga que jantar e os que têm mais jantar do que barriga, ou seja, entre ricos esbanjadores e pobres sem acesso aos bens essenciais.O diálogo com grupos terroristas é quase impossível. Pena foi que se tivessem reunido condições para que eles aparecessem. Agora já é tarde demais para fazer o que quer que seja. Mas o futuro estás todo em aberto: há que criar mecanismos de justiça social à escala do planeta que não dêem lugar a fanatismos e fundamentalismos. Assim o mundo poderá ser um espaço de fraternidade. Todos vamos ganhar com isso».

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sábado, 4 de setembro de 2010

A Internet: o novo espaço de socialização


Nos dias de hoje, a internet assume um papel cada vez mais importante na comunicação entre as pessoas. Não é apenas uma ferramenta de pesquisa de informação mas é cada vez mais um espaço de encontro entre as pessoas, sobretudo através da crescimento exponencial das redes sociais. Hoje é possível encontrarmos na net, como vulgarmente é conhecida, informações de amigos ou até mesmo familiares com quem já não estamos há muito tempo. Criam-se também redes de partilha e de troca de experiência em torno dos meus assuntos ou interesses. Podemos assim afirmar que no mundo contemporâneo este é cada vez mais um espaço de socialização.
Para nos falar melhor sobre as redes sociais, o Luso Fonias conta com o testemunho de Tiago Forjaz, um dos fundadores da Star Tracker, a rede social que procura reunir os talentos portugueses.

Na opinião do P. Tony Neves:
«Até há poucos anos, o mundo dividia-se em ricos e pobres, tendo como critério de catalogação os dinheiros, as terras e outros haveres que as pessoas, instituições e países tinham como sua propriedade. Hoje, na era da informática, há novos poderes e novas riquezas em jogo. Há quem já divida o mundo em info-ricos e info-pobres, ou seja, entre os que têm acesso às novas tecnologias da comunicação e os que dela estão privados. São novas riquezas e novas pobrezas que estão agora em jogo.
Nos países mais ricos e nas áreas ricas dos países mais pobres, meio mundo já acede hoje à internet, abrindo portas e janelas ao mundo. Por ela, temos acesso a uma infinidade de sites, por onde tudo (do melhor e do pior) nos pode chegar. Temos também a possibilidade de criar endereços electrónicos que nos permitem mandar informações e receber informações de todo o mundo, em poucos segundos. Quando nos recordamos dos tempos que eram precisos para enviar ou receber uma carta, de Portugal para Angola ou vice-versa, há uns tempos atrás, percebemos a importância da descoberta que constituem os endereços electrónicos.
Mais recentemente, chegaram as redes sociais. O facebook e o twitter são hoje meios privilegiados para dar a conhecer informações, partilhar fotos, mobilizar para acontecimentos, convidar para envolvimento em grandes causas. Quando correctamente utilizadas, estas redes sociais põem fazer grandes milagres, resolver grandes problemas, encontrar pessoas perdidas há anos. Mas também pode ajudar a criar redes de bandidos, enganar crianças e adolescentes fazendo-os vítimas de pedofilia, ludibriar jovens e menos jovens, aliciando-os para falsos empregos que os conduzem à escravatura laboral ou sexual, propor negócios que levam a enormes burlas...enfim, o melhor e o pior passam pela internet, pelo que é importante uma séria formação para uma utilização correcta e proveitosa destas tecnologias da comunicação.
Por opção consciente, falei sempre da internet como oportunidade e como perigo. É mesmo assim. Os meios de comunicação social são isso mesmo: meios, máquinas. São um potencial enorme, mas os resultados dependem da forma como são utilizados. Eles sem são bons nem são maus. Boas e más são as pessoas que os vão utilizar. Coloquêmo-los ao serviço das pessoas e o mundo vai ser melhor»

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sábado, 28 de agosto de 2010

A Guerra: Motivos e Consequências


Na semana em que passam 71 anos sobre o início da Segunda Guerra Mundial, o conflito mais sangrento da História, vamos ter a experiência de um jornalista que tem investigado a história recente do mundo lusófono, em particular a guerra colonial e os movimentos de independência dos países africanos de língua portuguesa.
Para nos falar sobre a sua experiência de jornalismo de investigação, o Luso Fonias conta com a presença de José Pedro Castanheira.

Na opinião do P. Tony Neves:
«Sempre que falo de guerra eu fico mal disposto. Para mim, ela nunca fará qualquer sentido e constitui sempre uma violação frontal dos direitos humanos. Inventem lá as teorias que quiserem, mas quem viveu intensamente uma guerra, sabe que ela não só não resolve os problemas como ainda os agrava. E mais: nas guerras, as grandes vítimas são sempre as pessoas que nada têm a ver com o assunto. Os senhores que as promovem ficam a beber os seus wiskies sossegados nos seus palácios, enquanto os militares, forçados a combater, se transformam em carne de canhão, nas linhas da frente dos combates. E pior que isso: as populações civis são mortas, deslocadas, violadas, privadas das suas casas, dos seus campos, dos seus empregos, maltratadas e perseguidas. As crianças ficam sem escola, os doentes sem hospitais... um mar de tragédias que, só quem não viveu uma guerra do lado das vítimas, pode apoiar.
Mas a verdade é que, se em teoria todos dizem que a guerra é terrível, na prática é a ela que os governos e oposições armadas recorrem para resolver os problemas, sacrificando as populações indefesas, arrastando os países para a bancarrota económica, gerando dívidas que as gerações posteriores terão dificuldades em pagar.
Sofri na carne a crueldade e a barbaridade da grande batalha que arrasou o Huambo em 1993. Muito do que vivi nunca contarei a ninguém, mas há dramas indescritíveis que são provocados pelos senhores das guerras e que mostram que o sentido humano das decisões e atitudes está muitas vezes ausente do coração de certas pessoas.
A II Grande Guerra Mundial começou a 1 de Setembro de 1939. No fim, criou-se a ONU para que a barbaridade da guerra não voltasse a fazer das suas. Mas a memória continuou curta e o recurso á guerra manteve-se até hoje. Milhões de pessoas, nos últimos anos, foram mortas, feridas, refugiadas, espoliadas de todos os seus bens, separadas das suas famílias, privadas de um futuro com dignidade. Vamos pedir contas a quem deste barbaridade que está instituída e, por isso, aceite como um caminho de solução quando os problemas são grandes ou quando as ganâncias de ter e de poder são desmedidas?
O mundo, e quem nele tem poder de decisão, deve pôr a mão na consciência e perguntar porque é que ainda não se encontraram alternativas à guerra? Talvez as grandes empresas que fabricam armas e exercem influência sobre os governos tenham uma palavra a dizer-nos.»

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sábado, 21 de agosto de 2010

As Prisões: Condenação ou Redenção


Os muros das prisões delimitam um mundo que nos é muitas vezes estranho e desconhecido. Sabemos que aqueles que ocupam estes espaços estão a cumprir penas resultantes de crimes cometidos. Mas as prisões não são apenas espaços de condenação. São também lugares de reflexão e transformação da vida e de promoção da dignidade humana.
Para nos falar melhor do mundo prisional e do trabalho que é feito com os presos, o Luso Fonias conta com o testemunho do Pe. Tiago Neto, capelão prisional.

Na opinião do P. Tony Neves:
«A prisão é uma instituição que não devia existir. Só por isso, já é má. Não devia existir, antes de mais, porque as pessoas deviam ser boas e nada fazer que justificasse o seu afastamento da sociedade que as viram crescer. Não deviam existir porque as sociedades onde se cometem crimes e ilegalidades deviam ter outros mecanismos para ajudar as pessoas a resolver problemas criados por atitudes negativas. Mas foi este o caminho que, ao longo da história, os diferentes governos escolheram para sancionar quem erra gravemente e, teoricamente, ajudar a recupera-los para uma vida mais de acordo com as leis. Digo ‘teoricamente’, porque a prática vais desmentindo esta finalidade dos estabelecimentos prisionais.
Tenho entrado em alguns centros de reclusão por questões pastorais. Em geral, o meu contacto com os reclusos é muito limitado, por imposições legais de segurança. Vou, sou todo revistado á entrada, ando sempre acompanhado de guardas, celebro as Eucaristias e pouco mais é permitido ali fazer. Há dias, tive a oportunidade de visitar uma prisão e contactar alguns dos reclusos numa conferência seguida de debate, aberta apenas a alguns dos detidos nesse estabelecimento prisional. Foi muito interessante o debate que mostrou as preocupações destes jovens e menos jovens que, numa curva da vida, foram parar atrás das grades. Lia-se nas entrelinhas das suas intervenções a vontade de reabilitar as suas vidas e as suas dolorosas histórias pessoais. Deu para entender que a sua chegada á prisão foi resultado de muitos dramas vividos, de muita exclusão social experimentada.
Com frequência se diz que a prisão não reabilita, antes refina a maldade, a ponto de muitos que lá estão, cometerem crimes maiores quando um dia são libertados. Reflectir sobre a função social de uma prisão e fazer dela um espaço de reabilitação social e moral é um imperativo para qualquer ministério da justiça. As Igrejas e todas as forças vivas da sociedade civil devem aliar-se na busca de soluções para este problema. Uma sociedade que não resolve bem os seus problemas não pode querer ser segura nem justa, nem humana.»

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Os Jovens: Voluntariado e Criatividade para o Desenvolvimento


Os jovens caracterizam-se pela sua criatividade e capacidade de abraçar novos projectos e desafios. Facilmente se empenham em causas que permitem transformar este mundo deixando-o um pouco melhor do que aquele que encontraram. Foi este o desafio que Baden-Powell, fundador do Escutismo, deixou aos jovens daquele que é hoje o maior movimento juvenil nacional e um dos maiores em todo o mundo. O Escutismo é uma escola de vida e apresenta às crianças, jovens e adultos uma proposta de formação que pode de facto transformar as suas vidas.
Para nos falar melhor sobre o Escutismo , o Luso Fonias conta com a presença de Pedro Duarte Silva, Secretário Nacional Pedagógico do CNE – Corpo Nacional de Escutas.

Na opinião do P. Tony Neves:
«Agosto é um mês que potencia muitas intervenções dos jovens em termos de cidadania, solidariedade social e apoio ao desenvolvimento de povos e países mais pobres. Só para focar em voluntariado missionário, indico os números apontados pela Fundação Evangelização e Culturas para este verão: 360 jovens partiram para África e América Latina com o objectivo de fazer uma experiência missionária de intervenção na área do apoio ao desenvolvimento e para interagir com outros jovens e as populações em geral, partindo com a certeza de que vão dar o seu melhor, mas vão regressar mais ricos do que partiram. Levam na bagagem ideias muito criativas e originais de iniciativas que pretendem gerar sintonias e simpatias, dando uma pequenina colaboração na construção de sociedades mais marcadas pelo desenvolvimento, pela justiça e pela paz. São projectos com muita utopia à mistura, mas que vão dando alguns resultados e, sobretudo, vão construindo pontes entre pessoas, grupos e povos.
Se é verdade que muitos dos projectos de voluntariado não conduzem a resultados palpáveis, outros mostram obra feita. Recordo, a título de exemplo, as muitas escolas, centros de saúde, lares, internatos, bibliotecas... que são construídos por Associações e Movimentos juvenis e que constituem um factor importante para o desenvolvimento de muitas comunidades, sobretudo na África.
Ao falar de desenvolvimento, queria fazer uma focagem no lado humano, pois, vulgarmente, associa-se mais à dimensão tecnológica. Estou a terminar uma experiência missionária com jovens no norte de Portugal. Privilegiamos algumas frentes de intervenção: actividades de tempos livres com crianças que não puderam sair das suas aldeias em tempo de férias; encontro e animação de idosos em lares de terceira idade; visitas a um estabelecimento prisional. Não construímos nenhuma casa nem andamos a limpar florestas; não ministramos nenhum curso de informática ou de música. Mas estamos com as pessoas, falamos com elas, ouvimos as suas histórias, rezamos com elas, partilhamos o que somos e o que sabemos...e todos estamos a ficar mais ricos. Os jovens, nas avaliações, vão confessando o quanto estão a crescer em humanidade e cidadania.
Há que investir em todas as frentes que permitem aos jovens crescer e ajudar outros a crescer com eles.»

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A cultura e as tradições dos povos indígenas















No coração da Amazónia bem como em muitas outras zonas mais interiores do globo continuam nos dias de hoje a existir inúmeras comunidades indígenas. Muitas vezes ameaçadas pela cultura contemporânea do imediatismo e do facilitismo, estes povos são portadores e zeladores de culturas ancestrais e partilham saberes e tradições que nos interpelam e cativam. Na sua simplicidade de vida encontram a alegria de viver em comunidade e de se relacionarem de forma vital com a natureza.
Para nos falar um pouco sobre estes povos, o Luso Fonias conta com o testemunho do Arcebispo de Manaus e também Vice-Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Luiz Soares Vieira.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Os missionários da Consolata vivem há muitos anos com os povos indígenas ‘Raposa Serra do Sol’. Com eles lutaram anos a fio para garantir do Governo a demarcação das terras indígenas que estavam a ser ocupadas. Ganharam a causa e, a 19 de Abril, dia Nacional do Índio no Brasil, Maturuca, uma aldeia que simboliza 34 anos de luta, foi o local escolhido para festejar a demarcação das terras indígenas da Raposa Serra do Sol. No coração da área indígena, no estado do Roraima, norte do Brasil, faz fronteira com a Venezuela e a Guiana. Ponto alto da celebração foi a visita do presidente Lula da Silva. Animação, alegria, música e actividades culturais encheram seis dias de grande festa – como contam as enviadas especiais da revista Fátima Missionária.
Hoje, a Raposa Serra do Sol é uma terra indígena, com 1,7 milhão de hectares, homologada, demarcada e registada pelo Supremo Tribunal Federal. Constitui uma área contínua, reservada aos povos indígenas.
Muitas pessoas ligadas a esta causa passaram por Maturuca, entre elas vários missionários da Consolata. Actual­mente dois portugueses moram em Maturuca e acompanham a caminhada dos índios: os padres Mário Campos e José Marçal.
A única escola indígena que existe em Maturuca ensina a língua macuxi e portuguesa, para que aquela não caia no esquecimento. A escola é dedicada a José Allamano, fundador dos missionários e missionárias da Consolata. Maturuca foi o local escolhido para o encontro que Lula da Silva manteve com os líderes índios. Esteve presente Jacir José de Souza, chefe dos tuxauas e grande lutador desde o início da demarcação das terras. A ele se deve a fundação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), em 1977 – dizem ainda as repórteres idas de Portugal para participar neste evento.
Escolhi este exemplo para evocar a importância do respeito de todos os povos indígenas que, com a sua ligação à terra e á tradição, nos obrigam a poisar bem os pés no chão, a beber nas fontes das nossas origens, a perceber que o futuro está nas raízes. Sem pararmos no tempo, há que perceber que a natureza é mãe, que a comunidade é muito importante, que não nos podemos desligar da nossa história. Nos tempos que correm, a sociedade globalizada perdeu as referências ás raízes, esmagou as culturas locais, destruiu as raízes tradicionais comunitárias e está a pagar preços elevadíssimos por tudo isso.

Sem parar no tempo, respeitemos os povos e as culturas que não querem viver ao ritmo alucinante dos tempos que correm e preservemos os valores da família alargada e da sã convivência com a natureza.»







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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

IX Encontro dos Bispos Lusófonos














No início deste mês de Julho, reuniram-se em São Tomé e Príncipe, os Bispos representantes das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos. Este é já o nono encontro que este ano teve como tema “A acção da Igreja na luta contra a pobreza nos países lusófonos”.
Para nos falar sobre esta iniciativa, o Luso Fonias de hoje conta com o testemunho do Padre José Maia, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Evangelização e Culturas, entidade promotora deste encontro.










Na opinião do P. Tony Neves:




«A tradição já vem de longe e os Bispos que representam os países lusófonos encontraram-se, mais uma vez. A Ilha de S. Tomé foi o local escolhido para receber o evento, de 2 a 9 de Julho, que contou com os representantes máximos das Igrejas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor.
É bom que se saiba que, ainda antes de existir a Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), já os Bispos lusófonos se reuniam. O objectivo era partilhar experiências de pastoral e formas de intervenção na vida do dia a dia das populações destes países que falam português e estão espalhados pelo mundo inteiro.
Une estas Igrejas uma longa história comum e a língua oficial. E mais: do tempo que houve uma Igreja Mãe (Portugal) e muitas Igrejas filhas (todas as outras) passamos para uma nova era onde temos apenas e só Igrejas Irmãs. E nesta fraternidade carimbada com o selo do Evangelho, os compromissos são os mesmos: tornar o mundo mais fraterno e mais humano, anunciando a Boa Nova de Jesus Cristo, organizando as comunidades e animando-as. Assim, em Macau como em Brasília, testemunhar o Evangelho de Cristo é desafio comum.
Não é fácil medir resultados. Mas, por exemplo, no que diz respeito a uma maior partilha de agentes de pastoral (Padres, irmãs e Leigos), é visível o caminho feito. Também é notável a partilha económica entre Igrejas com mais capacidade financeira e outras com reais dificuldades económicas para formar os seus agentes de pastoral e cumprir a sua missão.
Há gestos que falam alto. Por exemplo, quando o Papa veio a Portugal, todas as Igrejas lusófonas foram convidadas e estiveram representadas. Este e outros sinais visíveis mostram o caminho já realizado e a comunhão que existe no espaço lusófono.
Sem querer forçar resultados palpáveis, faz sentido continuar a construir pontes entre estas Igrejas que rezam em Português e trabalham no espaço lusófono.»







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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Avós e Netos













Na semana em que comemoramos o Dia dos Avós, vamos falar das relações de afectos que se estabelecem entre avós e netos, da participação dos avós na sua educação e das alterações de comportamentos em relação às famílias do passado.
Para nos falar dos laços entre avós e netos, o Luso Fonias conta com a participação de Mary Anne Avillez, enfermeira e avó de 8 netos.










Na opinião do P. Tony Neves:




«Tempos houve em que os avós eram referências obrigatórias em todas as famílias. A sua ternura, a sua sabedoria enraizada ao longo dos anos, a sua história de dedicação á família, colocavam-nos quase no pedestal. Com o andar dos anos, a sociedade mudou, os valores por que se rege também se alteraram e, sobretudo, a dimensão económico ultrapassou completamente a afectiva, sendo o dinheiro bem mais importante que o amor.
Neste novo quadro cultural, a imagem dos avós desceu a pique. Estamos, é claro, a falar da regra geral, embora haja muitas e honrosas excepções. Mas, basta visitar alguns dos lares de terceira idade e algumas das aldeias do interior de Portugal para encontrarmos pessoas idosas que trabalharam e sofreram para educar os filhos e hoje são por eles completamente abandonados.
Nos meses de verão, os Jovens Sem fronteiras fazem missões de dez dias em Portugal. Sempre visitam e animam lares de idosos. E, a partir do 3º ou 4º dia, as pessoas idosas sentem os jovens como netos, dão abraços e beijos com fartura e abrem o livro das suas memórias. Regra geral, são tristes, porque falam dos filhos e netos que passam meses e meses sem aparecer, ocupados como estão nas suas vidas quotidianas, onde os idosos que já não produzem, não encontram espaço nenhum. Ouvi, nestes últimos anos, histórias muito tristes.
Mas também há histórias lindas, dignas de ser escritas. Temos pessoas idosas que se sentem felizes, sempre acompanhados e apoiados pelos seus familiares amigos, nas horas alegres e nas horas tristes. O capital de carinho que os avós acumulam ao longo dos anos merece tudo da parte das novas gerações. Não basta que as autarquias promovam, de tempos a tempos, uns passeios e uns picnics. Há que criar condições para que todos os idosos vivam até ao fim junto daqueles que amam, por quem, afinal de contas, deram tudo o que eram e o que tinham.»







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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Férias ao serviço dos outros












NNuma época em que a maioria das pessoas goza o merecido descanso das férias, há quem use esse tempo para participar em experiências de voluntariado, que tanto enriquecem quem dá e quem recebe.
Para nos falar sobre a sua experiência de voluntariado nas férias, o Luso Fonias conta com a participação de Hugo Gonçalves, do grupo de voluntariado missionário Tuala Kumoxi.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O nosso mundo é complicado. Corremos tanto e parece que atingimos tão poucos objectivos. Estamos sempre tão cansados, mas os resultados dos nossos esforços teimam em não aparecer. As preocupações do dia a dia tomam-nos de tal maneira que passamos a vida stressados, sem respirar fundo, sem saborear a felicidade das pequenas ou grandes conquistas do nosso dia a dia, que deveria ser simples, mas não é.
Por isso, o momento do ano mais ansiado por quase todos é o tempo das férias. O ritmo acelerado que imprimimos à vida dá mais sabor ao tempo em que descansamos dos trabalhos habituais e nos podemos dedicar mais à família, á cultura, a viagens e a fazer muitas coisas que é preciso ou de que gostamos, não tendo hipótese de as realizar durante o resto do ano.
O lazer é um direito a que, infelizmente, muitas pessoas não têm acesso. A pobreza é o factor mais importante no ataque a este direito. Quando os meios materiais são insuficientes para ter uma vida digna, as pessoas vêem-se obrigadas a trabalhar sem pausas, para garantir só e apenas o pão de cada dia.
As férias também são, para quem tiver possibilidades para tal, um tempo favorável ao encontro de povos e culturas, de experimentar novos climas, ver novas paisagens, visitar monumentos, provar novas gastronomias, dançar em ritmos diferentes. Claro que estas experiências não estão ao alcance de todas as bolsas mas podem estar no horizonte de todas as pessoas. Conhecer o mundo para além das fronteiras do meu dia a dia é um objectivo por que vale a pena lutar.
O Mundial de Futebol – isto para dar apenas um exemplo recente – levou á África do Sul milhões de pessoas. Foram lá levados pela onda do futebol. Mas, uma vez lá, fizeram uma pequena experiência de África, conheceram novos povos, novas culturas, escutaram o som das vuvuzelas, aprofundaram a história destes povos da África Austral.
Desejo boas férias a quem as tiver. Que sejam aproveitadas para o lazer, mas também para mais encontros com pessoas, com povos, com monumentos. E avanço com um desafio final: que as férias sejam tempo de mais solidariedade, partindo ao encontro de quem está mais só e mais excluído.»







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segunda-feira, 12 de julho de 2010

O desporto como factor de unidade mundial











Na véspera da final do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul, os media e a população em geral concentra a sua atenção em torno do futebol. Adeptos de todos os países confraternizam e partilham as emoções do desporto que assim se torna num factor de unidade entre os povos.
Para nos falar sobre a importância do desporto na promoção do desenvolvimento dos povos, o Luso Fonias conta com a participação de Vanda Ramalho, da Associação Nacional de Futebol de Rua.










Na opinião do P. Tony Neves:




«O Mundial de Futebol levou os olhos e os corações a passear-se por África. Foi a primeira vez que este continente acolheu uma organização tão complexa como esta que amanhã se conclui com a Final.
O desporto nasceu como demonstração das reais capacidades físicas das pessoas e como espaço de encontro e confraternização entre as pessoas. Com o andar dos tempos e com a entrada, em força, do factor económico, tudo mudou no reino do desporto. Hoje, assustamo-nos todos com os milhões que circulam por aí, desde os contratos aos salários, passando pelo complexo mundo das publicidades.
Os comentadores desportivos deste Mundial, talvez sem medirem o alcance do que diziam, constantemente ligavam o jogador ao valor da sua última transferência ou da sua cláusula de rescisão. Como se de gado em feira se tratasse!
Juntar o negócio ao entretenimento parece ser, no desporto de alta competição, uma missão quase impossível. Pelo menos, para os jogadores, sempre sob a pressão dos números a facturar. Hoje, até aqueles jogos que se chamavam ‘amigáveis’ o deixaram de ser pois todos os jogadores estão vigiados por ‘olheiros’ de outros clubes, sempre à pesca dos melhores jogadores pelos mais baixos preços.
Também impressiona o estatuto de ídolos que os jogadores adquirem quando atingem o patamar das estrelas. Infelizmente (e vimos muitos casos desses no mundial), boa parte dos jogadores ganham muito dinheiro, mas a sua formação humana e o seu comportamento estão uns furos abaixo. E o pior é que eles se tornam referências, a todos os níveis, para as novas gerações!
Com esta passagem por África, espero que o desporto ajude a construir pontes entre povos e culturas e proporcione um verdadeiro encontro de pessoas.»







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